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Família, escola e a deficiência mental: uma perspectiva de inclusão para todos

Aline Lisboa Wenzke

Angelica de Oliveira Quirino

Ismael Pinheiro Lopes

Leticia Corsino Galbero

Tamara Silva

 

DOI: 10.5281/zenodo.17692867

 

 

RESUMO

O presente artigo tem por finalidade apresentar o estudo dentro do contexto da adversidade humana intitulado: Família, Escola e a Deficiência Mental: uma perspectiva de inclusão para todos, tendo como foco principal a deficiência mental num sentido amplo, humano, e histórico objetivando a inclusão em sua significação, inserindo-a na sociedade, no âmbito familiar e escolar, possibilitando uma educação que contemple suas necessidades básicas. Nesse sentido, pensamos em expor nossas reflexões sobre a inclusão escolar, trazendo breves concepções sobre a relação familiar e escolar relacionada com a criança com deficiência mental.

 

Palavras-chave: Inclusão escolar. Família. Criança. escola, Deficiência mental.

 

 

Introdução

 

Este artigo tem por finalidade a apresentação de uma análise reflexiva sobre as relações familiares, escola e alunos com deficiência mental, tendo como objetivo principal a conscientização da família e sua real importância com relação à aceitação da criança deficiente no contexto familiar.

Sendo assim, a pesquisa surgiu num primeiro momento em vista das situações experienciadas através do cotidiano docente e familiar, sendo que, no decorrer da nossa formação as preocupações foram surgindo, acrescentadas de constantes dúvidas. Dessa maneira, o estudo, a análise e pesquisa foram aprofundados sobre a educação inclusiva, em especial a deficiência mental. Assim sendo, compreendemos a necessidade de um estudo analítico reflexivo, buscando respostas e alternativas para tal inquietude, uma vez que ainda não estamos suficientemente aptos a lidar com essa realidade.

Nos estudos realizados, é possível identificar todos os aspectos que levam as famílias a enfrentarem situações de não aceitação da criança deficiente em relação ao convívio escolar, pois se acredita que, quando a família consegue aceitar a criança deficiente dentro de suas limitações o processo de inclusão no ambiente escolar pode e deve ser estimulado.

Desse modo, essa pesquisa procura investigar as intrínsecas relações no processo de aprendizagem e a aceitação da criança com deficiência mental por parte da família. Acredita-se que o processo de integração família X escola é fundamental para estimular o sentimento de inclusão e com isso, promover o aprimoramento do processo educativo.

São essas concepções que estimularam o desenvolvimento desse estudo pedagógico, norteando os caminhos da pesquisa para debater as questões inquietantes, pois a criança com deficiência mental necessita de um olhar acolhedor, compreensivo e significativo para que apresente resultados positivos.

É por meio da família que a criança com deficiência mental apresenta suas primeiras tentativas de progresso, logo após, esta será incluída no contexto escolar sob os cuidados do professor (a), com o propósito de promover a interação social e o desenvolvimento de novas habilidades.

 

 

Relações do contexto familiar e educacional com crianças com deficiência mental

 

Os estudos sobre a relação da família com a criança que apresenta deficiência mental indicam que desde o momento do nascimento, isto é, logo que o bebê nasce a família sofre com o impacto da deficiência. O sentimento de impossibilidade para lidar com esta adversidade e a não consolidação da projeção e idealização do filho “perfeito”, geram, muitas vezes, as desestruturações emocionais e familiares pelo fato da criança apresentar uma deficiência, conforme apontam Dessen e Silva (2000, p.15):

 

Em se tratando do nascimento de uma criança com deficiência, o momento é de grande impacto para o casal, causando uma desestruturação e interrupção (em alguns casos, de forma traumática) na estabilidade familiar.

 

Sendo assim, percebemos o quanto é desgastante e sofrido este momento para toda a família, vindo a acarretar muitos problemas, tanto de ordem emocional como muitas vezes financeiro. Emocional por tratar-se da frustração inicial da família que, em alguns momentos, necessita de um acompanhamento terapêutico para aprender a lidar com o novo membro familiar. E, financeiro por perceber que muitas a limitação de oferta de profissionais especializados para atender essas necessidades junto ao Sistema Único de Saúde, corrobora para inflacionar as consultas, bem como todos os equipamentos necessários de uma melhor qualidade de vida da criança, podendo gerar momentos de dificuldade para a família, contribuindo, ainda mais na instabilidade familiar.

Um aspecto a ser trabalhado e desenvolvido com as famílias é o processo de aceitação da criança com deficiência mental dentro de suas limitações no contexto familiar e escolar, aspectos estes relacionados ao atendimento especializado como: psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, terapias de grupo e o apoio de psicopedagogo.

 

[...] a atenção do profissional especialista (e não me refiro apenas aos “responsáveis” para cuidar dos pais: psicólogos ou assistentes sociais, mas sim a toda a equipe) deve se focalizar prioritariamente no atendimento familiar. Partindo da premissa de que para que o indivíduo deficiente venha a ser integrado em sua própria família, a intervenção psicoeducacional precoce no plano familiar é imprescindível, talvez tão fundamental quanto o atendimento direto à pessoa deficiente propriamente dita. Glat (1996, p.115)

 

Conforme a autora apresenta, o atendimento psicoeducacional associado as demais especialidades no plano familiar é fundamental para garantir o melhor desenvolvimento da criança, dada a aceitação e o desenvolvimento de estratégias no processo do desenvolvimento cognitivo destas crianças. Reitera- se a importância do primeiro processo de desenvolvimento desta criança no ambiente familiar, pois durante esse período de crescimento e amadurecimento a família começa a exercer um papel fundamental nos primeiros anos de vida da criança, na qual é por meio de um ambiente acolhedor e estimulador que a criança constitui seus primeiros passos para a vida.

 

A família se constitui, assim, no grupo social primário e é por meio do relacionamento familiar que desde os primeiros tempos de vida a criança começa a aprender até que ponto ele é um ser aceitável no mundo (isto é, se ele é considerado “normal” em comparação com os outros membros do seu grupo social), que tipo de concessões e ajustes deverá fazer para ser aceito, e a qualidade das relações humanas que encontrará. A família, portanto, realiza a chamada socialização primária que consiste na aprendizagem dos papéis sociais; ou dito de outra forma, no processo de formação da identidade social e pessoal do indivíduo, na imagem que a pessoa tem de si mesma. (GLAT. 1996, p.113).

 

O apoio e a compreensão da família são fundamentais para o processo de socialização da criança com deficiência mental e desta forma, proporcionar a construção de um sujeito e cidadão que se percebe na sua singularidade, sem com isso sentir-se excluído do contexto em que vive.

Não há dúvidas que as barreiras a serem transpostas são várias, porém à medida em que a família aprende a superá-las, fortalece a criança e nesse processo passando a ser não só uma aceitação da “fatalidade”, mas a internalização de que somos seres singulares e cheios de possibilidades.

Em referência aos estudos realizados, na área escolar, a respeito da criança com deficiência mental, procura-se incluir esta criança na escola de ensino regular, deparando-nos com as dificuldades que os professores enfrentam, pois estão despreparados para atenderem alunos com deficiência mental, quanto as políticas públicas, estas deverão proporcionar mais investimentos de recursos, materiais didáticos pedagógicos e recursos de adaptação das escolas para assim, atender a essas mesmas necessidades.

Alguns professores usam de argumentos a respeito da inclusão que, só é possível incluir alunos com deficiências menos comprometidas, expõem que ainda há uma defasagem na formação, pois não estão habilitados para atender essas crianças que precisam deste tipo de atendimento especializado e diante disso, não procuram a formação continuada Segundo Lima (2009, p.10)

 

Quando o professor tem acesso a conhecimentos sobre o desenvolvimento humano, ele tem a possibilidade de ajustar, adaptar ou criar suas formas de ensinar, bem como de propor atividades que o aluno precisa, de fato, realizar para se apropriar do conhecimento.

 

Sendo assim, percebemos o quanto se torna importante o comprometimento do professor diante da escolha profissional, pois um professor que consegue desenvolver suas atividades de forma a alcançar seus objetivos este também é capaz fazer e tornar suas aulas mais produtivas e bem sucedidas.

Quanto ao trabalho realizado, nas escolas, também necessita do apoio da família, pois a trajetória da criança com deficiência mental, em uma sala de aula, assume tarefas importantes diante dos atendimentos pedagógicos, e é partindo do envolvimento da família que esta criança conseguirá se desenvolver.

 

 

Considerações finais

 

Diante dessas reflexões sobre inclusão escolar é viável constatar que este processo de adaptação com o novo, referindo-me a inclusão, não há como concluir, pois esta se encontra num constante processo paradigmático, sendo que sua essência diz respeito a melhor forma de inserir e atender as necessidades de aprendizagem e de participação de todos os educandos.

Para um desenvolvimento saudável dentro do ambiente escolar, e consequentemente social, faz-se necessário que haja um estabelecimento de relações interpessoais positivas, com apoio e aceitação tanto da família como da escola, possibilitando assim o sucesso dos objetivos educativos.

Uma relação de amor e respeito entre pais, professores e a criança com deficiência mental e a maneira de como ela vai reagir, dependerá da imagem de que ela formará deles. Se a ideia que ela tem é de respeito e amor, terá para consigo reações afetuosas, pois é isso que se deseja.

Na condição de educadores, precisamos estar atentos ao fato de que, enquanto não dermos atenção ao fator afetivo na relação professor e aluno com deficiência mental. Diante disso, corremos o risco de estar trabalhando somente com a construção do real, do conhecimento, deixando de lado o trabalho da constituição do próprio sujeito que envolve valores, e até o envolvimento do próprio caráter tão necessário para o desenvolvimento integral.

Finalizando este trabalho podemos ressaltar que embora a formação do pedagogo para a atuação na escola inclusiva, ainda precise ir além da especialização, a sua contribuição para a educação é de fundamental importância. Além disso, a ocupação deste espaço a sua presença nessas escolas (re)significa a existência de um ambiente favorável, por meio da linguagem, do afeto, das interações sociais, propiciando melhores condições de vida. Portanto a pedagogia e a formação do pedagogo para esta realidade são de fato imprescindível, carecendo atenção.

 

 

Referências

 

DESSEN, M. A.; SILVA, N. L. P. da. Família e deficiência: uma análise dos processos de adaptação familiar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

 

GLAT, R. Integração social do portador de deficiência: uma reflexão. Rio de Janeiro: 7Letras, 1996.

 

LIMA, E. S. Desenvolvimento humano e aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2009.