Possibilidades de ensino de Astronomia para crianças
Aline Lisboa Wenzke
Angelica de Oliveira Quirino
Ismael Pinheiro Lopes
Leticia Corsino Galbero
Tamara Silva
RESUMO
A astronomia, enquanto ciência interdisciplinar e milenar, desempenha papel relevante no desenvolvimento do pensamento crítico, da curiosidade científica e da compreensão do mundo natural. O ensino de astronomia para crianças no contexto da educação básica apresenta desafios, mas também múltiplas possibilidades de inserção pedagógica, seja por meio da exploração do céu noturno, do uso de materiais concretos e lúdicos ou da articulação com conteúdo de outras áreas do conhecimento. Este artigo tem como objetivo discutir as potencialidades do ensino de astronomia para crianças, destacando práticas didáticas, recursos pedagógicos e fundamentos teóricos que sustentam sua relevância na formação inicial.
Palavras-chave: Ensino de astronomia. Educação infantil. Práticas pedagógicas. Ciência.
INTRODUÇÃO
O interesse pelo referido tema, surge a partir da prática docente de cinco professores, Pedagogos, que no exercer de suas práticas, observaram que o ensino de temas científicos envolvendo Astronomia eram de interesse dos alunos, assim como de relevância para formação de alunos críticos, intelectuais e atualizados, assim como, alunos capazes de desenvolver pesquisas como iniciação científica.
A astronomia é uma das ciências mais antigas, responsável por questionamentos que atravessam diferentes culturas e épocas. Ao observar o céu, o ser humano buscou explicações para fenômenos naturais e organizou o tempo, a agricultura e a navegação (LANGHI; NARDI, 2012).
No contexto educacional, o ensino de astronomia possibilita ampliar a percepção infantil sobre o espaço em que vive, estimulando a curiosidade e o pensamento científico. Segundo Langhi (2009, p. 15), “a astronomia apresenta uma riqueza de conteúdos que permitem múltiplas abordagens educativas desde os anos iniciais, sendo essencial à formação de uma visão científica de mundo”.
Entretanto, apesar de sua relevância, a astronomia ainda é pouco explorada nos currículos da educação básica, especialmente nos anos iniciais. Muitas vezes é abordada de forma fragmentada, sem conexão direta com a experiência das crianças. Assim, torna- se fundamental discutir formas de inseri-la na prática pedagógica, respeitando o desenvolvimento cognitivo e afetivo dos alunos.
TEORIA SOBRE O ASSUNTO
O ensino de ciências na infância, deve partir da curiosidade natural das crianças, valorizando a observação e a experimentação. Segundo Vygotsky (1991, p. 56), “o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento que só podem ocorrer quando a criança interage com outras pessoas”. Dessa forma, estratégias pedagógicas participativas se tornam indispensáveis.
Na perspectiva da aprendizagem significativa proposta por Ausubel (1982), novos
conhecimentos só são consolidados quando se relacionam com saberes prévios dos alunos. O autor destaca que a aprendizagem ocorre “quando a nova informação se ancora em conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva” (AUSUBEL, 1982, p. 45).
Autores como Langhi e Nardi (2012) defendem que o ensino de astronomia contribui não apenas para a compreensão de conceitos científicos, mas também para a construção de valores culturais e ambientais, já que permite refletir sobre a posição da humanidade no universo e sobre a preservação do planeta Terra.
ENSINO DE ASTRONOMIA PARA CRIANÇAS
A observação direta do céu noturno ou diurno é uma das práticas mais acessíveis e significativas. Crianças podem identificar a Lua, reconhecer fases lunares, localizar constelações mais visíveis e observar o movimento aparente do Sol. Tais atividades fortalecem a percepção da passagem do tempo e a noção de ciclo natural (LANGHI, 2009). Modelos, jogos, aplicativos digitais e construções artesanais, como o planisfério celeste e maquetes do sistema solar, contribuem para a compreensão de conceitos astronômicos. De acordo com Langhi e Nardi (2012, p. 97), “o caráter lúdico é essencial para a aprendizagem de astronomia nos anos iniciais, pois aproxima o aluno da ciência por meio do encantamento”.
A existência de softwares livres como o Stellariun, possibilitem o uso escolar como simulador de telescópio, possibilitando assim, a observação de todo o Sistema Solar, estrelas, nebulosas cometas etc. Deste modo o uso de tal aplicativo se torna uma ferramenta importante, pois possibilita o ensino de Astronomia de forma prática, interativa e digital de forma significativa objetivando a aprendizagem.
A astronomia possibilita conexões com diferentes áreas do conhecimento: com a matemática, por meio de medidas e noções de grandeza; com a geografia, ao explorar orientação espacial e cartográfica; e com a arte, na produção de desenhos e representações simbólicas do céu. Essa integração entre disciplinas está em consonância com a BNCC, que valoriza a abordagem interdisciplinar no ensino de ciências (BRASIL, 2017).
Atividades como a construção de relógios de sol, a simulação do movimento da Terra em torno do Sol com lanternas e bolas, ou registros fotográficos da Lua, podem ser realizadas de forma acessível, desenvolvendo noções de observação científica e registro de dados. Segundo Ausubel (1982), atividades práticas favorecem a assimilação de conceitos abstratos, pois aproximam o conhecimento científico da realidade do aluno.
Apesar das possibilidades, existem desafios a serem enfrentados. A formação inicial de professores ainda apresenta lacunas na área de ciências naturais, especialmente em astronomia. Como aponta Langhi (2009, p. 32), “a ausência de formação específica reflete- se em uma prática pedagógica limitada, muitas vezes restrita à memorização de conceitos”.
Além disso, a escassez de materiais pedagógicos específicos pode limitar o alcance de práticas diversificadas. Superar tais obstáculos requer investimento em formação continuada e na criação de propostas pedagógicas que valorizem a astronomia desde os anos iniciais (LANGHI; NARDI, 2012).
CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS
O ensino de astronomia para crianças apresenta grande potencial para estimular a curiosidade, desenvolver a percepção espacial e temporal e ampliar o pensamento científico. Por meio de práticas observacionais, recursos lúdicos e articulação interdisciplinar, é possível transformar o ensino dessa ciência em uma experiência significativa e prazerosa.
Para tanto, é essencial fortalecer a formação docente e ampliar a disponibilidade de materiais didáticos, de forma que a astronomia ocupe espaço efetivo na educação básica e contribua para a formação de cidadãos críticos, conscientes e sensíveis à relação entre humanidade e universo (VYGOTSKY, 1991; AUSUBEL, 1982; LANGHI; NARDI, 2012).
REFERÊNCIAS
AUSUBEL, D. P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
LANGHI, R. Astronomia nos anos iniciais do ensino fundamental: repensando a formação de professores. São Paulo: Escrituras, 2009.
LANGHI, R.; NARDI, R. Ensino de astronomia no Brasil: da formação de professores à sala de aula. São Paulo: Escrituras, 2012.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991

