Buscar artigo ou registro:

 

 

 

A coruja-buraqueira e a BNCC: uma experiência de aprendizagem

Angélica de Freitas Nunes Rocha

Elenita Janaína Martins Pereira

 

DOI: 10.5281/zenodo.17793842

 

 

RESUMO:

O presente projeto foi desenvolvido em um Centro Municipal de Educação Infantil no município de Tangará da Serra – MT, com uma turma de Maternal III, composta por 20 crianças entre 3 a 4 anos. Alinhada aos Campos de Experiências da BNCC, o objetivo do trabalho foi conhecer as principais características, habitat, promover o respeito e a preservação do espaço natural das Corujas-Buraqueiras que habitam o parque do CMEI, além de destacar a articulação entre os Campos. Ao longo do projeto foram desenvolvidas diferentes experiências que contribuíram para ampliar os seus conhecimentos sobre a temática.

 

Palavras-chave: Educação Infantil; Coruja-buraqueira, Campos de Experiências.

 

 

INTRODUÇÃO

 

A Educação Infantil constitui uma etapa importante da Educação Básica, por esse motivo as práticas devem oferecer situações educativas que potencializam o desenvolvimento e a construção de novos saberes. O objetivo maior é “ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças” (BRASIL,2018, p.36).

Partindo desse princípio, o presente projeto foi desenvolvido no CMEI Professor Sebastião Rodrigues dos Santos, localizado no município de Tangará da Serra – MT, junto com a turma de Maternal III, composta por crianças com idade média de 3 a 4 anos. A prática teve como objetivo conhecer as principais características das corujas-buraqueiras em diálogo com a Base Nacional Comum Curricular, que organiza o currículo por Campos de Experiência e assegura os direitos de aprendizagens das crianças.

A problematização que deu origem ao projeto surgiu, após as crianças observarem que no parque do CMEI tinha um buraco e uma família de corujas, ao notarem suas presenças as crianças faziam questionamentos. Tais questionamentos, motivou a elaboração de uma prática planejada e fundamentada, capaz de integrar os princípios da BNCC às situações vivenciadas pelas crianças. De acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) a intencionalidade pedagógica deve consistir na:

 

[…] organização e proposição, pelo educador, de experiências que permitam às crianças conhecer a si e ao outro e de conhecer e compreender as relações com a natureza, com a cultura e com a produção científica, que se traduzem nas práticas de cuidados pessoais (alimentar-se, vestir-se, higienizar-se), nas brincadeiras, nas experimentações com materiais variados, na aproximação com a literatura e no encontro com as pessoas. (Brasil,2018, p.39)

 

Sendo assim, o propósito deste trabalho é expor uma sequência educativa elaborada intencionalmente pelas professoras para a Educação Infantil, a fim de que se articulem com os Campos de Experiências.

 

 

CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS E OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DA BNCC.

 

Os Campos de Experiências trazem objetivos que ajudam o professor na elaboração de atividades planejadas com intencionalidade. Portanto, a sequência de atividades permeou diversos Campos de Experiências da BNCC, demonstrando sua importância para formação integral das crianças.

 

Quadro 1 – Campos de Experiências

 

 

CONTEXTO E DINÂMICA METODOLÓGICA

 

          A experiência pedagógica foi desenvolvida no Centro Municipal de Educação Infantil Professor Sebastião Rodrigues dos Santos, localizado no município de Tangará da Serra/MT, junto com a turma de Maternal III, composta com 20 crianças com idade entre 3 a 4 anos.

Quadro 2 – Dinâmica Metodológica

 

 

ANÁLISE INTERPRETATIVA DA EXPERIÊNCIA

 

Distinta das demais etapas da Educação Básica, a Educação Infantil tem o seu currículo organizado por Campos de Experiências. Quando a BNCC organiza o currículo a partir das experiências das crianças, isso permite construir uma prática pedagógica que articule situações pedagógicas com as experiências que as crianças vivenciam  no ambiente familiar e escolar. “[...] Os Campos de Experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural” (Brasil, 2017, p.38).

Nesse sentido, as atividades realizadas para o desenvolvimento do primeiro Campo de Experiência  “O Eu, o Outro e o Nós”, foram proporcionados momentos de roda de conversa em que a professora fez as seguintes perguntas: O que sabemos sobre a coruja? O que queremos saber sobre a coruja?. Nesse momento as crianças foram incentivadas a participarem oralmente, a medida que as crianças falavam a professora registrava na lousa.

 

Figura 1 - Registro das falas das crianças

Fonte: Elaborado pelos autores

 

Posteriormente, as crianças foram convidadas a visitar o buraco da coruja, chegando no parque observamos que havia uma coruja no topo do muro nos olhando, por isso a observação ao local foi cuidadosa, combinamos em manter o silêncio para não assustar ou estressar o animal.

 

 

O Campo de Experiência Traços, sons cores e formas promove a exploração das diferentes linguagens artísticas, ele orienta que as crianças precisam criar com diferentes materiais para desenvolver a criatividade e o senso estético.

 

A Educação Infantil precisa promover a participação das crianças em tempos e espaços para a produção, manifestação e apreciação artística, de modo a favorecer o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da expressão pessoal das crianças, permitindo que se apropriem e reconfigurem, permanentemente, a cultura e potencializem suas singularidades, ao ampliar repertórios e interpretar suas experiências e vivências artísticas. (Brasil, 2017, p.39)

 

Nesse campo foram propostas atividades em que as crianças foram convidadas a desenharem sobre a história que ouviram “A coruja-buraqueira e o buraco do tatu”, em outros momentos elas também desenharam a coruja-buraqueira. Foram realizadas atividades de colagens, dobradura e pintura. À medida que as crianças faziam suas produções artísticas, o seu interesse crescia e por consequência a aprendizagem era aprimorado.

 

  

 

No Campo de Experiência Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação, observou-se que as crianças participaram de roda de conversa, manifestando-se pela oralidade. Houve um momento de leitura da história “A coruja buraqueira e o buraco do tatu”, onde puderam fazer suas interpretações oral e também por meio de desenho expressarem o que entenderam da história.

Na Educação Infantil, é importante planejar experiências que permitam a criança falar e ouvir, pois é na escuta de histórias, na participação oral e nas interpretações, sejam elas individuais ou coletivas que ela se torna um ser crítico.

 

[…] é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social. (Brasil, 2017, p.40)

  

 

O Campo de Experiência Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, foi ressaltado com a visita de estudantes da UNEMAT para palestrarem sobre a coruja-buraqueira. As crianças tiveram a oportunidade de discutir e aprender sobre onde as corujas-buraqueiras vivem, o que comem, quantos ovos botam, quantos anos vivem, etc. Foi possível ver a alegria e a curiosidade nos rostinhos delas, o momento foi mágico e enriqueceu ainda mais o conhecimento das crianças. De acordo com a BNCC, a Educação Infantil precisa:

 

[…]promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações. Assim, a instituição escolar está criando oportunidades para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural e possam utilizá-los em seu cotidiano. (Brasil, 2017 p.41)

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O projeto desenvolvido surgiu da curiosidade das crianças ao observarem o buraco de uma família de Corujas-buraqueiras no parque do CMEI, o que motivou os questionamentos e permitiu a elaboração de uma prática pedagógica planejada com intencionalidade, oferecendo experiências que potencializam o desenvolvimento e favorece construção de novos saberes.

A sequência pedagógica foi articulada com a maioria dos Campos de Experiências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Essa sequência permitiu integrar situações vivenciadas no cotidiano das crianças, nesse caso a observação das corujas no parque com o desenvolvimento de novo saberes.

O Campo de Experiência O eu, O outro e Nós, proporcionou momentos de roda de conversa estimulando na criança a comunicação, a verbalização de ideias e sentimentos sobre a coruja. O Campo de Experiência Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação promoveu a participação oral, através de roda de conversa e de leitura. As crianças foram inseridas em experiências que permitiu a formulação de perguntas, contribuindo assim para a formação de cidadãos críticos. O Campo de Experiência Traços, sons cores e formas foi possível desenvolver a sensibilidade estética e a criatividade por meio de atividades de desenho e colagem. Por fim, o Campo de Experiência Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações elas puderam discutir, investigar e consultar fontes de informação para buscar respostas para seus questionamentos, sobre onde as corujas-buraqueiras vivem, o que comem, quantos ovos botam, quantos tempo vivem através da palestra com os estudantes da UNEMAT.

Portanto, durante todo o projeto as crianças demonstraram alegria e curiosidade, participando ativamente e ampliando seus conhecimentos. Além disso, o mesmo evidenciou a necessidade em oferecer situações educativas que integram a BNCC com as vivências das crianças.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília, DF: MEC, 2017.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília, DF: MEC, 2018.