Brincar e comer: a utilização de atividades lúdicas para a promoção da educação alimentar na infância
Gabriely Pereira Rodrigues
Adriano Santos Maciel
Danielly Santos Borges
Lucimar Efigênia dos Santos
RESUMO
Na infância, a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) se vê diante do desafio de lutar contra o aumento da obesidade e da falta de nutrientes, quase sempre associadas a costumes alimentares ruins. Este texto examina quão bem a metodologia lúdica – ou seja, o uso de jogos e brincadeiras – funciona como um jeito eficaz de impulsionar a EAN. Com base em teorias sobre o crescimento infantil, fica claro que o ato de brincar ajuda muito no aprendizado que faz sentido, na experiência com os sentidos e na mudança de como as crianças se alimentam. Unir o lúdico faz da alimentação algo gostoso e que anima, essencial para formar opções saudáveis para sempre.
Palavras-chave: Educação Alimentar e Nutricional. Metodologia Lúdica. Desenvolvimento Infantil. Aprendizagem Significativa. Comportamento Alimentar.
INTRODUÇÃO
Os anos iniciais da vida são cruciais para estabelecer costumes alimentares que seguirão até a fase adulta (BRASIL, 2014). No entanto, o ensino formal de nutrição pode ser visto como monótono e pouco produtivo. O grande desafio na educação é converter dados intrincados sobre nutrientes e tipos de alimentos em algo interessante e fácil de entender para os pequenos. Estudos em Pedagogia e Nutrição Infantil indicam que as brincadeiras são o caminho perfeito para isso, já que o ato de brincar é a forma natural da criança se expressar e seu jeito principal de aprender (Vygotsky, 1998; Winnicott, 1975).
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O LÚDICO COMO FERRAMENTA DE EAN
Aprendizagem Significativa e o Paradigma Construtivista
Integrar jogos e atividades lúdicas impulsiona o envolvimento da criança no aprendizado, o que está em sintonia com o construtivismo (Piaget, 1978). Em vez de apenas absorver dados, a criança edifica sua compreensão sobre os alimentos ao interagir com eles de maneira divertida.
A Perspectiva de Vygotsky (1998): As brincadeiras de simulação (como o faz de conta) possibilitam que a criança recrie cenas do dia a dia, a exemplo de cozinhar ou fazer compras, praticando e assimilando hábitos alimentares benéficos em sua Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP).
O Vínculo Emocional (Winnicott, 1975): O ato de brincar diminui a tensão e o receio ligados à prova de novos alimentos (aversão alimentar), transformando o contexto da alimentação em um local propício para o deleite e a exploração.
A Importância da Experimentação Sensorial
É comum que crianças rejeitem certos alimentos devido a características como a textura, o aroma ou a aparência. Uma forma eficaz de contornar isso é usar atividades divertidas para apresentar os alimentos de maneira descontraída, sem a pressão da hora da refeição.
Conforme apontado por Cardoso et al. (2017), interagir com a comida através do brincar aguça os sentidos, diminui a repulsa e cria um conhecimento maior, representando um avanço significativo para a aceitação e a transformação de hábitos.
Podemos citar como exemplos o contato com diferentes consistências (como massinhas feitas com legumes), a criação de desenhos com os ingredientes no prato, ou até jogos que desafiem o olfato e o paladar (com os olhos vendados).
ESTRATÉGIAS LÚDICAS APLICADAS À EDUCAÇÃO ALIMENTAR
O sucesso da educação alimentar e nutricional (EAN) por meio de atividades divertidas está ligado à forma como o educador ou nutricionista a planeja e conduz (Carmo & Boog, 2004).
Atividade Lúdica Meta da EAN Base de Referência
- Cozinha Prática (Culinária) Ensinar a cozinhar e ser higiênico, incentivar escolhas alimentares independentes. Souza & Costa, 2020
- Canteiro e Pomar na Escola Mostrar a origem do alimento, dando valor aos alimentos frescos. Ministério da Saúde (MS), 2014
- Jogos de Mesa/Cartas Nutritivas Organizar alimentos (Grupos/Pirâmide), estimular o pensamento sobre tamanhos de porções. Freitas et al., 2018
- Peças de Marionetes e Canções Representar a importância dos nutrientes e os perigos dos alimentos ultraprocessados. Lima & Silva, 2021
Pesquisas comprovam que projetos de EAN que usam o lúdico, como o "Teatro de Fantoches Nutricionais", levam a um grande avanço no conhecimento sobre alimentação e na vontade de comer frutas e verduras entre os jovens (Lima & Silva, 2021).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Unir a diversão e a alimentação na educação infantil e em ações de saúde não é só uma escolha de como ensinar, mas algo essencial para o aprendizado e a nutrição. A brincadeira cria um ambiente gostoso, livre e seguro, onde a criança aprende a ter uma relação boa e atenta com a comida. Incentivar a educação alimentar e nutricional por meio de jogos é mais que ensinar, é dar a capacidade de escolher o que evita doenças e garante que os pequenos cresçam bem e felizes. Preparar professores e profissionais da saúde para usar as brincadeiras de forma inteligente é muito importante para que isso aconteça cada vez mais.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: MS, 2014.
CARDOSO, E. de S., et al. (2017). A ludicidade como ferramenta para a educação nutricional: uma revisão da literatura. Revista Interdisciplinar de Ciência Aplicada, 1(2), 22-31.
CARMO, A. S. C. do, & Boog, M. C. F. (2004). O desafio da mudança de comportamento alimentar. Revista de Nutrição, 17(4), 535-542.
FREITAS, C. A. de, et al. (2018). Jogo de tabuleiro como estratégia de educação alimentar e nutricional para crianças. Revista Ciência & Saúde Coletiva, 23(1), 163-172.
LIMA, M. da C. B., & Silva, L. L. D. (2021). Eficácia do teatro de fantoches para o conhecimento em alimentação e nutrição em escolares: uma revisão sistemática. Revista Paulista de Pediatria, 39, e2019128.
PIAGET, J. (1978). O Nascimento da Inteligência na Criança. Rio de Janeiro: Zahar.
SOUZA, A. V. de, & Costa, K. G. da. (2020). Culinária na escola: uma estratégia lúdica para a educação alimentar e nutricional. Revista de Nutrição, 33, e190161.
VYGOTSKY, L. S. (1998). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes.
WINNICOTT, D. W. (1975). O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago.

