A contação de história e suas contribuições para o desenvolvimento infantil

Taciane Giovana Ribeiro

Taís Eduarda Ribeiro

 

DOI: 10.5281/zenodo.23068476

 

 

RESUMO

O presente artigo tem como finalidade discorrer sobre a importância da contação de histórias para o desenvolvimento infantil. Essa prática proporciona experiências ricas e significativas, contribuindo, especialmente na Educação Infantil, para a ampliação do repertório cultural, o desenvolvimento da oralidade, da imaginação, da criatividade, da socialização e da construção de conhecimentos. Este estudo tem como objetivo apresentar as contribuições dessa prática para o desenvolvimento integral da criança, ressaltando sua relevância no contexto educacional. Para tanto, aborda-se um breve percurso histórico da contação de histórias, desde a tradição oral presente nas sociedades antigas, por meio da qual conhecimentos, valores e costumes eram transmitidos entre gerações, até sua presença na contemporaneidade. Também são apresentados os benefícios das narrativas durante a infância, como a ampliação do vocabulário, o aprimoramento da oralidade, da atenção e da memória, o estímulo à imaginação e à criatividade, além do interesse pela leitura e da construção da escrita. O estudo destaca, ainda, a relevância dessa atividade na Educação Infantil e o papel fundamental do professor na organização de momentos acolhedores, prazerosos e significativos de contato com as narrativas. Nesse processo, é essencial considerar a escolha adequada dos livros, a preparação de um ambiente favorável e a utilização de diferentes recursos que tornem a experiência mais envolvente e lúdica. Dessa maneira, conclui-se que a contação de histórias ultrapassa a simples narrativa, constituindo-se como uma importante ferramenta pedagógica, capaz de estimular diferentes dimensões do desenvolvimento infantil e favorecer aprendizagens amplas, significativas e duradouras desde os primeiros anos de vida também.

 

Palavra-chave: Contação de histórias. Desenvolvimento infantil. Educação Infantil. Leitura. Aprendizagem.

 

 

Introdução

 

A contação de histórias existe desde os primórdios, fazendo parte da cultura de toda a humanidade há muitos e muitos anos. Assim que a sociedade começou a se formar, as pessoas já se reuniam em rodas, compartilhando conhecimentos umas com as outras por meio da oralidade.

Com o passar do tempo, foi se alterando o modo pelo qual acontecem os momentos de contação de histórias, porém, alguns costumes permaneceram, como a narrativa realizada oralmente. Dessa forma, a contação de histórias também pode contar com recursos visuais, físicos e com a presença da linguagem escrita, como livros, panos e adereços.

Nesse contexto, quando trazemos a contação de histórias para o ambiente infantil, podemos analisar a riqueza de benefícios proporcionados pelo contato com o mundo imaginário e com a linguagem escrita, que começa a ser construído desde a primeira infância, momento em que as narrativas possuem grande importância para o desenvolvimento infantil. Como podemos observar, segundo Abramovich:

 

“O primeiro contato da criança com um texto é feito, em geral, oralmente. É pela voz da mãe e do pai, contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas tendo a gente como personagem, narrativas de quando eles eram crianças e tanta, tanta coisa mais... Contadas durante o dia, numa tarde de chuva ou à noite, antes de dormir, preparando para o sono gostoso e reparador, embalado por uma voz amada... É poder rir, sorrir, gargalhar com as situações vividas pelos personagens, com a ideia do conto ou com o jeito de escrever de um autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de gozação” (ABRAMOVICH, 2001, p.16-17).

 

Considerando esses aspectos, podemos observar que a contação de histórias contribui positivamente para o desenvolvimento infantil, proporcionando à criança momentos de aprendizagem, imaginação, criatividade e descobertas. Além disso, o contato com as histórias proporciona o amadurecimento emocional. Segundo Sisto:

 

Ao ouvir uma história, as crianças (e o leitor em geral) vivenciam no plano psicológico as ações, os problemas, os conflitos dessa história.Essa vivência por empréstimo, a experimentação de modelos de ações e soluções apresentadas na história fazem aumentar consideravelmente o repertório de conhecimento da criança, sobre si e sobre o mundo. E tudo isso ajuda a formar a personalidade! (SISTO, 2010, p.1)

 

Diante das diversas contribuições proporcionadas pela contação de histórias para o desenvolvimento infantil, podemos observar a relevância de sua presença no ambiente escolar e do papel mediador do professor nesse processo, principalmente porque é por meio dele que muitas crianças começam a ter contato com o livro, a linguagem escrita e a contação de histórias. Assim, é necessário que o momento da história seja preparado, buscando trazer ludicidade e encanto para a criança. Abramovich apresenta algumas considerações sobre como esse momento pode ser preparado:

 

Ah, é bom saber começar o momento da contação, talvez do melhor jeito que as histórias sempre começaram, através da senha mágica “Era uma vez...”, ou qualquer outra forma que agrade ao contador e aos ouvintes... Ah, e segurar o escutador desde o início, pois se ele se desinteressa de cara, não vai ser na metade ou quase no finalzinho que vai mergulhar... Ah, não precisa ter pressa em acabar, ao contrário, ir curtindo o ritmo e tempo que cada narrativa pede e até exige... E é bom saber dizer que a história acabou de um jeito especial: “Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra...” Ou com outro refrão que faça parte do jogo cúmplice entre a criança e o narrador... (ABRAMOVICH, 2001, p.21-22).

 

Portanto, o presente artigo possui a finalidade de refletir sobre a presença da contação de histórias na vida das crianças, seus benefícios e o papel do professor nesse momento tão rico para o desenvolvimento infantil, principalmente no que se refere ao desenvolvimento da oralidade, da imaginação e do interesse pela leitura e pela escrita.

 

 

Breve relato da contação de história

 

O processo da escrita não nasce como algo natural do ser humano; foi um processo histórico que passou por transformação por toda a evolução humana. Entretanto, antes mesmo do desenvolvimento da escrita, a fala e a oralidade já desempenhavam um papel fundamental na comunicação humana. Desde os primórdios, a humanidade já tentava se comunicar através de gestos e sons e buscava perpetuar a sua cultura e ensinamentos através das palavras e por meio da contação de história.

De acordo com Coelho (2009, p. 3), na pré-história, o homem passou a utilizar a sua inteligência e a buscar maneiras de se comunicar e de registrar sua fala e acontecimentos cotidianos que faziam parte da sua realidade na época em algo durável e concreto através do escrito, como podemos ver na arte rupestre. Essa escrita, com o tempo, foi sendo reorganizada, evoluindo para o que conhecemos hoje, passando de desenhos artísticos feitos com pedras, tabuinhas de argila, peles de animais e diversos materiais extraídos da natureza, para o sistema de escrita com letras e formação de palavras.

Dessa forma, o conhecimento de mundo que permeava todo o cotidiano, descoberto e apreendido por meio das vivências em sociedade, era transmitido pelas pessoas sábias, em rodas de conversa que faziam parte da rotina das pessoas daquela época. Foi assim que lendas, costumes, ensinamentos, cantigas e receitas foram transmitidos de geração em geração, o que nos faz refletir sobre a importância desse processo para a evolução e o desenvolvimento da sociedade.

Com o passar do tempo, a chegada do livro físico impresso trouxe uma nova possibilidade de registro e transmissão desses conhecimentos. A escrita não substituiu a contação de histórias realizada por meio da oralidade, mas passou a fazer parte desse processo, possibilitando que histórias, conhecimentos e ensinamentos, que antes eram compartilhados principalmente pela fala, também fossem registrados por meio das palavras escritas e preservados nos livros.

Posteriormente, já na atualidade, com a chegada da Era Digital, podemos notar que esse costume tão rico das sociedades antigas, relacionado ao hábito da leitura e ao contato com o livro físico, acabou se perdendo gradativamente. Embora as novas tecnologias possam, quando bem utilizadas e exploradas, beneficiar e ampliar as experiências de aprendizagem, percebe-se que o contato com os livros físicos e o hábito da leitura vêm sendo deixados de lado, o que afeta a oralidade e a escrita, prejudicando o processo de desenvolvimento da alfabetização e letramento.

 

 

Os benefícios da contação de histórias na Educação Infantil

 

Um dos benefícios do contato com a contação de história, desde a primeira infância, pode ser observado no enriquecimento e desenvolvimento da linguagem. Através das narrativas, a criança se encanta, explorando o mundo mágico da imaginação e criatividade. Assim, como a autora Rigliski:

 

“as histórias são verdadeiras fontes de sabedoria, que têm papel formador da identidade. Há pouco tempo, elas foram redescobertas como fonte de conhecimento de vida, tornando-se também um grande recurso para educadores. Com o advento da comunicação, ampliação dos seus recursos e a globalização das informações, a linguagem falada tende a definhar, porém, concomitante a esse desenvolvimento, surgiu uma necessidade de resgatar os valores tradicionais e a própria natureza humana. A tradição oral dos contos, não só não reapareceu, como está ganhando força nos últimos tempos” (BUSATTO, 2006, p.21apud RIGLISKI, 2012 p.5).

 

Rigliski também destaca que:

 

“o principal objetivo em contar uma história é divertir, estimulando a imaginação, já que devido a seu aspecto lúdico se trabalhar com as emoções como medo tristeza, raiva, alegria, espanto, pavor, insegurança, tranquilidade, saudade e lembranças”. (RIGLISKI, 2012, p.6).

 

Com isso, podemos destacar que a escuta de história proporciona o contato com o lúdico que torna a aprendizagem mais significativa e encantadora. Dessa forma, quando a criança participa desses momentos tão ricos ela aprende a prestar atenção na sequência dos acontecimentos e a identificar relações entre personagens, acontecimentos e cenário. Além disso, existem diversos benefícios encontrados na contação de história, conforme Tahan (1957):

 

a. Expansão da linguagem infantil - enriquecendo o vocabulário e facilitando aexpressão e a articulação;

b. Estímulo à inteligência - desenvolvendo o poder criador do pensamento infantil;

c. Aquisição de conhecimentos – alargando os horizontes e ampliando as experiências da criança;

d. Socialização – identificando a criança com o grupo e ambiente, levando – a estabelecer associações, por analogia, entre o que ouve e o que conhece;

e. Revelação das diferenças individuais - facilitando à professora o conhecimento de características predominantes em seus alunos, evidenciadas através das reações provocadas pelas narrativas;

f. Formação de hábito e atitudes sociais e morais - através da imitação de bons exemplos e situações decorrentes das histórias, estimulando bons sentimentos na criança e incitando –a na vida moral;

g. Cultivo da sensibilidade e da imaginação - condição essencial ao desenvolvimento da criança;

h. Cultivo da memória e da atenção – ensinando a criança a agir e preparando – a para a vida;

i. Interesse pela leitura - familiarizando a criança com os livros e histórias, despertamos, para o futuro, esse interesse tão necessário. (TAHAN, 1957, p.21apud RIGLISKI, 2012 p.10)

 

Dessa forma, podemos identificar quão enriquecedora é a contação de histórias para o desenvolvimento da criança. Portanto, é necessário ter cuidado ao proporcionar esse momento, mantendo um olhar atento para a escolha da história e para o preparo do ambiente, de modo que seja proveitoso e construtivo, acolhendo-a em um momento prazeroso e lúdico. Abramovich (2001, p. 16) destaca:

 

Ouvir histórias é viver um momento de gostosuras, de prazer, de divertimento dos melhores... É encantamento, maravilhamento, sedução... O livro da criança que ainda não lê é a história contada. E ela é (ou pode ser) ampliadora de referenciais, postura colocada, inquietude provocada, emoção deflagrada, suspense a ser resolvido, torcida desenfreada, saudades sentidas, lembranças ressuscitadas, caminhos novos apontados, sorriso gargalhado, belezuras desfrutadas e as mil maravilhas mais que a história provoca... (desde que seja boa). Contar histórias é uma arte... e tão linda!!! É ela que equilibra o que é ouvido com o que é sentido, e por isso não é nem remotamente declamação ou teatro... Ela é o uso simples e harmônico da voz.

 

A partir dessa perspectiva, podemos concluir que a contação de histórias abre portas fundamentais para a formação e desenvolvimento da criança, sendo importante para o enriquecimento da linguagem, o estímulo à imaginação e à criatividade, o desenvolvimento da atenção e da memória, além de favorecer a socialização e o interesse pela leitura. Por meio das narrativas, a criança tem a oportunidade de conhecer diferentes realidades, vivenciar sentimentos e emoções, ampliar seus conhecimentos e construir novos significados a partir de suas experiências. Portanto, se torna visível a relevância de incentivarmos a leitura no cotidiano das crianças, tornando-a como diária da sua rotina.

 

 

A importância da prática narrativa na Educação Infantil

 

Na Educação Infantil, as crianças estão em um importante período de desenvolvimento da oralidade, que ocorre principalmente por meio das interações com o meio em que estão inseridas. O professor é aquele que orienta e media esse processo, criando oportunidades para que as crianças possam se expressar, conversar, ouvir, falar, pensar, sentir e compartilhar experiências. Segundo Silva (apud Lemos, 2009):

 

Inicialmente, o professor-contador de histórias detém o poder do saber e de organizar em objetivos em estratégias, definindo o que, como, quando e onde contar. Na segunda etapa, o sujeito da ação é o aluno e não mais o professor. Por mais que os comandos sejam os mesmos em um universo de sala de aula, em qualquer faixa-etária lida-se, querendo ou não, com o elemento surpresa, que é a singularidade de cada pessoa. Nesse caso, manifesta na sua forma de perceber e de captar o mundo. Suas experiências atreladas ao contexto imediato, ou seja, a intertextualidade, que aqui é bastante subjetiva, expressa-se na fala ou na escrita do recontador (SILVA apud LEMOS, 2009).

 

Diante disso, cabe ao professor proporcionar experiências significativas em que as crianças possam interagir umas com as outras, desenvolvendo entre elas a imaginação e ampliando o seu desenvolvimento, visto que, em diversos cenários brasileiros, é na escola onde a criança entra em contato com a contação de histórias. De acordo com Miguez (2000, p. 28):

 

Na maioria dos casos, a Escola acaba sendo a única fonte de contato da criança com o livro e, sendo assim, é necessário estabelecer-se um compromisso maior com a qualidade e o aproveitamento da leitura como fonte de prazer. (MIGUEZ, 2000, p. 28)

 

Assim, torna-se importante ressaltar que muitas famílias encontram dificuldades para proporcionar o hábito da leitura às crianças, seja pela condição financeira ou pelo simples fato de que, na atualidade, com tanta tecnologia, esse costume acabou se perdendo, o que reflete, e muito, nas salas de aula, principalmente na questão da oralidade, da pausa e da escuta para ouvir uma história. Em muitos momentos, será o professor que irá instigar nas crianças o prazer pela escuta e pela leitura de histórias. Conforme Kraemer (2008, p. 8), a leitura:

 

Está cada vez sendo substituída em parte pelo hábito de se ligar a televisão, de deixar as crianças assistindo intermináveis horas de desenho animado ou filmes. Não podemos impedir que as crianças assistam à televisão, aos desenhos animados e a filmes, mas podemos e devemos delimitar o tempo e reservar algumas boas horas para o convívio pessoal e o cultivo da narração e da tradição oral. (KRAEMER, 2008, p. 8).

 

Por isso, é importante ter um olhar atento para a forma como esse momento será preparado e realizado, de modo que a experiência seja prazerosa e significativa para os alunos. Conforme Abramovich (1997, p. 17):

 

Ler histórias para crianças, sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelos personagens, com a ideia do conto ou com jeito de escrever do autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento... É através da história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica... É aprender História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer e passa a ser Didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir as portas da compreensão do mundo). (ABRAMOVICH, 1997, p.17).

 

De acordo com Coelho (2009, p. 50), “[...] contar histórias é uma arte, por conseguinte requer certa tendência inata, uma predisposição, latente, aliás, em todo educador, em toda pessoa que se propõe a lidar com crianças [...]”. Sendo assim, além de considerar a contação de histórias uma forma de expressão artística, é importante que o educador esteja atento à maneira como realiza esse momento, a fim de envolver as crianças na narrativa. A autora evidencia (2009, p. 50):

 

Eu diria ainda que um bom contador de histórias não pode proceder como se estivesse num palco, representando. Por isso, embora emocionalmente envolvido com a narrativa, sua postura vai influenciar muito: sempre no mesmo nível dos ouvintes, de preferência sentado. Um narrador não se agita não se movimenta para um lado e para outro, senão as crianças não saberão acompanhar, se a quem a narra, se aos personagens da história.

 

A maneira que o professor conduz a contação também merece atenção, visto que o modo com que se apresenta a narrativa pode contribuir para que as crianças se envolvam na história, imaginando seus acontecimentos. Segundo Rodrigues (2005, p.4):

 

A contação de histórias é atividade própria de incentivo à imaginação e o trânsito entre o fictício e o real. Ao preparar uma história para ser contada, tomamos a experiência do narrador e de cada personagem como nossa e ampliamos nossa experiência vivencial por meio da narrativa do autor. Os fatos, as cenas e os contextos são do plano do imaginário, mas os sentimentos e as emoções transcendem a ficção e se materializam na vida real. (RODRIGUES, 2005, p. 4).

 

Nesse sentido, contar uma história não se torna apenas ler um texto corrido, mas dramatizar e encenar com gestos e entonação, a fim de buscar envolver o público ouvinte. É muito importante que o educador busque estratégias significativas e lúdicas, possibilitando que a criança desenvolva a sua capacidade de ouvir, compreender, imaginar e expressar sentimentos a partir da história. De acordo com Oliveira (2025,p.26,27):

 

Ler histórias tem a ver com o papel, com a escrita. É pegar um livro, uma revista, ou, mesmo, um tablet ou celular e ler exatamente como está escrito, com todos os seus sinais de pontuação, palavras, respeitando a produção escrita tal qual ela se apresenta. Todo texto literário necessita de performance para ter sentido, assim, ao ler também é preciso exprimir nas palavras os sentimento e sensações que a história exige, conforme veremos adiante. Não se pode ler literatura como se lê uma notícia ou um manual de instruções. A literatura precisa de performance. Contar histórias é, acima de tudo, oralidade. Contar histórias é ação tradicional, pois, muito antes de aprendermos a nos expressar por meio da escrita, nos comunicávamos oralmente e, assim, passávamos nossos conhecimentos uns para os outros. Por mais que a sociedade atual seja centrada na escrita, a comunicação por meio da fala ainda é muito empregada. Portanto, as habilidades de expressão oral devem ser estimuladas nas crianças desde o seu nascimento. (OLIVEIRA, 2025, p.26,27)

 

Desse ponto de vista, percebe-se que contar e ler histórias contribuem significativamente para o desenvolvimento infantil, mesmo apresentando características diferentes. Durante a leitura, temos o contato com o texto escrito, enquanto a contação de histórias valoriza e reconhece a interação entre quem está contando e quem está ouvindo. Portanto, quando praticamos esses momentos com as crianças, o professor vai além de favorecer o contato com a literatura infantil, pois também trabalha a oralidade, a leitura de mundo e a imaginação, proporcionando momentos em que as crianças possam interagir e atribuir significados e sentidos ao que ouvem. Conforme Faute, Bueno e Lanieski (2021):

 

A contação de histórias é uma arte que possibilita o resgate da ludicidade, da fantasia, da emoção e principalmente da imaginação através das narrativas orais. No que se refere à educação e formação da criança, as histórias podem ser utilizadas para ajudá-las a entender o mundo a sua volta, por meio da contação. Uma vez que o contador pode proporcionar ao ouvinte entrar no enredo e vivenciar a cena por meio das palavras, do gesto corporal, da expressividade e principalmente da emoção de quem conta a história. Quando se trata do desenvolvimento integral da criança, as vivências imaginativas são um dos quesitos fundamentais para esse processo, pois, por meio dessas experiências, ela poderá conhecer melhor o mundo e a si mesma (FAUATE, BUENO E LANIESKI, 2021).

 

Dessa forma, quando praticamos diariamente a narrativa na Educação Infantil, estamos possibilitando às crianças o contato com a literatura de forma prazerosa e significativa. Quando a criança participa das narrativas, ouve histórias e tem a oportunidade de se expressar e interagir, ela amplia suas experiências com a oralidade e com o mundo à sua volta. Assim, cabe ao professor organizar momentos prazerosos e envolventes de contação de histórias, que valorizem a participação das crianças, criando momentos em que elas possam se expressar e imaginar, percebendo que a contação de histórias vai além da escuta, contribuindo para diferentes aspectos do desenvolvimento infantil.

 

 

Considerações Finais

 

Ao longo do artigo, podemos refletir sobre a contação de histórias e compreender a importância de entendermos a sua contribuição para o desenvolvimento integral da criança, vendo-a não apenas como um objeto de entretenimento, mas como uma prática educativa fundamental para a formação da linguagem, da oralidade, da imaginação, da criatividade e do interesse pela leitura e pela escrita.

Dessa forma, podemos identificar os diversos benefícios adquiridos por meio do contato com os livros e com as narrativas desde a primeira infância, como o enriquecimento do repertório de palavras, o conhecimento de mundo e a exploração da imaginação e da criatividade. Além disso, as histórias possibilitam que a criança conheça diferentes realidades, vivencie situações e sentimentos e construa novos conhecimentos a partir das experiências proporcionadas pelas narrativas.

Assim, em busca de proporcionar um momento rico para as crianças, despertando o seu gosto por esse mundo tão lindo que é o da leitura, da escuta, do contato com o escrito e da imaginação, devemos sempre nos atentar à preparação desse momento, para que ele seja lúdico e prazeroso, despertando a curiosidade na criança. Para isso, podemos nos amparar em diversos recursos para deixar essa experiência mais atrativa, como panos, adereços e mudanças no tom de voz.

Por fim, podemos concluir que a contação de histórias necessita ser um hábito presente na Educação Infantil, para que as crianças tenham acesso a esses momentos de contato com o escrito, a leitura e a imaginação que, às vezes, não são proporcionados em casa. Nesse sentido, devemos buscar alternativas que possam, dentro da nossa realidade educacional, explorar a leitura e a escrita, a fim de desenvolver a curiosidade e contribuir para a formação de futuros leitores críticos, colaborando para uma formação humana integral.

 

 

Referências

 

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KRAEMER, Maria Luiza. Histórias infantis e o lúdico encantam as crianças.

Campinas, SP; Autores Associados, 2008.

 

LEARDINI, Eleusa Maria Ferreira. O contar histórias finalidades e contribuições para a criança. In: O contar histórias na educação infantil: em estudo acerca dos valores atribuídos por professores sobre a importância dessa prática para o desenvolvimento da função simbólica. Campinas:UNICAMP, 2006. 133f.

 

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