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Os benefícios do ensino regular e ambiente para a inclusão social do aluno autista

Érica Cristiane Zancheta de Souza

Kelly Christiane Nazareth Sereia Dias Paulino

Maria Fernanda Delolo Alves

Valéria Cristina Pedro Bom Bueno

 

DOI: 10.5281/zenodo.17790008

 

 

RESUMO:

Na presente pesquisa serão analisados os benefícios do ensino regular para o aluno autista, destacando que o mesmo faz parte, sobretudo da parte histórica do homem, tendo como objetivo possibilitar o aprendizado como uma realização, uma necessidade que desperte interesse e curiosidade, adquirindo conhecimento através das vivências, visando a inclusão social.  Todos os alunos aprendem de forma significativa, constroem o conhecimento de si mesmos e do contexto em que vivem, apren­dem, exploram e se descobrem. Para os alunos autistas, o ensino regular pode contribuir para vencer as questões frágeis que apresentam na parte da socialização dos mesmos, através de atividades que os mesmos possam desenvolver suas habilidades oportunizando a inclusão do mesmo. O artigo teve embasamento bibliográfico de acordo com autores como: Ferreira (1989), Oliveira (2000) e entre outros, que abrangem sobre os benefícios do ensino de todas as disciplinas no ensino regular, que se não estiverem presentes na rotina do autista pode prejudicar na sua inclusão e independência para sua socialização. A metodologia adotada é através de atividades práticas, onde as mesmas visam alcançar um resultado de um ensino individualizado e em grupo à criança autista, seja em ambiente interno da sala de aula ou no ambiente externo.

 

Palavras-chave: Ensino Regular. Benefícios. Inclusão. Autista.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Desde que nascem as crianças utilizam da história da sua sociedade e cultura para relacionar-se com o outro, expor suas vontades e interagirem com o meio ao qual se encontram inseridas. Além de ser uma ferramenta de auxílio, todas as disciplinas do ensino regular colaboram no processo do desenvolvimento das habilidades temporais e espaciais da criança autista e ajuda principalmente, nas aptidões sociais do indivíduo.

Assim acredita-se que o trabalho com o aluno autista inserido no ensino regular seja de muita importância nas ações desse indivíduo, pois é principalmente por meio da exploração do mundo, os alunos conseguem observar tudo aquilo que é diferente.

O ensino regular relaciona-se com tudo e todos que se encontram ao seu redor. A partir dessa compreensão, defende-se, que o desenvolvimento temporal e espacial auxilia a origem de diferentes funções, seja elas: psicológicas como: a atenção, o raciocínio, a memória, a linguagem, dentre outras.

Com os benefícios desse ensino para o aluno autista pode-se destacar a melhora na parte comportamental, observa-se diminuição de movimentos estereotipados do autista, bem como diminuição de comportamentos agressivos e com isso visa-se a inclusão do mesmo.

Atualmente, em diversas tarefas que são responsabilidades dos professores no processo educacional, várias vezes sem recursos e condições, há questionamentos sobre a inclusão e sobre como o professor se submete a essa questão se em sua formação não deram suporte para trabalhar a inclusão e uma metodologia adequada.

No presente trabalho buscou-se entender as características desenvolvimentistas do aluno autista com os benefícios do ensino regular visando a inclusão, e como o educador deve agir/interagir como facilitador desse desenvolvimento por meio do mesmo.

O trabalho configura-se como pesquisa bibliográfica, abrangendo uma trajetória sobre a deficiência intelectual, conceito de autismo e por fim centrando seu foco e objetivo nos benefícios que as disciplinas do ensino regular trazem para o aluno autista, visando a inclusão.

 

 

  1. TRAJETÓRIA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E CONCEITO DE AUTISMO

 

AAMR (2006), diz que no ano de 1995 foi alterado o termo deficiência mental por deficiência intelectual, para diferenciar a deficiência mental da doença mental, pois, isso tem gerado muitas confusões.

Usou-se o termo intelectual por tratar-se do funcionamento do intelecto e não da mente como um todo. Sendo assim, deficiência intelectual significa funcionamento intelectual significativamente inferior a média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo.

Ainda de acordo com AAMR (2006), a deficiência mental define-se como funcionamento intelectual geral significativamente inferior à média, que interfere nas atividades adaptativas e cognitivas.

Mas, Ferreira (1989), diz que a criança para constatar que é deficiente tem que ser desviante da média ou da criança normal em seis pontos principais: 1°características mentais, 2°aptidões sensoriais, 3°características neuromusculares e corporais, 4°comportamento emocional e social, 5°aptidões de comunicação e 6°múltiplas deficiências.

Para definir melhor o conceito da deficiência intelectual, tem que obrigatoriamente pensar em quociente de inteligência (QI), na medida em que a deficiência venha interferir diretamente com o funcionamento intelectual do ser humano.

De acordo com isso, uma pessoa ou uma criança que apresenta um quadro de funcionamento intelectual abaixo da média, com problemas de comportamento adaptativos associado, refletidos a nível social, acadêmico e remontarem às primeiras fases do desenvolvimento, pode-se constatar evidente que é uma deficiência intelectual.

Porém o diagnóstico é multidisciplinar, por uma equipe composta de médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e assistente social.

Mesmo assim, o diagnóstico do deficiente intelectual é complicado e difícil, pois, vários fatores emocionais, alterações, psicoses, nível sócio econômico ou cultural baixo, carência de estímulos e outros elementos podem estar na base da impossibilidade do ajustamento social adaptativo adequado e muitas vezes não há necessariamente deficiência intelectual.

A inserção de um aluno com deficiência intelectual em uma escola regular, como forma de inclusão, oferece para a educação brasileira um momento diferente, possibilitando métodos pedagógicos, buscando novos procedimentos de ensino, novas técnicas e estratégias metodológicas para que seja capaz de atingir as potencialidades de cada aluno, sempre respeitando a diferença de cada um. Tudo isso para inseri-los em um mundo de vivência histórica e cultura do homem atual em seu tempo.

A pessoa com deficiência intelectual nunca se pode dizer qual o limite de desenvolvimento desse indivíduo. Segundo Oliveira (2000), o ensino aplicado aos alunos deve atender a todos, inclusive na área da deficiência intelectual, sem desviar dos princípios básicos da educação e sempre atendendo as necessidades educacionais de cada um. Assim, a inclusão escolar diz que todos os alunos devem começar freqüentar a escola desde cedo, e valorizar tudo o que o aluno fizer, sempre trabalhando as potencialidades para conseguir vencer as dificuldades.

Assim sendo, é essencial que seja considerado as concepções sobre o potencial dos alunos com deficiência intelectual. Todas as escolas têm que estar preparadas sobre a inclusão para a organização da prática pedagógica e escolar.

A AAMR (2006) aponta um novo conceito altera o termo deficiência mental para deficiência intelectual para diferenciar mais claramente a deficiência mental da doença mental. Mudou-se a nomenclatura para um novo conceito.

Com isso, não se deve deixar de perder o conceito da deficiência intelectual, para que possa oferecer a esses indivíduos educação adequada para a garantia do seu desenvolvimento em todas as áreas de sua vida.

Portanto, além de aumentar o mundo sobre o conceito da deficiência intelectual e começar a considerar a parte social, existe ainda os apoios que são importantes e indispensáveis para a garantia do desenvolvimento e necessidades do indivíduo. Com isso, o novo conceito sobre a deficiência intelectual vem avançando e deixando de ser uma deficiência estática e começa a ser considerada ao contrário.

Independente das características inatas do indivíduo pode ser mais ou menos acentuada conforme os apoios ou suportes recebidos em seu ambiente. (FONTES at al,2007, p.84).

Os aspectos de grande importância na área da deficiência intelectual são as estratégias e as metodologias de ensino, pois, com as estratégias possibilita-se a inserção dos alunos com deficiência intelectual aprender e funcionar no mundo que os rodeia. E com as metodologias deixam os alunos mais participativos e atuantes na sala de aula.

No ano de 1911, o psiquiatra Eugène Bleuler, foi o primeiro a falar sobre o termo autismo, com o objetivo de colocar em destaque uma síndrome noológica, onde a mesma se manifesta por pessoas com dificuldades de contato com o mundo real e a dificuldade ou ausência de habilidades comunicativas (BELISÁRIO JÚNIOR; CUNHA, 2010).

Porém, foi o psiquiatra Plouller que colocou este termo dentro da literatura psiquiátrica desde o ano de 1906 (GAUDERER, 1993). Pode-se destacar também, que o psiquiatra Léo Kanner no ano de 1943, apresentou um grupo de crianças com algumas características em comum e com um grau de lesão alto, onde a mais que se destacava era a incapacidade de relação com as demais pessoas (GAUDERER, 1993).

Observa-se no Brasil uma grande ampliação sobre o debate entre a relação e a integração onde se podem encontrar alguns pontos fortes sobre a complexidade, e destacam-se dois focos de problematização: formação dos professores, polêmica em relação ao conhecimento pedagógico e o conhecimento especificam sobre a educação especial, atendimentos oferecidos aos sujeitos considerados “graves”, dentre outros (BAPTISTA; BOSA et al, 2002).

De acordo com lei 9.394/96, as escolas regulares começaram a aceitar alunos com necessidades especiais, é muito importante essa interação social entre crianças com qualquer tipo de síndrome, principalmente as crianças com autismo, com isso pode-se melhorar o quadro dos mesmos (BAPTISTA; BOSA et al, 2002).

 

 

2.1.  Benefícios do ensino regular e ambiente para a inclusão do Autista

 

Se voltarmos no tempo e pensarmos sobre a infância antigamente, conclui-se que as brincadeiras e exploração do tempo e suas questões históricas fizeram e ainda fazem parte na vida das crianças, representando uma importante etapa da vida.

Segundo Vygotsky (1998), defende que o indivíduo é um resultado de um processo sócio-histórico, ou seja, a aprendizagem ocorre através da interação do sujeito com o meio.

Através disso pode- se dizer que a problemática é: qual a importância do processo de ensino-aprendizagem das disciplinas no ensino regular? Por sua vez, a hipótese com a qual trabalhou-se é que o ensino regular promove a aprendizagem e favorece o desenvolvimento físico intelectual e social, ou seja, possibilita um desenvolvimento real, completo e prazeroso aos alunos. Além de observar que o professor na sala de aula pode-se trabalhar com todas as disciplinas  noções de tempo e espaço e que ambos são muito importantes para os alunos autistas, pois, é  o local onde a aprendizagem é construída, e eles evoluem socialmente.

Devido a esse fato, todas as disciplinas da educação regular, necessitam que os conteúdos sejam absorvidos e os ensinamentos ligados a esse ensino são desenvolvidos de forma abstrata que necessitam ser imaginados e interpretados. Com isso, os autistas aprendem de maneira diferente, pois, essa maneira de ensinar se depara com algumas dificuldades acometidas pelo aluno autista.

Para o aluno autista, deve-se ter como prioridade a ajuda para o mesmo, de modo que ele tenha uma adequada percepção adequada de si mesmo, tendo a compreensão de suas limitações e possibilidades, ao mesmo tempo, auxiliá-lo a se expressar com uma liberdade maior, aperfeiçoando e conquistando novas habilidades e competências.

Quanto às partes: cognitiva e neurológica, o ensino regular auxilia os alunos explorarem o mundo exterior, fazendo com que experiências concretas possam auxiliar e ampliar seu repertório de atividades e na solução de problemas, conquistando diversas noções simples para o desenvolvimento na parte intelectual, o que proporcionará conhecer o mundo a sua volta e dominar o relacionamento do meio com o corpo.

A evolução do ser humano tem duas origens: filogenética - a da espécie humana, e ontogenética - maturação biológica (neuropsicomotora). Para ao desenvolvimento pleno, necessita de midiatização adequada do adulto e da cultura social. Assim sendo, a interação dinâmica e perpétua entre maturação biológica (natura) e relação com o meio (o ensino da história), com os objetos e com o outro (cultura), que, para o aluno autista, é que vai propiciar seu o desenvolvimento total.

A partir desse aspecto o aluno autista vai gradativamente aperfeiçoando essas noções para entender o mundo a seu redor. Com esse fato, o mesmo começa a fazer o manuseio de objetos, como uma maneira de divulgar seus pensamentos e suas emoções.

Atualmente há muitas discussões sobre e em torno da inclusão social, o deficiente continua ainda sofrendo muito com o preconceito pelo motivo da diferença. Em vários segmentos da sociedade há um discurso sobre a inclusão, dentre esses o ambiente escolar. A inclusão no ambiente escolar é algo importante, que vem crescendo e se efetivando, mesmo com dificuldades, sempre superando uma história de discriminação e preconceito. Além disso tem provocado muitos questionamentos e dúvidas.

Diante disso, pode-se concluir que a inclusão do jeito que está se efetivando, está muito longe do seu ideal, e não está dentro dos padrões estabelecidos pela Declaração de Salamanca (1994), a qual trata dos princípios, a política e a prática da educação para as necessidades especiais e recomenda que as escolas se ajustem as necessidades de todos os alunos.

As pesquisas dizem que a inclusão escolar não está agindo de forma adequada, além de estar longe do ideal, não há interesse e nem investimento sobre isso. Pois incluir um aluno na escola, não significa apenas mudá-lo de endereço, de escola ou sair da classe especial e ir para a classe regular. Existem muitos outros pontos importantes envolvidos em tudo isso, que estão deixados de lado e desconsiderados ao se efetivar a inclusão escolar.

A inclusão escolar, seu futuro dependerá de um esforço e trabalho coletivo com uma meta comum de garantir uma educação melhor e de qualidade para todos. É por meio de vários estudos e pesquisas que visem para aumentar conhecimentos e fazer testes de maneira que viabilizem a verdadeira inclusão escolar.

A escola inclusiva tem a finalidade de promover a educação para todos. Abre espaço para que todos os alunos possam conviver, se interagir e aprender juntos.

As barreiras de algumas pessoas com deficiência são quase sempre o que atrapalha o aprendizado. O objetivo principal da escola inclusiva é de romper e quebrar essas barreiras e transformar a educação em igualdade para todos. Dar o direito e oportunidades de todos serem iguais.

De acordo com Aranha (2004), escola inclusiva é aquela que garante um ensino de qualidade aos seus alunos, respeitando e reconhecendo a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades.

Na verdade, a escola para ser inclusiva precisa garantir a permanência e o sucesso de todos os alunos, e isso se torna um desafio a todos.

A escola, para se tornar uma escola inclusiva de sucesso, necessita da participação e interação de todos. Desde as pessoas envolvidas no processo educacional (direção, docentes e discentes) até a comunidade em geral. Na interpretação de Saviani (2001), diz que o papel do professor no processo de inclusão é fundamental, pois, ele é mediador do processo ensino/aprendizagem.

É de muita importância sempre lembrar que uma escola para se tornar e se manter inclusiva necessita de muitas coisas e percebe-se que não é fácil colocar tudo isso em prática.

Muitas escolas incluem os alunos com deficiência na sala regular e pensam que é simples assim. Escola inclusiva é muito mais. A escola só passa a ser inclusiva quando todas as barreiras existentes (preconceito, medo e etc.) forem removidas, mas segundo Mantoan (1997), a inclusão de alunos com alguma deficiência tem sido polemizada por diferentes segmentos.

Para a construção de uma educação inclusiva, é de suma importância trabalhar com salas de aula heterogêneas que possuem alunos diferentes um do outro, e atividades como confeccionar materiais que além dos benefícios o mesmo trabalha com o desenvolvimento gerando diversas discussões, pois, possuem diversas correntes da psicologia como um suporte fundamental para o aluno autista.

O ensino das disciplinas no ensino regular se relaciona com caráter analítico e reflexivo do tempo, esse local temporal há uma ligação econômica, social e cultural que se unem, tornando uma matéria que faz o sentido a existência dos seres enquanto sociais. Além disso, faz com que haja vínculo entre o tempo e a sociedade através do território, lugar, paisagem histórica e região. Esses conteúdos são muito importantes, pois, através dele compreendem-se as dimensões socias, ambientais, econômicas e políticas.

Portanto, é fundamental ao aluno autista ter um ambiente povoado de objetos com os quais possa criar imaginar, construir e, em especial, um ambiente para usar a criatividade com o ensino. Isso pode ser o ponto principal de uma educação inclusiva, a partir permitem formas que auxiliam qualquer aluno a compreender os problemas e valorizar as diferenças e particularidades.

Umas das principais metodologias e estratégias que podem auxiliar os autistas no ensino regular é o ambiente onde o mesmo possa se movimentar, pois utilizados em conjunto auxiliam os alunos autistas a desenvolverem suas potencialidades.

Segundo Wallon:

 

Através do movimento, o ato insere-se no instante presente. Mas ele pode, pelas suas condições e objetivos, pertencer apenas ao meio ambiente concreto: é o ato motor propriamente dito; ou tender para fins atualmente irrealizáveis ou pressupor meios que não dependem nem das circunstâncias brutas nem das capacidades motoras do sujeito: de imediatamente eficiente, o movimento torna-se então técnico ou simbólico e refere-se ao plano da representação e do conhecimento. (WALLON, 1968, p.155).

 

Além disso, as crianças autistas necessitam do ambiente para exercerem sua criatividade e para contestarem o que desaprovam.

A corrente cognitivista, destaca que a função desempenhada pelas experiências espaciais constrói estruturas sensoriais.

 

O espaço físico isolado do ambiente só existe na cabeça dos adultos para medi-lo, para vendê-lo, para guardá-lo. Para a criança, existe o espaço-alegria, o espaço medo, o espaço-proteção, o espaços-mistério, o espaço-descoberta, enfim, os espaços de liberdade ou de opressão. (LIMA, 2001, p.30).

 

Assim sendo, não é somente possuir um bom ambiente para que os alunos desafiem suas competências, se faz necessário que todos, especialmente os autistas, se interajam e vivenciem esse espaço propositalmente. 

De acordo com Rossetti Ferreira, appud Horn (2004), isso significa na realidade, que essas vivências, se firmam por meio de relacionamentos e se expressam em determinados papéis que os autistas consigam desempenhar em um local no qual diversos objetos, os professores e a rotina em um ambiente longe da escola possam interferir nas mesmas.

Assim, de acordo Horn (2004), coloca-se uma sintonia que acompanha por toda a vida, e nesse sentido a junção do indivíduo com o ambiente exerce um fundamental papel. Devido a esse fato, Horn (2004) afirma que em um ambiente que não há estímulos, onde os autistas não conseguem se interagir desde idade tenra entre elas, com adultos e com diversos objetos e materiais, esse procedimento para o desenvolvimento não acontecerá em sua perfeição.

Através dessa concepção, espera-se que a área comportamental dessas pessoas é determinada especialmente pelas características de reais situações em que as mesmas se encontram, sejam vividas ou imaginadas pelas crianças, como histórias.

O aluno começa a agir no centro do desenvolvimento proximal, e se comporta de forma mais avançada do que na vida real.

Por meio desse método, o ensino regular surge como um importante meio de promover o desenvolvimento, compondo em atividades que o autista comece aprende a atuação na área cognitiva dependente de internas motivações.

É importante que a metodologia de ensino regular tenha uma ligação com conversas com os alunos e que as mesmas sejam palavras de uma compreensão acessível a todos, de forma direta e concreta, principalmente na parte conceitual, já que os autistas possuem certa dificuldade com situações abstratas.

No ensino das disciplinas podem-se utilizar vários tipos de métodos, visando ligações com algumas representações como vídeos, maquetes e figuras, com isso o aluno autista consegue desenvolver suas habilidades, potencialidades e se incluindo socialmente com os demais.

Sendo assim, através do processo ensino aprendizagem é importante proporcionar atividades estimulatórias as habilidades do autista:

 

Diversificar as atividades na rotina da sala de aula não significa criar uma novidade a cada aula ou dia, mas, sim criar uma diversidade de caminhos, tempos, lugares e olhares, em que a experiência do aprender envolva todos os sentidos. É importante elaborar atividades em que todas as crianças tenham de manipular, observar, fazer, refletir, levantar hipóteses, experimentar, regis­trar, verificar, concluir e compartilhar dúvidas e achados, para que possam ter oportunidades várias e variadas de aprender (MARINI, 2012 p.73, grifo nosso).

 

Todos, inclusive a escola, devem tomar para si mesmos a responsabilidade de todos os alunos e nunca correr o risco de negar as necessidades dos alunos com autismo, pois, uma escola inclusiva é uma escola para todos, capaz de lidar com diferenças e levar todos os alunos para um processo de conhecimento e inserção cultural.

Se a escola despertar a emoção humana, a fantasia e a imaginação, por meio da prática do ensino da história e um ambiente agradável, certamente contribuirão na formação de seres mais conscientes e reflexivos.

Como premissa para essas práxis pedagógicas torna-se essencial que o educador conheça os benefícios do ensino regular, e o que cada um traz como temática e saiba como os se relacionam e se beneficiam com o mesmo.

A mesma ressalta a importância de novas me­todologias de ensino da disciplina ao afirmar que:

 

Os métodos de ensino são destacados como elementos decorrentes de uma concepção de história associada a uma concepção de aprendizagem, e disso advém a apresentação dos limites do uso dos livros didáticos como instru­mentos pedagógicos exclusivos e a necessidade de recorrer a documentos portadores de outras linguagens, sendo comuns as sugestões de utilização da literatura, de textos de jornais, das imagens, música, etc. nas aulas de História (BITTENCOURT, 2009 p.117).

 

Espera-se, por fim, diante do que foi dito, que o presente trabalho contribua como um possível caminho para a efetivação desta prática nas escolas, como proposta inclusiva, pois nos dá condições para desenvolver a inclusão e não somente no atendimento especializado e sim nas vivências do dia-a-dia dos alunos e que saiam da unidade escolar, contagiando as famílias e os amigos que cercam o cotidiano dos alunos.

 

 

2.2.  METODOLOGIA

 

Para analisar as diversas facetas do assunto, a pesquisa contará com uma revisão bibliográfica sobre a temática através de uma análise documental do assunto abordado.

A coleta de dados dar-se-á neste trabalho a revisão documental em livros, revistas pedagógicas, sites da Internet entre outros que segundo Gil (1991, p.48), a pesquisa documental e bibliográfica possui o desenvolvimento embasado em materiais elaborados e constituídos especialmente em artigos e livros com relações a presquisa abordada.

Assim sendo, para a realização dessa pesquisa bibliográfica utilizaram-se os procedimentos técnicos abaixo:

  1. a) Seleção de materiais de maneira bibliográfica e de documentos sobre o tema por meio da Internet, para que o pesquisador possa construir uma referência teórica com coerência sobre a temática em destaque.
  2. b) Leitura dos materiais que foram selecionados;
  3. c) Reflexão e análise de maneira crítica dos materiais selecionados;
  4. d) Através de texto escrito a exposição dos resultados coletados. (GIL, 1991, 49).

O método nas palavras de Garcia (1998, p. 44), é uma metodologia racional, ou seja, é construído através de básicos instrumentos que visam atingir os objetivos na pesquisa.

Segundo Ferreira; Torrecilha, Machado (2012, p.3), a observação é uma técnica usada em várias áreas ligadas ao conhecimento, e proporciona o pesquisador obter diversas informações.

A metodologia utilizada consiste na busca de conceitos, através da pesquisa bibliográfica, onde foi feito o levantamento de autores que analisam a temática aqui abordada., que discutem sobre a relevância da temática abordada na presente pesquisa.

 

 

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Concluiu-se a partir dessa pesquisa a importância de firmar relações entre os benefícios do ensino regular e contribuições na vida do aluno autista para incluí-lo socialmente.

Diante disso, pode- se dizer que o ensino regular traz vários benefícios no desenvolvimento dos alunos autistas, e com isso acredita-se que através dessa pesquisa, os profissionais atuantes com esses alunos possam refletir sobre o quão é importante estimular esse ensino e reverem suas práticas pedagógicas e influírem sobre seu desenvolvimento positivamente de forma a analisarem esse aluno em todos seus aspectos.

Ao considerar que o tema escolhido para essa pesquisa seja de grande relevância para a prática pedagógica dos profissionais que atuam com essa clientela, permitindo-os avaliar e rever suas ações ao trabalhar todas as disciplinas.

A importância do tema tornou-se evidente nos estudos realizados na graduação, os quais nos permitiram constatar que ao trabalhar com qualquer aluno é importante que o professor compreenda que esse nível de ensino abrange tanto a vertente do educar quando a do auxiliar, de maneira articulada.

Assim, até mesmo os momentos de auxílio são importantes para ensinar e cabe destacar que na realização de todas as atividades existe algo que proporciona as experiências e o contato com o outro, visando a inclusão social.

É importante salientar que além de compreender por meio da teoria a importância do trabalho com todas as disciplinas no ensino regular, foi possível observar, por meio do trabalho realizado com qualquer aluno enquanto professores, que no ambiente escolar ainda é muito comum a compreensão por parte dos professores e dos pais de que os alunos autistas não se interagem.

Dessa forma, entende-se que o trabalho no ensino regular se torna algo imprescindível para potencializar o desenvolvimento de qualquer aluno e proporcionar diferentes interações sociais e, por esse motivo, os profissionais que atuam nesse espaço devem compreender a necessidade de organizar o trabalho de modo a contemplar tal aspecto.

O ensino regular tem uma importante contribuição do desenvolvimento de qualquer aluno, principalmente para o autista, levando em consideração que esse conteúdo vai além de um simples ensino, ele beneficia e desenvolve autonomia, quando os alunos constroem conhecimentos que são essenciais para que o mesmo desenvolva suas capacidades e habilidades proporcionando sua inclusão social.

A partir da presente pesquisa, torna-se evidente que o ensino regular exerce papel fundamental na promoção do desenvolvimento integral do aluno autista, contribuindo não apenas para sua trajetória escolar, mas também para sua formação como sujeito social. Ao longo do estudo, observou-se que a convivência cotidiana com colegas, professores, rotinas e atividades diversas favorece a construção de aprendizagens significativas e possibilita que o aluno autista desenvolva competências que vão além do campo cognitivo, alcançando também os aspectos afetivos, motores, comportamentais e comunicativos.

Com base nas análises teóricas apresentadas, nota-se que a presença do aluno autista em ambientes inclusivos proporciona oportunidades de expansão do repertório social, permitindo-lhe explorar diferentes formas de interação, comunicação e expressão. Em um ambiente regular bem organizado e intencional, o aluno tem a possibilidade de experimentar novas vivências, superar barreiras e construir autonomia, condição essencial para que participe de maneira ativa na sociedade. Assim, reforça-se a importância de que o ensino regular seja compreendido como uma ferramenta de inclusão e não apenas como um espaço físico de matrícula.

A relevância do tema escolhido também se evidencia ao considerar o cenário educacional atual, no qual a inclusão se apresenta não como uma escolha, mas como um direito assegurado por legislações e diretrizes que orientam a prática pedagógica. Contudo, apesar dos avanços legais, ainda se percebem lacunas na formação inicial e continuada dos profissionais, que muitas vezes não recebem subsídios suficientes para compreender e atuar de forma eficaz com alunos autistas. Este estudo, portanto, contribui para ampliar a reflexão sobre a necessidade de formação mais consistente, que contemple princípios da neurodiversidade, práticas pedagógicas inclusivas e metodologias ativas adaptadas às particularidades desse público.

Ao longo das reflexões, observou-se que persistem concepções equivocadas no ambiente escolar, principalmente relacionadas à interação social do aluno autista. A percepção de que esses estudantes “não se interagem” ou “não aprendem como os demais” ainda é comum entre profissionais e familiares. Entretanto, a revisão bibliográfica demonstra que o ensino regular, aliado a metodologias adequadas e ao olhar sensível do professor, pode favorecer de forma significativa o desenvolvimento de habilidades essenciais, como comunicação, cooperação, resolução de problemas, autonomia funcional e expressão emocional.

Outro ponto fundamental identificado nesta pesquisa refere-se à responsabilidade compartilhada da inclusão. Não cabe apenas ao professor ou ao aluno adaptar-se à escola, mas sim a toda instituição repensar suas práticas, reorganizar seus espaços, flexibilizar suas metodologias e reconhecer que a diversidade é constitutiva do processo educativo. A inclusão exige um esforço coletivo e permanente: da equipe gestora, dos professores, dos funcionários, das famílias e da comunidade. Cada um tem papel essencial para que a oferta de educação inclusiva seja efetivamente implementada e garanta condições de ensino e aprendizagem.

Além disso, constatou-se que o ensino regular, ao proporcionar vivências diversificadas, contribui para que o aluno autista desenvolva autonomia e independência. Ao interagir com diferentes conteúdos, pessoas e ambientes, ele constrói conhecimento que ultrapassa o domínio acadêmico e alcança dimensões essenciais para a vida adulta. A escola que valoriza o potencial do aluno, que respeita seu tempo e suas formas de expressão, estrutura-se para promover não apenas aprendizagem, mas também autoestima, confiança e pertencimento.

Desse modo, conclui-se que o ensino regular tem papel determinante no desenvolvimento global do aluno autista. Ele atua como ponte entre o indivíduo e o mundo social, oferecendo experiências que auxiliam na construção da identidade, no fortalecimento emocional, na ampliação da comunicação e na formação de vínculos. Cabe destacar que a inclusão escolar não se limita ao âmbito da sala de aula, mas deve irradiar para todos os espaços da escola e, posteriormente, para a família e para a sociedade, gerando mudanças que ultrapassam o vivido no ambiente educacional.

Assim, espera-se que esta pesquisa contribua para a ampliação do debate sobre a inclusão escolar e incentive novos estudos, reflexões e práticas que valorizem a singularidade de cada aluno autista. Que esse trabalho inspire educadores a repensarem suas práticas, adotarem metodologias mais humanizadas e promoverem ambientes nos quais todos possam aprender, conviver e se desenvolver plenamente. Somente por meio de uma educação verdadeiramente inclusiva será possível construir uma sociedade mais igualitária, empática e acolhedora, capaz de reconhecer e respeitar as diferenças como parte essencial da condição humana.

 

 

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Como transformar os contos para incentivo da criança com autismo

Flânsua de Cássia Biscaino Zanchetta

Juliane Luiza Mendes Storoli

Magali Pagotti

Mariana Cosimo Souza

Marilu Pagotti

 

DOI: 10.5281/zenodo.17789864

 

 

RESUMO:

Antigamente os contos de fadas eram narrados como forma de entreter as pessoas. As histórias eram contadas em ambientes como: reuniões, campos ou em outros locais. Atualmente os contos fazem parte, sobretudo, do mundo infantil. As crianças projetam-se através dos personagens existentes nos contos, os quais são vivenciados e fazem parte de sua imaginação e crescimento, participando também da formação de sua personalidade. O presente trabalho analisa os contos de fadas e por meio do estudo desses contos será analisado como transformar os contos para incentivo das crianças com autismo.

 

Palavras-chave: Contos. Influência. Autismo.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Contos de fadas são uma realidade imaginária que fazem parte do universo infantil. Eles são formados por textos ilustrados que envolvem magia e encantamento pela trama entre o bem e mal. Favorecem à criança entender os conceitos de valores através de uma linguagem simbólica.

Os contos de fadas além de desenvolver na criança sua criatividade e personalidade, passam mensagens sobre as dificuldades da vida.

Na presente pesquisa contos de fadas serão analisados, enfocando-se as características dos mesmos para incentivar o imaginário infantil e com o objetivo de refletir sobre a importância das diversas versões dos contos para o imaginário da criança autista, além de possibilitar o desenvolvimento de habilidades sociais e pessoais.

Os contos de fadas transmitem através das emoções e fantasias que a história tem, a criança começa a ter agilidade, não consciente, auxiliando a resolver os problemas dentro de cada uma. É exatamente nesse sentido que os contos de fadas podem ser muito importantes para incentivar o imaginário e a formação da personalidade da criança autista.

A crença da incapacidade das crianças com autismo ainda é muito evidenciada em trabalhos na própria área da Educação Especial. O autismo se conceitua em um transtorno do desenvolvimento neurológico que atinge em específicas habilidades sociais e a comunicação. Os sintomas não são iguais, variam de um para o outro. Existem crianças que são afetadas mais severas e outras mais leves. Porém, possibilitando essa criança falar de si, expressar suas necessidades, sentimentos e opiniões, ela transformará a realidade á sua volta.

Os contos de fadas fazem parte de um universo imaginário que acompanha gerações e permanece vivo como uma das principais portas de entrada das crianças para o mundo simbólico, emocional e cultural. Por meio de narrativas repletas de magia, personagens marcantes e conflitos entre o bem e o mal, os contos oferecem às crianças mais do que entretenimento: constituem-se como ferramentas de construção de valores, elaboração de sentimentos e desenvolvimento da criatividade. Esses textos, geralmente ilustrados e repletos de elementos fantásticos, convidam o leitor infantil a percorrer caminhos que ultrapassam a realidade concreta, permitindo que cada criança encontre sentidos próprios para as situações vividas pelos personagens.

Além de favorecer a imaginação, os contos de fadas contribuem para a formação da personalidade, auxiliando a criança a compreender desafios e emoções presentes em sua trajetória. Histórias que apresentam obstáculos, medos, perdas, conquistas e superação funcionam como metáforas da vida real e ajudam a criança a identificar, simbolizar e ressignificar suas próprias experiências. Dessa forma, os contos atuam como um recurso pedagógico e emocional capaz de dialogar profundamente com o universo infantil.

No contexto da educação inclusiva, esse potencial torna-se ainda mais significativo quando direcionado às crianças com autismo. Muitas vezes, a crença equivocada sobre a incapacidade da criança autista limita oportunidades de expressão, participação e desenvolvimento. O autismo, entendido como um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação, as interações sociais e determinados padrões comportamentais, manifesta-se de forma singular em cada indivíduo. Assim, mais do que se deter nas limitações, torna-se essencial buscar ferramentas que ampliem possibilidades de aprendizagem, interação e autonomia.

É nesse cenário que os contos de fadas assumem papel fundamental. Ao oferecerem histórias organizadas, personagens claros, situações narrativas previsíveis e elementos simbólicos fortes, eles criam um ambiente seguro e estimulante para que crianças com autismo possam compreender emoções, reconhecer intenções, identificar conflitos e refletir sobre atitudes. Através da linguagem simbólica dos contos, a criança pode falar de si, expressar sentimentos, construir hipóteses e elaborar soluções, ampliando sua percepção de mundo e sua capacidade social.

Dessa maneira, a presente pesquisa analisa os contos de fadas e suas diversas versões, buscando compreender de que forma essas narrativas podem ser transformadas e adaptadas para incentivar o imaginário, a comunicação e as habilidades sociais das crianças com autismo. Pretende-se refletir sobre a importância dessas histórias como ferramentas pedagógicas inclusivas e demonstrar que, ao mergulhar na fantasia, a criança autista encontra caminhos para desenvolver competências emocionais, cognitivas e afetivas essenciais para sua formação global.

 

 

TRAJETÓRIA DOS CONTOS DE FADAS

 

Os contos de fadas são a arte de contar histórias. É o momento que favorece a criança a despertar sua imaginação, quando rainhas, fadas, animais e princesas encantam suas mentes.

Segundo Coelho (1987), os contos de fadas fizeram parte do folclore europeu sendo contado por diversos povos. É difícil saber a origem certa desses contos, pois antes mesmo da escrita já existiam.

Ainda de acordo com Coelho (1987), há 4000 a.c. ocorreu o primeiro registro sobre contos de fadas, feito pelos egípcios.

Alguns escritores recolheram esses contos e colocaram em obras. Dentre eles estão: Charles Perrault e os Irmãos Grimm, conhecidos como criadores de histórias encantadas, mas, na verdade, apenas colocaram em papel o que já existia na oralidade.

Quando iniciou os contos de fadas, eles não eram apropriados para crianças. Perrault foi quem transformou essa concepção com o surgimento do seu primeiro livro de contos de fadas, na França, em 1697 (COELHO, 1987).

Charles Perrault nasceu na França em 1628, faleceu em 1703 e seus principais contos foram: A Bela Adormecida no Bosque, O Barba Azul, As fadas, O Gato de Botas, A Gata Borralheira, O Pequeno Polegar, Henrique de Topete e Chapeuzinho Vermelho (COSTA, BAGANHA, 1989).

Os Irmãos Grimm buscaram seus contos em 1806 com os camponeses Alemães. Em seguida, esses contos foram reunidos em coletâneas, sendo, a primeira publicada em 1812. Juntos, os Irmãos Grimm chegaram a editar 210 histórias, entre elas estão: Pele de Urso, A Gata Borralheira, João e Maria e A Bela e a Fera.

Jacob Grimm nasceu em 1785 e faleceu em 1863 e Wilhelm Grimm nasceu em 1786 e faleceu em 1859, ambos foram de origem Alemã (PAVONI, 1989). Perrault e os Irmãos Grimm apresentavam semelhanças em suas escritas.

Atualmente, Bettelheim (2004), começou a desvendar os mistérios dos contos de fadas. Em seu livro “Psicanálise dos contos de fadas”, diz que os contos de fadas são obras para a compreensão das crianças, podendo levá-las além do encantamento.

De acordo com Piaget (1967, p.13), as crianças encontram-se no estágio da inteligência intuitiva, dos sentimentos interindividuais espontâneos e das relações sociais de submissão ao adulto e esse encantamento que o mundo infantil tem pelos contos de fadas se dá através de eles serem “irreais” “um substituto da vida real”.

 

 

UTILIZAÇÃO DOS CONTOS DE FADAS COMO INCENTIVO PARA O AUTISMO

 

Os contos de fadas possuem algumas características: “[...] situações simplificadas cujos personagens são estereotipados [...]” (POSTIC, 1992, p.23). Mesmo assim, não se perde a magia que o conto transmite ao imaginário infantil. Além disso, há o bem e o mal, que são vistos de maneira objetiva nas ações dos personagens, conforme a história vai ocorrendo.

A história do conto de Chapeuzinho Vermelho possibilita à criança aproximar-se do bem, isto pode ser visto no momento em que a mãe aconselha a menina a ir pelo caminho certo, assim, a criança imagina que existem forças que podem ajudá-la nas diversas situações que se encontra.

Segundo Nelly Novaes Coelho:

 

Dentro desse processo renovador, a criança é descoberta como um ser que precisa de cuidados específicos para a sua formação humanística, cívica, espiritual, ética e intelectual. E os novos conceitos de vida, Educação e Cultura abrem caminhos para os novos e ainda tateantes procedimentos na área pedagógica e na literária. Pode-se dizer que é nesse momento que a criança entra como um valor a ser levado em consideração no processo social e no contexto humano. (COELHO, 1991, p.108).

 

É de suma importância que as crianças sejam incentivadas a ler contos pelas pessoas que as cercam, pelos pais e na escola pelos educadores, de forma que a criança seja envolvida, deixando sua imaginação ir além do real, ou seja, tendo prazer ao ouvir ou ler, deixando fluir a fantasia, podendo, assim, formar suas próprias conclusões sem a imposição do adulto.

Segundo Nunes; Ferreira e Mendes (2003), referente às produções em educação especial, na forma de teses e dissertações, mostrou que são difíceis as pesquisas que se preocupam em ouvir o deficiente e não apenas profissionais e familiares.

A utilização dos contos de fadas é de muita importância para qualquer criança, uma vez que “os mesmos exploram os conflitos internos da criança, que fará a interpretação conforme suas necessidades emocionais” (CALDIN,2002).

O conto Patinho Feio possui situações reais que envolvem emoções, que fazem parte do dia a dia das crianças, principalmente, para uma educação dos autistas, pois, os mesmos ainda sofrem algumas discriminações. Esta narrativa não possui limites, atravessa gerações. 

 

Os contos estão envolvidos no maravilhoso, um universo que detona a fantasia, partindo sempre de uma situação concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu. [...] porque se passa num lugar que é apenas esboçado, fora dos limites do tempo e do espaço. As personagens são simples e colocadas em inúmeras situações diferentes onde têm que buscar e encontrar uma resposta de importância fundamental chamando a criança a percorrer e a achar junto uma resposta para o conflito. [...] porque todo esse processo é vivido através da fantasia, do imaginário (ABRAMOVICH, 2005, p.120).

 

A estrutura do conto no imaginário infantil possibilita um maior incentivo e a busca de soluções a partir de elementos mágicos.

Os três Porquinhos, na obra de Joseph Jacobs, possuem um final trágico que para a criança pode ser assustador o momento em que o lobo cai no caldeirão de água. Segundo Bettelheim (2004, p.18), “a fantasia ajuda a formar personalidades”.

As crianças com autismo têm a possibilidade de brincar, aprender, sentir e serem felizes de forma diferente. E essa forma diferente as tornam únicas.

De acordo com Bettelheim:

 

Que os contos tradicionais são importantes para a construção da subjetividade. Ele explica: Para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação, ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. (BETTELHEIM, 2004, p.13).

 

Ao ler e ouvir a história, a criança desperta curiosidade e imaginação, é capaz de contemplar e reagir, diluir e refletir.

Assim, todos os contos de fadas, servem como um instrumento pedagógico, pois trabalham com valores na construção do imaginário infantil. É capaz de incentivar vários sentimentos como o amor, a bondade, amizade e confiança.

Outro elemento importante nesse conto é a questão familiar. Bela Adormecida, desobedeceu a seus pais e subiu em uma torre proibida. Isso nota-se a desobediência. Um dos motivos do sucesso deste conto não é a história em si, mas sim o valor que ela traz para o incentivo, de forma lúdica.

A leitura, de forma ampla, traz inúmeros benefícios à formação das crianças:

 

Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo... (ABRAMOVICH, 2005, p.17).

 

Chapeuzinho Vermelho teve várias versões no decorrer dos anos, sempre dentro do contexto social da época e, até hoje, essa história continua no imaginário infantil.

Nos tempos atuais, surge Chapeuzinho Amarelo, do autor Chico Buarque (2003). É uma história nova, sendo uma intertextualidade do conto original de Chapeuzinho Vermelho.

O autor adaptou essa história para crianças, diferentemente das versões citadas anteriormente de Perrault (2007) e Irmãos Grimm (2004).

Chapeuzinho Amarelo possui vários medos, e por causa deles não sai de casa. Trazendo isso para o imaginário infantil, a criança já sabe dos perigos que vai enfrentar ao sair de casa.

Nas versões anteriores de Chapeuzinho Vermelho, a menina era inocente e não conhecia a maldade do lobo. Já no conto Chapeuzinho Amarelo, a menina conhece o lobo e sabe de suas intenções.

Ao ler este conto, a criança vai assimilar e comparar com seu cotidiano. “O destino da narração de contos é o de ensinar a criança a escutar, a pensar e a ver com olhos da imaginação” (ABRAMOVICH, 2005, p.23).

Ainda no contexto contemporâneo, surge Fita Verde no Cabelo, do autor Guimarães Rosa (1985). Nesta versão, que demonstra semelhanças com a obra Chapeuzinho Amarelo, relata-se a história de uma menina não tão inocente como vista em Chapeuzinho Vermelho.

O conto de fadas Chapeuzinho Vermelho em todas as suas versões é capaz de transmitir e incentivar emoções no imaginário infantil: “[...] imaginar não é só pensar, não significa apenas relacionar fatos, e analisar situações, tirando-lhe significado. Imaginar é penetrar, explorar fatos dos quais se retira uma visão” (POSTIC, 1992, p.19).

Dentro dessas versões, qualquer criança, em seu imaginário, pode descobrir valores como amor, solidariedade e esperança, podendo, ainda, promover maior aproximação entre pais e filhos, alunos e professores.

Ao entrar no mundo da fantasia e da imaginação de um conto de fadas, qualquer criança busca soluções para resolver seus problemas e vai além da sua experiência do dia a dia, compreendendo resoluções para transformar a realidade.

Em todos os contos citados, o faz-de-conta pode ser realizado quantas vezes a criança desejar, recriando algumas situações da sua imaginação para satisfazer o seu interior.

Vygotsky (1998), em seus estudos, afirma que qualquer criança aprende a elaborar e resolver seus problemas vivenciados no dia-a-dia. Com isso, a criança irá usar algumas capacidades como a observação, imitação e imaginação.

Neste contexto, a leitura dos contos de fadas precisa ser uma prática real e difundida para nutrir o imaginário infantil, iniciando na família, mas, sobretudo no ambiente escolar. Foi destacado os contos de fadas, o qual possui histórias diferentes, que podem fazer a criança refletir, comparar e reelaborar suas conclusões.

Qualquer criança, independentemente de qualquer deficiência e condições físicas, sensoriais, emocionais ou cognitivas, são crianças que têm possibilidade e necessidade de sentir, brincar e conviver como qualquer outra pessoa.

Segundo Vygotsky (1998), diz que o aprendizado de um aluno especial, seja qual for o diagnóstico, como qualquer outra aprendizagem, temos que respeitar suas peculiaridades em seu progresso intelectual e assim o desenvolvimento de sua aprendizagem.

Além disso, os contos despertam no mundo infantil a imaginação e a fantasia no momento em que as histórias são contadas.

 

Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão a vida da criança (BETTELHEIM, 2004, p.20).

 

Muitos trabalhos que deram oportunidades as crianças especiais, permitiram provar uma capacidade de reflexão, sensibilidade, criatividade, autonomia e percepção de sua vida (CARDIA,1992, KOHATSU,1999).

Vânia Dohme (2000), em seu guia para desenvolver habilidades e obter sucesso na apresentação de uma história declara que:

 

As histórias podem ir além do encantamento, quando escolhidas, estudadas e preparadas adequadamente, podem ter a função de educar. Elas encerram lições de vida, dando contexto a situações, sentimentos e valores que, quando isolados, são difíceis de serem compreendidas pelas crianças. Estas narrações, tão saborosamente recebidas, desencadeiam processos mentais que levarão a formação de conceitos capazes de nortear o desenvolvimento em valores éticos e voltados para a formação da autoestima e a cooperação social (2000, p. 5).

 

Enfim, se a escola despertar a emoção humana, a fantasia e a imaginação através da prática da leitura dos contos, certamente contribuirá para o incentivo na formação de seres mais conscientes e reflexivos.

Como premissa para essas práxis pedagógicas torna-se essencial que o educador estude os contos e suas versões, conheça o que cada um traz como temática e saiba como os contos se relacionam ao imaginário infantil e à formação da personalidade de qualquer criança.

Espera-se, por fim, diante do que foi dito, que o presente trabalho contribua como um possível caminho para a efetivação desta prática nas escolas, como proposta de incentivo, pois nos dá condições para desenvolver não somente no atendimento especializado e sim nas vivências do dia-a-dia dos alunos e que saiam da unidade escolar, contagiando as famílias e os amigos que cercam o cotidiano dos mesmos.

 

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

A presente pesquisa teve embasamento bibliográfico de abordagem descritiva com aportes teoricometodológicos dos trabalhos de Vygotsky (1998), Bettelheim (2004) e Nelly Novaes Coelho (2010) que enfocam sobre principais metodologias e estratégias que podem auxiliam as crianças autistas através da leitura e contação de contos de fadas, pois, a literatura auxilia os alunos autistas a desenvolverem suas potencialidades.

Quanto a este aspecto Nelly Novaes Coelho em sua obra, Literatura Infantil: teoria, análise e didática (2000 p.10), diz que: “Literatura é arte e, como tal, as relações de aprendizagem e vivência, que se estabelecem entre ela e o indivíduo, são fundamentais para que este alcance sua formação integral de conscientização do eu com o outro e com o mundo”. Imaginações e ideias são essenciais em todas as histórias e o desenvolvimento do imaginário infantil está relacionado à leitura. Lembrando também que o meio onde este aluno está inserido pode facilitar ou dificultar o seu desenvolvimento. Vygotsky (1998), defende que o meio onde este aluno está inserido pode facilitar ou dificultar o seu desenvolvimento.

A partir disso, a leitura pode ser o ponto principal de uma educação inclusiva, a partir de histórias, como as utilizadas, pela fantasia, linguagem, imaginação e símbolos permitem formas que auxiliam qualquer criança a compreender os problemas e valorizar as diferenças e particularidades.

De acordo com Bettelheim (2004 p.16): a identificação das crianças com os contos se dá pela linguagem, esses contos possuem uma linguagem simbólica.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Não se sabe ao certo a origem dos contos de fadas, pois já existiam antes da escrita. O primeiro registro sobre contos de fadas ocorreu 400 a. C, feito pelos egípcios. Eles não eram apropriados para criança, foi Charles Perrault quem transformou essa concepção em sua obra, na França, em 1697.

Já os Irmãos Grimm buscaram seus contos em 1806 com os camponeses Alemães, sendo, o primeiro publicado em 1812.

Nos contos de fadas existem personagens que possuem personalidade e características diferentes, alguns representando o bem e outros o mal.

Os contos possuem muitas imagens e símbolos e isso é muito importante para o incentivo, pois esses símbolos ajudam qualquer criança encontrar soluções para os problemas do seu dia a dia, atuando, assim, no emocional.

As crianças se sentem atraídas ao ouvirem os contos de fadas, elas se identificam com os personagens, comparando a história com a sua própria vida.

Além de ajudar na imaginação e no vocabulário, os contos oferecem a qualquer criança muita criatividade, ensinam a controlar a agressividade, o egoísmo e a ganância, enfim, são fundamentais para seu desenvolvimento. Além disso, incentiva a criança autista na construção de sua identidade.

O conto de fadas, objeto de nossa discussão, são muito conhecidos, narram histórias que contém elementos naturais.

A história de Chapeuzinho Vermelho traz no início da narração uma história aparentemente tranquila, ou seja, a neta vai ver a avó a pedido da mãe e leva algumas coisas em sua cesta.

Logo após, a história apresenta um personagem estranho que é representado por um lobo.

Esse personagem torna a história uma forma de aprendizado e reflexão, pois, através de seus atos, atitudes e da conversa com a menina modifica o rumo da história.

A narrativa dos três porquinhos contém personagens bons, como os porquinhos e um mal, o Lobo.

Essas são histórias que encantam qualquer criança, pelos acontecimentos, elas se identificam com os personagens e tentam buscar soluções para os momentos passados pelos personagens e tem um em comum, o lobo.

O conto o patinho feio fornece para qualquer criança independente de qualquer deficiência, fantasia e imaginação como um ponto de partida que valorize as diferenças e auxilia a inclusão.

Existem diversos contos, todos fazem com que a criança desperte e seja capaz de vivenciar e incentivar a imaginação. A criança percebe a linguagem de cada narrativa e a aproxima para o seu mundo.

No imaginário infantil a história passa a ter a função de estimular o raciocínio de qualquer criança, sua fantasia e acaba, de certo modo, formando sua personalidade.

Por essa razão, a leitura dos contos deve ser uma prática constante, na família e na escola, sendo incentivada a todo momento, já que favorece o crescimento e o amadurecimento de qualquer criança, fazendo com que elas possam construir suas próprias conclusões, com a orientação do adulto.

O conto Bela adormecida permite à criança a refletir sobre o mundo, conscientizando-a dos perigos que ocorrem no decorrer da vida, discutindo as intenções das pessoas que cruzarão seu caminho.

Os contos nos mostram também sua importância na formação da personalidade, pois as crianças aprendem que é possível vencer obstáculos e que, por outro lado, as ações feitas possuem consequências.

E muito contrário do que se possa imaginar, qualquer criança, com qualquer deficiência, muitas vezes tem capacidade de respostas maiores que o esperado.

Verifica-se que os contos para alunos com autismo, auxilia e incentiva um maior desenvolvimento intelecto e crítico, bem como estimula o seu imaginário, permitindo que conceitos e barreiras sobre essas crianças com deficiência sejam quebrados.

Por fim, podemos afirmar que os contos servem como alimentos para o incentivo e imaginação da infância, além, de tornar-se um instrumento eficaz para o desenvolvimento pessoal, gerando adultos bem sucedidos, criativos e reflexivos.

 

 

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VYGOTSKY, Lev Semenovich. A Formação Social da Mente. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

 

 

 

As concepções de Vygotsky na inclusão do aluno surdo

Gláucia Giovana Pedro Clementino

Kátia Regina Lastória

Kelly Regina Lastória

Leonice Carretin Vitor

Mayara Cristina Volci da Silva

 

DOI: 10.5281/zenodo.17789406

 

 

RESUMO:

Sabendo da importância do acesso e permanência dos alunos com deficiência, principalmente dos surdos, no Ensino Superior, bem como, o papel dos Tradutores e Intérpretes de Libras para promoção da inclusão e acessibilidade nesse contexto. O objetivo desse artigo é apresentar e analisar como instituições superiores concebem a educação inclusiva para surdos, qual é o papel que atribuem aos intérpretes, utilizou-se para esses entendimentos alguns autores como: Vygotsky, Mantoan e entre outros. Como resultados parciais, entendem-se essas instituições não compreendem como devem agir para promoção dessa educação inclusiva para surdos, quanto aos Tradutores e Intérpretes de Libras, tem uma visão que eles são ‘auxiliares’, ‘acompanhantes’, não entendendo de fato qual é seu real papel. Conclui-se mostram que o livre mercado, a privatização e a educação mercadológica influenciam diretamente o entendimento da Educação Inclusiva para surdos e o papel dos Tradutores e Interpretes de Libras no Ensino Superior, afetando diretamente a educação dos surdos, principalmente em questões de defasagem e desenvolvimento, e por fim, com o apoio de teóricos se propõe sugestões para melhoria desse cenário na Educação Superior.

 

Palavras-chave: Inclusão. Intérprete. Educação dos surdos.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Estudar a inclusão de alunos surdos nas universidades é importante, pois o número deles em um curso superior é cada vez maior no Brasil. De acordo com os dados do Ministério da Educação (MEC), no ano de 2003, 665 surdos frequentavam a universidade; em 2005, houve um aumento desse número para 2.428 nas instituições privadas e públicas (Brasil, 2006). Nos últimos anos houve um crescimento significativo no nível educacional dos surdos, sendo que o Censo da Educação Superior (2013) aponta um total de 8.676 alunos surdos, com deficiência auditiva ou surdo cegos matriculados nas instituições de educação superior.

Entende-se que por aumentar as matrículas nessas modalidades de ensino, respectivamente, estamos melhorando a inclusão de alunos surdos nesses espaços mediados pelo profissional Tradutor e Intérprete de Libras.

O que se percebe, a partir desses achados, um número pouco significativo quando se trata de compreender a educação inclusiva para surdos, os papéis dos interpretes de libras e a educação como mercadoria no Ensino Superior, pelas essas instituições de ensino, recortes que serão estudados nesse trabalho.

Nota-se o mínimo de pesquisas voltado à temática, mostrando que há muito que se pesquisar sobre esse triângulo para fortalecer ainda mais a inclusão dos surdos nesses espaços acadêmicos.

Quando não se estuda essas questões de inclusão e acessibilidade de surdos nesses espaços de Educação Superior, abrem-se brechas para entraves de possibilidades para esses sujeitos nessa modalidade de ensino, principalmente aquelas relacionadas à apropriação de conhecimentos acadêmicos e aprendizagem.

Além do mais, estudos voltados para a temática como a dessa dissertação, ou seja, como essas instituições de Ensino Superior estão percebendo e compreendendo essa inclusão de surdos dentro dos seus espaços é fundamental. Pois através delas podem se construir melhores recursos para atendimentos desses alunos surdos, assim como, desconstruir alguns paradigmas que ainda possam existir sobre o acesso, permanência, inclusão e acessibilidade desses alunos nesse contexto educacional.

A justificativa está no fato de que a educação inclusiva já está em debate há algum tempo nas escolas e a inserção dos surdos já tem mais de uma década, mas muitos desafios ainda existem na educação. Mas então, quais seriam eles, ao que impedem que esses alunos surdos sejam impossibilitados de frequentarem esses espaços escolares, como as leis interferem nesses processos, bem como, os debates efetuados no Núcleo de Práticas Educativas e Relações Sociais no Espaço Escolar e não Escolar, causando angustias e descontentamentos nos estudantes da pós-graduação, entre outras indagações e reflexões.

Nesse contexto, várias interrogações se colocavam: Será que as instituições de Ensino Superior compreendem as concepções de Educação Inclusiva para Surdos, bem como, os papéis dos Tradutores e Intérpretes de Libras e, em relação à educação como mercadoria, elas realmente perpassam o espaço do Ensino Superior?

Nesse sentido, entende-se que as questões mais graves de exclusão escolar devem estar perpassando os espaços do judiciário em ações de surdos contra intérpretes ou instituições de ensino, por isso, a escolhas desses documentos para análise.

Por aqui percebemos que os surdos estão acessando com mais frequência o judiciário em busca de seus direitos.

No art. 149 do Código de Processo Civil, ou seja, a Lei 13.105/2015 dispõe:

 

São auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribuições sejam determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o regulador de avarias (BRASIL, 2015, grifos nosso).

 

Quando eles chegam à audiência o judiciário já designou um Tradutor e Interprete de Libras para acompanhamento do surdo, isso fica claro no documento da Sentença Judicial 05 estudada.

No entanto, por mais que se vê designado o profissional de interpretação, Hora (2018) nos diz em um de seus estudos que o “acesso à Justiça por Surdos/as ainda não é plenamente efetivado, sendo necessária resistência para transformação”, por vários motivos.

As análises sustentam-se na perspectiva histórico-cultural, mais especificamente, em Obras Escogidas II (Problemas Generales de la defectologia contenporanea), de Vygotsky (1997), além de autores que entendem a deficiência, a Educação de Surdos e Inclusão Escolar, e pôr fim a Educação como Mercadoria.

Por fim, esses autores nos ajudam a entender como as narrativas dos documentos (sentenças judiciais) direcionam-se a questões não efetivas da Educação Inclusiva como direito, mas sim, como uma indústria educacional.

Os objetivos desse artigo é apresentar e analisar os enunciados presentes em sentenças judiciais para compreender como instituições superiores concebem a educação inclusiva para surdos, qual é o papel que atribuem aos interpretes e como a educação pode ser entendida como mercadoria.

 

 

CONCEPÇÃO DE VYGOTSKY

 

A proposta desse capítulo é apresentar as contribuições dos estudos de Vygotsky em relação à pessoa com deficiência, mais especificamente, o surdo.

Por vivermos num mundo social, todas as características dos sujeitos dependem inteiramente do convívio entre eles, dessa forma, todas as suas necessidades biopsíquicas tendem a serem satisfeitas. Para que essa interação aconteça à linguagem é extremamente importante, pois intermedia as relações interpessoais podendo assim organizar seu pensamento e consequentemente sua ação, bem como, aquisição das naturezas objetivas e subjetivas de seu ser e da realidade. Os seus humanos fazem uso dos conhecimentos acumulados por gerações criam sempre novos conhecimentos, consequentemente, criam a cultura e através dela eles se transformam e desenvolvem seus processos mentais, personalidade, por fim, a ideia é trazer para a reflexão as concepções da deficiência como uma construção social, nessa perspectiva, os estudos de Vygotsky voltados à abordagem histórico-cultural são relevantes.

Lev Semyonovich Vygotsky nasceu em Moscou, especificamente na cidade de Orsha, no ano de 1986. Ele foi um psicólogo, e lançou no início do século XX um estudo sobre o desenvolvimento cognitivo da criança, que, em sua concepção, se dá por meio da interação social, que está associada aos processos mentais.

Dentre várias obras que deixou, foi ele também o escritor da denominada: “Obras Escogidas V – Fundamentos de Defectología, Editorial Pedagógica, Moscú, 1983; De la presente edición, Visor Dis., S.A., Madrid, 1997”, na qual postula que as crianças com deficiência conseguem se desenvolver e aprender da mesma forma que aquelas as quais não apresentam uma deficiência biológica. Com isso, estudos relacionados à educação especial, obtiveram muitas contribuições devido à ação de Vygotsky nessa área.

O autor faz críticas à visão biológica, fundamentada em funções elementares, ou seja, aquelas voltadas apenas para a deficiência orgânica. Ele prefere direcionar sua compreensão do ser humano ao seu ambiente e à relação que ele estabelece com os demais sujeitos inseridos em seu contexto social, assim como, à sua cultura, a fim de que se desenvolvam suas funções psíquicas superiores. Para Padilha e Mollo (2011, p. 17, grifos nosso) afirmam que:

 

O cultural se impõe ao biológico, ao funcionamento elementar; esse funcionamento não desaparece, adquire nova forma de existência, ou seja, vai se complexificando e se transformando nas condições concretas de vida, dando origem as funções psíquicas superiores, da espécie humana.

 

Nesse modo de entender, as relações sociais são fundamentais para tais processos, assim, elas aliadas à cultura trazem um imenso avanço ao desenvolvimento de todo ser humano.

Nesse sentido, Vygotsky diz que o desenvolvimento cultural é o mesmo para todos, agora, no caso dos deficientes, um sentido a menos não deveria ser um impeditivo para o seu desenvolvimento.

Vygotsky, em seus primeiros artigos, centrava-se nas dificuldades das crianças deficientes intelectuais, surdas-mudas, cegas e destacava a condição de vida e interação social que, a partir desses pontos, promove o desenvolvimento normal. Assim, ainda assegurava que a deficiência não se dava por relações diretas com o ambiente físico, mas, sim, com as relações sociais. Segundo Vigotski (1997, p. 12, tradução nossa), “a criança cujo desenvolvimento seria complicado pelo defeito não é simplesmente uma criança menos desenvolvida que seus coeficientes normais, mas desenvolvida de outro modo”.

Como podemos perceber, os estudos iniciais da defectologia procuram superar justamente a visão do “o quantitativo”, “o que falta”, “o defeito”, “o biológico”, “o funcional”, assim como o estabelecimento desses termos enraizados naquela sociedade.

É nessa direção que Vygotsky promove as suas ideias, numa nova visão da deficiência, analisando assim os processos de desenvolvimento humano em toda a sua dimensão:

 

Com essa ideia, um sistema de tarefas positivas, teóricas e práticas se desenrola antes da defectologia; A defectologia se torna possível como ciência, uma vez que adquire um objeto específico de estudo e conhecimento definido metodologicamente. Com base na concepção meramente quantitativa do defeito infantil, apenas a "anarquia pedagógica" é possível (VYGOTSKY, Tradução nossa, p. 13).

 

O autor aponta, ainda, o papel essência da educação, nesse processo:

 

A transformação do material natural em uma forma histórica é sempre um processo de mudança orgânica, não simples, mas uma modificação complexa de seu próprio tipo de desenvolvimento. Portanto, a conclusão fundamental que pode ser tirada da história do desenvolvimento cultural da criança em relação à sua educação consiste no seguinte: para a educação, é até subir uma colina onde antes via uma estrada plana, cabe a você pular lá onde antes, aparentemente, ele podia dar um passo. O primeiro mérito da nova pesquisa reside precisamente no fato de ter revelado uma imagem complexa em que uma simples era vista anteriormente. Mas a verdadeira revolução nos princípios da educação é introduzida por esse ponto de vista quando abordamos a educação da criança anormal. Aqui a questão é colocada essencialmente de maneira diferente do que no campo da educação infantil normal.  (VYGOTSKY, 1997, p. 185. Tradução e Grifos Nossos).

 

Quando, por motivo da deficiência, defeito ou limitação são negadas novas possibilidades a esses sujeitos, é criada uma série de barreiras, um certo estranhamento, assim como o pensamento de que eles não são capazes de ter novos aprendizados; é nesse momento que a compensação entra em ação, pois está posta a necessidade defrontada pelo ser. Para eles, é dessa maneira que ocorre o desenvolvimento humano, pois quando os impedimentos estão postos, o corpo humano entende que ele está sendo ameaçado e lhe deve proporcionar proteção. É aí que desenvolve uma ação própria, em que são aprimoradas outras características do ser, ou seja, a visão para a criança surda.

Para Vygotsky (1997, p. 16, tradução e grifos nossos) mostra que:

 

A teoria da compensação revela o caráter criativo do desenvolvimento orientado a caminhos. [...] "O que não me mata me fortalece", [...] graças à compensação, da fraqueza vem força, das deficiências nascem necessidades.

 

Ao contrário da narrativa anterior, nem sempre essa compensação ocorre de forma positiva, nem sempre o sujeito será vencedor, pois existem outras questões envolvidas e articuladas, que se colocam diante desses sujeitos, direcionando-os a outras condições causais:

Para as Dainez e Smolka (2024, p. 1106), para Vigotski a “compensação” implica em refletir sobre o desenvolvimento da pessoa com deficiência, pois “faz-nos tomar como disparador de nossas suposições não o defeito, o déficit, o atraso intelectual, mas, sim, a pessoa nas condições sociais concretas de vida, orientando-se para as possibilidades de desenvolvimento”.

Diante disso, não podemos ocultar que estamos avançando com a quebra de barreiras e de paradigmas. Desse modo o lugar que precisamos novamente retomar é o de ser humano, de sujeito, lugar esse que é complexo, que tem deficiências, mas também potencialidades. É preciso vê-lo não fragmentado em partes, é fundamental retomar a reflexão de que ele não é só uma matéria, um ato biológico, uma função.

Nesse sentido é que a sociedade precisa avançar, propondo outras séries de caminhos diretos e indiretos para que haja efetivamente o desenvolvimento das funções psíquicas superiores desses sujeitos, a fim de que possam ser descontruídos os caminhos negativos já oferecidos até o momento para eles e permitir que seja recriada a possibilidade de se lidar com essa deficiência.

No caso da criança surda, Vigotski não concordava com o uso da mímica pela criança, porque ele dizia que esse era o percurso natural da criança surda e era preciso criar os caminhos antinaturais, para que a criança pudesse se desenvolver.   

Nessa perspectiva, para Vygotsky (1997, p. 19) “o que decide o destino da pessoa não é o defeito em si, mas suas consequências sociais, sua realização psicossocial”.

O fato de ser deficiente não deveria ser a causa de seus problemas, mas o que a sociedade lhes impõe (as barreiras) essa sim são impeditivos para o desenvolvimento de todas as suas potencialidades, principalmente aquelas de ordem psicológicas e sociais. .

Reforçando, vemos que, na educação, Vygotsky ensina que não devemos oferecer tudo pronto e acabado ao deficiente, nem suavizar lhe os caminhos. Para o pesquisador, as dificuldades nas execuções das atividades não devem ser omitidas, mas expostas:

Por meio das dificuldades do aprendizado, o sujeito sai da sua zona de conforto, colocando-se diante da dificuldade, do drama, ele passa a considerar a procura de novos caminhos e alternativas para solucionar esses entraves. Arrematando, valemo-nos de um pensamento vygotskyano (1997, p. 867): “Se a criança não tiver necessidade de pensar, ela não vai pensar”.

Com essas interações sociais estabelecidas, surge à experiência, seguida de suas particularidades, provando que qualquer sujeito pode ser capaz de reproduzir toda a conduta humana, não importa se uma criança “normal” ou deficiente (VIGOTSKI, 1997):

 

[...] Os cegos e os surdos são capazes de realizar o comportamento humano em toda a sua plenitude, isto é, de levar uma vida ativa. Tudo o que é peculiar à sua educação se resume à substituição de alguns caminhos para a formação de conexões condicionais. Repito mais uma vez: o princípio e o mecanismo psicológico da educação são os mesmos aqui que na criança normal. A segunda conclusão, não menos importante para a prática da pedagogia dos surdos, é a seguinte: qualquer nova reação condicionada não pode ser instilada de nenhuma outra maneira senão com base em um ensino anterior, dado hereditário ou já elaborado em experiências anteriores. e suficientemente consolidado. A rigor, a educação não pode comunicar nenhum novo movimento ao organismo, apenas pode modificá-lo: variar, reestruturar e combinar as reações que estão no adiamento do organismo (VIGOTSKI, 1997, p. 118. Tradução e grifos nossos).

 

Segundo defende Vigotski (1997, p. 77, tradução e grifos nosso), no caso dos surdos, é que:

 

As obrigações e funções do tato e da visão em relação ao organismo são outras: elas devem criar um número enorme de ligações com o meio ambiente - laços que, em pessoas normais, percorrem outras rotas. Daí vem sua riqueza funcional - adquirida na experiência - que foi tomada por engano como inata, própria da estrutura orgânica.

 

Portanto, é nas relações sociais que esse sujeito surdo descobre que existe algo “errado” com ele, pois esse “erro/defeito” é apresentado ao surdo pelos sujeitos ouvintes. Assim não ouvir, tem, para a pessoa deficiência relação com o meio em que vive:

 

Cegueira ou surdez é um estado normal e não mórbido para a criança cega ou surda, e a criança sente esse defeito apenas indiretamente, secundariamente, como resultado de sua experiência social refletida nela. O que o defeito do ouvido implica? É necessário assimilar a ideia de que cegueira e surdez não implicam nada mais do que a falta de um dos caminhos para a formação de vínculos condicionados com o meio (VIGOTSKI, 1997, p. 116. Tradução e grifos nossos).

 

Para Vigotski (1997), o plano de organização sociocultural está adaptado à “normalidade” psicofisiológica; essas ideias são pontos destacados pelo pesquisador, quando se trata do aprendizado e desenvolvimento dessa criança surda.

 

Esses órgãos, isto é, os olhos e os ouvidos, chamados receptores ou analisadores de fisiologia, e os órgãos psicológicos de percepção ou sentidos externos, percebem e analisam os elementos externos do ambiente, decompõem a realidade em suas partes singulares, em estímulos separados. Que vinculam nossas reações úteis. Tudo isso serve para a adaptação, tão exata e sutil quanto possível, do organismo ao meio ambiente (VIGOTSKI, 1997, p. 118. Tradução e grifos nossos).

 

O que ocorre são os entraves colocados para uma mediação da aprendizagem, limitando os sujeitos surdos a desenvolverem todos os seus potenciais; esse fato está muito enraizado devido ao preconceito social, fazendo com que o sujeito tome um lugar social diferente daquele no qual se encontra.

Nesse sentido, entende-se que a mediação tem o seu valor, vale dizer, a mediação do outro, ou seja, os processos viabilizados pela cultura, ou, ainda, o lugar que a deficiência ocupa numa determinada sociedade, na família, na escola, não mais com a visão de desigualdade, de negação, de falta, mas de possibilidades e potencialidades. Em outras palavras: o vir a ser humana, a humanização, passando pela cultura, pelo coletivo, pela interação, pela palavra, a palavra verbal.

 

O ensino do surdo-mudo por esse método é estruturado precisamente em contradição com a natureza da criança. É necessário forçar sua natureza a ensiná-lo a falar. Aqui, na verdade, está o trágico problema da pedagogia dos surdos. Paramos nesta questão complexa para demonstrar que esse problema central, porém especial, da educação de surdos-mudos é, ao mesmo tempo, um problema geral de educação social e, como tal, só tem a possibilidade de ser resolvido. Se queremos ensinar a linguagem oral à criança surda, devemos abordar o problema de maneira mais ampla e não nos limitar a considerar as propriedades especiais de um método O ensino de surdo-mudo por esse método é estruturado precisamente em contradição com a natureza da criança. É necessário forçar sua natureza a ensiná-lo a falar; eu tenho aqui, na verdade, a tragédia da pedagogia dos surdos. Paramos nesta questão complexa para demonstrar que esse o problema central, porém especial, da educação dos surdos-mudos é, ao mesmo tempo, um problema geral da educação social e somente como tal tem a possibilidade de ser resolvido. Se quisermos ensinar a linguagem oral à criança surda, devemos abordar a questão- problema mais amplamente e não nos limitarmos à consideração das propriedades, em especial de um método. (VIGOTSKI, 1997, p. 124, Tradução e grifos nossos)

 

Quando a sociedade tem enraizado suas concepções na questão da deficiência, ao invés de focar na diferença, na diversidade, mantendo assim essas concepções voltadas ao “tipo ideal”, continuaremos regredindo, no que diz respeito ao desenvolvimento e à aprendizagem desses sujeitos.

Quando se tem a visão no biológico, no defeito, na limitação, num ponto de vista de que o surdo não é capaz de realizar qualquer atividade por si mesmo, enquanto não se colocam as dificuldades para que ele resolva, principalmente no ambiente de aprendizagem, ele dificilmente desenvolverá suas aprendizagens por caminhos indiretos. Novamente estamos pautados numa visão tutelar, paternalista, assistencialista, entendendo que ele necessita de ajuda e acompanhamento e, assim, consequentemente, falhamos na mediação do outro com esse sujeito.

Portanto, manter-se nesse discurso do biológico, do defeito, da limitação, não auxilia em nada, quando se trata de possibilitar oportunidades para o desenvolvimento das funções psíquicas superiores, principalmente aquelas relacionadas à fala, à escrita, ao raciocínio, entre outras. Ao contrário, o deficiente precisa estar defronte a novos desafios, aos quais antes alguém fazia por ele, como, por exemplo, preparar o seu próprio café da manhã, assim, por certo conseguirá desenvolver sua aprendizagem e, consequentemente, suas habilidades e competências articuladas principalmente à oportunidade e necessidade promovidas para tal ação.

No caso da criança surda:

 

O método é maravilhoso, mas se requer tratar o aluno com severidade, se não resultar em linguagem lógica, deve ser abandonado. Qual é a saída então? O único, é claro, reside em retirar o problema da estrutura estreita das classes de articulação e planejá-lo como uma questão de educação como um todo (VIGOTSKI, 1997, p. 124. Tradução e grifos nossos).

 

A educação especial, voltada ao oralismo, não é fácil para o surdo, pois depende de muitas técnicas, principalmente de cunho fonoaudiológico, porém, como diz Vigotski, “se não resultar em uma linguagem lógica”, não vale a pena ser desenvolvido. Analisada por esse aspecto, é preciso que a educação perca seu caráter “especial”, para que se torne educação comum a todos (VIGOTSKI, 1997).

Por fim, a partir dos estudos de Vigotski, reafirmamos que o impedimento não está na deficiência em si, mas nas oportunidades e possibilidades oferecidas pela sociedade as pessoas com deficiência para que esse processo de desenvolvimento aconteça. Dessa forma, possibilitar ao surdo o acesso a língua de sinais articulada se torna fundamental para que ocorra o processo de desenvolvimento das funções psíquicas superiores no surdo e, como ser humano que é, sua interação com o mundo.

Para atingir os objetivos dessa dissertação, nossa proposta é discorrer, no próximo capítulo, sobre a inclusão do surdo no sistema escolar, inclusive nas universidades.

 

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

O presente artigo analisou-se alguns autores como: em Obras Escogidas II (Problemas Generales de la defectologia contenporanea), de Vygotsky (1997), além de autores que entendem a deficiência, a Educação de Surdos e Inclusão Escolar. Utilizou-se como metodologia pesquisa bibliográfica que enfocam sobre principais metodologias e estratégias que podem auxiliam as pessoas surdas através da linguagem de sinais no processo de inclusão.

Para este estudo, a proposta era, num primeiro momento, compreender se a educação inclusiva, após décadas de políticas públicas e debates de especialistas na área, estava presente no cotidiano de escolas de Ensino Fundamental, por meio de entrevistas e observação em salas de aula.

No entanto, no decorrer do trabalho, como o objetivo era amplo, surgiram vários entraves: em qual escola pesquisar? Uma apenas daria conta de alcançar as metas? Por que Ensino Fundamental? Por que Ensino Médio? Como concentrar dados?

A educação inclusiva, poderia haver algum caso na justiça e, nesse sentido, seriam os casos mais graves de exclusão que estariam afetando diretamente a educação desses alunos surdos.

Assim, surgiu a ideia de entrar no site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e procurar por esses casos mais graves, nos quais os envolvidos fossem alunos surdos de instituições superiores, e analisar as sentenças judiciais.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Frente a todo esse percurso, compreendem-se então os enunciados estudados sobre as concepções de Educação Inclusiva para Surdos, os papéis dos Tradutores e Interpretes de Libras e a Educação como mercadoria, assim como, as concepções que as instituições de Ensino Superior têm de tal Educação.

Essas instituições de Ensino Superior apresentam-nos em suas narrativas que as concepções da Educação Inclusiva para Surdos vão desde aquelas que compreendem, compreendem parcialmente e não compreendem essas concepções, mesmo sendo essas instituições responsáveis por uma educação transformadora, quanto aos papéis dos Tradutores e Interpretes de Libras o que elas nos mostram é que ainda estão nas concepções de que ele é um mero “transmissor de informações”, um auxiliar, um acompanhante, mesmo sabendo que ele está além dessa práxis, por trás deles está toda carga de responsabilidade desses sujeitos quanto à educação, bem como, o processo de inclusão e acessibilidade, já a educação como mercadoria nos direciona que a uma desconstrução do direito a educação, para os surdos, educação inclusiva, mediante a seus processos mercadológicos e de privatização.

No entanto, abordar essa temática traz à tona os principais entraves que permeiam esses espaços acadêmicos, onde muitas delas são marcadas ainda por paradigmas que precisam ser desconstruídos, os quais trazem atrasos na educação e desenvolvimento dos alunos surdos.

Finalmente, é possível entender, pelas narrativas dos documentos estudados, todo o sofrimento, estigmas e preconceitos, defasagem de conhecimentos experimentados por esses alunos surdos, a qual a principal delas é a exclusão que a sociedade ainda mantém, mesmo de forma velada para com esses sujeitos.

Enfim, diante de tantos pesquisadores aqui expostos nessa dissertação, sabemos que estamos diante de muitos debates sobre essa Educação Inclusiva para surdos, principalmente quando se trata do Ensino Superior, justamente para se desconstruir todos esses apontamentos negativos presentes nessa modalidade de ensino para que esses sujeitos realmente tenham o direito a inclusão do qual são merecedores por fazerem parte integrante de nossa sociedade.

 

 

REFERÊNCIAS

 

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Método do desenho no processo de alfabetização na visão de Paulo Freira

Andreza Costa Ribeiro

Bruna Rafaela Silva de Souza

Dayane Gasparotto Biagio

Elisângela Santos da Silva Sá

Kelly Cristina Martoni

 

DOI: 10.5281/zenodo.17789735

 

 

RESUMO:

O presente artigo apresentado tem a finalidade de analisar a utilização do método do desenho como um caminho para a alfabetização segundo o autor Paulo Freire. Com a isso, analisa-se no decorrer do mesmo uns pontos importantes sobre como o desenho e como abjetivo ajudar a criança nesse processo de aprendizagem na concepção do autor citado acima. Frente a isso, analisaram-se alguns autores como: Paulo Freire, Damazio e entre outros para o desenvolvimento do trabalho. Utilizou-se como metodologia pesquisa bibliográfica e com o desígnio de conseguir as propostas. Se conclui então, que o desenho para a criança contribui de forma significativa não apenas no processo de alfabetização, contribui também no desenvolvimento da mesma em todas as etapas vida.

 

Palavras-chave: Desenho. Método. Alfabetização.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Na vida de qualquer criança, a alfabetização desempenha um papel muito importante, pois, é através dela que a criança se desenvolve socialmente, cognitivamente e suas habilidades, além da construção de conhecimentos, isso através das experiências de vida de cada criança, em casa e na escola.

Existem muitas crianças que possuem o contato com a língua escrita no ambiente em que está inserida. Pode-se enfatizar a observação de cada criança no ambiente familiar sobre os materiais escritos, seja em produtos utilizados em casa, ver alguém escrevendo um bilhete e entre outros. Diante disso, esse primeiro contato com a escrita e leitura possibilita a percepção de cada criança sobre a comunicação.

Primeiramente, quando a criança chega na escola é indagada ao nível de letramento que a mesma se encontra. Soares (1998), afirma que se deve destacar que o letramento é visto de uma maneira prazerosa e não só na escola que se lê, mas em diversos e diferentes lugares, no início do processo de alfabetização.

A participação e a inserção da criança no mundo letrado, inicia-se através do processo do compreender e adquirir a linguagem escrita dentro da realidade de cada uma.

Ressalta-se que o pedagogo se torna a pessoa responsável pelo início das experiências da escola na vida das crianças, ou seja, pela alfabetização, que por meio da leitura e escrita constroem-se as peças essenciais de todas as disciplinas dentro do currículo escolar.

Através da hipótese de que no geral todas as crianças possuem capacidade de aprender, depara-se com o fato que alguns alunos conseguem chegar ao princípio da alfabetização, porém, não conseguem desenvolver de maneira adequada a leitura e a escrita quando chegam ao um nível maior de ensino.

Esse acontecimento traz uma certa intriga ao considerar as concepções de Paulo Freire no processo de alfabetização.

Alguns defensores do letramento distinguem que há uma falha no processo de alfabetização devido uma falta de especificidade. Soares, tem como objetivo acalmar os conflitos entre as nomenclaturas de letramento e alfabetização, diferenciou esses termos e acrescentou que os mesmos não se excluem, mas sim se somam, afirma também que: “alfabetizar letrando ou letrar alfabetizando.” (SOARES, 2004, p. 9).

Se torna desafiador atualmente a alfabetização e equilibra-la entre métodos e teorias. Segundo a concepção sobre a alfabetização de acordo com Paulo Freire são fundamentais o entendimento da educação da escola seja a partir do contexto social de cada aluno.

Cada escola possui uma cultura diferente e tem o dever de proporcionar aos seus alunos diferentes atividades, linguagens e espaços para formar futuros cidadãos autônomos e críticos. De acordo com Paulo Freire (1987), o centro sobre a percepção de alfabetização se constata a partir da cultura e momentos de dominação de cada um, bem como possuir e reconhecer os oprimidos maneiras de rompimento de estruturas que impossibilitam a mudança da realidade social em que vivem opressivamente.

 

Alfabetização é uma qualidade da consciência humana, pois possibilita às pessoas instrumentos para pensar e agir reflexivamente. Eis a definição que o professor Ernani Maria Fiori apresenta ao prefaciar o livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire (1987, p. 5)

 

Esse sentido, quem sabe, constitua o mais certo sobre a alfabetização, aprender escrever de uma maneira prazerosa sobre fatos de sua vida sendo o próprio autor, a pedagogia de Paulo Freire como método de alfabetização, possui uma ideia de animo a todos os seres humanos como “educação como prática da liberdade”.

Durante o processo da alfabetização, cada criança leva com ela na escola as primeiras experiências grafadas no papel em forma de desenho livre, e é através do desenho que permite cada criança expor seus sentimentos, seus desejos, suas ideias, vontades e anseios. Pode-se dizer então que, o desenho torna-se uma linguagem significativa, ou seja, ele torna-se um elo entre a criança e a descoberta do mundo. 

Assim sendo, este presente trabalho tem como objetivo analisar a alfabetização na concepção de Paulo Freire e como metodologia o desenho, portanto, acredita-se que o assunto abordado neste artigo é muito importante para os docentes em sala de aula, pois, é de extrema necessidade conhecer a finalidade da alfabetização e contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem e se construir o conhecimento da criança.

O desenvolvimento deste estudo utilizou como metodologia pesquisa bibliográfica, centrando seu foco sobre as contribuições da fundamentação teórica de Paulo Freire e embasamento em outros autores como: Magda Soares, Zatz e entre outros.

Para alcançar as propostas do presente trabalho encontra-se estruturado em quatro capítulos, o primeiro sobre o significado de infância, o segundo método da alfabetização através do desenho, o terceiro a visão de Paulo Freire e a alfabetização e o último sobre letramento e alfabetização

Nas considerações finais conclui-se o presente artigo, a partir de uma reflexão sobre o tema abordado, analise das discussões teóricas, e enfim, como a concepção de Paulo Freire sobre a alfabetização e o método do o desenho contribuem para o desenvolvimento no processo de aprendizagem da criança.

 

 

VISÃO DE PAULO FREIRE SOBRE O MÉTODO DO DESENHO NO PROCESSO DA ALFABETIZAÇÃO

 

De acordo com Paulo Freire, o mesmo confirma que a alfabetização vai além de ser um simples método, ela é o relacionamento de todos os envolvidos nesse processo. A partir dessa relação, forma-se um elo de cultura, momentos em que todos os envolvidos possam relatar suas experiências vividas.

“De que forma entender as dificuldades durante o processo de alfabetização de alunos sem saber o que se passa em sua experiência em casa? ” (FREIRE, 1990, p. 111).

A participação e a inserção da criança no mundo letrado, inicia-se através do processo do compreender e adquirir a linguagem escrita dentro da realidade de cada uma.

Geralmente, associa-se a palavra desenho á atividades grafadas e reproduzidas com lápis no papel, á ideias representadas por objetos ou até mesmo a alguma figura e imagem reproduzidas. Portanto, o desenho é a maneira de expressão de cada criança em particular, ou seja, é o modo que cada uma expressa seus desejos, ideias, vontades e sentimentos, bem como revela sua ideia do mundo por meio das diferentes maneiras de mostrá-lo. Constitui-se também o modo de expressão particular da criança, do ambiente em que está inserido.

O desenho pode-se perceber, que além de estar presente nas atividades de todo ser humano, encontra-se presente também no dia a dia da criança, seja em representações, em mapas, cadernos da escola ou até mesmo ao abrir um livro de histórias com figuras.

Segundo Derdyk, o desenho apresenta uma natureza transitória e tão versátil, utilizado em vários momentos de nossas vidas. (1993, p.10)

A autora ainda destaca sobre a antiguidade da linguagem do desenho, “permanente, sempre esteve presente desde que o homem inventou o homem. Atravessou fronteiras espaciais e temporais, e por ser tão simples, teimosamente acompanha a nossa aventura na terra”. (DERDYK,1993, p.10).
Edith Derdyk, destaca que o desenho percorreu por vários e diferentes caminhos durante a história e da evolução do ser humano, com isso o mesmo continua fazendo parte da vida do homem até hoje.

Os homens antigamente desde a pré-história “(...) tinham a mesma necessidade que nós de comunicar o que estavam pensando e sentindo. Devem ter feito isso de várias formas. Umas delas foi desenhando e pintando” (ZATZ, 2002, p.16). O desenho era usado pelos homens para se expressarem graficamente, foi o primeiro registro que o ser humano utilizou, entre as linguagens diferentes, dentro da sociedade primitiva para se comunicarem.

Desde a pré-história, os homens registravam nas paredes de cavernas desenhos, era uma forma de se expressarem para revelarem a maneira de viverem e passar suas experiências e conhecimentos da época. 

Ocorreram algumas transformações no contexto social no passar do tempo, consequentemente aperfeiçoaram-se os desenhos e os mesmos começaram a adquirirem formatos mais elaborados.

Em diferentes sociedades cada desenho assume-se um papel. Na Mesopotâmia, por exemplo, foi através do desenho o auxílio que o povo oriental e ocidental obteve, pois, foram elaborados mapas cartográficos para facilitarem atividades comerciais dos mesmos.

Zatz, diz que lentamente, o desenho começou a representar-se através de materiais diferentes, como: barro, pedras, argilas, madeiras e finalmente, no papel conhecido atualmente. (2002, p.20). Observa- se que antigamente e atualmente “o homem sempre desenhou. Sempre deixou registros gráficos, índices de sua existência, comunicados íntimos destinados à posterioridade” (DERDYK, 1993, p.10). De acordo com a autora, pode-se dizer que, durante o processo trilhado pelo homem, o desenho teve um papel muito importante, além de contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da linguagem nas antigas sociedades e proporcionar o início da escrita. 

O desenho, da mesma maneira que se estabeleceu como uma maneira para que as antigas civilizações pudessem se expressar, até hoje é a primeira grafia que a criança se manifesta. É através do desenho que a criança constitui sua forma de registrar seus sentimentos, suas descobertas, ou seja, o mundo do seu ponto de vista.

Com isso, o desenho é responsável por diversas possibilidades no mundo infantil, “possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar (...)” (MOREIRA, 2009, p.26). A autora afirma que ao desenhar a criança desenvolve outras linguagens e outras formas de se expressar como brincar, cantar, falar e entre outras.

Conforme o crescimento da criança nota-se as mudanças que ocorrem nos desenhos. A cada faixa etária, a criança, desenvolve suas próprias características e diversas formas de desenhar. Essas formas de desenhar são diferentes entre as crianças. Isso devido às características de cada uma, o contexto social em que vivem fatores sociais e biológicos. Os desenhos são uma forma das crianças se sentirem livres para exporem o que sabem.

Considerando as características particulares do desenho de cada criança e levando em conta que o mesmo desenvolve vários aspectos da criança como emocional cognitivo e entre outros, vários profissionais como psicólogos, psiquiatras e outros, tem estudado o desenho.

Um dos primeiros que dedicou ao estudo o desenho da criança e seu cognitivo foi Georges Henri Luquet (1969). O mesmo em seus estudos tinha o objetivo de compreender a maneira de a criança desenhar. Georges Henri Luquet acreditava, segundo sua concepção, que o desenho infantil “não mantém as mesmas características do princípio ao fim. Portanto, convém fazer sobressair o caráter distintivo das suas fases sucessivas” (LUQUET, 1969, p.135).

O autor ainda destaca que no começo, a criança inicia seu desenho sem interesse da representação de alguma coisa e ao finalizar o mesmo, já consegue interpretar seu desenho dando um nome. Cada criança, através do desenho, consegue revelar detalhes, por menores que sejam, além de não se preocuparem com a estrutura visual.

Com o passar do tempo e idade, os desenhos começam a terem detalhes através de objetos “(...) têm por finalidade particularizar as formas que antes eram genéricas” (PILLAR, 1996, p.50). Segundo a concepção da autora, observa-se que o desenho da criança se caracteriza pelo visual, ou seja, o desenho infantil começa a ser representado com vários detalhes. 

Estudado e pesquisado por todo o mundo, Paulo Freire, é um educador de origem brasileira, mas, no Brasil, seus estudos sobre o processo de alfabetização infantil, observa-se que fora substituído ou talvez esquecido, por uma hipótese de que letrar se torna mais importante do que alfabetizar.

A alfabetização antes de Paulo Freire, era entendida da seguinte maneira: aprender a ler e escrever. Paulo freire obteve um olhar diferenciado sobre a alfabetização e na sua concepção defendia que a mesma necessita ser conscientizadora e emancipadora. Antes de ler e escrever é preciso ler o mundo, pois, o aluno precisa ter consciência sobre o que se passa a sua volta de maneira critica. Paulo Freire diz que “a alfabetização e a conscientização jamais se separam” (1990, p. 14).

Através desse sentido, o aluno não faz apenas como diz o letramento utiliza socialmente a leitura e escrita, mas apropria-se de maneira consciente e critica o ato de escrever e ler.

Se faz necessário a recuperação das funções sociais sobre a alfabetização, ou seja, precisa contestar essa movimentação através de trabalhos que possam resgatar o verdadeiro sentido da alfabetização na concepção de Paulo Freire. O autor defende que a educação por meio de conscientização dos alunos e educadores precisa ser entendida com amor.

 

A educação que se impõe aos que verdadeiramente se com prometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres vazios a quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como “corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo. (FREIRE, 1990, p. 31).

 

Esse relacionamento precisa ser desenvolvido através da realidade de cada aluno, isso necessita superar a aplicação de conteúdo fora dos contextos e vazios. Entretanto, as práticas escolares pautadas em linguagens verbais, diversas informações e entre outras, impossibilita o aluno se manifestar usando outras maneiras de se expressarem, como o desenho.

No meio infantil, essa linguagem gráfica se torna encantadora “dotada de prestígio por ser secreta, (...) exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes dela própria poder traçar os verdadeiros signos” (MÈREDIEU, 2006, p.10). Sendo assim, segundo o autor, na vida de qualquer criança o desenho é uma peça fundamental, ele é um elo que permite que a criança libere sua imaginação, bem como conheça regras e rotinas em seu contexto social, mas principalmente mostra-se como a primeira representação gráfica da criança. 

Através de materiais, sejam eles: lápis, papel ou qualquer outro, cada criança desde nova utiliza os mesmos para deixar registros gráficos de suas marcas, traços ou até mesmo imitar uma escrita. O imitar da criança não é uma cópia, mas sim uma vontade que a mesma tem em grafar sua própria escrita. A imitação surge não como uma cópia, mas revela o desejo da criança em produzir a sua própria escrita.

Através desse desejo de representação surgem os primeiros registros que são transmitidos os conhecimentos das crianças. É na infância, em relação com o presente, há resultados importantes que as crianças cronológicas cresçam, “as crianças precisam ter assegurado o direito de aprender a decidir, o que se faz decidindo”. (FREIRE, 2000, p.58-59).

Os desenhos unidos à criatividade expressam o que cada criança pensa e que muitas vezes não conseguem falar, ou seja, ela coloca no papel suas ideias, seu íntimo, curiosidades e etc. Com isso, “experiência gráfica é uma manifestação da totalidade cognitiva e afetiva, quanto mais à criança confia em si, mais ela se arrisca a criar e a se envolver no que faz” (OLIVEIRA, 1994, p.41).  Segundo a reflexão da autora, cada criança usa subjetivamente seus conhecimentos e através da exploração das suas próprias possibilidades, a mesma usa o desenho para viver suas próprias experiências.

Dessa maneira, o desenho contribui para que a criança consiga se comunicar antes de aprender escrever de forma convencional.  

Durante o processo educativo que normalmente a escola propõe alfabetizar exige memorização e repetição das letras, silabas, sendo assim, esse método não é muito eficaz, pois, desperta na criança desinteresse em desenvolver alguns processos educativos, além disso, a criança abandona o desenho, pois, esse método já passa a ser desprezado.

Destaca-se que “a perda do desenho, aparentemente vista como uma substituição de um código por outro, revela apenas a maneira como a criança é vista pela escola” (MOREIRA, 2009, p. 72). Segundo a autora, existem escolas que por exigência em alguns contextos sociais, insere antes do tempo, as crianças para serem alfabetizadas. Com isso, o tempo da criança é preenchido com diversas atividades que não são valorizadas, onde a criança não consegue expor suas expressões ou vivencias construída com suas experiências cotidianas.

O processo de aprendizagem não deve ser desqualificado, mas sim considerar a importância e as contribuições que o desenho traz no desenvolvimento da criança. Por isso, é dever da escola, utilizar as diferentes maneiras para que as crianças possam se expressar, como a partir do desenho.  

Faz-se necessário, observar a necessidade de cada criança, oportunizando as mesmas, possibilidades para que aos poucos elas possam se inserirem no processo de alfabetização tão complexo, sem cobrar e exigir que cumprem algumas regras, pois isso gera um bloqueio quando a criança desenvolve o seu desenho.

Sendo assim, com a existência de atividades presentes no currículo da escola, a criança começa a dizer que não quer ou não sabe desenhar.  O desenho infantil começa a ser substituído devido algumas exigências da sociedade, assim as crianças ficam mais tempo em salas de aula. 

O professor deve ter um olhar para o desenho da criança, pois, o mesmo tem um significado para cada uma, dependendo da reação da relação desta linguagem gráfica, a criança começa a ter mais coragem e se expressam criativamente. Se a professora mostrar uma insatisfação frente ao desenho da criança, ela pode se sentir desestimulada. 

Segundo Magda Soares (2003), a alfabetização vai além de ler e escrever, pois, a leitura e a escrita necessitam ter sentido e fazer parte da vida da criança.

Dessa maneira, as contribuições do desenho na educação infantil no processo de alfabetização, necessita ter mais valor na escola. O desenho infantil necessita ser mais reconhecido sobre sua importância no desenvolvimento da criança, não apenas na escola, mas também na vida da criança.

Enfim, todo ser humano sente a necessidade de expressão, frente a isso, não deve pensar que o desenho na educação infantil é apenas visto como uma forma da criança se expressar, mas também como uma linguagem que contribuirá como base para o desenvolvimento gráfico e de aprendizagem para a mesma em todos os sentidos pessoais.

Repensando na educação frente aos autores citados no presente trabalho, inclusive na perspectiva de Paulo Freire, é pensar em realidades educativas com possibilidades concretas com chances de avanços educacionais.

Enfim, compreende-se que a transferência da concepção de Paulo freire sobre o processo de alfabetização necessita que o educador faça uma reflexão diariamente sobre sua prática pedagógica, que enxergue o aluno como uma pessoa atuante que necessita observar o seu interior e a realidade a sua volta, com isso, proporcionam maneiras de refletir permanentemente para que unidos uns com os outros, todos transformem a realidade que os rodeia.

 

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

O presente artigo analisou-se alguns autores como: Paulo Freire, Damazio, Sinclair e entre outros para o seu desenvolvimento. Utilizou-se como metodologia pesquisa bibliográfica que enfocam sobre principais metodologias e estratégias que podem auxiliam as crianças através no desenho no processo de alfabetização.

Autores afirmam que a partir do momento em que a criança consiga desenvolver e consequentemente evoluir seus desenhos, paralelamente desenvolverá sua escrita. Os mesmos consideram “a evolução das garatujas ao desenho como linha evolutiva direta e reta, mas a escrita com a derivação particular” (SINCLAIR, 1987, p.77). Com base nessa teoria, Wallon (apud, SINCLAIR, 1987, p.77) diz que o “desenho aparece espontaneamente; seu desenvolvimento baseia-se na interpretação que a criança dá as próprias garatujas. A escrita aparece como uma imitação das atividades do adulto”.

Frente a essas concepções, pode-se dizer que o desenho, bem como a escrita, apesar de diferentes, são duas linguagens que se completam, ou seja, cada uma com sua característica. Assim, acredita-se que o desenho é a primeira escrita da criança, além de ser uma forma de comunicação com o mundo adulto serve também como linguagem para a imaginação.

Enfim, pode-se observar que cada período do desenho da criança, a mesma evolui graficamente, além de aprimorarem os desenhos, automaticamente adquirem confiança e capacidade de grafarem vários sinais gráficos. Com isso, o desenho da criança possuirá terá abertura às diferentes maneiras de linguagens expressivas presentes no seu dia a dia, assim como a escrita, que até então, a mesma não conhece. Dessa maneira, por meio do desenho, a criança possui as primeiras noções sobre o que realmente a escrita representa.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A intenção do presente trabalho monográfico foi analisar a concepção de Paulo Freire sobre a alfabetização utilizando o método do desenho nesse processo. Frente a isso, verificou-se o quanto é importante deixar com que a criança manifeste seus sentimentos através do desenho, pois, o mesmo além de auxiliar no desenvolvimento para a alfabetização, colabora também em todas as áreas da vida da criança. 

Essas linguagens áreas ligadas às aprendizagens escolares colabora com o desenvolvimento da criança naturalmente no processo da alfabetização.

Dessa maneira, pode-se afirmar que o desenho da criança, visto no decorrer do trabalho, é a primeira maneira que a criança consegue se expressar graficamente para se comunicar, por ser o antecessor da aprendizagem. Sendo assim, a partir de estudos apresentados no decorrer do trabalho, conclui-se que o desenho na educação infantil, contribui de forma significativa não apenas no desenvolvimento da aprendizagem da criança, mas também auxilia a criança em todos os sentidos.

Durante o desenvolvimento do presente trabalho, pode-se refletir sobre o quanto é importante o desenho infantil no processo da aprendizagem da criança. Dessa maneira, observa-se que quando a criança participa do processo de alfabetização, reduz o ato de desenhar.  Isso acontece devido à importância que a escola dá ao sistema convencional da aprendizagem.   

Sem hierarquizar o desenho e a alfabetização, o presente trabalho pretende mencionar que estas duas linguagens, por serem tão diferentes, se completam e são importantes para a alfabetização da criança. Assim, entende- se que a alfabetização da criança, origina-se não apenas por uma só linguagem, mas sim da ligação das diferentes maneiras com que a criança se expressa livremente.  

Sendo assim, não pode- se dizer que na vida da criança apenas um momento é importante, a alfabetização, sem destacar o papel do professor nesse trajeto.

Durante esse aprendizado, o professor se torna uma peça fundamental no momento que desenvolve as atividades, pois, tem que valorizar os conhecimentos linguagens diferentes previas das crianças e além de dar valor aos desenhos que as mesmas produziram desenvolver um ambiente acolhedor.

Frente a essa exposição, se torna necessário refletir perante alguns profissionais na área da educação, que dizem que o desenho infantil não tem valor como atividade. 

No decorrer do trabalho, ressalta-se que o desenho que a criança produz, realmente não deve ser aplicado como apenas uma atividade de passatempo demitido de significados, mas sim como uma linguagem particular da criança, pois, o mesmo faz parte do seu desenvolvimento. É de extrema importância saber que é por meio do desenho, que a criança expressa seus sentimentos, se comunica, pensa e etc.

É fundamental que todas as escolas promovam o processo de alfabetização juntamente com os conhecimentos prévios das crianças dentro do contexto social e cultural de cada uma, respeitando as individualidades, as brincadeiras e principalmente o tempo e jeito de aprender. É através desse olhar que se promove o desenho da criança e consequentemente o mesmo contribui no processo de alfabetização em cada uma.

O presente trabalho teve como objetivo analisar a concepção de Paulo Freire acerca do processo de alfabetização, refletindo sobre como o método do desenho pode se constituir como instrumento potente no desenvolvimento integral da criança. Ao longo da pesquisa, foi possível compreender que o desenho, muito além de uma atividade lúdica, revela-se como uma linguagem expressiva primordial, capaz de traduzir sentimentos, pensamentos, experiências e saberes adquiridos pelas crianças desde muito cedo.

A partir dos estudos apresentados, observa-se que, na perspectiva freiriana, alfabetizar ultrapassa o simples ato mecânico de juntar letras e formar palavras; trata-se de promover um processo emancipador, no qual a criança é convidada a ler o mundo antes mesmo de ler a palavra. Nesse sentido, o desenho surge como elemento fundamental, pois permite que a criança comunique seu universo simbólico, refletindo sua visão de mundo e possibilitando ao professor conhecer mais profundamente sua realidade social, cultural e emocional.

Verificou-se, ainda, que o desenho, por ser uma manifestação espontânea e natural da infância, contribui de maneira significativa para a construção da escrita. Ele constitui uma primeira forma de registro gráfico, que antecede e prepara o caminho para a alfabetização formal. Ignorar essa linguagem é desconsiderar uma etapa essencial do desenvolvimento infantil. Por isso, a escola precisa valorizar e reconhecer o desenho como recurso legítimo de aprendizagem, e não apenas como entretenimento ou atividade complementar.

No decorrer do estudo, foi possível identificar que muitas instituições, ainda hoje, priorizam atividades mecânicas de memorização de letras e sílabas, reduzindo o tempo dedicado ao desenho e às manifestações espontâneas da criança. Tal postura acaba por limitar sua criatividade, sua expressão e, consequentemente, sua autonomia. Assim, torna-se indispensável que o professor assuma postura sensível, acolhedora e consciente, capaz de enxergar no desenho não apenas traços, mas possibilidades de comunicação, investigação e construção de conhecimento.

Diante disso, compreende-se que a alfabetização só alcança seu verdadeiro sentido quando respeita os tempos, ritmos, necessidades e saberes prévios da criança. O desenho, como primeira forma de escrita, permite que ela explore, descubra, imagine e produza sentidos sobre o mundo que a cerca. Ele se articula diretamente com a proposta de Paulo Freire, pois promove a liberdade, a autonomia e o pensamento crítico – pilares da pedagogia humanizadora defendida pelo autor.

Conclui-se, portanto, que o método do desenho é um recurso pedagógico fundamental e deve integrar de maneira significativa o processo de alfabetização. Cabe à escola e aos professores garantir espaços, tempos e materiais que favoreçam a expressão gráfica das crianças, reconhecendo o desenho como linguagem legítima, capaz de estimular o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e cultural. Quando a alfabetização acontece respeitando e valorizando essas múltiplas linguagens, ela se torna mais significativa, prazerosa e transformadora, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, autônomos e conscientes de seu papel no mundo.

 

 

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Contos de fadas no desenvolvimento infantil: uma análise da trajetória, função terapêutica e elemento visual

Angélica de Freitas Nunes Rocha

Elenita Janaína Martins Pereira

 

DOI: 10.5281/zenodo.17754598

 

 

RESUMO

O presente artigo explora a importância dos contos de fadas no mundo infantil, refletindo sobre como essa forma de literatura contribui para desenvolvimento intelectual e imaginário da criança. A pesquisa é de caráter bibliográfica baseada em autores como Fanny Abramovich, Bruno Bettelheim, Laura Sandroni e Raul Machado. O trabalho faz uma breve trajetória dos primeiros criadores de contos, como Charles Perrault, os Irmãos Grimm e Hans Christian Andersen, destacando o papel crucial desses precursores na popularização do gênero. A partir do estudo, observou a importância da ilustração como linguagem universal e concluiu que os contos de fadas, mesmo pertencendo ao plano da fantasia, são uma ferramenta importante por tratarem de problemas vinculados à realidade e ajudarem a criança a encontrar soluções para os problemas do cotidiano.

 

Palavras-chave: Contos de fadas. Desenvolvimento infantil. Emoções. Ilustrações.

 

 

Introdução

 

O mundo mágico das histórias estão presente na vida das crianças desde muito cedo, essa relação com as histórias se estabelece antes mesmo da alfabetização, muitas vezes em um momento íntimo de leitura com um adulto, não só fortalece laços de afetividade, como também introduz conteúdo visual e textual da obra. Abramovich (1989) relata que seu primeiro contato com o mundo mágico das histórias aconteceu quando ela era muito pequena vendo a sua mãe contar histórias todas as noites antes dela adormecer.

Os contos de fadas são aliados importantes no desenvolvimento intelectual e imaginário infantil, contribuindo para a formação integral da criança e influenciando a forma como ela enfrentará seus problemas cotidianos. Baseando-se em autores como Fanny Abramovich, Bruno Bettelheim, Sandroni e Machado, o texto descreve os contos como uma forma de literatura que encanta e oferece um meio seguro para a criança lidar com emoções complexas, anseios e problemas do cotidiano.

Ao retratar problemas clássicos vividos na infância, os contos de fadas possibilita que a criança sinta como se não fosse a única a enfrentar esses problemas, permitindo a externalização de emoções como raiva, tristeza, alegria e medo. Bettelheim destaca que “o conto de fadas faz oposto ele projeta o alívio de todas as pressões e não só oferece caminho para resolver problemas como promete uma solução feliz para eles”. (2013, p, 52).

Dessa forma, este artigo constitui um trabalho de natureza bibliográfica que visa analisar a importância dos contos de fadas e sua influência no universo infantil, enfocando o desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança. O texto examina como os contos de fadas atuam como um meio seguro para a criança processar emoções complexas, anseios e problemas do cotidiano. Além disso, o estudo traça a trajetória dessa literatura por meio dos trabalhos de precursores notáveis como Charles Perrault, os Irmãos Grimm e Hans Christian Andersen. Por fim, é enfatizada a relevância da ilustração e do contato precoce com a narrativa no desenvolvimento da criança.

 

 

Os precursores da literatura de contos de fadas

 

Charles Perrault (1628-1703) era um ajudante da corte real francesa e foi o primeiro a organizar os contos de fadas em um livro, devido ao seu contexto era indicado somente para pessoas adultas (CADEMARTORI, 1986). Em 1697, Perrault criou a coletânea “Contos da mãe Gansa”, era a primeira vez que um escritor se apropriava da tradição oral para criar um livro especificamente ligado à criança. A sua escrita misturava a criação popular à sua imaginação de escritor, isso permitia inserir detalhes e toques reais de sua época.

Mais tarde no século XIX em meio a um acontecimento da época chamado romantismo alemão, os irmãos Grimm, Jacob Grimm (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) tentavam achar respostas para o que vinha acontecendo, os vários dialetos e passando assim, a investigar histórias populares. Com seu irmão Wilheim, o linguista e escritor Jacob Grimm, fundador da filologia alemã, dedicou-se a recolher contos populares de regiões de língua alemã. Entre 1812 e 1815 foi publicada a coletânea “Contos da Infância e do Lar” que trazia piadas, lendas, fábulas, anedotas e narrativas. Coelho afirma:

 

Em meio à imensa massa de texto que lhes servia para os estudos linguísticos. Os Grimm foram descobrindo o fantástico acervo de narrativas maravilhosas que, selecionadas entre centenas registradas pela memória do povo, acabarem por formar a coletânea que é hoje conhecida como literatura clássica Infantil. (2003, p. 23).

 

De acordo com Darton (1896) o irmão Grimm, além de recolherem os contos de camponeses, escutou de sua vizinha Jeannette Hassenpflug boa parte desses contos, que ela ouvia de sua mãe. Esta era de uma família francesa huguenote que fugia da perseguição religiosa de Luís XIX no século anterior levando consigo para a Alemanha um repertório de contos dos livros de Perrault.

Já Hans Christian Andersen (1805-1875) é considerado o “Pai da Literatura”, ele difere de Perrault e dos irmãos Grimm pelo fato de não se limitar a recolher e recontar, mas sim criar suas próprias narrativas, as histórias vinham sempre no contexto dramático, pois, sua origem era de família simples com poucas condições financeiras (citarei algumas adiante). Em função de seu nascimento dia 02 de abril é considerado o Dia Internacional da Literatura Infanto-Juvenil.

Já que foi memorável a atuação de todos, mas nenhum por sua vez obteve essa preocupação diretamente inicial com as crianças, as histórias eram sim muito melancólicas mais tratava de forma real a situação vivida pelas crianças, assim também não deixava de lado o enriquecedor ensinamento que cada uma carregava em seu contexto.

 Portanto, discorrer brevemente sobre a trajetória dos três celebres autores, foi necessário para que se torne tangível no que diz respeito reforçar a importante atuação a preocupação com o universo da criança, mesmo sem querer elas buscam respostas para suas angústias, para aliviar sua tristeza e ao mesmo tempo se diverte com o imenso mundo de descobertas.

 

 

O papel terapêutico e instrutivo dos contos

 

O conto caracteriza–se por estar tão presente na vida da criança, começando assim seu primeiro contato com as várias formas de textos, obras existentes em que leva para um mundo cheio de descobertas. Fanny Abramovich destaca que “os contos de fadas partem de um problema vinculado à realidade…” (1989, p. 120). Por    isso as crianças se identificam com as histórias, pois tratam de assuntos muito vezes ligados a sua vivência, no qual sempre se introduz (fadas, bruxas, anões, duendes, gigantes etc.) o que às torna mais intrigantes.

De acordo com Bettelheim, na sua obra A Psicanálise dos Contos de Fadas (2002), afirma que os contos de fadas têm uma profundidade muito maior que quaisquer outros materiais literários, pois iniciam-se por fortes pressões vividas pelos personagens, e assim, retratam experiências que a criança vive (ou viverá) e oferecem soluções para essas pressões.

Os contos de fadas são tão provocantes que desperta na criança a necessidade de sempre estar se colocando e se identificando com algum personagem. Ao começar a história dos contos com a frase “Era uma vez um reino encantado…” ou seja esse reino pode ser projetado em quaisquer lugar, pois a criança vê caraterísticas que despertam essa identificação com os contos. Essa relação é abordada no livro “Estão mortas as fadas” como, destaca Amarilha:

 

Através do processo de identificação com os personagens, a criança passa a viver o jogo ficcional projetando-se na trama da narrativa. Acrescenta-se a experiência o momento catártico, em que a identificação atinge o grau de elação emocional, concluindo de forma liberadora todo o processo de envolvimento. Portanto, o próprio jogo de ficção pode ser responsabilizado, parcialmente, pelo fascínio que (o conto de fadas) exerce sobre o receptor. (Amarilha, 1997, p. 18).        

 

As crianças ao se identificarem com esses personagens aprende assim tais “lições” que a história passa, portanto faz a ligação com sua vida e consequentemente retira isso para o seu próprio dia-a-dia. Por isso faz-se importante que se dê tempo à criança para que as mesmas tenham a oportunidade de mergulhar no mundo profundo que os contos de fadas proporcionam.

 Algumas histórias não são cativantes fazendo com que a criança desinteresse pelo enredo de modo que isso não venha a ocorrer nos contos de fadas, pois:

 

A criança intuitivamente compreende que, embora essas histórias sejam irreais, elas não são inverídicas; que embora aquilo que essas histórias narrem não ocorra de fato, deve ocorrer enquanto experiência interior e desenvolvimento pessoal; que os contos de fadas retratam de forma imaginaria e simbólica os passos essenciais para o crescimento e para a aquisição de existência independente. (Corso, 2006, p.17).

 

De qualquer forma as histórias, compreende o mundo em que cada criança vive por isso essa transferência, essa forma quase que nata de cada criança ao assegurar-se nos contos. “E assim, esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas…” (Abramovich, 1989, p. 17). Os contos de fadas projetam a aceitação na criança à medida que o conto se desenrola.

As narrativas são representadas de modo a serem muito parecidas conosco por isso a criança se identifica tanto. Os contos de fadas parecem falar através dos personagens ou nas imagens, que a vida não é fácil podendo ter obstáculos a serem ultrapassados e consequentemente criando certo amadurecimento, pois os saberes vão acumulando e deixando transparecer a sua autonomia. Portanto, os contos de fadas são inestimáveis para o desenvolvimento da criança porque, embora pertençam ao plano da fantasia, tratam de problemas vinculados à realidade.  

 

 

O elemento visual e a narrativa

 

Os contos são tão ricos que possui uma variação de formas e modelos para entreter as crianças, na Educação Infantil utiliza-se de vários métodos para representá-los utilizando diversos materiais a partir da criatividade de quem os confecciona, de alguma maneira as crianças ficam mais entusiasmadas. As imagens do livro infantil não deixam de ser um instrumento muito valioso para os pequenos.

 

A imagem confere ao livro, além do valor estético, o apoio, a pausa e a oportunidade de devaneio, tão importante numa leitura criadora, resultado da percepção única e individual, que faz com que uma pessoa nunca descreva o que leu exatamente como outra” (SandronI e Machado, 1986, p, 38).

 

          Para crianças não alfabetizadas, a ilustração é um elemento fundamental. Livros de contos de fadas necessitam de gravuras ou figuras para interpretar determinadas histórias, tudo isso precisa ser simples e colorido, permitindo que a criança identifique mesmo sem saber o nome.

A apresentação do livro deve estar da seguinte forma, sempre apresentado em páginas brilhantes, cores fortes e desenhos bem-feitos. Bettelheim destaca “para que uma história realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar a sua curiosidade” (2013, p. 11). Deve-se evitar livros sem figuras, cinza e sem vida que certamente não prenderá a atenção da criança. Salienta Sandroni e Machado “por muito tempo ela desejará olhar aquelas figuras que falam dela e do mundo”. (1986, p. 13). Ainda sobre gravuras as crianças de dois a três anos… 

 

A criança já é capaz de ouvir histórias mais longas e complicadas, mas ainda precisa do suporte das ilustrações que ajudam a interpretar as palavras que ela está ouvindo. Um livro sem texto ou com muitas ilustrações permite que a criança conte a história sozinha a partir de figuras. Nesta fase ela está enfrentando experiências novas, Fazendo muitas coisas pela primeira vez, e a vivência das novidades pode ser reforçada por histórias que falam da chegada de um novo irmão, vida escolar, doenças, e assim por diante. (Sandroni e Machado,1986, p, 17).

 

A criança decodifica as imagens contidas em um livro, dessa forma a ilustração é uma linguagem universal, podendo ser compreendida por diferentes povos. Explica, Sandroni e Machado “entende-se ilustração como a representação gráfica de uma ideia” (1986, p. 38). Percebe-se que o livro sem ilustrações são  pouco admirado pelas crianças, pois não carrega assim atrativos que possa envolver, são tidos apenas como textos. Os contos carregam uma série rica em ilustrações, todo o livro dessa forma de literatura vem assim repleto de imagens deixando claro o seu propósito de compreensão.

Existem vários exemplos que comprovem isso como a história da Chapeuzinho vermelho, ao olhar as ilustrações desse conto, a criança compreende o que elas representam com facilidade. “Algumas ilustrações desenvolvem a compreensão da relatividade, favorecendo com isso o desenvolvimento de múltiplos pontos de vista”. (Sandroni e Machado, 1986, p. 43). Ainda, “As ilustrações podem permitir às crianças interpretações que sejam exclusivamente delas”. (Sandroni e Machado, 1986, p. 43). Cada criança com sua particularidade e a sua maneira veem a mesma imagem, porem à  interpretam ao seu modo. Salienta, Fortuna (2005, p. 01), “vários são os elementos que propiciam o fascínio que os contos exercem sobre as crianças”.  Portanto, os contos devem despertar na criança o prazer e o desejo de sempre querer ouvir mais e mais. 

 

 

A arte de contar e a interpretação da criança

 

A entonação de voz exige certa delicadeza, a criança interage com o texto de uma forma excepcional e lendo de qualquer forma é como se roubasse isso da criança que se identifica tanto com a história. Diante disso “ouvir histórias é uma arte… e tão linda!!! É ela que equilibra o que é ouvido com o que é sentido e por isso não é nem remotamente declamação ou teatro… Ela é o uso simples e harmônico da voz” (Abramovich, 1989 p. 18). De acordo com Sandroni e Machado “os contadores de história deveriam variar o mais possível para que as crianças tivessem contato com várias personalidades e diferentes formas de narrar” (1986, p. 32). Desta forma, ao ler ou ouvir contos de fadas a criança está entrando em contato com seu interior.

Abramovich explica sobre a forma de entender os contos “A magia não está no fato de haver uma fada já anunciada no título, mas na sua forma de ação, de aparição, de comportamento, de abertura de portas, na sua segurança” (1989, p. 121). Então, a maneira que ocorre o desfecho da história a criança assegura de algum modo no que o contexto oferece para sanar suas necessidades. Sobre isso Bettelheim diz que  “…o significado mais profundo do conto de fadas será diferente para cada pessoa, e diferente para a mesma em vários momentos de sua vida” (2013, p. 23).

A criança por sua vez a cada momento que tem acesso a uma história canaliza de maneira própria, podendo ter contato com a história várias vezes e deter a compreensão a cada hora, um significado diferente. Como Bettelheim indaga “os contos de fadas são ímpares, não só como uma forma de literatura, mas como obras de arte integralmente compreensíveis pela criança como nenhuma outra forma de arte é”. (2013, p. 20).                                       Como foi mencionado é definido assim pelo autor por ser a primeira forma de arte em contato diretamente com a criança desde a tenra idade. Os contos de fadas mesmo estando muito vinculado ao plano inexistente com seres, pessoas irreais procuram ser muito mais interessante que outras histórias comuns. É importante ressaltar que nem todas as histórias prende a atenção de um número significativo de crianças, pois o que pode ser interessante para uma pode não ser para outra.

          Segundo Bettelheim  “a criança não sente atraída pela história, isso significa que os motivos ou temas aí apresentados não conseguiram despertar uma resposta significativa nesse momento da sua vida” (2013, p. 27). Ou seja, será melhor tentar outro conto, é claro se não atingir a maioria. A pessoa que o lê, logo percebe se a criança interessou-se pela medida em que a criança solicita a história repetidamente. A medida que a história discorre é possível perceber o entusiasmo, a emoção que a criança estabelece, tal sensação que contagia os pais, pois estamos aqui analisando a criança não letrada.

A criança estabelece vínculo com determinada história retirando o que lhe é importante em tal momento, após isso já está pronta para sugerir e sentir prazer em outra. “Ao contar histórias de fadas sempre melhor seguir indicação da criança”. (Bettelleim, 2013, p. 27). Ao entender um conto o adulto de forma alguma pode transmitir isso para a criança, é melhor que guarde para si e deixe a criança desvendar a maneira que fique mais compreensível para ela à medida que a mesma ganhe experiência. Para Bettelheim “As interpretações adultas, por mais corretas que sejam, roubam da criança a oportunidade de sentir que ela por conta própria por meio de repetidas audições e ruminações acerca da história enfrente com êxito uma situação difícil” (2013, p. 28).

Enfim, cada processo vivido pela criança tem seu tempo necessário e não cabe ao adulto interromper de forma a causar impacto na compreensão em que a criança se encontra. O papel do adulto é criar condições e oportunidades para que as crianças obtenham espaços para ampliar suas experiências pessoais e tendo como respaldo a literatura infantil, pois quanto maior a experiência maior será a amplitude cultural e social que dispõe a imaginação da criança.

 

 

Considerações finais

 

O mundo mágico das histórias estão presente na vida das crianças desde muito cedo é por isso que os contos de fadas têm uma grande influência na vida das crianças. Ao ouvir histórias, como contos as crianças se sentem seguras para externalizarem seus sentimentos como raiva, tristeza, alegria e medo. Todos esses benefícios que os contos de fadas oferecem fortalece a autonomia emocional da criança, pois a maneira que ela resolve seus medos e conflitos internos, influenciará no adulto em que se tornará.

A ilustração é um instrumento importante e uma linguagem universal que confere apoio e facilita a interpretação da história, sendo assim, o elemento visual mostrou-se fundamental para as crianças, principalmente às não alfabetizadas.

A forma como contamos histórias para as crianças podem impactar diretamente no seu interesse pela história, é de suma importância que nesse momentos de contação o adulto leia com entusiasmo e entonação na voz. Além disso, o adulto precisa ter bastante cuidado para não fazer comentários e interpretações sobre a história, para não roubar da criança a oportunidade de sentir e realizar suas próprias interpretações.

          Conclui-se, que essa forma de arte além de proporcionar um espaço de imaginação e pertencer ao plano da fantasia, os contos de fadas dialoga diretamente com a realidade vivida (ou a ser vivida) pela criança. Por tudo isso, é fundamental a continuidade na valorização desta literatura, tão importante para o pleno desenvolvimento da criança.

 

 

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