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Os benefícios do ensino regular e ambiente para a inclusão social do aluno autista

Érica Cristiane Zancheta de Souza

Kelly Christiane Nazareth Sereia Dias Paulino

Maria Fernanda Delolo Alves

Valéria Cristina Pedro Bom Bueno

 

DOI: 10.5281/zenodo.17790008

 

 

RESUMO:

Na presente pesquisa serão analisados os benefícios do ensino regular para o aluno autista, destacando que o mesmo faz parte, sobretudo da parte histórica do homem, tendo como objetivo possibilitar o aprendizado como uma realização, uma necessidade que desperte interesse e curiosidade, adquirindo conhecimento através das vivências, visando a inclusão social.  Todos os alunos aprendem de forma significativa, constroem o conhecimento de si mesmos e do contexto em que vivem, apren­dem, exploram e se descobrem. Para os alunos autistas, o ensino regular pode contribuir para vencer as questões frágeis que apresentam na parte da socialização dos mesmos, através de atividades que os mesmos possam desenvolver suas habilidades oportunizando a inclusão do mesmo. O artigo teve embasamento bibliográfico de acordo com autores como: Ferreira (1989), Oliveira (2000) e entre outros, que abrangem sobre os benefícios do ensino de todas as disciplinas no ensino regular, que se não estiverem presentes na rotina do autista pode prejudicar na sua inclusão e independência para sua socialização. A metodologia adotada é através de atividades práticas, onde as mesmas visam alcançar um resultado de um ensino individualizado e em grupo à criança autista, seja em ambiente interno da sala de aula ou no ambiente externo.

 

Palavras-chave: Ensino Regular. Benefícios. Inclusão. Autista.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Desde que nascem as crianças utilizam da história da sua sociedade e cultura para relacionar-se com o outro, expor suas vontades e interagirem com o meio ao qual se encontram inseridas. Além de ser uma ferramenta de auxílio, todas as disciplinas do ensino regular colaboram no processo do desenvolvimento das habilidades temporais e espaciais da criança autista e ajuda principalmente, nas aptidões sociais do indivíduo.

Assim acredita-se que o trabalho com o aluno autista inserido no ensino regular seja de muita importância nas ações desse indivíduo, pois é principalmente por meio da exploração do mundo, os alunos conseguem observar tudo aquilo que é diferente.

O ensino regular relaciona-se com tudo e todos que se encontram ao seu redor. A partir dessa compreensão, defende-se, que o desenvolvimento temporal e espacial auxilia a origem de diferentes funções, seja elas: psicológicas como: a atenção, o raciocínio, a memória, a linguagem, dentre outras.

Com os benefícios desse ensino para o aluno autista pode-se destacar a melhora na parte comportamental, observa-se diminuição de movimentos estereotipados do autista, bem como diminuição de comportamentos agressivos e com isso visa-se a inclusão do mesmo.

Atualmente, em diversas tarefas que são responsabilidades dos professores no processo educacional, várias vezes sem recursos e condições, há questionamentos sobre a inclusão e sobre como o professor se submete a essa questão se em sua formação não deram suporte para trabalhar a inclusão e uma metodologia adequada.

No presente trabalho buscou-se entender as características desenvolvimentistas do aluno autista com os benefícios do ensino regular visando a inclusão, e como o educador deve agir/interagir como facilitador desse desenvolvimento por meio do mesmo.

O trabalho configura-se como pesquisa bibliográfica, abrangendo uma trajetória sobre a deficiência intelectual, conceito de autismo e por fim centrando seu foco e objetivo nos benefícios que as disciplinas do ensino regular trazem para o aluno autista, visando a inclusão.

 

 

  1. TRAJETÓRIA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E CONCEITO DE AUTISMO

 

AAMR (2006), diz que no ano de 1995 foi alterado o termo deficiência mental por deficiência intelectual, para diferenciar a deficiência mental da doença mental, pois, isso tem gerado muitas confusões.

Usou-se o termo intelectual por tratar-se do funcionamento do intelecto e não da mente como um todo. Sendo assim, deficiência intelectual significa funcionamento intelectual significativamente inferior a média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo.

Ainda de acordo com AAMR (2006), a deficiência mental define-se como funcionamento intelectual geral significativamente inferior à média, que interfere nas atividades adaptativas e cognitivas.

Mas, Ferreira (1989), diz que a criança para constatar que é deficiente tem que ser desviante da média ou da criança normal em seis pontos principais: 1°características mentais, 2°aptidões sensoriais, 3°características neuromusculares e corporais, 4°comportamento emocional e social, 5°aptidões de comunicação e 6°múltiplas deficiências.

Para definir melhor o conceito da deficiência intelectual, tem que obrigatoriamente pensar em quociente de inteligência (QI), na medida em que a deficiência venha interferir diretamente com o funcionamento intelectual do ser humano.

De acordo com isso, uma pessoa ou uma criança que apresenta um quadro de funcionamento intelectual abaixo da média, com problemas de comportamento adaptativos associado, refletidos a nível social, acadêmico e remontarem às primeiras fases do desenvolvimento, pode-se constatar evidente que é uma deficiência intelectual.

Porém o diagnóstico é multidisciplinar, por uma equipe composta de médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e assistente social.

Mesmo assim, o diagnóstico do deficiente intelectual é complicado e difícil, pois, vários fatores emocionais, alterações, psicoses, nível sócio econômico ou cultural baixo, carência de estímulos e outros elementos podem estar na base da impossibilidade do ajustamento social adaptativo adequado e muitas vezes não há necessariamente deficiência intelectual.

A inserção de um aluno com deficiência intelectual em uma escola regular, como forma de inclusão, oferece para a educação brasileira um momento diferente, possibilitando métodos pedagógicos, buscando novos procedimentos de ensino, novas técnicas e estratégias metodológicas para que seja capaz de atingir as potencialidades de cada aluno, sempre respeitando a diferença de cada um. Tudo isso para inseri-los em um mundo de vivência histórica e cultura do homem atual em seu tempo.

A pessoa com deficiência intelectual nunca se pode dizer qual o limite de desenvolvimento desse indivíduo. Segundo Oliveira (2000), o ensino aplicado aos alunos deve atender a todos, inclusive na área da deficiência intelectual, sem desviar dos princípios básicos da educação e sempre atendendo as necessidades educacionais de cada um. Assim, a inclusão escolar diz que todos os alunos devem começar freqüentar a escola desde cedo, e valorizar tudo o que o aluno fizer, sempre trabalhando as potencialidades para conseguir vencer as dificuldades.

Assim sendo, é essencial que seja considerado as concepções sobre o potencial dos alunos com deficiência intelectual. Todas as escolas têm que estar preparadas sobre a inclusão para a organização da prática pedagógica e escolar.

A AAMR (2006) aponta um novo conceito altera o termo deficiência mental para deficiência intelectual para diferenciar mais claramente a deficiência mental da doença mental. Mudou-se a nomenclatura para um novo conceito.

Com isso, não se deve deixar de perder o conceito da deficiência intelectual, para que possa oferecer a esses indivíduos educação adequada para a garantia do seu desenvolvimento em todas as áreas de sua vida.

Portanto, além de aumentar o mundo sobre o conceito da deficiência intelectual e começar a considerar a parte social, existe ainda os apoios que são importantes e indispensáveis para a garantia do desenvolvimento e necessidades do indivíduo. Com isso, o novo conceito sobre a deficiência intelectual vem avançando e deixando de ser uma deficiência estática e começa a ser considerada ao contrário.

Independente das características inatas do indivíduo pode ser mais ou menos acentuada conforme os apoios ou suportes recebidos em seu ambiente. (FONTES at al,2007, p.84).

Os aspectos de grande importância na área da deficiência intelectual são as estratégias e as metodologias de ensino, pois, com as estratégias possibilita-se a inserção dos alunos com deficiência intelectual aprender e funcionar no mundo que os rodeia. E com as metodologias deixam os alunos mais participativos e atuantes na sala de aula.

No ano de 1911, o psiquiatra Eugène Bleuler, foi o primeiro a falar sobre o termo autismo, com o objetivo de colocar em destaque uma síndrome noológica, onde a mesma se manifesta por pessoas com dificuldades de contato com o mundo real e a dificuldade ou ausência de habilidades comunicativas (BELISÁRIO JÚNIOR; CUNHA, 2010).

Porém, foi o psiquiatra Plouller que colocou este termo dentro da literatura psiquiátrica desde o ano de 1906 (GAUDERER, 1993). Pode-se destacar também, que o psiquiatra Léo Kanner no ano de 1943, apresentou um grupo de crianças com algumas características em comum e com um grau de lesão alto, onde a mais que se destacava era a incapacidade de relação com as demais pessoas (GAUDERER, 1993).

Observa-se no Brasil uma grande ampliação sobre o debate entre a relação e a integração onde se podem encontrar alguns pontos fortes sobre a complexidade, e destacam-se dois focos de problematização: formação dos professores, polêmica em relação ao conhecimento pedagógico e o conhecimento especificam sobre a educação especial, atendimentos oferecidos aos sujeitos considerados “graves”, dentre outros (BAPTISTA; BOSA et al, 2002).

De acordo com lei 9.394/96, as escolas regulares começaram a aceitar alunos com necessidades especiais, é muito importante essa interação social entre crianças com qualquer tipo de síndrome, principalmente as crianças com autismo, com isso pode-se melhorar o quadro dos mesmos (BAPTISTA; BOSA et al, 2002).

 

 

2.1.  Benefícios do ensino regular e ambiente para a inclusão do Autista

 

Se voltarmos no tempo e pensarmos sobre a infância antigamente, conclui-se que as brincadeiras e exploração do tempo e suas questões históricas fizeram e ainda fazem parte na vida das crianças, representando uma importante etapa da vida.

Segundo Vygotsky (1998), defende que o indivíduo é um resultado de um processo sócio-histórico, ou seja, a aprendizagem ocorre através da interação do sujeito com o meio.

Através disso pode- se dizer que a problemática é: qual a importância do processo de ensino-aprendizagem das disciplinas no ensino regular? Por sua vez, a hipótese com a qual trabalhou-se é que o ensino regular promove a aprendizagem e favorece o desenvolvimento físico intelectual e social, ou seja, possibilita um desenvolvimento real, completo e prazeroso aos alunos. Além de observar que o professor na sala de aula pode-se trabalhar com todas as disciplinas  noções de tempo e espaço e que ambos são muito importantes para os alunos autistas, pois, é  o local onde a aprendizagem é construída, e eles evoluem socialmente.

Devido a esse fato, todas as disciplinas da educação regular, necessitam que os conteúdos sejam absorvidos e os ensinamentos ligados a esse ensino são desenvolvidos de forma abstrata que necessitam ser imaginados e interpretados. Com isso, os autistas aprendem de maneira diferente, pois, essa maneira de ensinar se depara com algumas dificuldades acometidas pelo aluno autista.

Para o aluno autista, deve-se ter como prioridade a ajuda para o mesmo, de modo que ele tenha uma adequada percepção adequada de si mesmo, tendo a compreensão de suas limitações e possibilidades, ao mesmo tempo, auxiliá-lo a se expressar com uma liberdade maior, aperfeiçoando e conquistando novas habilidades e competências.

Quanto às partes: cognitiva e neurológica, o ensino regular auxilia os alunos explorarem o mundo exterior, fazendo com que experiências concretas possam auxiliar e ampliar seu repertório de atividades e na solução de problemas, conquistando diversas noções simples para o desenvolvimento na parte intelectual, o que proporcionará conhecer o mundo a sua volta e dominar o relacionamento do meio com o corpo.

A evolução do ser humano tem duas origens: filogenética - a da espécie humana, e ontogenética - maturação biológica (neuropsicomotora). Para ao desenvolvimento pleno, necessita de midiatização adequada do adulto e da cultura social. Assim sendo, a interação dinâmica e perpétua entre maturação biológica (natura) e relação com o meio (o ensino da história), com os objetos e com o outro (cultura), que, para o aluno autista, é que vai propiciar seu o desenvolvimento total.

A partir desse aspecto o aluno autista vai gradativamente aperfeiçoando essas noções para entender o mundo a seu redor. Com esse fato, o mesmo começa a fazer o manuseio de objetos, como uma maneira de divulgar seus pensamentos e suas emoções.

Atualmente há muitas discussões sobre e em torno da inclusão social, o deficiente continua ainda sofrendo muito com o preconceito pelo motivo da diferença. Em vários segmentos da sociedade há um discurso sobre a inclusão, dentre esses o ambiente escolar. A inclusão no ambiente escolar é algo importante, que vem crescendo e se efetivando, mesmo com dificuldades, sempre superando uma história de discriminação e preconceito. Além disso tem provocado muitos questionamentos e dúvidas.

Diante disso, pode-se concluir que a inclusão do jeito que está se efetivando, está muito longe do seu ideal, e não está dentro dos padrões estabelecidos pela Declaração de Salamanca (1994), a qual trata dos princípios, a política e a prática da educação para as necessidades especiais e recomenda que as escolas se ajustem as necessidades de todos os alunos.

As pesquisas dizem que a inclusão escolar não está agindo de forma adequada, além de estar longe do ideal, não há interesse e nem investimento sobre isso. Pois incluir um aluno na escola, não significa apenas mudá-lo de endereço, de escola ou sair da classe especial e ir para a classe regular. Existem muitos outros pontos importantes envolvidos em tudo isso, que estão deixados de lado e desconsiderados ao se efetivar a inclusão escolar.

A inclusão escolar, seu futuro dependerá de um esforço e trabalho coletivo com uma meta comum de garantir uma educação melhor e de qualidade para todos. É por meio de vários estudos e pesquisas que visem para aumentar conhecimentos e fazer testes de maneira que viabilizem a verdadeira inclusão escolar.

A escola inclusiva tem a finalidade de promover a educação para todos. Abre espaço para que todos os alunos possam conviver, se interagir e aprender juntos.

As barreiras de algumas pessoas com deficiência são quase sempre o que atrapalha o aprendizado. O objetivo principal da escola inclusiva é de romper e quebrar essas barreiras e transformar a educação em igualdade para todos. Dar o direito e oportunidades de todos serem iguais.

De acordo com Aranha (2004), escola inclusiva é aquela que garante um ensino de qualidade aos seus alunos, respeitando e reconhecendo a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades.

Na verdade, a escola para ser inclusiva precisa garantir a permanência e o sucesso de todos os alunos, e isso se torna um desafio a todos.

A escola, para se tornar uma escola inclusiva de sucesso, necessita da participação e interação de todos. Desde as pessoas envolvidas no processo educacional (direção, docentes e discentes) até a comunidade em geral. Na interpretação de Saviani (2001), diz que o papel do professor no processo de inclusão é fundamental, pois, ele é mediador do processo ensino/aprendizagem.

É de muita importância sempre lembrar que uma escola para se tornar e se manter inclusiva necessita de muitas coisas e percebe-se que não é fácil colocar tudo isso em prática.

Muitas escolas incluem os alunos com deficiência na sala regular e pensam que é simples assim. Escola inclusiva é muito mais. A escola só passa a ser inclusiva quando todas as barreiras existentes (preconceito, medo e etc.) forem removidas, mas segundo Mantoan (1997), a inclusão de alunos com alguma deficiência tem sido polemizada por diferentes segmentos.

Para a construção de uma educação inclusiva, é de suma importância trabalhar com salas de aula heterogêneas que possuem alunos diferentes um do outro, e atividades como confeccionar materiais que além dos benefícios o mesmo trabalha com o desenvolvimento gerando diversas discussões, pois, possuem diversas correntes da psicologia como um suporte fundamental para o aluno autista.

O ensino das disciplinas no ensino regular se relaciona com caráter analítico e reflexivo do tempo, esse local temporal há uma ligação econômica, social e cultural que se unem, tornando uma matéria que faz o sentido a existência dos seres enquanto sociais. Além disso, faz com que haja vínculo entre o tempo e a sociedade através do território, lugar, paisagem histórica e região. Esses conteúdos são muito importantes, pois, através dele compreendem-se as dimensões socias, ambientais, econômicas e políticas.

Portanto, é fundamental ao aluno autista ter um ambiente povoado de objetos com os quais possa criar imaginar, construir e, em especial, um ambiente para usar a criatividade com o ensino. Isso pode ser o ponto principal de uma educação inclusiva, a partir permitem formas que auxiliam qualquer aluno a compreender os problemas e valorizar as diferenças e particularidades.

Umas das principais metodologias e estratégias que podem auxiliar os autistas no ensino regular é o ambiente onde o mesmo possa se movimentar, pois utilizados em conjunto auxiliam os alunos autistas a desenvolverem suas potencialidades.

Segundo Wallon:

 

Através do movimento, o ato insere-se no instante presente. Mas ele pode, pelas suas condições e objetivos, pertencer apenas ao meio ambiente concreto: é o ato motor propriamente dito; ou tender para fins atualmente irrealizáveis ou pressupor meios que não dependem nem das circunstâncias brutas nem das capacidades motoras do sujeito: de imediatamente eficiente, o movimento torna-se então técnico ou simbólico e refere-se ao plano da representação e do conhecimento. (WALLON, 1968, p.155).

 

Além disso, as crianças autistas necessitam do ambiente para exercerem sua criatividade e para contestarem o que desaprovam.

A corrente cognitivista, destaca que a função desempenhada pelas experiências espaciais constrói estruturas sensoriais.

 

O espaço físico isolado do ambiente só existe na cabeça dos adultos para medi-lo, para vendê-lo, para guardá-lo. Para a criança, existe o espaço-alegria, o espaço medo, o espaço-proteção, o espaços-mistério, o espaço-descoberta, enfim, os espaços de liberdade ou de opressão. (LIMA, 2001, p.30).

 

Assim sendo, não é somente possuir um bom ambiente para que os alunos desafiem suas competências, se faz necessário que todos, especialmente os autistas, se interajam e vivenciem esse espaço propositalmente. 

De acordo com Rossetti Ferreira, appud Horn (2004), isso significa na realidade, que essas vivências, se firmam por meio de relacionamentos e se expressam em determinados papéis que os autistas consigam desempenhar em um local no qual diversos objetos, os professores e a rotina em um ambiente longe da escola possam interferir nas mesmas.

Assim, de acordo Horn (2004), coloca-se uma sintonia que acompanha por toda a vida, e nesse sentido a junção do indivíduo com o ambiente exerce um fundamental papel. Devido a esse fato, Horn (2004) afirma que em um ambiente que não há estímulos, onde os autistas não conseguem se interagir desde idade tenra entre elas, com adultos e com diversos objetos e materiais, esse procedimento para o desenvolvimento não acontecerá em sua perfeição.

Através dessa concepção, espera-se que a área comportamental dessas pessoas é determinada especialmente pelas características de reais situações em que as mesmas se encontram, sejam vividas ou imaginadas pelas crianças, como histórias.

O aluno começa a agir no centro do desenvolvimento proximal, e se comporta de forma mais avançada do que na vida real.

Por meio desse método, o ensino regular surge como um importante meio de promover o desenvolvimento, compondo em atividades que o autista comece aprende a atuação na área cognitiva dependente de internas motivações.

É importante que a metodologia de ensino regular tenha uma ligação com conversas com os alunos e que as mesmas sejam palavras de uma compreensão acessível a todos, de forma direta e concreta, principalmente na parte conceitual, já que os autistas possuem certa dificuldade com situações abstratas.

No ensino das disciplinas podem-se utilizar vários tipos de métodos, visando ligações com algumas representações como vídeos, maquetes e figuras, com isso o aluno autista consegue desenvolver suas habilidades, potencialidades e se incluindo socialmente com os demais.

Sendo assim, através do processo ensino aprendizagem é importante proporcionar atividades estimulatórias as habilidades do autista:

 

Diversificar as atividades na rotina da sala de aula não significa criar uma novidade a cada aula ou dia, mas, sim criar uma diversidade de caminhos, tempos, lugares e olhares, em que a experiência do aprender envolva todos os sentidos. É importante elaborar atividades em que todas as crianças tenham de manipular, observar, fazer, refletir, levantar hipóteses, experimentar, regis­trar, verificar, concluir e compartilhar dúvidas e achados, para que possam ter oportunidades várias e variadas de aprender (MARINI, 2012 p.73, grifo nosso).

 

Todos, inclusive a escola, devem tomar para si mesmos a responsabilidade de todos os alunos e nunca correr o risco de negar as necessidades dos alunos com autismo, pois, uma escola inclusiva é uma escola para todos, capaz de lidar com diferenças e levar todos os alunos para um processo de conhecimento e inserção cultural.

Se a escola despertar a emoção humana, a fantasia e a imaginação, por meio da prática do ensino da história e um ambiente agradável, certamente contribuirão na formação de seres mais conscientes e reflexivos.

Como premissa para essas práxis pedagógicas torna-se essencial que o educador conheça os benefícios do ensino regular, e o que cada um traz como temática e saiba como os se relacionam e se beneficiam com o mesmo.

A mesma ressalta a importância de novas me­todologias de ensino da disciplina ao afirmar que:

 

Os métodos de ensino são destacados como elementos decorrentes de uma concepção de história associada a uma concepção de aprendizagem, e disso advém a apresentação dos limites do uso dos livros didáticos como instru­mentos pedagógicos exclusivos e a necessidade de recorrer a documentos portadores de outras linguagens, sendo comuns as sugestões de utilização da literatura, de textos de jornais, das imagens, música, etc. nas aulas de História (BITTENCOURT, 2009 p.117).

 

Espera-se, por fim, diante do que foi dito, que o presente trabalho contribua como um possível caminho para a efetivação desta prática nas escolas, como proposta inclusiva, pois nos dá condições para desenvolver a inclusão e não somente no atendimento especializado e sim nas vivências do dia-a-dia dos alunos e que saiam da unidade escolar, contagiando as famílias e os amigos que cercam o cotidiano dos alunos.

 

 

2.2.  METODOLOGIA

 

Para analisar as diversas facetas do assunto, a pesquisa contará com uma revisão bibliográfica sobre a temática através de uma análise documental do assunto abordado.

A coleta de dados dar-se-á neste trabalho a revisão documental em livros, revistas pedagógicas, sites da Internet entre outros que segundo Gil (1991, p.48), a pesquisa documental e bibliográfica possui o desenvolvimento embasado em materiais elaborados e constituídos especialmente em artigos e livros com relações a presquisa abordada.

Assim sendo, para a realização dessa pesquisa bibliográfica utilizaram-se os procedimentos técnicos abaixo:

  1. a) Seleção de materiais de maneira bibliográfica e de documentos sobre o tema por meio da Internet, para que o pesquisador possa construir uma referência teórica com coerência sobre a temática em destaque.
  2. b) Leitura dos materiais que foram selecionados;
  3. c) Reflexão e análise de maneira crítica dos materiais selecionados;
  4. d) Através de texto escrito a exposição dos resultados coletados. (GIL, 1991, 49).

O método nas palavras de Garcia (1998, p. 44), é uma metodologia racional, ou seja, é construído através de básicos instrumentos que visam atingir os objetivos na pesquisa.

Segundo Ferreira; Torrecilha, Machado (2012, p.3), a observação é uma técnica usada em várias áreas ligadas ao conhecimento, e proporciona o pesquisador obter diversas informações.

A metodologia utilizada consiste na busca de conceitos, através da pesquisa bibliográfica, onde foi feito o levantamento de autores que analisam a temática aqui abordada., que discutem sobre a relevância da temática abordada na presente pesquisa.

 

 

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Concluiu-se a partir dessa pesquisa a importância de firmar relações entre os benefícios do ensino regular e contribuições na vida do aluno autista para incluí-lo socialmente.

Diante disso, pode- se dizer que o ensino regular traz vários benefícios no desenvolvimento dos alunos autistas, e com isso acredita-se que através dessa pesquisa, os profissionais atuantes com esses alunos possam refletir sobre o quão é importante estimular esse ensino e reverem suas práticas pedagógicas e influírem sobre seu desenvolvimento positivamente de forma a analisarem esse aluno em todos seus aspectos.

Ao considerar que o tema escolhido para essa pesquisa seja de grande relevância para a prática pedagógica dos profissionais que atuam com essa clientela, permitindo-os avaliar e rever suas ações ao trabalhar todas as disciplinas.

A importância do tema tornou-se evidente nos estudos realizados na graduação, os quais nos permitiram constatar que ao trabalhar com qualquer aluno é importante que o professor compreenda que esse nível de ensino abrange tanto a vertente do educar quando a do auxiliar, de maneira articulada.

Assim, até mesmo os momentos de auxílio são importantes para ensinar e cabe destacar que na realização de todas as atividades existe algo que proporciona as experiências e o contato com o outro, visando a inclusão social.

É importante salientar que além de compreender por meio da teoria a importância do trabalho com todas as disciplinas no ensino regular, foi possível observar, por meio do trabalho realizado com qualquer aluno enquanto professores, que no ambiente escolar ainda é muito comum a compreensão por parte dos professores e dos pais de que os alunos autistas não se interagem.

Dessa forma, entende-se que o trabalho no ensino regular se torna algo imprescindível para potencializar o desenvolvimento de qualquer aluno e proporcionar diferentes interações sociais e, por esse motivo, os profissionais que atuam nesse espaço devem compreender a necessidade de organizar o trabalho de modo a contemplar tal aspecto.

O ensino regular tem uma importante contribuição do desenvolvimento de qualquer aluno, principalmente para o autista, levando em consideração que esse conteúdo vai além de um simples ensino, ele beneficia e desenvolve autonomia, quando os alunos constroem conhecimentos que são essenciais para que o mesmo desenvolva suas capacidades e habilidades proporcionando sua inclusão social.

A partir da presente pesquisa, torna-se evidente que o ensino regular exerce papel fundamental na promoção do desenvolvimento integral do aluno autista, contribuindo não apenas para sua trajetória escolar, mas também para sua formação como sujeito social. Ao longo do estudo, observou-se que a convivência cotidiana com colegas, professores, rotinas e atividades diversas favorece a construção de aprendizagens significativas e possibilita que o aluno autista desenvolva competências que vão além do campo cognitivo, alcançando também os aspectos afetivos, motores, comportamentais e comunicativos.

Com base nas análises teóricas apresentadas, nota-se que a presença do aluno autista em ambientes inclusivos proporciona oportunidades de expansão do repertório social, permitindo-lhe explorar diferentes formas de interação, comunicação e expressão. Em um ambiente regular bem organizado e intencional, o aluno tem a possibilidade de experimentar novas vivências, superar barreiras e construir autonomia, condição essencial para que participe de maneira ativa na sociedade. Assim, reforça-se a importância de que o ensino regular seja compreendido como uma ferramenta de inclusão e não apenas como um espaço físico de matrícula.

A relevância do tema escolhido também se evidencia ao considerar o cenário educacional atual, no qual a inclusão se apresenta não como uma escolha, mas como um direito assegurado por legislações e diretrizes que orientam a prática pedagógica. Contudo, apesar dos avanços legais, ainda se percebem lacunas na formação inicial e continuada dos profissionais, que muitas vezes não recebem subsídios suficientes para compreender e atuar de forma eficaz com alunos autistas. Este estudo, portanto, contribui para ampliar a reflexão sobre a necessidade de formação mais consistente, que contemple princípios da neurodiversidade, práticas pedagógicas inclusivas e metodologias ativas adaptadas às particularidades desse público.

Ao longo das reflexões, observou-se que persistem concepções equivocadas no ambiente escolar, principalmente relacionadas à interação social do aluno autista. A percepção de que esses estudantes “não se interagem” ou “não aprendem como os demais” ainda é comum entre profissionais e familiares. Entretanto, a revisão bibliográfica demonstra que o ensino regular, aliado a metodologias adequadas e ao olhar sensível do professor, pode favorecer de forma significativa o desenvolvimento de habilidades essenciais, como comunicação, cooperação, resolução de problemas, autonomia funcional e expressão emocional.

Outro ponto fundamental identificado nesta pesquisa refere-se à responsabilidade compartilhada da inclusão. Não cabe apenas ao professor ou ao aluno adaptar-se à escola, mas sim a toda instituição repensar suas práticas, reorganizar seus espaços, flexibilizar suas metodologias e reconhecer que a diversidade é constitutiva do processo educativo. A inclusão exige um esforço coletivo e permanente: da equipe gestora, dos professores, dos funcionários, das famílias e da comunidade. Cada um tem papel essencial para que a oferta de educação inclusiva seja efetivamente implementada e garanta condições de ensino e aprendizagem.

Além disso, constatou-se que o ensino regular, ao proporcionar vivências diversificadas, contribui para que o aluno autista desenvolva autonomia e independência. Ao interagir com diferentes conteúdos, pessoas e ambientes, ele constrói conhecimento que ultrapassa o domínio acadêmico e alcança dimensões essenciais para a vida adulta. A escola que valoriza o potencial do aluno, que respeita seu tempo e suas formas de expressão, estrutura-se para promover não apenas aprendizagem, mas também autoestima, confiança e pertencimento.

Desse modo, conclui-se que o ensino regular tem papel determinante no desenvolvimento global do aluno autista. Ele atua como ponte entre o indivíduo e o mundo social, oferecendo experiências que auxiliam na construção da identidade, no fortalecimento emocional, na ampliação da comunicação e na formação de vínculos. Cabe destacar que a inclusão escolar não se limita ao âmbito da sala de aula, mas deve irradiar para todos os espaços da escola e, posteriormente, para a família e para a sociedade, gerando mudanças que ultrapassam o vivido no ambiente educacional.

Assim, espera-se que esta pesquisa contribua para a ampliação do debate sobre a inclusão escolar e incentive novos estudos, reflexões e práticas que valorizem a singularidade de cada aluno autista. Que esse trabalho inspire educadores a repensarem suas práticas, adotarem metodologias mais humanizadas e promoverem ambientes nos quais todos possam aprender, conviver e se desenvolver plenamente. Somente por meio de uma educação verdadeiramente inclusiva será possível construir uma sociedade mais igualitária, empática e acolhedora, capaz de reconhecer e respeitar as diferenças como parte essencial da condição humana.

 

 

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