Práticas vivenciadas nas primeiras turmas de berçário em Tangará da Serra MT: Breve estudo nos C.M.E. Luiz Simões Matias e C.M.E.I Professor Sebastião Rodrigues dos Santos
Elenita Janaína Martins Pereira
Regina Rodrigues da Silva
RESUMO
O objetivo deste estudo trata-se da observação e intervenção em ambiente escolar na educação Infantil, em especial nas turmas de berçário no que diz respeito à estrutura física, a administração, a organização do espaço para as atividades pedagógicas, planejamento e metodologia adotada para a prática docente. O estudo foi realizado em berçários, constituído por 12 bebês, com idades entre 4 e 11 meses, e as educadoras responsáveis pelas turmas. Relacionando a teoria e a prática, nas dificuldades em ofertar algo novo para a sociedade. Podemos também perceber a importância de elaborar atividades significativas e possibilitar as crianças a interação, a aprendizagem, o estímulo se tratando de crianças pequenas sendo necessário um professor criativo, afetivo, dinâmico que respeite as individualidades de cada criança.
Palavras-chave: Estimulação. Bebê. Berçário.
INTRODUÇÃO
Atualmente, é possível observar um número cada vez maior de crianças, desde a mais tenra idade, matriculados na educação infantil em instituições públicas, até meados de outubro de 2021 a educação infantil em Tangará da Serra município situado a 240 km da capital do Mato Grosso Cuiabá, não ofertava a modalidade Berçário, inaugurando assim no Centro Municipal de Ensino Infantil Luís Simões Matias, e mais tarde na instituição de ensino C.M.E.I Professor Sebastião Rodrigues dos Santos. Para tal pesquisa foi necessário embasar em alguns autores para compreender a importância o que é o cuidado com os bebês dessa faixa etária.
O berçário geralmente oferta para crianças a partir de quatro meses a um ano, hoje, faz parte do ensino infantil. A principal função do berçário é o cuidado adequado com crianças na ausência dos pais. Mas é função e muito importante também que o berçário estimule o desenvolvimento motor da criança com atividades apropriadas para cada idade. Como nesta fase a criança ainda não entende o motivo pelos quais é separado temporariamente de sua família, é importante que o berçário seja um local seguro, confortável e aconchegante para as crianças.
A qualificação e a preparação da equipe são responsáveis pelos pequeninos é outro quesito fundamental para o desenvolvimento saudável. Geralmente, os pequenos veem nos profissionais, uma segunda família e que deve inspirar não só confiança, mas também muito carinho e amor. Os cuidados na preparação do alimento também é prioridade já que há mais riscos de intoxicações é maior nessa fase, desta forma tem um profissional exclusivo para essa preparação no qual chamamos de lactarista.
Esse estudo traz a vivência os desafios em ofertar algo totalmente novo desconhecido para a sociedade, trazendo depoimentos das professoras de ambos os centros de ensino. O acompanhamento das atividades e da nossa própria ação docente foi feito através de registro escrito em diário de campo, de fotos e vídeos. Os resultados da observação e atuação da vivência estão contidos neste artigo que propõe discorrer sobre a experiência contida no período de observação e atuação no berçário. Por fim analisaremos o trabalho feito, como contribui para a nossa formação enquanto docentes ampliando nosso conhecimento e como encaramos e analisamos os dados.
A IMPORTÂNCIA DO BERÇÁRIO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A estimulação psicomotora, social e afetiva é de suma importância para o desenvolvimento integral das crianças no berçário e durante a Educação Infantil. O bebê conhece o mundo através de suas percepções e movimentos, e progressivamente vai adquirindo habilidades, passando de um estágio de sensações à construção de uma vida psíquica elaborada, com a potencialização dos estímulos.
A interação face a face entre indivíduos particulares desempenha um papel fundamental na construção do ser humano; é por meio da relação interpessoal concreta com outros homens que o indivíduo vai chegar a interiorizar as formas culturalmente de funcionamento psicológico. Portanto, social ... fornece a matéria-prima para o desenvolvimento psicológico do indivíduo (OLIVEIRA, 2006, p. 39).
Na fase do Berçário, os bebês manifestam suas emoções através de movimento, mímicas, códigos visuais e sinais e passam por diversas transformações motoras, que preparam para obter uma boa postura e sustentação durante os primeiros passos. Com isso, a prática da estimulação psicomotora, dos cuidados e das experiências interativas, intencionalmente produzidas e intermediadas pelos responsáveis na escola, tem grande importância nos vínculos afetivos e no amadurecimento neuropsicomotor do bebê no futuro. Wallon (1986) também atribui à criança uma competência social desde o nascimento, quando suas ações são basicamente emocionais. Ele afirma que as crianças são seres totalmente influenciados através dos quais garantem sua sobrevivência nas relações interindividuais.
Toda experiência precoce é fundamental para a criação de uma base psicomotora, onde ele desenvolve sua independência, autonomia e maturidade socioemocional. No contexto escolar e que é a criança que modifica e constrói suas experiências de acordo com os estímulos que ela recebe, desta forma é de suma importância que os bebês sejam estimulados pois colabora com o desenvolvimento do bebê. A criança é reconhecida como um valor estimado um ser humano integral, não mais como uma promessa de futuro. “A criança passa a ser desejada, amada, consultada”, afirma Belloni (2009).
ASPECTOS METODOLÓGICOS DA VIVÊNCIA NO BERÇÁRIO
Dentro dos meses trabalhados no berçário do CMEI Professor Sebastião Rodrigues dos Santos a primeira turma deste centro no ano de 2022, a dificuldade de um trabalho que atendesse a necessidade da criança esbarrou-se no oferecimento de recursos, pois os materiais pedagógicos que demandava para essa faixa etária sendo essencial a produção baseada enfaticamente na estimulação. É sabido que o professor deve promover a estimulação de diferentes formas mesmo que seja de crianças bem pequenas. De acordo com Gonçalves (2014, p25)
A estimulação psicomotora na Educação Infantil tem, então, por objetivo a utilização do corpo como via de comunicação com o mundo, para colocar a criança em situações de exploração e experimentação concretas, apropriando-se e resgatando sua memória motora cognitiva, emocional e social.
Buscamos desenvolver atividades de forma prazerosas que despertem a curiosidade dos bebês algo que incitem. A estimulação à aprendizagem deve iniciar a partir do nascimento, pela família, ou por quem quer que esteja encarregado dos cuidados da criança, para lhe garantir um aprendizado saudável e prazeroso.
Menciona Oliveira (2012, p. 82-83)
O espaço oferece ainda oportunidade para o desenvolvimento artístico da criança, pois a coloca diante de diferentes texturas, cores formas sons aromas e gostos, elementos significantes na construção de sentidos variados em relação a experiência sensorial e estética.
Em relação a metodologia utilizadas pelas educadoras estas responderam, professora da turma A corresponde ao CME Luiz Simões Matias, “ela é realizada de modo sempre a estimular a potencialidade nas crianças, no qual se envolve muito carinho, música, histórias, cantigas de roda, brinquedos de diferentes texturas, brincar heurístico, que incentivam o aspecto motor, cognitivo, afetivo e social, pois sabemos que um bebê estimulado de forma consciente e adequado se adapta com maior facilidade ao mundo que o cerca e o indispensável sempre zelando pelo bem-estar da criança”. Segundo Vitta (2004), “as profissionais de berçários devem assumir um duplo papel: o de quem cuida das crianças e o de educadora, que contribui ativamente para seu desenvolvimento global”.
A professora da turma B corresponde ao CMEI Professor Sebastião Rodrigues dos Santos, expõe sua visão de como é ser educadora do berçário “O nosso objetivo com a turma do berçário é oferecer cuidado com muito amor, respeitando a individualidade e dá a oportunidade de conhecer o mundo através de experiências sensoriais, tivemos uma adaptação afetiva, onde oferecemos aos pequenos muito colo e carinho, procurando fazer essa adaptação de forma menos dolorosa e mais tranquila possível tanto para as crianças quanto para a família, onde algumas, se mostravam bem inseguras em confiar seus bebês a outras pessoas, mas com muito amor, carinho e paciência conseguimos criar um elo afetivo tanto com as crianças quantos com os pais.
Depois do período de adaptação começamos a estimulá-los com atividades sensoriais, cantigas, histórias, proporcionando a eles desenvolvimento e descobertas, onde pudemos observar o encantamento dos pequenos em cada momento. Com os bebês podemos perceber de forma mais forte como o ato de educar está intrínseco em todos os momentos de cuidado, ao conversar com eles mostrando o quanto é importante a troca das fraldas, do banho, ao oferecer os alimentos, do acalento com músicas, histórias em cada um estamos proporcionando a eles explorar e avançar no seu desenvolvimento, estamos vivenciando momentos incríveis”. Por isso é de suma importância que as profissionais que atuam no berçário tenham um conhecimento maior sobre o desenvolvimento infantil, que é um dos fatores que determina a qualidade do atendimento à criança. Por isso a desmistificação do pensamento que educadores de berçário vai além de apenas trocar fraldas, dar banho, alimentar e colocar para dormir.
O aspecto físico e o ambiente social do berçário: CME Luiz Simões Matias
O berçário do C.M.E. Luiz Simões Matias representa um marco importante na expansão da Educação Infantil no município de Tangará da Serra, tanto por seu pioneirismo, por ser o primeiro berçário implantado nos CMEIs do município, quanto pela qualidade do ambiente físico e social que oferece aos bebês. Desde sua abertura, em 11 de outubro de 2021, a instituição se organiza para garantir um espaço seguro, acolhedor e pedagogicamente intencional, em consonância com o Projeto Político Pedagógico (PPP), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI, 2009).
Sua implantação respondeu a uma crescente demanda social por espaços educativos destinados a crianças a partir de seis meses de idade, apoiando famílias trabalhadoras, em especial mães solo, e atendendo às metas do Plano Nacional de Educação (PNE) relacionadas à ampliação do atendimento às crianças de 0 a 3 anos. Assim, o berçário se consolida como um espaço de direito, cuidado e desenvolvimento integral. O ambiente físico foi planejado para garantir segurança, conforto e estímulos adequados aos bebês em pleno desenvolvimento sensório-motor.
A sala de atividades apresenta tapetes macios, espelhos, brinquedos pedagógicos e materiais não estruturados que favorecem a exploração e a autonomia. O cantinho de repouso, com berços individualizados, respeita os ritmos de sono de cada bebê, conforme orientam o PPP as DCNEI. O espaço de alimentação, conduzido por lactarista capacitada, assegura uma rotina tranquila e afetiva, e o fraldário segue normas sanitárias, reafirmando a indissociabilidade entre educar e cuidar, princípio defendido por Kramer.
As fotografias que registram o cotidiano revelam um espaço limpo, organizado, iluminado e acolhedor, em consonância com a concepção de Loris Malaguzzi, que compreende o ambiente como educador capaz de comunicar, provocar e ensinar pela forma como se apresenta. O espaço externo do CME amplia ainda mais as oportunidades de aprendizagem, oferecendo contato com a natureza, exploração tátil e visual, além de deslocamentos assistidos que fortalecem a motricidade.
Essas vivências dialogam com Wallon, que destaca o movimento como elemento estruturante do desenvolvimento infantil. No aspecto social, o berçário se caracteriza por relações afetivas e interações de qualidade, consideradas essenciais para o desenvolvimento humano segundo Vygotsky. Desde a implantação, a equipe formada pela professora Marlede Alves de Almeida, duas auxiliares e a lactarista Salete Maria Campelo construiu um ambiente de acolhimento e estabilidade emocional. Posteriormente, outras profissionais contribuíram para esse processo, como a lactarista interina Valéria Silva de Carvalho e a lactarista efetiva Catiele Moreira da Silva.
A criação de vínculos seguros, a previsibilidade das rotinas, é indissociável o cuidar e o educar, o olhar atento ao bem-estar das crianças constitui elementos reconhecidos por Campos como indicadores de qualidade na Educação Infantil. As práticas pedagógicas observadas evidenciam um trabalho fundamentado na exploração, na sensorialidade e no brincar livre, elementos centrais da aprendizagem na primeira infância. Atividades heurísticas com materiais naturais, cestos de tesouros, brincadeiras no tapete, vivências com espelho, estímulos motores como rolar, engatinhar e dar os primeiros passos, além de momentos de leitura e acolhimento, integram o cotidiano do berçário.
Tais experiências estão alinhadas à BNCC, que estabelece o brincar e as interações como eixos estruturantes da Educação Infantil, e ao pensamento vygotskiano, que defende que o desenvolvimento ocorre nas relações mediadas por adultos sensíveis e ambientes intencionais. Dessa forma, o berçário do CME Luiz Simões Matias se consolida como um ambiente planejado e comprometido com o desenvolvimento integral dos bebês. Os espaços físico e social favorecem segurança, exploração e afetividade; as práticas pedagógicas valorizam o tempo e o modo de ser da infância; e a equipe demonstra competência, sensibilidade e responsabilidade. Assim, o berçário se torna um marco para a Educação Infantil de Tangará da Serra, promovendo dignidade, humanização, cuidado e experiências fundamentais nos primeiros anos de vida.
O aspecto físico e o ambiente social do berçário: CMEI Sebastião Rodrigues dos Santos
O espaço físico da sala do berçário do CMEI é amplo e ventilado. Situado em uma sala estratégica perto do lactário onde é produzida toda a alimentação das crianças, dentro da sala possui um local para o banho e troca de fralda das crianças, vários berços espalhados no canto do soninho com iluminação apropriada para atender a necessidade da criança, o chão é coberto por tatames sendo também o espaço onde o grupo se concentra durante as atividades dirigidas pelas educadoras, é necessário que para a proteção dos bebês todos que entrem na sala do berçário retire o calçado.
Na parede possui um painel com diferentes texturas, com vários brinquedos espalhados pelo chão uma piscina de bolinhas, a sala ainda não possui espelho e ainda não possui barra de ferro aderida à parede próximo ao chão a proposta é que já foi solicitado em breve serão instalados na sala. A sala possui vários nichos de mármore para ajudar na organização da sala, nestes também são guardados dentro do banheiro, lençóis, capas de travesseiro, pomadas, lenços umedecidos. As mamadeiras, copos para água, copo para o suco, vasilhas para as refeições concentra-se no lactário para que possa ser higienizada diariamente. Atendendo 12 crianças sendo 4 meninas e 8 meninos no turno matutino, e no período vespertino 5 meninas e 7 meninos totalizando 12 crianças. As práticas desenvolvidas devem a partir dos planejamentos e as intervenções que se acharem necessárias para melhor aproveitamento do conhecimento.
Segundo Ortiz (2007, p. 12), “o professor que atende bebês e crianças pequenas precisam comprometer-se com o bem-estar e o desenvolvimento integral das crianças e com a qualidade do que apresenta a ela, fazendo uma relação indissociável entre educar e cuidar”. As crianças de ambos os períodos têm todo o tempo cronometrado com horários expostos em uma planilha contida no planejamento semanal e disponível na sala para possível consulta, para facilitar a ordem de cada refeição e o que será trabalhado no dia, sendo assim a primeiro momento o acolhimento em seguida a mamadeira logo após a papinha de fruta a atividade de estimulação preparada para aquele dia, em seguida o almoço ou jantar, logo após a higienização de cada criança, o momento do descanso.
Relato do desenvolvimento das atividades de estimulação
As atividades desenvolvidas ao longo desses meses eram cuidadosamente elaboradas para potencializar nas crianças o desenvolvimento psicomotor. As atividades envolveram diferentes texturas, pintura com tinta de elementos da natureza bem como beterraba, cenoura, açafrão, colorau, etc, aprender sobre as cores, histórias lúdicas com fantoches entre outras. Elas eram desenvolvidas a cada dia. Destacamos algumas como painel com diferentes texturas, algumas crianças eram colocadas de frente com o painel a medida que as outras olhavam despertavam o interesse assim elas saiam engatinhando para explorar o painel (imagem 1). O painel não é usado de forma alguma apenas para entreter e sim para desenvolver competências, estimulando a atenção, concentração, exploração tátil e coordenação motora fina.
Imagem 1 arquivo pessoal
A proposta do painel é de extrema importância, pois ela escolhe qual textura vão manusear. Está acessível no momento que a criança deseja, ficando fixado bem próximo ao chão, de forma segura que potencialize a autonomia do bebê.
Imagem 2 arquivo pessoal
Essa atividade utilizamos várias bexigas para chamar a atenção da criança colocamos no barbante para adquirirmos uma altura desejada amaramos com linha como mostra a imagem 3, com isso a criança tentava pegar a bexiga estimulando (visão, tato), a coordenação motora grossa e fina, a consciência corporal bem como o equilíbrio.
Imagem 3 arquivo pessoal
Destacamos a importância da atividade de estimulação para cada fase de aprendizado do bebê para que possa estimular ainda mais seu desenvolvimento e sua autonomia. Vale ressaltar que cada atividade citada nesse estudo foi realizada com os 12 bebês e algumas sendo necessário a estimulação individual.
Imagem 4 arquivo pessoal
Essa atividade como demonstra imagem 4 consistiu na preparação de caixas encapadas com papel camurça branco, onde seriam utilizadas como telas de pinturas, as tintas foram de elementos da natureza como beterraba, cenoura, açafrão e colorau. As crianças se divertiram e ao mesmo tempo desenvolveram a coordenação motora fina com o ato de esfregar, bater, apertar, espalhar e também a coordenação motora ampla, braço, ombro, tronco.
Durante o período desenvolvemos diversas experiências pedagógicas com a turma do berçário, implementando atividades heurísticas e práticas sensoriais essenciais para o desenvolvimento integral dos bebês. As atividades heurísticas foram planejadas a partir da oferta intencional de objetos simples, naturais e variados, como pedaços de madeira, tecidos, esponjas, folhas e utensílios do cotidiano. Esses materiais foram organizados em um ambiente seguro e acolhedor para que os bebês pudessem explorá-los livremente. Ao longo das vivências observamos que essa liberdade de manipulação permitiu que as crianças descobrissem texturas, formas, pesos e sons por meio do toque, da investigação e da curiosidade espontânea.
Percebemos avanços significativos no desenvolvimento sensorial e motor, além de maior concentração, criatividade, iniciativa e autonomia. O papel do educador consistiu em atuar como mediador silencioso, preparando o espaço, garantindo a segurança e observando cada descoberta. Organizamos o brincar heurístico em três modalidades principais. O Cesto dos Tesouros, destinado aos bebês que já se sentam, possibilitou a exploração sensorial de objetos variados.
Imagem 5 arquivo pessoal
A Bandeja de Experimentação como na imagem 5 permitiu uma exploração mais concentrada e detalhada. Essas modalidades dialogam com os autores Lev Vygotsky e Jean Piaget que evidenciam o papel da exploração, da ação e do protagonismo na construção do conhecimento. Também desenvolvemos atividades sensoriais que estimularam os sentidos e fortaleceram habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais.
Os bebês exploraram diferentes texturas, como tapetes sensoriais, algodão, papéis diversos, farinhas, terra e macarrão cru. Realizamos pinturas com tintas naturais, como a de beterraba, ampliando a criatividade e a coordenação olho mão. As brincadeiras com água proporcionaram experiências visuais e táteis que promoveram relaxamento e experimentação. As cantigas, instrumentos simples e chocalhos favoreceram o desenvolvimento auditivo e comunicacional, conforme defende Henri Wallon, que destaca o papel da música, do vínculo e do afeto para a segurança emocional e o desenvolvimento global.
Oferecemos ainda objetos adequados para exploração oral segura, sempre sob supervisão, respeitando a necessidade dos bebês de explorar o mundo com todos os sentidos, como orientam as abordagens de Pikler que enfatizam a importância do respeito à autonomia e ao ritmo individual. Entre as experiências desenvolvidas, o Cesto do Tesouro destacou-se pela riqueza sensorial e pela variedade de descobertas.
Utilizamos uma cesta com objetos naturais e seguros, como conchas, rolhas, chaves, esponjas, tecidos, potes metálicos e pedaços de madeira. Observamos que os bebês se interessaram por diferentes texturas e sons, manipulando, batendo, sacudindo e observando cada objeto com atenção.
John Dewey e Rebeca Wild reforçam que a aprendizagem significativa ocorre quando a criança experimenta, vivencia e constrói conhecimento a partir da interação com o meio. Assim, as atividades heurísticas e sensoriais desenvolvidas no berçário demonstraram ser práticas eficazes e indispensáveis para o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social dos bebês. Reforçamos a importância de dar continuidade e sistematização a essas práticas na Educação Infantil, garantindo experiências ricas, investigativas e alinhadas ao protagonismo das crianças, respeitando suas necessidades e potencialidades em cada etapa do desenvolvimento.
Considerações finais
Durante o período analisado, foram desenvolvidas diversas experiências pedagógicas com as turmas do berçário, com ênfase na introdução de atividades heurísticas como estratégia fundamental para a promoção do desenvolvimento integral dos bebês. As atividades realizadas buscaram criar oportunidades para que os bebês manipulassem materiais variados, explorassem texturas, pesos, tamanhos e sons.
As práticas heurísticas se baseiam na exploração ativa, na autonomia motora e cognitiva e na interação com objetos do cotidiano e elementos da natureza. A intencionalidade com essas propostas seriam deixar a criança livre para através da espontaneidade potencializar a aprendizagem e descoberta do bebê. Além disso, as propostas também se aproximam das ideias de Vygotsky (1998), ao enfatizar que a exploração e a interação social constituem bases para a aprendizagem significativa dos bebês, sobretudo quando mediadas por um adulto sensível às necessidades individuais.
É extremamente importante destacar que para ser profissional da Educação Infantil e principalmente de bebês nessa faixa etária, precisam oferecer um ambiente seguro acolhedor, estimulante, ser criativo, paciente. As propostas apresentadas aos bebês foram de fácil manipulação. Desta forma compreendemos com esse estudo a importância da criança inserida no berçário ele promove o desenvolvimento de habilidades motoras, a comunicação, o início da socialização e principalmente o desenvolvimento da autonomia. O berçário é um ambiente riquíssimo, potencializador na aprendizagem dos bebês, sendo assim faz se necessário dar continuidade nas etapas seguintes.
Os bebês aprendem diariamente, e tem sua própria linguagem e forma de ver o mundo. Em síntese, conclui-se que os berçários analisados configuram ambientes potentes de desenvolvimento e aprendizagem, ainda que desafiados por demandas estruturais e formativas. A continuidade dos estudos e dos investimentos nesse campo torna-se fundamental para garantir o aprimoramento das práticas docentes e a consolidação da Educação Infantil como etapa essencial para o desenvolvimento humano.
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