Como transformar os contos para incentivo da criança com autismo
Flânsua de Cássia Biscaino Zanchetta
Juliane Luiza Mendes Storoli
Magali Pagotti
Mariana Cosimo Souza
Marilu Pagotti
DOI: 10.5281/zenodo.17789864
RESUMO:
Antigamente os contos de fadas eram narrados como forma de entreter as pessoas. As histórias eram contadas em ambientes como: reuniões, campos ou em outros locais. Atualmente os contos fazem parte, sobretudo, do mundo infantil. As crianças projetam-se através dos personagens existentes nos contos, os quais são vivenciados e fazem parte de sua imaginação e crescimento, participando também da formação de sua personalidade. O presente trabalho analisa os contos de fadas e por meio do estudo desses contos será analisado como transformar os contos para incentivo das crianças com autismo.
Palavras-chave: Contos. Influência. Autismo.
INTRODUÇÃO
Contos de fadas são uma realidade imaginária que fazem parte do universo infantil. Eles são formados por textos ilustrados que envolvem magia e encantamento pela trama entre o bem e mal. Favorecem à criança entender os conceitos de valores através de uma linguagem simbólica.
Os contos de fadas além de desenvolver na criança sua criatividade e personalidade, passam mensagens sobre as dificuldades da vida.
Na presente pesquisa contos de fadas serão analisados, enfocando-se as características dos mesmos para incentivar o imaginário infantil e com o objetivo de refletir sobre a importância das diversas versões dos contos para o imaginário da criança autista, além de possibilitar o desenvolvimento de habilidades sociais e pessoais.
Os contos de fadas transmitem através das emoções e fantasias que a história tem, a criança começa a ter agilidade, não consciente, auxiliando a resolver os problemas dentro de cada uma. É exatamente nesse sentido que os contos de fadas podem ser muito importantes para incentivar o imaginário e a formação da personalidade da criança autista.
A crença da incapacidade das crianças com autismo ainda é muito evidenciada em trabalhos na própria área da Educação Especial. O autismo se conceitua em um transtorno do desenvolvimento neurológico que atinge em específicas habilidades sociais e a comunicação. Os sintomas não são iguais, variam de um para o outro. Existem crianças que são afetadas mais severas e outras mais leves. Porém, possibilitando essa criança falar de si, expressar suas necessidades, sentimentos e opiniões, ela transformará a realidade á sua volta.
Os contos de fadas fazem parte de um universo imaginário que acompanha gerações e permanece vivo como uma das principais portas de entrada das crianças para o mundo simbólico, emocional e cultural. Por meio de narrativas repletas de magia, personagens marcantes e conflitos entre o bem e o mal, os contos oferecem às crianças mais do que entretenimento: constituem-se como ferramentas de construção de valores, elaboração de sentimentos e desenvolvimento da criatividade. Esses textos, geralmente ilustrados e repletos de elementos fantásticos, convidam o leitor infantil a percorrer caminhos que ultrapassam a realidade concreta, permitindo que cada criança encontre sentidos próprios para as situações vividas pelos personagens.
Além de favorecer a imaginação, os contos de fadas contribuem para a formação da personalidade, auxiliando a criança a compreender desafios e emoções presentes em sua trajetória. Histórias que apresentam obstáculos, medos, perdas, conquistas e superação funcionam como metáforas da vida real e ajudam a criança a identificar, simbolizar e ressignificar suas próprias experiências. Dessa forma, os contos atuam como um recurso pedagógico e emocional capaz de dialogar profundamente com o universo infantil.
No contexto da educação inclusiva, esse potencial torna-se ainda mais significativo quando direcionado às crianças com autismo. Muitas vezes, a crença equivocada sobre a incapacidade da criança autista limita oportunidades de expressão, participação e desenvolvimento. O autismo, entendido como um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação, as interações sociais e determinados padrões comportamentais, manifesta-se de forma singular em cada indivíduo. Assim, mais do que se deter nas limitações, torna-se essencial buscar ferramentas que ampliem possibilidades de aprendizagem, interação e autonomia.
É nesse cenário que os contos de fadas assumem papel fundamental. Ao oferecerem histórias organizadas, personagens claros, situações narrativas previsíveis e elementos simbólicos fortes, eles criam um ambiente seguro e estimulante para que crianças com autismo possam compreender emoções, reconhecer intenções, identificar conflitos e refletir sobre atitudes. Através da linguagem simbólica dos contos, a criança pode falar de si, expressar sentimentos, construir hipóteses e elaborar soluções, ampliando sua percepção de mundo e sua capacidade social.
Dessa maneira, a presente pesquisa analisa os contos de fadas e suas diversas versões, buscando compreender de que forma essas narrativas podem ser transformadas e adaptadas para incentivar o imaginário, a comunicação e as habilidades sociais das crianças com autismo. Pretende-se refletir sobre a importância dessas histórias como ferramentas pedagógicas inclusivas e demonstrar que, ao mergulhar na fantasia, a criança autista encontra caminhos para desenvolver competências emocionais, cognitivas e afetivas essenciais para sua formação global.
TRAJETÓRIA DOS CONTOS DE FADAS
Os contos de fadas são a arte de contar histórias. É o momento que favorece a criança a despertar sua imaginação, quando rainhas, fadas, animais e princesas encantam suas mentes.
Segundo Coelho (1987), os contos de fadas fizeram parte do folclore europeu sendo contado por diversos povos. É difícil saber a origem certa desses contos, pois antes mesmo da escrita já existiam.
Ainda de acordo com Coelho (1987), há 4000 a.c. ocorreu o primeiro registro sobre contos de fadas, feito pelos egípcios.
Alguns escritores recolheram esses contos e colocaram em obras. Dentre eles estão: Charles Perrault e os Irmãos Grimm, conhecidos como criadores de histórias encantadas, mas, na verdade, apenas colocaram em papel o que já existia na oralidade.
Quando iniciou os contos de fadas, eles não eram apropriados para crianças. Perrault foi quem transformou essa concepção com o surgimento do seu primeiro livro de contos de fadas, na França, em 1697 (COELHO, 1987).
Charles Perrault nasceu na França em 1628, faleceu em 1703 e seus principais contos foram: A Bela Adormecida no Bosque, O Barba Azul, As fadas, O Gato de Botas, A Gata Borralheira, O Pequeno Polegar, Henrique de Topete e Chapeuzinho Vermelho (COSTA, BAGANHA, 1989).
Os Irmãos Grimm buscaram seus contos em 1806 com os camponeses Alemães. Em seguida, esses contos foram reunidos em coletâneas, sendo, a primeira publicada em 1812. Juntos, os Irmãos Grimm chegaram a editar 210 histórias, entre elas estão: Pele de Urso, A Gata Borralheira, João e Maria e A Bela e a Fera.
Jacob Grimm nasceu em 1785 e faleceu em 1863 e Wilhelm Grimm nasceu em 1786 e faleceu em 1859, ambos foram de origem Alemã (PAVONI, 1989). Perrault e os Irmãos Grimm apresentavam semelhanças em suas escritas.
Atualmente, Bettelheim (2004), começou a desvendar os mistérios dos contos de fadas. Em seu livro “Psicanálise dos contos de fadas”, diz que os contos de fadas são obras para a compreensão das crianças, podendo levá-las além do encantamento.
De acordo com Piaget (1967, p.13), as crianças encontram-se no estágio da inteligência intuitiva, dos sentimentos interindividuais espontâneos e das relações sociais de submissão ao adulto e esse encantamento que o mundo infantil tem pelos contos de fadas se dá através de eles serem “irreais” “um substituto da vida real”.
UTILIZAÇÃO DOS CONTOS DE FADAS COMO INCENTIVO PARA O AUTISMO
Os contos de fadas possuem algumas características: “[...] situações simplificadas cujos personagens são estereotipados [...]” (POSTIC, 1992, p.23). Mesmo assim, não se perde a magia que o conto transmite ao imaginário infantil. Além disso, há o bem e o mal, que são vistos de maneira objetiva nas ações dos personagens, conforme a história vai ocorrendo.
A história do conto de Chapeuzinho Vermelho possibilita à criança aproximar-se do bem, isto pode ser visto no momento em que a mãe aconselha a menina a ir pelo caminho certo, assim, a criança imagina que existem forças que podem ajudá-la nas diversas situações que se encontra.
Segundo Nelly Novaes Coelho:
Dentro desse processo renovador, a criança é descoberta como um ser que precisa de cuidados específicos para a sua formação humanística, cívica, espiritual, ética e intelectual. E os novos conceitos de vida, Educação e Cultura abrem caminhos para os novos e ainda tateantes procedimentos na área pedagógica e na literária. Pode-se dizer que é nesse momento que a criança entra como um valor a ser levado em consideração no processo social e no contexto humano. (COELHO, 1991, p.108).
É de suma importância que as crianças sejam incentivadas a ler contos pelas pessoas que as cercam, pelos pais e na escola pelos educadores, de forma que a criança seja envolvida, deixando sua imaginação ir além do real, ou seja, tendo prazer ao ouvir ou ler, deixando fluir a fantasia, podendo, assim, formar suas próprias conclusões sem a imposição do adulto.
Segundo Nunes; Ferreira e Mendes (2003), referente às produções em educação especial, na forma de teses e dissertações, mostrou que são difíceis as pesquisas que se preocupam em ouvir o deficiente e não apenas profissionais e familiares.
A utilização dos contos de fadas é de muita importância para qualquer criança, uma vez que “os mesmos exploram os conflitos internos da criança, que fará a interpretação conforme suas necessidades emocionais” (CALDIN,2002).
O conto Patinho Feio possui situações reais que envolvem emoções, que fazem parte do dia a dia das crianças, principalmente, para uma educação dos autistas, pois, os mesmos ainda sofrem algumas discriminações. Esta narrativa não possui limites, atravessa gerações.
Os contos estão envolvidos no maravilhoso, um universo que detona a fantasia, partindo sempre de uma situação concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu. [...] porque se passa num lugar que é apenas esboçado, fora dos limites do tempo e do espaço. As personagens são simples e colocadas em inúmeras situações diferentes onde têm que buscar e encontrar uma resposta de importância fundamental chamando a criança a percorrer e a achar junto uma resposta para o conflito. [...] porque todo esse processo é vivido através da fantasia, do imaginário (ABRAMOVICH, 2005, p.120).
A estrutura do conto no imaginário infantil possibilita um maior incentivo e a busca de soluções a partir de elementos mágicos.
Os três Porquinhos, na obra de Joseph Jacobs, possuem um final trágico que para a criança pode ser assustador o momento em que o lobo cai no caldeirão de água. Segundo Bettelheim (2004, p.18), “a fantasia ajuda a formar personalidades”.
As crianças com autismo têm a possibilidade de brincar, aprender, sentir e serem felizes de forma diferente. E essa forma diferente as tornam únicas.
De acordo com Bettelheim:
Que os contos tradicionais são importantes para a construção da subjetividade. Ele explica: Para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação, ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. (BETTELHEIM, 2004, p.13).
Ao ler e ouvir a história, a criança desperta curiosidade e imaginação, é capaz de contemplar e reagir, diluir e refletir.
Assim, todos os contos de fadas, servem como um instrumento pedagógico, pois trabalham com valores na construção do imaginário infantil. É capaz de incentivar vários sentimentos como o amor, a bondade, amizade e confiança.
Outro elemento importante nesse conto é a questão familiar. Bela Adormecida, desobedeceu a seus pais e subiu em uma torre proibida. Isso nota-se a desobediência. Um dos motivos do sucesso deste conto não é a história em si, mas sim o valor que ela traz para o incentivo, de forma lúdica.
A leitura, de forma ampla, traz inúmeros benefícios à formação das crianças:
Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo... (ABRAMOVICH, 2005, p.17).
Chapeuzinho Vermelho teve várias versões no decorrer dos anos, sempre dentro do contexto social da época e, até hoje, essa história continua no imaginário infantil.
Nos tempos atuais, surge Chapeuzinho Amarelo, do autor Chico Buarque (2003). É uma história nova, sendo uma intertextualidade do conto original de Chapeuzinho Vermelho.
O autor adaptou essa história para crianças, diferentemente das versões citadas anteriormente de Perrault (2007) e Irmãos Grimm (2004).
Chapeuzinho Amarelo possui vários medos, e por causa deles não sai de casa. Trazendo isso para o imaginário infantil, a criança já sabe dos perigos que vai enfrentar ao sair de casa.
Nas versões anteriores de Chapeuzinho Vermelho, a menina era inocente e não conhecia a maldade do lobo. Já no conto Chapeuzinho Amarelo, a menina conhece o lobo e sabe de suas intenções.
Ao ler este conto, a criança vai assimilar e comparar com seu cotidiano. “O destino da narração de contos é o de ensinar a criança a escutar, a pensar e a ver com olhos da imaginação” (ABRAMOVICH, 2005, p.23).
Ainda no contexto contemporâneo, surge Fita Verde no Cabelo, do autor Guimarães Rosa (1985). Nesta versão, que demonstra semelhanças com a obra Chapeuzinho Amarelo, relata-se a história de uma menina não tão inocente como vista em Chapeuzinho Vermelho.
O conto de fadas Chapeuzinho Vermelho em todas as suas versões é capaz de transmitir e incentivar emoções no imaginário infantil: “[...] imaginar não é só pensar, não significa apenas relacionar fatos, e analisar situações, tirando-lhe significado. Imaginar é penetrar, explorar fatos dos quais se retira uma visão” (POSTIC, 1992, p.19).
Dentro dessas versões, qualquer criança, em seu imaginário, pode descobrir valores como amor, solidariedade e esperança, podendo, ainda, promover maior aproximação entre pais e filhos, alunos e professores.
Ao entrar no mundo da fantasia e da imaginação de um conto de fadas, qualquer criança busca soluções para resolver seus problemas e vai além da sua experiência do dia a dia, compreendendo resoluções para transformar a realidade.
Em todos os contos citados, o faz-de-conta pode ser realizado quantas vezes a criança desejar, recriando algumas situações da sua imaginação para satisfazer o seu interior.
Vygotsky (1998), em seus estudos, afirma que qualquer criança aprende a elaborar e resolver seus problemas vivenciados no dia-a-dia. Com isso, a criança irá usar algumas capacidades como a observação, imitação e imaginação.
Neste contexto, a leitura dos contos de fadas precisa ser uma prática real e difundida para nutrir o imaginário infantil, iniciando na família, mas, sobretudo no ambiente escolar. Foi destacado os contos de fadas, o qual possui histórias diferentes, que podem fazer a criança refletir, comparar e reelaborar suas conclusões.
Qualquer criança, independentemente de qualquer deficiência e condições físicas, sensoriais, emocionais ou cognitivas, são crianças que têm possibilidade e necessidade de sentir, brincar e conviver como qualquer outra pessoa.
Segundo Vygotsky (1998), diz que o aprendizado de um aluno especial, seja qual for o diagnóstico, como qualquer outra aprendizagem, temos que respeitar suas peculiaridades em seu progresso intelectual e assim o desenvolvimento de sua aprendizagem.
Além disso, os contos despertam no mundo infantil a imaginação e a fantasia no momento em que as histórias são contadas.
Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão a vida da criança (BETTELHEIM, 2004, p.20).
Muitos trabalhos que deram oportunidades as crianças especiais, permitiram provar uma capacidade de reflexão, sensibilidade, criatividade, autonomia e percepção de sua vida (CARDIA,1992, KOHATSU,1999).
Vânia Dohme (2000), em seu guia para desenvolver habilidades e obter sucesso na apresentação de uma história declara que:
As histórias podem ir além do encantamento, quando escolhidas, estudadas e preparadas adequadamente, podem ter a função de educar. Elas encerram lições de vida, dando contexto a situações, sentimentos e valores que, quando isolados, são difíceis de serem compreendidas pelas crianças. Estas narrações, tão saborosamente recebidas, desencadeiam processos mentais que levarão a formação de conceitos capazes de nortear o desenvolvimento em valores éticos e voltados para a formação da autoestima e a cooperação social (2000, p. 5).
Enfim, se a escola despertar a emoção humana, a fantasia e a imaginação através da prática da leitura dos contos, certamente contribuirá para o incentivo na formação de seres mais conscientes e reflexivos.
Como premissa para essas práxis pedagógicas torna-se essencial que o educador estude os contos e suas versões, conheça o que cada um traz como temática e saiba como os contos se relacionam ao imaginário infantil e à formação da personalidade de qualquer criança.
Espera-se, por fim, diante do que foi dito, que o presente trabalho contribua como um possível caminho para a efetivação desta prática nas escolas, como proposta de incentivo, pois nos dá condições para desenvolver não somente no atendimento especializado e sim nas vivências do dia-a-dia dos alunos e que saiam da unidade escolar, contagiando as famílias e os amigos que cercam o cotidiano dos mesmos.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente pesquisa teve embasamento bibliográfico de abordagem descritiva com aportes teoricometodológicos dos trabalhos de Vygotsky (1998), Bettelheim (2004) e Nelly Novaes Coelho (2010) que enfocam sobre principais metodologias e estratégias que podem auxiliam as crianças autistas através da leitura e contação de contos de fadas, pois, a literatura auxilia os alunos autistas a desenvolverem suas potencialidades.
Quanto a este aspecto Nelly Novaes Coelho em sua obra, Literatura Infantil: teoria, análise e didática (2000 p.10), diz que: “Literatura é arte e, como tal, as relações de aprendizagem e vivência, que se estabelecem entre ela e o indivíduo, são fundamentais para que este alcance sua formação integral de conscientização do eu com o outro e com o mundo”. Imaginações e ideias são essenciais em todas as histórias e o desenvolvimento do imaginário infantil está relacionado à leitura. Lembrando também que o meio onde este aluno está inserido pode facilitar ou dificultar o seu desenvolvimento. Vygotsky (1998), defende que o meio onde este aluno está inserido pode facilitar ou dificultar o seu desenvolvimento.
A partir disso, a leitura pode ser o ponto principal de uma educação inclusiva, a partir de histórias, como as utilizadas, pela fantasia, linguagem, imaginação e símbolos permitem formas que auxiliam qualquer criança a compreender os problemas e valorizar as diferenças e particularidades.
De acordo com Bettelheim (2004 p.16): a identificação das crianças com os contos se dá pela linguagem, esses contos possuem uma linguagem simbólica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não se sabe ao certo a origem dos contos de fadas, pois já existiam antes da escrita. O primeiro registro sobre contos de fadas ocorreu 400 a. C, feito pelos egípcios. Eles não eram apropriados para criança, foi Charles Perrault quem transformou essa concepção em sua obra, na França, em 1697.
Já os Irmãos Grimm buscaram seus contos em 1806 com os camponeses Alemães, sendo, o primeiro publicado em 1812.
Nos contos de fadas existem personagens que possuem personalidade e características diferentes, alguns representando o bem e outros o mal.
Os contos possuem muitas imagens e símbolos e isso é muito importante para o incentivo, pois esses símbolos ajudam qualquer criança encontrar soluções para os problemas do seu dia a dia, atuando, assim, no emocional.
As crianças se sentem atraídas ao ouvirem os contos de fadas, elas se identificam com os personagens, comparando a história com a sua própria vida.
Além de ajudar na imaginação e no vocabulário, os contos oferecem a qualquer criança muita criatividade, ensinam a controlar a agressividade, o egoísmo e a ganância, enfim, são fundamentais para seu desenvolvimento. Além disso, incentiva a criança autista na construção de sua identidade.
O conto de fadas, objeto de nossa discussão, são muito conhecidos, narram histórias que contém elementos naturais.
A história de Chapeuzinho Vermelho traz no início da narração uma história aparentemente tranquila, ou seja, a neta vai ver a avó a pedido da mãe e leva algumas coisas em sua cesta.
Logo após, a história apresenta um personagem estranho que é representado por um lobo.
Esse personagem torna a história uma forma de aprendizado e reflexão, pois, através de seus atos, atitudes e da conversa com a menina modifica o rumo da história.
A narrativa dos três porquinhos contém personagens bons, como os porquinhos e um mal, o Lobo.
Essas são histórias que encantam qualquer criança, pelos acontecimentos, elas se identificam com os personagens e tentam buscar soluções para os momentos passados pelos personagens e tem um em comum, o lobo.
O conto o patinho feio fornece para qualquer criança independente de qualquer deficiência, fantasia e imaginação como um ponto de partida que valorize as diferenças e auxilia a inclusão.
Existem diversos contos, todos fazem com que a criança desperte e seja capaz de vivenciar e incentivar a imaginação. A criança percebe a linguagem de cada narrativa e a aproxima para o seu mundo.
No imaginário infantil a história passa a ter a função de estimular o raciocínio de qualquer criança, sua fantasia e acaba, de certo modo, formando sua personalidade.
Por essa razão, a leitura dos contos deve ser uma prática constante, na família e na escola, sendo incentivada a todo momento, já que favorece o crescimento e o amadurecimento de qualquer criança, fazendo com que elas possam construir suas próprias conclusões, com a orientação do adulto.
O conto Bela adormecida permite à criança a refletir sobre o mundo, conscientizando-a dos perigos que ocorrem no decorrer da vida, discutindo as intenções das pessoas que cruzarão seu caminho.
Os contos nos mostram também sua importância na formação da personalidade, pois as crianças aprendem que é possível vencer obstáculos e que, por outro lado, as ações feitas possuem consequências.
E muito contrário do que se possa imaginar, qualquer criança, com qualquer deficiência, muitas vezes tem capacidade de respostas maiores que o esperado.
Verifica-se que os contos para alunos com autismo, auxilia e incentiva um maior desenvolvimento intelecto e crítico, bem como estimula o seu imaginário, permitindo que conceitos e barreiras sobre essas crianças com deficiência sejam quebrados.
Por fim, podemos afirmar que os contos servem como alimentos para o incentivo e imaginação da infância, além, de tornar-se um instrumento eficaz para o desenvolvimento pessoal, gerando adultos bem sucedidos, criativos e reflexivos.
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