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Ensino de Língua Portuguesa: variação lexical no Ensino Fundamental

Aline Lisboa Wenzke

Angelica de Oliveira Quirino

Ismael Pinheiro Lopes

Leticia Corsino Galbero

Tamara Silva

 

DOI: 10.5281/zenodo.17692692

 

 

RESUMO

Este artigo tem como objetivo discutir as possibilidades de ensino da variação lexical no Ensino Fundamental I, considerando a importância da diversidade linguística no processo de alfabetização e letramento. A variação lexical refere-se às diferentes formas de nomear um mesmo referente, a depender da região, grupo social ou contexto comunicativo. No contexto escolar, é fundamental que o professor desenvolva práticas pedagógicas que valorizem a pluralidade lexical, promovendo o reconhecimento das variedades linguísticas e evitando atitudes preconceituosas. A pesquisa tem abordagem qualitativa, de cunho bibliográfico, com base em autores como Bagno (2007), Antunes (2003) e Possenti (2009). Os resultados apontam que o trabalho com variação lexical contribui para o desenvolvimento da consciência linguística, a valorização da cultura local e o enriquecimento do vocabulário dos alunos. Conclui-se que o ensino da variação lexical deve estar presente nas práticas pedagógicas desde os anos iniciais, de modo contextualizado e significativo.

 

Palavras-chave: Variação lexical. Ensino de Língua Portuguesa. Ensino Fundamental I. Diversidade Linguística; Letramento.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O interesse por tal tema se deu na prática de ensino, desenvolvida pelos professores supracitados, pois puderam observar em suas práticas docentes a riqueza do regionalismo, uma vez que a escola que atuam recebe alunos de todos estados brasileiros. Deste modo, se propuseram a pesquisar e refletir, por meio de debate, possibilidades de ensino deste fenômeno.

A língua é um fenômeno dinâmico e multifacetado, cujas formas de realização variam conforme o contexto, o espaço geográfico, o grupo social e o momento histórico. No âmbito da linguística, essas variações são compreendidas como constituintes naturais de uma língua viva.

Como destaca Bagno (2007, p. 45), “não existe uma única forma de falar corretamente, mas sim diferentes formas adequadas a diferentes situações comunicativas”. Nesse sentido, a variação lexical — ou seja, a multiplicidade de palavras para designar um mesmo conceito — é um dos aspectos mais ricos da diversidade linguística brasileira.

Este trabalho tem como objetivo refletir sobre estratégias para o ensino da variação

lexical nos anos iniciais do Ensino Fundamental, visando promover uma educação linguística crítica e inclusiva. O estudo parte da premissa de que é papel da escola reconhecer e valorizar as variedades linguísticas presentes no cotidiano dos alunos, conforme orienta a BNCC (BRASIL, 2017).

 

 

DISCUSSÃO TEÓRICA

 

A variação lexical se manifesta na alternância de vocábulos utilizados para designar um mesmo objeto ou ideia, a depender da região ou grupo sociocultural. Por exemplo, em diferentes partes do Brasil, o mesmo tubérculo pode ser chamado de “mandioca”, “macaxeira” ou “aipim”.

Segundo Antunes (2003, p. 18), “o vocabulário de uma língua é uma janela para as múltiplas formas de ver e nomear o mundo”, sendo, portanto, uma ferramenta potente para explorar a diversidade cultural e social em sala de aula.

De acordo com Bagno (2007), a escola ainda é um dos espaços onde mais se reproduz o preconceito linguístico, na medida em que se ensina que apenas a variedade padrão é “correta”. O autor afirma que “a escola não pode ser um local de repressão linguística, mas de libertação” (BAGNO, 2007, p. 92), o que inclui trabalhar com a pluralidade lexical presente no cotidiano dos alunos.

Possenti (2009) também reforça que a linguagem não é uniforme e que as diferentes formas de dizer não devem ser corrigidas, mas compreendidas e debatidas. Em suas palavras: “as diferenças não são falhas, são marcas identitárias que merecem ser analisadas e valorizadas” (POSSENTI, 2009, p. 31).

Nos anos iniciais, a função social da linguagem e a valorização dos contextos de uso ganham destaque. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), é papel do ensino de língua desenvolver a capacidade dos alunos de compreender e produzir textos adequados às mais diversas situações, reconhecendo a língua como prática social.

Nesse contexto, é essencial que os educadores promovam o contato dos alunos com a diversidade linguística brasileira. A BNCC (BRASIL, 2017) orienta que o ensino de Língua Portuguesa deve considerar as variedades linguísticas e promover o respeito à pluralidade cultural, o que inclui o uso de diferentes léxicos regionais.

Como aponta Antunes (2003), esse contato com outras formas de expressão

contribui para a formação de sujeitos mais conscientes do funcionamento da língua e mais preparados para lidar com diferentes situações comunicativas.

 

 

MEIOS METODOLÓGICOS

 

A metodologia adotada nesta pesquisa é de natureza qualitativa, com foco na análise bibliográfica. A investigação partiu da leitura e interpretação de obras que tratam da variação linguística, do ensino de língua portuguesa e da educação linguística crític a.

Foram analisados autores como Bagno (2007), Antunes (2003) e Possenti (2009), além de documentos oficiais como os PCNs (BRASIL, 1997) e a BNCC (BRASIL, 2017).

Essa escolha se justifica por permitir uma abordagem reflexiva sobre o ensino da variação lexical, sem recorrer à quantificação de dados, mas priorizando a análise interpretativa do conteúdo.

 

 

O ENSINO DA VARIAÇÃO LEXICAL

 

O ensino da variação lexical pode e deve ser explorado de forma lúdica e significativa nos anos iniciais. Antunes (2003, p. 36) propõe que “a aprendizagem linguística deve partir do que o aluno já conhece, para então levá-lo a refletir sobre a língua que usa e a língua que aprende”.

Por intermédio de levantamento de regionalismos, os alunos podem entrevistar familiares e vizinhos sobre como se referem a certos alimentos ou objetos do cotidiano. Essa pesquisa pode ser registrada e discutida em sala, evidenciando a diversidade lexical. A leitura e interpretação de textos regionais, como textos literários, poemas ou músicas que empreguem vocabulário regional, possibilitam discutir o significado das

palavras e seu uso em contextos diferentes.

Criação de glossários ilustrados, onde cada aluno pode contribuir com uma palavra de sua comunidade e o respectivo significado, formando um glossário coletivo. Esta atividade valoriza o conhecimento prévio e promove o respeito à diversidade.

Jogos linguísticos como memória, bingo de palavras e adivinhações ajudam a trabalhar diferentes formas de dizer, de maneira divertida e colaborativa.

Como ressalta Possenti (2009, p. 40), “ensinar língua é, sobretudo, ensinar a olhar

a linguagem de forma crítica e consciente”. Dessa forma, trabalhar a variação lexical desde os primeiros anos escolares contribui para ampliar o repertório linguístico dos alunos e, ao mesmo tempo, promover o respeito à diversidade.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O ensino da variação lexical no Ensino Fundamental I constitui uma ferramenta importante para a valorização da diversidade linguística e cultural dos alunos. Ao permitir que os estudantes reconheçam e reflitam sobre as diferentes formas de nomear o mundo, a escola promove não apenas o letramento linguístico, mas também o respeito às múltiplas identidades presentes na sociedade.

Como afirmam os PCNs (BRASIL, 1997), é papel da escola “valorizar a língua

materna como expressão da identidade sociocultural dos falantes”. Assim, ao incluir a

variação lexical nas práticas pedagógicas, o professor contribui para formar sujeitos mais críticos, conscientes e respeitosos com relação às diferentes manifestações da língua.

A partir das reflexões apresentadas, conclui-se que é necessário ampliar a formação docente sobre o tema e incentivar a criação de materiais didáticos que abordem a variação lexical de forma contextualizada. Como propõe Bagno (2007), é hora de transformar a escola em um espaço onde a diversidade linguística não seja vista como obstáculo, mas como potência.

 

 

REFERÊNCIAS

 

ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática: por um letramento linguístico. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

 

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 55. ed. São Paulo: Loyola, 2007.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br Acesso em: 12 set.

2025.

 

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2009.