O ensino de Língua Portuguesa: uma proposta de oficina lúdica para alunos surdos e ouvintes do 7º ano do Ensino Fundamental
Adriana de Oliveira Teodoro
Luciene Lopes de Freitas Santana
Rosineila Dias Vieira
Rosimeire Dias da Silva
Amanda Jesus Azevedo dos Reis
RESUMO
Partindo do princípio de que as oficinas lúdicas são exímios momentos de progresso das formas de integração com o outro e que favorecem as relações humanas na instituição escolar. Esse trabalho consiste em problematizar as experiências nas oficinas de Língua Portuguesa como L2, com alunos surdos e ouvintes do 7º ano do ensino fundamental de uma escola municipal de Sorriso – MT. É sabido que a inclusão do aluno surdo no ensino regular foi aprovada pela Lei número 10.436 (Brasil, 2002), e regulamentado pelo Decreto número 5.626 (Brasil, 2005). Porém a inclusão gera a exclusão, os alunos surdos não possuem competências linguísticas que um falante nativo da língua possui. Para eles a Libras é um recurso indispensável para a comunicação, e para o processo ensino-aprendizagem. Não compreendem na Língua Portuguesa os elementos conectivos dos discursos e a semântica de várias palavras, onde a maioria dos morfemas não tem significação nenhuma no seu eixo vocabular. Geram-se dicotomias: inclusão x exclusão, deficiência x diferença. No cotidiano escolar, a educação inclusiva tem exigido por parte dos educadores um planejamento mais amplo das estratégias de ensino, com o desenvolvimento de ferramentas que possibilitem auxiliar os estudantes especiais, de acordo com suas necessidades. Com o crescimento da inserção de surdos nos espaços escolares, requer que a escola os receba não apenas como meros indivíduos nas escolas, mas como pessoas dotadas de direitos no ambiente escolar, que possuem específicos jeitos de se comunicar e principalmente de serem ensinados e adquirir conhecimento. Visando minimizar o déficit educacional, é de extrema importância que alunos surdos e ouvintes, enquanto estudantes do espaço escolar, possam se comunicar de forma efetiva através da Libras, e é papel da escola proporcionar meios de ensino dessa Língua como L2 para os alunos ouvintes.
Palavras-chave: Oficinas lúdicas. Alunos surdos e ouvintes. Libras.
- INTRODUÇÃO
Esse trabalho consiste em analisar o ensino da Língua Portuguesa juntamente com a língua brasileira de sinais (Libras), propiciando novas reflexões sobre a temática e seus métodos de ensino. O processo ensino-aprendizagem é direcionado para os ouvintes, não atendendo assim suas particularidades e necessidades. Há uma despreparação profissional devido ao desconhecimento da surdez e de práticas adequadas para atendimento dessa clientela. Os alunos com deficiência auditiva não estão aprendendo a Língua Portuguesa no Ensino Médio regular com eficácia, sua capacidade linguística não é valorizada, nem reconhecida.
No cotidiano escolar, a educação inclusiva tem exigido por parte dos educadores um planejamento mais amplo das estratégias de ensino, com o desenvolvimento de ferramentas que possibilitem auxiliar os estudantes especiais, de acordo com suas necessidades.
Visando minimizar o déficit educacional, é de extrema importância que alunos surdos e ouvintes, enquanto estudantes do espaço escolar, possam se comunicar de forma efetiva através da Libras, e é papel da escola proporcionar meios de ensino dessa Língua como L2 para os alunos ouvintes. A utilização criativa dos mais diversos mecanismos de ensino existentes para a inclusão dos surdos no cotidiano escolar requer um maior esforço por parte dos professores e demais profissionais da educação para melhorar a comunicação com o estudante surdo de sua escola, através de práticas metodológicas que estreite sua interação.
O tema é de interesse para a sociedade, onde deve ser minimizado o preconceito e quebrado os paradigmas existentes acerca da surdez, uma deficiência sobre a qual pouco conhecemos e em prol de uma educação digna e de qualidade para estes, exigindo preparação adequada dos profissionais dessa instituição.
- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Atualmente, a educação inclusiva requer um planejamento muito mais amplo para o desenvolvimento de metodologia de ensino que atenda às necessidades especiais dos alunos surdos. Em outras palavras, é necessário desenvolver ferramentas no cotidiano escolar que possam apoiar de forma mais consistente e eficaz o processo de ensino e aprendizagem desse nicho educacional, satisfazendo assim as necessidades que representam (FELICIO, et al., 2019).
Ressalta-se que, diante desse cenário, a inserção do aluno surdo no cotidiano escolar tem se desenvolvido de diferentes formas, tendo a Libra como ponto central e porta de entrada para todo o processo. Com isso, é necessária uma apresentação e apresentação ao público de forma interativa, cujo objetivo é difundir o significado de integração e despertar o interesse dos alunos pela língua referenciada (SILVA, et al., 2015).
O campo educacional possui uma série de metodologias e ferramentas nas quais se concentra a maximização da aprendizagem, entre as quais se destacam as oficinas, que geralmente visam aliar a teoria à prática e construir o conhecimento por meio da ação ou seja, contribuem para a construção de uma discussão de aspectos teóricos e práticos de determinado conteúdo ou assunto e podem ser caracterizados como composições conhecimento coletivo, no qual se constitui não apenas o resultado final, mas também todo o seu processo de ensino (BAALBAKI; TEIXEIRA, 2014).
Em relação à surdez, seu desenvolvimento tem como um de seus principais objetivos a sustentação do conhecimento, seja voltado para a alfabetização, divulgação científica, ensino várias comunicações e assim por diante. Além disso, também contribuem para a interação do público escolar, levando a reflexões sobre a diversidade do cenário linguístico e a inclusão alunos surdos na escola (RIBEIRO; SHOLL-FRANCO, 2018).
As oficinas, se voltadas para o ensino de Escalas, podem ser realizadas tanto por professores da própria instituição de ensino quanto por outros profissionais, surdos ou não, mas considera-se oportuno mostrar que o desenvolvimento por um profissional também surdo pode enriquecer a prática ainda mais porque os alunos agora têm a oportunidade de vivenciar o sucesso de alguém que tem as mesmas características que eles (OLIVEIRA, 2017).
2.1 CARACTERIZANDO A SURDEZ E LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
Deficiência Auditiva: consiste na perda parcial ou total da capacidade de detectar sons, causada por má-formação (causa genética), lesão na orelha ou na composição do aparelho auditivo. Pode ser considerado surdo todo aquele que tem total ausência da audição, ou seja, que não ouve nada. E é considerado parcialmente surdo todo aquele que a capacidade de ouvir, apesar de deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva. Entre os tipos de deficiência auditiva estão a condutiva, mista, neurossensorial e central.
A surdez pode se manifestar de duas maneiras: a congênita e a adquirida; a congênita é quando acontece na gestação, através do uso de alguns medicamentos, principalmente os ototóxicos, que servem para o tratamento de doenças como: sífilis, herpes, diabetes, sarampo, pressão alta e toxoplasmose, também por exposição à radiação, problemas no parto, infecções hospitalares, motivos hereditários, nascimento antes do tempo e falta de oxigenação na hora do parto.
A línguas de sinais – é a língua utilizada pelas comunidades surdas, apresentam particularidades especificas das linguais naturais, sendo reconhecida como língua pela linguística, é visuais-espaciais. A língua brasileira de sinais – libras – é a língua de sinais de comunidades surda brasileiras. Libras é a sigla para se referir a Língua Brasileira de Sinais, foi difundida pela Federação nacional de Educação e Interação de surdos – FENEIS. Língua fonte – é a língua que o intérprete ouve ou vê para então traduzir para a libras.
A história da Libras – língua brasileira de sinais, chegou ao Brasil em 1857, quando o francês Eduard Huet veio ao Brasil convidado por D. Pedro II, ele era surdo desde os doze anos de idade, veio para fundar a primeira escola para surdos, chamada Imperial Instituto de Surdos Mudos, que mais tarde passou a ser conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos, INES, pois o termo surdo-mudo foi considerado incorreto, apesar de ainda hoje ser usado por pessoas leigas no assunto.
Embora tenha sido aceita essa escola, no ano de 1880, teve uma grande derrota por um congresso de profissionais da educação que aconteceu em Milão, pois, acreditavam que a leitura labial era mais adequada para a comunicação dos surdos, atrasando a difusão da língua de sinais no Brasil, o que dificultava ainda mais a comunicação, pois o surdo não sabia falar.
Todavia, a libras ainda é pouco conhecida entre os ouvintes, mesmo que tenha vários cursos on-line gratuitos. Nem mesmo os profissionais da educação tem a libras como segundo idioma, o que dificulta muito a alfabetização da criança surda. É uma língua que vai além de gestos que explicam a língua oral, é uma língua complexa e expressiva, o que permite os surdos e ouvintes discutirem sobre qualquer tema, desde moda até políticas.
Do mesmo modo que a língua oral tem significados diferenciados para as mesmas palavras em diferentes regiões do país, a libras também tem. Por isso, além de saber os sinais é necessário saber a gramática, para fazer a combinação das frases e estabelecer uma comunicação clara. Sendo assim, a libras não é apenas gesto e sim uma língua, como gramática.
Com o crescimento da inserção de surdos nos espaços escolares, requer que a escola os receba não apenas como meros indivíduos nas escolas, mas como pessoas dotadas de direitos no ambiente escolar, que possuem específicos jeitos de se comunicar e principalmente de serem ensinados e adquirir conhecimento. Se a escola não tem professores capacitados, acaba que alunos com deficiência auditiva se tornam frustrados por não compreender o que está sendo repassado, havendo a evasão das escolas, gerando o fracasso escolar de tais alunos.
Cabe ao professor saber a responsabilidade e contribuição na atuação de tal profissão e buscar conhecimento frente ao processo de educação da criança surda, sabendo que o desenvolvimento de âmbito acadêmico e social de tais indivíduos está literalmente ligado no contexto escolar, à condição de estímulo da língua materna Libras e da segunda língua, o português escrito.
Visto que o convívio escolar é o mais importante depois do familiar, a criança tem muitos prejuízos causado pela falta do ensino adequado da Libras, considerando que sua vida social e profissional depende disto, pois, comunicação deficitária o impossibilitará, no âmbito escolar de adquirir habilidades de leitura e escrita, que mais tarde afetarão seu desenvolvimento do campo linguístico ao profissional. Fato esse, que corrobora para que muitos surdos não cheguem a formação superior, mesmo sendo comprovado suas potencialidades de desenvolver competências e habilidades igualmente as pessoas ouvintes. Como resultado, vê-se a pessoas surda a margem da sociedade.
Atualmente são muitos os estudos sobre a cultura surda, as metodologias de ensino e a evolução desse povo guerreiro que luta por igualdade de condições, deixando claro que a sociedade começa a despertar para o respeito, à diferença cultural do surdo e desmistificar cada vez mais a surdes vista como uma deficiência, a história da Libras ainda tem muitos capitulo a serem escritos, tanto pela comunidade surda que vem ganhando espaço na sociedade, assim como pelos profissionais da educação que tem engajados na causa surda.
2.2 O ENSINO DE LINGUA PORTUGUESA PARA ALUNOS SURDOS
Por um século os alunos surdos eram compelidos a se comunicar somente por meio da Língua Portuguesa oralmente e da audição ou da leitura orofacial. Gesticula por meio de sinais eram reprimidos porque se acreditava que o seu uso pudesse anular o desenvolvimento da fala.
De acordo com Koch (2001):
Cabe lembrar que nessa época predominava, no ensino da Língua Portuguesa, a concepção de língua como código, segundo a qual a língua é considerada um sistema de formas fonéticas, gramaticais e lexicais, independentemente de todo ato de criação individual (KOCH, 2001).
A ideia principal é que, tendo conhecimento do código, o aluno passe a abranger e usar perfeitamente a língua. O uso da língua como código na educação de surdos derivou no ensino metódico e unificado da Língua Portuguesa, uma vez que, diferentemente dos ouvintes, a maioria dos alunos surdos, chegam à escola sem uma língua desenvolvida. Visando ao aprendizado da Língua Portuguesa, o professor iniciava as aulas com a exposição dos alunos surdos a palavras e avançava com o emprego destas palavras em estruturas frasais, basicamente simples e depois cada vez mais longas e morfossintaticamente mais complexas. Através de cópias, ditados, exercícios de repetição e de permuta de elementos da frase, esperava-se que os alunos arquivassem as estruturas frasais trabalhadas e as usassem.
- MATERIAIS E MÉTODOS
As oficinas foram realizadas em sala com as turmas de 7º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Papa João Paulo II, com os conteúdos abordados de acordo com o planejamento curricular criado pela Secretaria Municipal de Educação de Sorriso - MT. Atualmente a escola atende 770 alunos entre a Educação Infantil, Fundamental I e II, divido em 25 turmas em dois turnos: matutino e vespertino.
OFICINA 01: FÁBULA DE ESOPO – A RAPOSA E AS UVAS EM LIBRAS
Foi apresentado o vídeo sobre a Fábula de Esopo de forma Bilingue para a classe entendesse o mesmo. O uso do vídeo contribuiu fortemente para que os alunos acompanhassem a fábula na aula, logo após, realizou-se uma conversa para perceber o entendimento dos alunos frente a fábula, e posteriormente também foi realizado um jogo de vocabulários e maneira a entender as palavras desconhecidas pelos alunos. A apresentação, com uma abordagem voltada para a visualização e ludicidade contribuíram bastante para este fim.
Na segunda aula foram organizados grupos de quatro alunos para realizar a releitura da obra em cartolina. Após foram confeccionados textos a serem transcritos em desenho e em libras. Depois que viram a fábula contada em Libras acompanhado com cartazes de ilustrações e imagens, algumas crianças quiseram recontá-la. Percebemos que a fábula contada em língua de sinais preserva e enfatiza a iconicidade e a abstração que, de modo complementar, é capaz de elevar-se às proposições mais abstratas, à reflexão generalizada da realidade e evocar a qualidade concreta, vívida, real, animada das línguas faladas devido a visualização das imagens.
É importante reiterar que as imagens não exigem menos do ato de leitura. Segundo Linden: [...] ler um livro ilustrado não se resume a ler texto e imagem. [...] é também apreciar o uso de um formato, de enquadramentos, da relação entre capa e guardas com seu conteúdo; é também associar representações, optar por uma ordem de leitura no espaço da página, afinar a poesia do texto com a poesia da imagem, apreciar os silêncios de uma em relação à outra... (LINDEN,2010, p. 8-9).
OFICINA 02: PERCEBENDO O LOCAL ONDE HABITO
Na oficina foi trabalhado o texto da autora Beta Lotti A menina dos olhos verdes, o texto foi inicialmente lido pelos alunos e posteriormente interpretado pela professora de Língua Portuguesa da turma. A atividade foi realizada no pátio da escola, a fim de explorar nos alunos a sensibilidade quanto as cores que os rodeiam bem como os sentimentos que as mesmas provocam nos alunos. Após a interpretação e observação das cores no pátio da escola, os alunos foram levados para a sala de aula para responderem alguns questionamentos quanto ao texto.
Posteriormente dando continuidade a oficina realizamos atividades em que cada aluno irá buscar em sua memória momentos importantes de sua vida, construindo um pequeno texto descrevendo o acontecimento e depois escolheriam uma cor que representasse esse momento especial, num outro momento os alunos exploraram a cor usando tintas guache sobre o papel.
OFICINA 03: MINHAS PRODUÇÕES VALEM OURO
Nesta oficina realizamos várias atividades com os alunos.
Atividade 01: o intuito de estimular o conhecimento do vocabulário de Língua Portuguesa, foi aplicado palavras cruzadas e leitura do poema O Bicho de Manuel Bandeira. Foi realizado gravação de vídeos com alunos surdos, onde cada um expressava em Libras suas produções textuais e depois realizaram a tradução para a Língua Portuguesa escrita.
Atividade 02: Aplicamos essa atividade para estimular os alunos a formarem frases partindo e palavras escondidas numa caixa, foi feito junto aos alunos uma leitura do poema Olho as minhas Mãos de Mario Quintana interpretado em Libras.
Atividade 03: Realização de uma dinâmica, onde cada aluno escolhia um objeto de uma sacola e relacionava-os para depois produzir uma frase contextualizada, partindo da ideia do objeto. Os alunos gostaram da experiência lúdica, muitos desconheciam a escrita dos objetos, e perceberam por experiência as diferenças e semelhanças da composição de frases em L2 e a Libras.
Atividade 04: A atividade contou com a participação de todos os alunos, onde cada um escolhia duas fichas: uma com a parte inicial de uma frase e outra que tinha a parte que seria o final da frase, depois do reconhecimento de cada palavra da frase, verificava se a mesma combinasse ou não. O objetivo era achar as duas partes que completasse a frase, sendo que cada ficha estava virada para baixo, como um jogo de memória, os alunos além de exercitar seu vocabulário, contextualizavam as palavras nas frases, desenvolviam o senso de concentração e memorização. E ao fim da atividade, foi realizado um texto em conjunto, onde cada aluno deveria dar continuidade a frase do colega até compor um texto
OFICINA 04: OS PORQUÊS
Foram desenvolvidas atividades sobre estruturas linguísticas (comparação entre Libras e língua portuguesa), que teve como objetivo fazer com que os alunos percebessem a diferença entre as estruturas linguísticas.
Posteriormente foram desenvolvidas atividades com aplicação de jogos pedagógicos utilizando imagens demonstrativas, construção de palavras e frases. A oficina contou com a interpretação de Libras. Realizou-se atividades com uso da regra dos “Porquês”, para isso, cada aluno fazia uma pergunta por escrito ao colega, que respondia e realizava outra pergunta a outro aluno também por escrito e assim sucessivamente.
E por último exibimos um vídeo do Mr. Bean e pedirmos para que os alunos fizessem uma transcrição do filme. O objetivo era que eles escrevessem as percepções, de forma livre e que trabalhassem com diferentes linguagens.
- RESULTADOS E DISCUSSÃO
Como podemos observar, as oficinas contemplavam os conteúdos como: vocabulário, produção textual, pronomes possessivos, conectores, singular e plural, uso dos porquês, tradução da L1 para L2 e interpretação. E como metodologias, eram utilizados: jogos de memória, construção de frases, imagens, vídeos, escrita de cartas, leitura e interpretação de texto.
Compreendemos que um dos objetivos do ensino da língua é auxiliar o aluno a se apropriar da norma culta, fazendo uso dela em situações de maior formalidade. Porém, não podemos esquecer que além de desenvolver o domínio das estruturas da língua padrão, é preciso criar condições para que o aluno construa discurso próprio, particularize seu estilo, expresse com objetividade e fluência suas ideias.
E principalmente entenda o que um enunciado quer dizer. É importante acreditar que qualquer leitor pode desenvolver a sua capacidade de interpretação, através da literatura e de outras formas de reflexões, pois, interpretação nada mais é do que o exercício do próprio pensamento em torno de um pensamento de outro.
A aquisição da L2 pelo surdo é um processo de longo prazo para a maioria dos alunos e demanda de professores estratégias de ensino adequadas, buscando participar da construção e do aprimoramento de saberes, ou seja, considerando as especificidades do aprendiz e descartando discursos de que o aluno é incapaz de desenvolver habilidades de leitura e escrita na segunda língua.
Certamente, se os alunos aqui analisados tivessem recebido um acompanhamento mais intensivo e direcionado na época escolar adequada, teriam mais condições de produção textual. Os alunos surdos inclusos deveriam ter atendimento especializado para possibilitar seu aprendizado em L2, com a presença de profissional capacitado para trabalhar a língua dos surdos, que não imponha a língua padrão, mas que proporcione a construção do conhecimento, que possa tornar acessível desvendar conceitos, vocabulários, cultura, conhecimento de mundo e conhecimento prévio, sendo tudo estimulado pela leitura, despertando os seus interesses.
- CONCLUSÃO
A oficina não é apenas um recurso pedagógico, mas um espaço que comporta a possibilidade de transformação. Podemos também dizer que é um importante estrutura para dinamizar o processo ensino-aprendizagem, uma vez que, por seu caráter prático, estimula a participação e a integração de todos os envolvidos. Por sua natureza, uma oficina é dinâmica. Além disso, também funciona como uma ferramenta para a prática pedagógica nos diversos níveis de ensino e para a pesquisa.
Nessa perspectiva, as oficinas lúdicas de Língua Portuguesa/Libras estiveram sempre inclinadas a proporcionar aos alunos surdos e ouvintes participantes, o contato com ambas as línguas em todas as atividades.
Diante disto, é possível perceber o quanto a experiência de trabalhar em oficinas com alunos surdos e ouvintes nos possibilitou novas aprendizagens, tendo em vista o planejamento e preparo para a realização das atividades. Assim como o contato linguístico com os sujeitos surdos, pois o planejamento não fica apenas no plano teórico, sendo que a execução do mesmo permite a compreensão no que tange as diferenças entre as duas línguas em questão, bem como a forma como os sujeitos surdam lindam com as mesmas no contexto escolar.
Pretendeu-se que as oficinas realmente funcionassem como em sua etimologia: “um lugar de transformações”. Nesse contexto, elas contribuíram para a formação pessoal e profissional dos envolvidos, pois, a partir de discussões baseadas na realidade da sala de aula, tivemos a oportunidade de trocar experiências, levantar questões problemáticas comuns e traçar soluções para algumas questões. A partir do estudo sobre a temática e do resultado das oficinas, a pesquisa nos apresentou diversas perspectivas sobre o assunto e possíveis caminhos que facilitam o processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa para alunos surdos, melhorando, assim, a prática docente.
REFERÊNCIAS
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