Método do desenho no processo de alfabetização na visão de Paulo Freira
Andreza Costa Ribeiro
Bruna Rafaela Silva de Souza
Dayane Gasparotto Biagio
Elisângela Santos da Silva Sá
Kelly Cristina Martoni
DOI: 10.5281/zenodo.17789735
RESUMO:
O presente artigo apresentado tem a finalidade de analisar a utilização do método do desenho como um caminho para a alfabetização segundo o autor Paulo Freire. Com a isso, analisa-se no decorrer do mesmo uns pontos importantes sobre como o desenho e como abjetivo ajudar a criança nesse processo de aprendizagem na concepção do autor citado acima. Frente a isso, analisaram-se alguns autores como: Paulo Freire, Damazio e entre outros para o desenvolvimento do trabalho. Utilizou-se como metodologia pesquisa bibliográfica e com o desígnio de conseguir as propostas. Se conclui então, que o desenho para a criança contribui de forma significativa não apenas no processo de alfabetização, contribui também no desenvolvimento da mesma em todas as etapas vida.
Palavras-chave: Desenho. Método. Alfabetização.
INTRODUÇÃO
Na vida de qualquer criança, a alfabetização desempenha um papel muito importante, pois, é através dela que a criança se desenvolve socialmente, cognitivamente e suas habilidades, além da construção de conhecimentos, isso através das experiências de vida de cada criança, em casa e na escola.
Existem muitas crianças que possuem o contato com a língua escrita no ambiente em que está inserida. Pode-se enfatizar a observação de cada criança no ambiente familiar sobre os materiais escritos, seja em produtos utilizados em casa, ver alguém escrevendo um bilhete e entre outros. Diante disso, esse primeiro contato com a escrita e leitura possibilita a percepção de cada criança sobre a comunicação.
Primeiramente, quando a criança chega na escola é indagada ao nível de letramento que a mesma se encontra. Soares (1998), afirma que se deve destacar que o letramento é visto de uma maneira prazerosa e não só na escola que se lê, mas em diversos e diferentes lugares, no início do processo de alfabetização.
A participação e a inserção da criança no mundo letrado, inicia-se através do processo do compreender e adquirir a linguagem escrita dentro da realidade de cada uma.
Ressalta-se que o pedagogo se torna a pessoa responsável pelo início das experiências da escola na vida das crianças, ou seja, pela alfabetização, que por meio da leitura e escrita constroem-se as peças essenciais de todas as disciplinas dentro do currículo escolar.
Através da hipótese de que no geral todas as crianças possuem capacidade de aprender, depara-se com o fato que alguns alunos conseguem chegar ao princípio da alfabetização, porém, não conseguem desenvolver de maneira adequada a leitura e a escrita quando chegam ao um nível maior de ensino.
Esse acontecimento traz uma certa intriga ao considerar as concepções de Paulo Freire no processo de alfabetização.
Alguns defensores do letramento distinguem que há uma falha no processo de alfabetização devido uma falta de especificidade. Soares, tem como objetivo acalmar os conflitos entre as nomenclaturas de letramento e alfabetização, diferenciou esses termos e acrescentou que os mesmos não se excluem, mas sim se somam, afirma também que: “alfabetizar letrando ou letrar alfabetizando.” (SOARES, 2004, p. 9).
Se torna desafiador atualmente a alfabetização e equilibra-la entre métodos e teorias. Segundo a concepção sobre a alfabetização de acordo com Paulo Freire são fundamentais o entendimento da educação da escola seja a partir do contexto social de cada aluno.
Cada escola possui uma cultura diferente e tem o dever de proporcionar aos seus alunos diferentes atividades, linguagens e espaços para formar futuros cidadãos autônomos e críticos. De acordo com Paulo Freire (1987), o centro sobre a percepção de alfabetização se constata a partir da cultura e momentos de dominação de cada um, bem como possuir e reconhecer os oprimidos maneiras de rompimento de estruturas que impossibilitam a mudança da realidade social em que vivem opressivamente.
Alfabetização é uma qualidade da consciência humana, pois possibilita às pessoas instrumentos para pensar e agir reflexivamente. Eis a definição que o professor Ernani Maria Fiori apresenta ao prefaciar o livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire (1987, p. 5)
Esse sentido, quem sabe, constitua o mais certo sobre a alfabetização, aprender escrever de uma maneira prazerosa sobre fatos de sua vida sendo o próprio autor, a pedagogia de Paulo Freire como método de alfabetização, possui uma ideia de animo a todos os seres humanos como “educação como prática da liberdade”.
Durante o processo da alfabetização, cada criança leva com ela na escola as primeiras experiências grafadas no papel em forma de desenho livre, e é através do desenho que permite cada criança expor seus sentimentos, seus desejos, suas ideias, vontades e anseios. Pode-se dizer então que, o desenho torna-se uma linguagem significativa, ou seja, ele torna-se um elo entre a criança e a descoberta do mundo.
Assim sendo, este presente trabalho tem como objetivo analisar a alfabetização na concepção de Paulo Freire e como metodologia o desenho, portanto, acredita-se que o assunto abordado neste artigo é muito importante para os docentes em sala de aula, pois, é de extrema necessidade conhecer a finalidade da alfabetização e contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem e se construir o conhecimento da criança.
O desenvolvimento deste estudo utilizou como metodologia pesquisa bibliográfica, centrando seu foco sobre as contribuições da fundamentação teórica de Paulo Freire e embasamento em outros autores como: Magda Soares, Zatz e entre outros.
Para alcançar as propostas do presente trabalho encontra-se estruturado em quatro capítulos, o primeiro sobre o significado de infância, o segundo método da alfabetização através do desenho, o terceiro a visão de Paulo Freire e a alfabetização e o último sobre letramento e alfabetização
Nas considerações finais conclui-se o presente artigo, a partir de uma reflexão sobre o tema abordado, analise das discussões teóricas, e enfim, como a concepção de Paulo Freire sobre a alfabetização e o método do o desenho contribuem para o desenvolvimento no processo de aprendizagem da criança.
VISÃO DE PAULO FREIRE SOBRE O MÉTODO DO DESENHO NO PROCESSO DA ALFABETIZAÇÃO
De acordo com Paulo Freire, o mesmo confirma que a alfabetização vai além de ser um simples método, ela é o relacionamento de todos os envolvidos nesse processo. A partir dessa relação, forma-se um elo de cultura, momentos em que todos os envolvidos possam relatar suas experiências vividas.
“De que forma entender as dificuldades durante o processo de alfabetização de alunos sem saber o que se passa em sua experiência em casa? ” (FREIRE, 1990, p. 111).
A participação e a inserção da criança no mundo letrado, inicia-se através do processo do compreender e adquirir a linguagem escrita dentro da realidade de cada uma.
Geralmente, associa-se a palavra desenho á atividades grafadas e reproduzidas com lápis no papel, á ideias representadas por objetos ou até mesmo a alguma figura e imagem reproduzidas. Portanto, o desenho é a maneira de expressão de cada criança em particular, ou seja, é o modo que cada uma expressa seus desejos, ideias, vontades e sentimentos, bem como revela sua ideia do mundo por meio das diferentes maneiras de mostrá-lo. Constitui-se também o modo de expressão particular da criança, do ambiente em que está inserido.
O desenho pode-se perceber, que além de estar presente nas atividades de todo ser humano, encontra-se presente também no dia a dia da criança, seja em representações, em mapas, cadernos da escola ou até mesmo ao abrir um livro de histórias com figuras.
Segundo Derdyk, o desenho apresenta uma natureza transitória e tão versátil, utilizado em vários momentos de nossas vidas. (1993, p.10)
A autora ainda destaca sobre a antiguidade da linguagem do desenho, “permanente, sempre esteve presente desde que o homem inventou o homem. Atravessou fronteiras espaciais e temporais, e por ser tão simples, teimosamente acompanha a nossa aventura na terra”. (DERDYK,1993, p.10).
Edith Derdyk, destaca que o desenho percorreu por vários e diferentes caminhos durante a história e da evolução do ser humano, com isso o mesmo continua fazendo parte da vida do homem até hoje.
Os homens antigamente desde a pré-história “(...) tinham a mesma necessidade que nós de comunicar o que estavam pensando e sentindo. Devem ter feito isso de várias formas. Umas delas foi desenhando e pintando” (ZATZ, 2002, p.16). O desenho era usado pelos homens para se expressarem graficamente, foi o primeiro registro que o ser humano utilizou, entre as linguagens diferentes, dentro da sociedade primitiva para se comunicarem.
Desde a pré-história, os homens registravam nas paredes de cavernas desenhos, era uma forma de se expressarem para revelarem a maneira de viverem e passar suas experiências e conhecimentos da época.
Ocorreram algumas transformações no contexto social no passar do tempo, consequentemente aperfeiçoaram-se os desenhos e os mesmos começaram a adquirirem formatos mais elaborados.
Em diferentes sociedades cada desenho assume-se um papel. Na Mesopotâmia, por exemplo, foi através do desenho o auxílio que o povo oriental e ocidental obteve, pois, foram elaborados mapas cartográficos para facilitarem atividades comerciais dos mesmos.
Zatz, diz que lentamente, o desenho começou a representar-se através de materiais diferentes, como: barro, pedras, argilas, madeiras e finalmente, no papel conhecido atualmente. (2002, p.20). Observa- se que antigamente e atualmente “o homem sempre desenhou. Sempre deixou registros gráficos, índices de sua existência, comunicados íntimos destinados à posterioridade” (DERDYK, 1993, p.10). De acordo com a autora, pode-se dizer que, durante o processo trilhado pelo homem, o desenho teve um papel muito importante, além de contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da linguagem nas antigas sociedades e proporcionar o início da escrita.
O desenho, da mesma maneira que se estabeleceu como uma maneira para que as antigas civilizações pudessem se expressar, até hoje é a primeira grafia que a criança se manifesta. É através do desenho que a criança constitui sua forma de registrar seus sentimentos, suas descobertas, ou seja, o mundo do seu ponto de vista.
Com isso, o desenho é responsável por diversas possibilidades no mundo infantil, “possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar (...)” (MOREIRA, 2009, p.26). A autora afirma que ao desenhar a criança desenvolve outras linguagens e outras formas de se expressar como brincar, cantar, falar e entre outras.
Conforme o crescimento da criança nota-se as mudanças que ocorrem nos desenhos. A cada faixa etária, a criança, desenvolve suas próprias características e diversas formas de desenhar. Essas formas de desenhar são diferentes entre as crianças. Isso devido às características de cada uma, o contexto social em que vivem fatores sociais e biológicos. Os desenhos são uma forma das crianças se sentirem livres para exporem o que sabem.
Considerando as características particulares do desenho de cada criança e levando em conta que o mesmo desenvolve vários aspectos da criança como emocional cognitivo e entre outros, vários profissionais como psicólogos, psiquiatras e outros, tem estudado o desenho.
Um dos primeiros que dedicou ao estudo o desenho da criança e seu cognitivo foi Georges Henri Luquet (1969). O mesmo em seus estudos tinha o objetivo de compreender a maneira de a criança desenhar. Georges Henri Luquet acreditava, segundo sua concepção, que o desenho infantil “não mantém as mesmas características do princípio ao fim. Portanto, convém fazer sobressair o caráter distintivo das suas fases sucessivas” (LUQUET, 1969, p.135).
O autor ainda destaca que no começo, a criança inicia seu desenho sem interesse da representação de alguma coisa e ao finalizar o mesmo, já consegue interpretar seu desenho dando um nome. Cada criança, através do desenho, consegue revelar detalhes, por menores que sejam, além de não se preocuparem com a estrutura visual.
Com o passar do tempo e idade, os desenhos começam a terem detalhes através de objetos “(...) têm por finalidade particularizar as formas que antes eram genéricas” (PILLAR, 1996, p.50). Segundo a concepção da autora, observa-se que o desenho da criança se caracteriza pelo visual, ou seja, o desenho infantil começa a ser representado com vários detalhes.
Estudado e pesquisado por todo o mundo, Paulo Freire, é um educador de origem brasileira, mas, no Brasil, seus estudos sobre o processo de alfabetização infantil, observa-se que fora substituído ou talvez esquecido, por uma hipótese de que letrar se torna mais importante do que alfabetizar.
A alfabetização antes de Paulo Freire, era entendida da seguinte maneira: aprender a ler e escrever. Paulo freire obteve um olhar diferenciado sobre a alfabetização e na sua concepção defendia que a mesma necessita ser conscientizadora e emancipadora. Antes de ler e escrever é preciso ler o mundo, pois, o aluno precisa ter consciência sobre o que se passa a sua volta de maneira critica. Paulo Freire diz que “a alfabetização e a conscientização jamais se separam” (1990, p. 14).
Através desse sentido, o aluno não faz apenas como diz o letramento utiliza socialmente a leitura e escrita, mas apropria-se de maneira consciente e critica o ato de escrever e ler.
Se faz necessário a recuperação das funções sociais sobre a alfabetização, ou seja, precisa contestar essa movimentação através de trabalhos que possam resgatar o verdadeiro sentido da alfabetização na concepção de Paulo Freire. O autor defende que a educação por meio de conscientização dos alunos e educadores precisa ser entendida com amor.
A educação que se impõe aos que verdadeiramente se com prometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres vazios a quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como “corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo. (FREIRE, 1990, p. 31).
Esse relacionamento precisa ser desenvolvido através da realidade de cada aluno, isso necessita superar a aplicação de conteúdo fora dos contextos e vazios. Entretanto, as práticas escolares pautadas em linguagens verbais, diversas informações e entre outras, impossibilita o aluno se manifestar usando outras maneiras de se expressarem, como o desenho.
No meio infantil, essa linguagem gráfica se torna encantadora “dotada de prestígio por ser secreta, (...) exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes dela própria poder traçar os verdadeiros signos” (MÈREDIEU, 2006, p.10). Sendo assim, segundo o autor, na vida de qualquer criança o desenho é uma peça fundamental, ele é um elo que permite que a criança libere sua imaginação, bem como conheça regras e rotinas em seu contexto social, mas principalmente mostra-se como a primeira representação gráfica da criança.
Através de materiais, sejam eles: lápis, papel ou qualquer outro, cada criança desde nova utiliza os mesmos para deixar registros gráficos de suas marcas, traços ou até mesmo imitar uma escrita. O imitar da criança não é uma cópia, mas sim uma vontade que a mesma tem em grafar sua própria escrita. A imitação surge não como uma cópia, mas revela o desejo da criança em produzir a sua própria escrita.
Através desse desejo de representação surgem os primeiros registros que são transmitidos os conhecimentos das crianças. É na infância, em relação com o presente, há resultados importantes que as crianças cronológicas cresçam, “as crianças precisam ter assegurado o direito de aprender a decidir, o que se faz decidindo”. (FREIRE, 2000, p.58-59).
Os desenhos unidos à criatividade expressam o que cada criança pensa e que muitas vezes não conseguem falar, ou seja, ela coloca no papel suas ideias, seu íntimo, curiosidades e etc. Com isso, “experiência gráfica é uma manifestação da totalidade cognitiva e afetiva, quanto mais à criança confia em si, mais ela se arrisca a criar e a se envolver no que faz” (OLIVEIRA, 1994, p.41). Segundo a reflexão da autora, cada criança usa subjetivamente seus conhecimentos e através da exploração das suas próprias possibilidades, a mesma usa o desenho para viver suas próprias experiências.
Dessa maneira, o desenho contribui para que a criança consiga se comunicar antes de aprender escrever de forma convencional.
Durante o processo educativo que normalmente a escola propõe alfabetizar exige memorização e repetição das letras, silabas, sendo assim, esse método não é muito eficaz, pois, desperta na criança desinteresse em desenvolver alguns processos educativos, além disso, a criança abandona o desenho, pois, esse método já passa a ser desprezado.
Destaca-se que “a perda do desenho, aparentemente vista como uma substituição de um código por outro, revela apenas a maneira como a criança é vista pela escola” (MOREIRA, 2009, p. 72). Segundo a autora, existem escolas que por exigência em alguns contextos sociais, insere antes do tempo, as crianças para serem alfabetizadas. Com isso, o tempo da criança é preenchido com diversas atividades que não são valorizadas, onde a criança não consegue expor suas expressões ou vivencias construída com suas experiências cotidianas.
O processo de aprendizagem não deve ser desqualificado, mas sim considerar a importância e as contribuições que o desenho traz no desenvolvimento da criança. Por isso, é dever da escola, utilizar as diferentes maneiras para que as crianças possam se expressar, como a partir do desenho.
Faz-se necessário, observar a necessidade de cada criança, oportunizando as mesmas, possibilidades para que aos poucos elas possam se inserirem no processo de alfabetização tão complexo, sem cobrar e exigir que cumprem algumas regras, pois isso gera um bloqueio quando a criança desenvolve o seu desenho.
Sendo assim, com a existência de atividades presentes no currículo da escola, a criança começa a dizer que não quer ou não sabe desenhar. O desenho infantil começa a ser substituído devido algumas exigências da sociedade, assim as crianças ficam mais tempo em salas de aula.
O professor deve ter um olhar para o desenho da criança, pois, o mesmo tem um significado para cada uma, dependendo da reação da relação desta linguagem gráfica, a criança começa a ter mais coragem e se expressam criativamente. Se a professora mostrar uma insatisfação frente ao desenho da criança, ela pode se sentir desestimulada.
Segundo Magda Soares (2003), a alfabetização vai além de ler e escrever, pois, a leitura e a escrita necessitam ter sentido e fazer parte da vida da criança.
Dessa maneira, as contribuições do desenho na educação infantil no processo de alfabetização, necessita ter mais valor na escola. O desenho infantil necessita ser mais reconhecido sobre sua importância no desenvolvimento da criança, não apenas na escola, mas também na vida da criança.
Enfim, todo ser humano sente a necessidade de expressão, frente a isso, não deve pensar que o desenho na educação infantil é apenas visto como uma forma da criança se expressar, mas também como uma linguagem que contribuirá como base para o desenvolvimento gráfico e de aprendizagem para a mesma em todos os sentidos pessoais.
Repensando na educação frente aos autores citados no presente trabalho, inclusive na perspectiva de Paulo Freire, é pensar em realidades educativas com possibilidades concretas com chances de avanços educacionais.
Enfim, compreende-se que a transferência da concepção de Paulo freire sobre o processo de alfabetização necessita que o educador faça uma reflexão diariamente sobre sua prática pedagógica, que enxergue o aluno como uma pessoa atuante que necessita observar o seu interior e a realidade a sua volta, com isso, proporcionam maneiras de refletir permanentemente para que unidos uns com os outros, todos transformem a realidade que os rodeia.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente artigo analisou-se alguns autores como: Paulo Freire, Damazio, Sinclair e entre outros para o seu desenvolvimento. Utilizou-se como metodologia pesquisa bibliográfica que enfocam sobre principais metodologias e estratégias que podem auxiliam as crianças através no desenho no processo de alfabetização.
Autores afirmam que a partir do momento em que a criança consiga desenvolver e consequentemente evoluir seus desenhos, paralelamente desenvolverá sua escrita. Os mesmos consideram “a evolução das garatujas ao desenho como linha evolutiva direta e reta, mas a escrita com a derivação particular” (SINCLAIR, 1987, p.77). Com base nessa teoria, Wallon (apud, SINCLAIR, 1987, p.77) diz que o “desenho aparece espontaneamente; seu desenvolvimento baseia-se na interpretação que a criança dá as próprias garatujas. A escrita aparece como uma imitação das atividades do adulto”.
Frente a essas concepções, pode-se dizer que o desenho, bem como a escrita, apesar de diferentes, são duas linguagens que se completam, ou seja, cada uma com sua característica. Assim, acredita-se que o desenho é a primeira escrita da criança, além de ser uma forma de comunicação com o mundo adulto serve também como linguagem para a imaginação.
Enfim, pode-se observar que cada período do desenho da criança, a mesma evolui graficamente, além de aprimorarem os desenhos, automaticamente adquirem confiança e capacidade de grafarem vários sinais gráficos. Com isso, o desenho da criança possuirá terá abertura às diferentes maneiras de linguagens expressivas presentes no seu dia a dia, assim como a escrita, que até então, a mesma não conhece. Dessa maneira, por meio do desenho, a criança possui as primeiras noções sobre o que realmente a escrita representa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A intenção do presente trabalho monográfico foi analisar a concepção de Paulo Freire sobre a alfabetização utilizando o método do desenho nesse processo. Frente a isso, verificou-se o quanto é importante deixar com que a criança manifeste seus sentimentos através do desenho, pois, o mesmo além de auxiliar no desenvolvimento para a alfabetização, colabora também em todas as áreas da vida da criança.
Essas linguagens áreas ligadas às aprendizagens escolares colabora com o desenvolvimento da criança naturalmente no processo da alfabetização.
Dessa maneira, pode-se afirmar que o desenho da criança, visto no decorrer do trabalho, é a primeira maneira que a criança consegue se expressar graficamente para se comunicar, por ser o antecessor da aprendizagem. Sendo assim, a partir de estudos apresentados no decorrer do trabalho, conclui-se que o desenho na educação infantil, contribui de forma significativa não apenas no desenvolvimento da aprendizagem da criança, mas também auxilia a criança em todos os sentidos.
Durante o desenvolvimento do presente trabalho, pode-se refletir sobre o quanto é importante o desenho infantil no processo da aprendizagem da criança. Dessa maneira, observa-se que quando a criança participa do processo de alfabetização, reduz o ato de desenhar. Isso acontece devido à importância que a escola dá ao sistema convencional da aprendizagem.
Sem hierarquizar o desenho e a alfabetização, o presente trabalho pretende mencionar que estas duas linguagens, por serem tão diferentes, se completam e são importantes para a alfabetização da criança. Assim, entende- se que a alfabetização da criança, origina-se não apenas por uma só linguagem, mas sim da ligação das diferentes maneiras com que a criança se expressa livremente.
Sendo assim, não pode- se dizer que na vida da criança apenas um momento é importante, a alfabetização, sem destacar o papel do professor nesse trajeto.
Durante esse aprendizado, o professor se torna uma peça fundamental no momento que desenvolve as atividades, pois, tem que valorizar os conhecimentos linguagens diferentes previas das crianças e além de dar valor aos desenhos que as mesmas produziram desenvolver um ambiente acolhedor.
Frente a essa exposição, se torna necessário refletir perante alguns profissionais na área da educação, que dizem que o desenho infantil não tem valor como atividade.
No decorrer do trabalho, ressalta-se que o desenho que a criança produz, realmente não deve ser aplicado como apenas uma atividade de passatempo demitido de significados, mas sim como uma linguagem particular da criança, pois, o mesmo faz parte do seu desenvolvimento. É de extrema importância saber que é por meio do desenho, que a criança expressa seus sentimentos, se comunica, pensa e etc.
É fundamental que todas as escolas promovam o processo de alfabetização juntamente com os conhecimentos prévios das crianças dentro do contexto social e cultural de cada uma, respeitando as individualidades, as brincadeiras e principalmente o tempo e jeito de aprender. É através desse olhar que se promove o desenho da criança e consequentemente o mesmo contribui no processo de alfabetização em cada uma.
O presente trabalho teve como objetivo analisar a concepção de Paulo Freire acerca do processo de alfabetização, refletindo sobre como o método do desenho pode se constituir como instrumento potente no desenvolvimento integral da criança. Ao longo da pesquisa, foi possível compreender que o desenho, muito além de uma atividade lúdica, revela-se como uma linguagem expressiva primordial, capaz de traduzir sentimentos, pensamentos, experiências e saberes adquiridos pelas crianças desde muito cedo.
A partir dos estudos apresentados, observa-se que, na perspectiva freiriana, alfabetizar ultrapassa o simples ato mecânico de juntar letras e formar palavras; trata-se de promover um processo emancipador, no qual a criança é convidada a ler o mundo antes mesmo de ler a palavra. Nesse sentido, o desenho surge como elemento fundamental, pois permite que a criança comunique seu universo simbólico, refletindo sua visão de mundo e possibilitando ao professor conhecer mais profundamente sua realidade social, cultural e emocional.
Verificou-se, ainda, que o desenho, por ser uma manifestação espontânea e natural da infância, contribui de maneira significativa para a construção da escrita. Ele constitui uma primeira forma de registro gráfico, que antecede e prepara o caminho para a alfabetização formal. Ignorar essa linguagem é desconsiderar uma etapa essencial do desenvolvimento infantil. Por isso, a escola precisa valorizar e reconhecer o desenho como recurso legítimo de aprendizagem, e não apenas como entretenimento ou atividade complementar.
No decorrer do estudo, foi possível identificar que muitas instituições, ainda hoje, priorizam atividades mecânicas de memorização de letras e sílabas, reduzindo o tempo dedicado ao desenho e às manifestações espontâneas da criança. Tal postura acaba por limitar sua criatividade, sua expressão e, consequentemente, sua autonomia. Assim, torna-se indispensável que o professor assuma postura sensível, acolhedora e consciente, capaz de enxergar no desenho não apenas traços, mas possibilidades de comunicação, investigação e construção de conhecimento.
Diante disso, compreende-se que a alfabetização só alcança seu verdadeiro sentido quando respeita os tempos, ritmos, necessidades e saberes prévios da criança. O desenho, como primeira forma de escrita, permite que ela explore, descubra, imagine e produza sentidos sobre o mundo que a cerca. Ele se articula diretamente com a proposta de Paulo Freire, pois promove a liberdade, a autonomia e o pensamento crítico – pilares da pedagogia humanizadora defendida pelo autor.
Conclui-se, portanto, que o método do desenho é um recurso pedagógico fundamental e deve integrar de maneira significativa o processo de alfabetização. Cabe à escola e aos professores garantir espaços, tempos e materiais que favoreçam a expressão gráfica das crianças, reconhecendo o desenho como linguagem legítima, capaz de estimular o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e cultural. Quando a alfabetização acontece respeitando e valorizando essas múltiplas linguagens, ela se torna mais significativa, prazerosa e transformadora, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, autônomos e conscientes de seu papel no mundo.
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