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Uma imersão nas metodologias ativas

Clenilda Ribeiro de Sousa Melo [1]

Dirce da Silva [2]

Eriel Angela Gil dos Reis Castanha[3]

 

DOI: 10.5281/zenodo.17683283

 

 

RESUMO

A metodologia ativa no século XIX foi muito influenciada por duas figuras proeminentes: Friedrich Frobel e John Dewey. Ambos os educadores contribuíram significativamente para o desenvolvimento de abordagens pedagógicas que enfatizavam o envolvimento ativo dos alunos no processo de aprendizagem. Friedrich Frobel, um pedagogo alemão, foi o fundador do conceito de jardim de infância. Ele acreditava que o aprendizado deveria ser centrado na criança e baseado em princípios como a importância do jogo, da criatividade e da interação social. Frobel enfatizou a importância do desenvolvimento integral da criança, abrangendo tanto aspectos cognitivos quanto emocionais e físicos. Ele propôs o uso de materiais manipulativos, como blocos de construção e quebra-cabeças, para estimular o pensamento criativo e o raciocínio lógico. John Dewey, um filósofo e educador americano, também defendeu uma abordagem educacional centrada no aluno. Ele acreditava que a aprendizagem deveria ser prática e relevante para os alunos, baseada em suas experiências e interesses. Dewey propôs que a educação deveria estar enraizada na vida real, conectando a teoria à prática. Ele defendia a aprendizagem por meio de projetos, nos quais os alunos teriam a oportunidade de investigar e resolver problemas reais, desenvolvendo habilidades críticas e de tomada de decisão. Em resumo, a metodologia ativa no século XIX foi moldada por figuras como Frobel e Dewey, que enfatizaram a importância do envolvimento ativo dos alunos no processo de aprendizagem. A metodologia híbrida, por sua vez, combina elementos dessas abordagens tradicionais com recursos tecnológicos modernos, buscando proporcionar uma educação mais enriquecedora e relevante para os alunos.

 

Palavras-chave: Educação. Metodologia hibrida. Aprendizagem.

 

 

ABSTRACT

Active methodology in the 19th century was greatly influenced by two prominent figures: Friedrich Frobel and John Dewey. Both educators contributed significantly to the development of pedagogical approaches that emphasized the active involvement of students in the learning process. Friedrich Frobel, a German educator, was the founder of the kindergarten concept. He believed that learning should be child-centered and based on principles such as the importance of play, creativity and social interaction. Frobel emphasized the importance of the integral development of the child, encompassing both cognitive, emotional and physical aspects. He proposed the use of manipulative materials, such as building blocks and puzzles, to stimulate creative thinking and logical reasoning. John Dewey, an American philosopher and educator, also advocated a student-centered educational approach. He believed that learning should be practical and relevant to students, based on their experiences and interests. Dewey proposed that education should be rooted in real life, connecting theory to practice. He advocated learning through projects, in which students would have the opportunity to investigate and solve real problems, developing critical and decision-making skills. In short, active methodology in the 19th century was shaped by figures such as Frobel and Dewey, who emphasized the importance of active student involvemen

 

Keywords: Education. Hybrid methodology. Learning.

 

 

Introdução

 

As metodologias ativas na educação têm sido estudadas e aplicadas ao longo do tempo como uma forma de promover um ensino mais participativo e engajador para os estudantes. Embora os conceitos e as práticas tenham evoluído ao longo dos anos, as raízes das abordagens ativas podem ser rastreadas em diferentes períodos da história da educação.

Século XIX: O início das metodologias ativas pode ser atribuído a pensadores como Friedrich Fröbel e Johann Friedrich Herbart. Fröbel, considerado o pai da educação pré-escolar, enfatizava a importância do jogo e da experiência sensorial na aprendizagem. Herbart, por sua vez, defendia uma abordagem mais interativa e centrada no estudante, na qual os professores deveriam adaptar seu ensino às necessidades individuais dos alunos.

Início do século XX: John Dewey foi um dos principais proponentes das metodologias ativas nesse período. Ele acreditava que a aprendizagem deveria ser baseada na experiência pessoal e nas habilidades práticas, enfatizando a importância da resolução de problemas e do pensamento crítico. Dewey influenciou o movimento da escola nova, que tinha como objetivo transformar o ensino tradicional em um ambiente mais centrado no estudante.

Década de 1960: Com o surgimento do movimento da pedagogia crítica, as metodologias ativas ganharam destaque novamente. Paulo Freire foi um dos principais representantes desse movimento, com sua abordagem da educação popular. Ele defendia a importância da participação ativa dos alunos no processo de ensino-aprendizagem e da conscientização sobre questões sociais e política.

Década de 1990: As abordagens ativas na educação foram amplamente impulsionadas pelo desenvolvimento da tecnologia e pela criação de ambientes virtuais de aprendizagem. Nesse período, surgiram conceitos como aprendizagem baseada em problemas (PBL), aprendizagem baseada em projetos (PBL), sala de aula invertida e outras metodologias que valorizam a participação e a construção do conhecimento pelos estudantes.

Atualmente, as metodologias ativas continuam a evoluir e se adaptar às necessidades e demandas da educação. Elas são consideradas uma alternativa ao ensino tradicional, incentivando a participação, a colaboração e a autonomia dos estudantes. Com o avanço da tecnologia e a crescente conexão entre educadores ao redor do mundo, essas metodologias têm se disseminado e ganhado cada vez mais destaque na educação contemporânea.

 

 

Desenvolvimento

 

As metodologias surgiram e são ferramentas essenciais para o crescimento e a evolução no aprender e no ensinar. No século XIX, o pedagogo alemão Friedrich Fröbel alemão conhecido como o fundador do jardim de infância e um dos precursores das metodologias ativas na educação.

Segundo Campos e Pereira (2015):

 

O jardim de infância ou Kindergarten destinava-se a educação de crianças de 3 a 7 anos, nestes espaços as crianças desenvolveriam atividades que envolviam cuidado com o corpo, observação da natureza, aprenderiam poesia e canto, trabalhos manuais, receberiam formação moral e religiosa, dentre outras atividades. Tais atividades tinham por objetivo estimular o desenvolvimento integral da criança, ajustando-se aos princípios educativ...os, priorizando o lúdico, uma proposta exclusivamente pedagógica para o atendimento da criança. (Campos, Pereira, 2015, p.27801).

 

Suas ideias foram revolucionárias para a época e exerceram uma grande influência sobre a educação infantil e sobre as metodologias ativas até os dias de hoje.

Fröbel acreditava que as crianças são seres ativos, curiosos e capazes de construir conhecimento através da exploração e experimentação. Ele via a infância como uma fase crucial para o desenvolvimento humano, na qual a educação deveria ser voltada para o desenvolvimento físico, mental e emocional da criança.

Uma das principais contribuições de Fröbel para as metodologias ativas foi o conceito de "atividade lúdica" como forma de aprendizagem. Ele acreditava que o brincar era a atividade mais significativa para as crianças, pois envolvia os sentidos, a imaginação e a ação. Por isso, desenvolveu o conceito de "jogar educativo", no qual os jogos e as brincadeiras eram cuidadosamente planejados para estimular o desenvolvimento integral da criança.

Outro autor que contribuiu muito foi Dewey para as metodologias ativas, a ideia de que a educação não deveria ser apenas um processo de transferência de conhecimento do professor para o aluno, mas sim um processo de descoberta e construção de conhecimento por meio da ação. Para ele, os estudantes aprendem melhor quando estão envolvidos diretamente na atividade, experimentando, refletindo e construindo conhecimento a partir de suas próprias experiências.

Ele acreditava que a educação deveria estar enraizada na vida real e nas experiências vivenciadas pelos alunos, para que eles pudessem compreender a importância e a utilidade do conhecimento adquirido. Essa ideia foi fundamental para o desenvolvimento das metodologias ativas, que focam na aplicação prática do conhecimento e na resolução de problemas do mundo real.

Outra influência significativa de Dewey foi em relação à importância do trabalho em grupo e da interação social na aprendizagem. Ele defendia que a colaboração entre os estudantes era fundamental para o desenvolvimento de habilidades sociais, como a capacidade de trabalhar em equipe, de se comunicar e de resolver conflitos. Essa visão está presente nas metodologias ativas, que frequentemente utilizam atividades em grupo e discussões em classe para promover a interação entre os estudantes.

Além disso, Dewey também defendeu a centralidade do interesse e da motivação dos estudantes na aprendizagem. Ele acreditava que as atividades educativas deveriam ser personalizadas, levando em consideração os interesses e as necessidades dos alunos, para que eles se engajassem de forma significativa com o conteúdo. Essa ideia é essencial para as metodologias ativas, que buscam proporcionar um ambiente de aprendizagem motivador e estimulante para os estudantes.

 

[...] o indivíduo que deve ser educado é um indivíduo social, e que a sociedade é uma união orgânica de indivíduos. Se eliminarmos o fator social da criança, nos restará somente uma abstração; se eliminarmos o fator individual da sociedade, nos restará somente uma massa inerte e sem vida. (Dewey .1959. p. 2)

 

Em resumo, John Dewey teve uma grande influência no desenvolvimento das metodologias ativas na educação, ao enfatizar a importância da aprendizagem ativa e envolvente, do aprendizado contextualizado e relevante, do trabalho em grupo e da interação social, e da centralidade do interesse e da motivação dos estudantes. Suas ideias continuam a ser relevantes e aplicadas na educação atual, contribuindo para uma abordagem mais participativa e significativa no processo de ensino e aprendizagem.

As metodologias vêm para resinificar os modelos de ensino e aprendizagem, trazendo cada vez mais possibilidades de interação entre a educação e o conhecimento, estimulando a busca pelo novo e se redescobrindo.

Segundo Freire:

 

Somente a partir de perguntas é que se deve sair em busca de respostas, e não o contrário: esclarecer as respostas, com o que todo o saber fica justamente nisso, já está dado, é um absoluto, não cede lugar à curiosidade nem a elementos por descobrir. O saber já está feito, este é o ensino. Agora eu diria: ‘a única maneira de ensinar é aprendendo’, e essa afirmação valeria tanto para o aluno como para o professor. Não concebo que um professor possa ensinar sem que ele também esteja aprendendo: para que ele possa ensinar, é preciso que ele tenha de aprender. (Freire, 1985, p.46).

 

Segundo o autor o professor tem como dever, conhecer o histórico cultural do seu aluno, proporcionando a eles estratégias de ensino e colocando as metodologias ativas em evidências, fazendo com que seu aluno se torne o protagonista juntamente com o professor e seus pares.

 

 

Metodologias Híbrida

 

O termo “metodologia híbrida” vem da expressão inglesa “blended learning” e se refere a cursos que conciliam algumas características da EAD. Essa modalidade surgiu para oferecer ao estudante uma forma de complementar seus estudos, contribuindo para o conhecimento junto ao mercado de trabalho que vem se tornando cada vez mais exigente.

Esta metodologia é utilizada com os alunos no presencial e nas aulas à distância onde os alunos realizam atividades individuais e presenciais, uma complementando a outra abrindo caminho para abordagens diversificadas, algumas das quais com um forte cunho na promoção de uma aprendizagem significativa.

Segundo (Moran 2015. p. 27-45.

 

Nesse sentido: considera que: a educação sempre foi misturada, híbrida, sempre combinou vários espaços, tempos, atividades, metodologias, públicos. Esse processo, agora, com a mobilidade e a conectividade, é muito mais perceptível, amplo e profundo: é um ecossistema mais aberto e criativo.

 

Todo esse ecossistema precisa ser visitado, trazendo benefícios para toda comunidade escola modificando formas de aprender, saindo um pouco do modelo tradicional, e dando mais visibilidade para os alunos professores em busca de uma integração de conhecimentos e oportunidades,

 

 

Considerações Finais

 

Logo, os autores Froebel e outros foram fundamentais para o avanço das metodologias ativas ao longo dos anos. Seus estudos e contribuições pioneiras ajudaram a estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento de práticas educacionais mais dinâmicas e participativas. A compreensão de que o aprendizado ocorre de forma mais efetiva quando os alunos são ativos, criativos e envolvidos em sua própria aprendizagem foi um marco importante promovido por esses autores.

Ao longo do tempo, avanços adicionais foram feitos na área das metodologias ativas por outros teóricos e educadores, resultando no surgimento de abordagens mais multifacetadas e adaptáveis. A metodologia híbrida, por exemplo, é um reflexo desse avanço, combinando aspectos de diferentes métodos de ensino para melhor atender às necessidades dos alunos. Essa abordagem combina elementos das metodologias tradicionais, como aulas expositivas, com técnicas mais participativas e interativas.

Em resumo, a contribuição dos autores Froebel e outros na promoção das metodologias ativas foi crucial para a evolução das práticas pedagógicas ao longo dos anos. Seus estudos e ideias inovadoras abriram caminho para o desenvolvimento de abordagens educacionais mais efetivas, que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem. A metodologia híbrida, resultado desse avanço, representa uma evolução adicional, ao combinar o melhor de diferentes metodologias para potencializar a experiência educacional dos estudantes.

 

 

Referências

 

Campos, Rafaely Karolynne do Nascimento. (2015) PEREIRA, Ana Lúcia da Silva. Primeiras iniciativas de educação da infância brasileira: uma abordagem histórica (1870 - 1940), EDUCERE – XII Congresso Nacional de Educação, p. 27797 – 27806, 2015.

 

Dewey, John. (1959). Como pensamos: Companhia Editora Nacional.

 

Freire, Paulo (1985). Por uma Pedagogia da Pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

 

MORAN, Edgar. (2025) Educação híbrida: um conceito-chave para a educação, hoje. In: BACICH, Lilian; TANZI NETO, Adolfo; TREVISANI, Fernando de M. Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação. São Paulo: Penso Editora Ltda.odo documento utilizado e citado no trabalho deve constar na lista de referências.

 

 

[1] Graduada em Pedagogia, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

[2] Graduada em Pedagogia. Especialista em Educação Infantil e Anos iniciais. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

[3] Graduada em Pedagogia, Especialista em Alfabetização e Letramento. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.