A importância da Psicopedagogia na escola

Ana Carolina Silvério Moreira¹

Angelane Beck Soares dos Santos²

Branca de Carvalho Barbosa³

Claudia Aparecida do Nascimento Dias⁴

Eduarda Graciele Passos Jacinto⁵

Jaqueline Cristina Pereira⁶

Luana Aparecida Gomes Modanez⁷

 

DOI: 10.5281/zenodo.22214850

 

 

RESUMO

O artigo aqui desenvolvido tem como objetivo mostrar a importância da psicopedagogia dentro do ambiente escolar, onde tem como foco os alunos que necessitam de estímulo individual e com dificuldades de aprendizagem em determinadas fases da vida escolar. Assim, o que se pretende é qualificar o trabalho do profissional da psicopedagogia, visando contribuir para o processo pedagógico e auxiliar o professor no seu dia a dia em sala de aula. Através da pesquisa bibliográfica foi possível encontrar parâmetros que compõem a atuação do psicopedagogo dentro da escola, como auxílio ao professor de sala regular, no sentido de orientar este quanto à aplicação e variação de atividades a serem ministradas aos alunos, bem como realizar acompanhamentos individuais nos casos de alunos que necessitem de maior foco na aprendizagem.

 

PALAVRAS-CHAVE: Psicopedagogia. Escola. Aprendizagem.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O artigo aqui apresentado vem mostrar como se dá o trabalho do psicopedagogo na escola, de acordo com as intervenções realizadas por ele, dentro do contexto pedagógico e educacional. Assim, a atuação do psicopedagogo junto ao professor da sala de aula, se faz buscando o aprendizado do aluno, sem frustrações, de modo individualizado e através de intervenções precisas, que condizem com a realidade do aluno e sua capacidade de interpretar o mundo que o rodeia.

Considerando o estudo psicopedagógico, em sua amplitude, este atinge seus objetivos quando, passa a compreender as características e necessidades de aprendizagem que fazem parte da vida escolar do aluno, abrindo espaço para que a escola possa utilizar de recursos que atendam às necessidades desta aprendizagem.

A aprendizagem pode ser compreendida como um processo inerente aos indivíduos e aos grupos humanos, que ocorre por meio da assimilação de informações e da construção de experiências. Esse processo possibilita transformações relativamente estáveis na personalidade, nas relações e na dinâmica dos grupos, contribuindo para que o sujeito desenvolva recursos e estratégias para interagir e atuar de maneira mais efetiva sobre a realidade. Nesse contexto, a Psicopedagogia tem como objeto central de estudo o processo de aprendizagem humana, considerando tanto os padrões de desenvolvimento esperados quanto as manifestações que podem apresentar dificuldades ou alterações, além da influência exercida pelo meio social, familiar e escolar sobre esse processo.

A Psicopedagogia consolida-se como uma área de conhecimento voltada à compreensão e ao enfrentamento das dificuldades relacionadas à aprendizagem. No contexto educacional, sua atuação contribui para a reflexão e a transformação das práticas desenvolvidas no cotidiano escolar, buscando favorecer condições mais adequadas para o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes. A formação psicopedagógica oferece aos professores subsídios para compreender o sujeito em suas diferentes dimensões, possibilitando a revisão de concepções, práticas e atitudes relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, contribui para que os profissionais da educação estejam mais preparados para identificar, compreender e atender às diferentes demandas apresentadas pelos alunos, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades de aprendizagem, que constituem um dos principais focos de investigação e intervenção da Psicopedagogia.

Por meio da pesquisa bibliográfica foi possível levantar reflexões sobre a atuação deste profissional na escola, de forma a contemplar os autores citados com suas colocações sobre o assunto, como pode ser visto no desenrolar deste artigo.

 

 

CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA PSICOPEDAGOGIA

 

Pode-se dizer que na escola, o psicopedagogo utiliza de instrumentos diferenciados, ou seja, especializados de acordo com a avaliação e as estratégias que se pretende no atendimento aos alunos de forma individual, auxiliando nas atividades escolares e aquelas que se dão fora da escola, proporcionando ao aluno o contato com suas próprias reações diante do objeto do conhecimento. Cabe ainda ao psicopedagogo dar o suporte necessário à escola, reestruturando sua atuação junto a alunos e professores, e propiciando um novo olhar em torno do processo de aquisição e desenvolvimento do conhecimento adquirido no espaço escolar, ou seja, encaminhando este para outros profissionais, quando necessário.  

Bossa (2000), afirma que o psicopedagogo tem em mente o valor de sua profissão, que é a de transmitir conhecimentos, sendo que este tipo de atividade não é neutra, ou seja, o sujeito que necessita de ajuda e o psicopedagogo, onde a relação de afeto que se estabelece entre o psicopedagogo e o aprendente passa a ser necessária para o pleno desenvolvimento dentro da ação educativa. Assim, o papel do psicopedagogo é fazer com que a criança se integre novamente à vida normal, de acordo com sua especificidade.

 

Atualmente a Psicopedagogia trabalha com uma concepção de aprendizagem segundo a qual participa desse processo um equipamento biológico com disposições afetivas e intelectuais que interferem na forma de relação com o meio, sendo que essas disposições influenciam e são influenciadas pelas condições socioculturais do sujeito e do seu meio (BOSSA, 1995, p.12).

 

Em se tratando do processo de ensino aprendizagem, este pode ter a contribuição da psicopedagogia, através do uso de meios e recursos que levem a estratégias de ensino diferenciadas.  Desta maneira, a intervenção psicopedagógica é essencial para o elemento lúdico que se aplica na nova aprendizagem das escolas, com o objetivo do brincar, percebendo como isso ocorre nas diversas faixas etárias, contendo contribuições teóricas e conceitos que vão do histórico-cultural ao educativo, e como recurso para que se construa a identidade de cada um, de autoconhecimento e como elemento potencializador do trabalho educativo.

 

Podemos dizer que o nosso sujeito é a instituição, com sua complexa rede de relações". A partir dessa reflexão, podemos dizer que a instituição é um espaço físico e psíquico da aprendizagem, local e objeto de estudo da Psicopedagogia. Os procedimentos didáticos que interferem na aprendizagem devem ser analisados e discutidos, a fim de que possam ser ressignificados (BOSSA, 2000, p. 89).

 

Quando se fala em ensinar e aprender, é preciso ter em mente que estes são processos interligados. Não podemos pensar em um, sem estar em relação ao outro. Ainda segundo Fernandez (2001, p.29), “entre o ensinante e o aprendente, abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender”. Ensinantes são os pais, os irmãos, os tios, os avós e demais integrantes da família, como também, os professores e companheiros da escola. 

Ao destacar os aspectos psicopedagógicos é possível compreender as características e necessidades de aprendizagem de cada aluno, abrindo espaço para a escola viabilizar recursos e passar a atender às necessidades de aprendizagem. Para tanto, deve-se analisar o Projeto Político-Pedagógico e as propostas de ensino que ali se encontram, valorizando a aprendizagem. Sendo assim, o fazer psicopedagógico passa a se transformar numa ferramenta poderosa no auxílio de aprendizagem.

 

No primeiro nível o psicopedagogo atua nos processos educativos com o objetivo de diminuir a “frequência dos problemas de aprendizagem”.  Seu trabalho incide nas questões didático-metodológicas, bem como na formação e orientação de professores, além de fazer aconselhamento aos pais. No segundo nível o objetivo é diminuir e tratar dos problemas de aprendizagens já instalados. Para tanto cria-se plano diagnóstico da realidade institucional, e elaboram-se planos de intervenção baseados nesses diagnósticos a partir do qual se procura avaliar os currículos com os professores, para que não se repitam tais transtornos. No terceiro nível o objetivo é eliminar transtornos já instalados em um procedimento clínico com todas as suas implicações. O caráter preventivo permanece aí, uma vez que ao eliminarmos um transtorno, estamos prevenindo o aparecimento de outros. (BOSSA, 2007, p. 25)

 

Sendo assim, o Psicopedagogo através de todo seu conhecimento e aprofundamento em relação às dificuldades de aprendizagem, pode sugerir ações de melhorias na prática pedagógica nas escolas.

E, partindo disto, como profissional, ele conseguirá os resultados desejados não só por ele, mas por todos os envolvidos com a educação, em que se busca o pleno desenvolvimento do aluno.

 

 

O PSICOPEDAGOGO NA ESCOLA

 

A Psicopedagogia, num todo, desempenha um papel essencial dentro do sistema de ensino, onde ela colabora para a relação professor e aluno no processo ensino-aprendizagem. Assim, ela tem como uma de suas funções colaborar para que os pedagogos elaborem seus planos de ensino, metodologias e projetos que se integram na pesquisa, oportunizando a estes de qualificar, valorizar e a democratizar o ensino.

Em se tratando da escola, enquanto instituição educacional, esta pode e deve contribuir para a atuação do psicopedagogo de forma ativa, onde este possa realizar a formação de alunos que necessitam de atenção constante.

 

[...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem (BOSSA, 2007, p. 23).

 

É por meio da psicopedagogia que se tem uma alternativa relacionada às atividades lúdicas sendo estas condutoras do desenvolvimento mental, cognitivo e social, onde, a criança consegue, por meio da brincadeira, desenvolver habilidades vem facilitar o processo de aprendizagem, muito diferente do jogar para competir. A partir disto a brincadeira se torna algo considerável para as crianças.

A intervenção do psicopedagogo se faz por meio de atividades lúdicas, onde ele passa a descobrir as dificuldades e transtornos de aprendizagem. Sendo assim, o trabalho deste profissional perpassa os processos afetivo, social e cognitivo, favorecendo o desenvolvimento da criatividade na criança que carrega consigo estes aspectos. Assim, é preciso selecionar atividades que condizem com a dificuldade apresentada pela criança, considerando o seu nível de aprendizagem.

 

O psicopedagogo está preparado para auxiliar os educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo para a compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir, bem como participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a um pequeno grupo de alunos (SCOZ, 1992, p. 34).

 

Diante do contexto de possibilidades que o psicopedagogo tende a oferecer ao trabalho desenvolvido na escola, surge também a avaliação do aluno e também a identificação de possíveis problemas de sua aprendizagem, onde este possa ter seus potenciais valorizados e suas dificuldades amenizadas, contado com profissionais (psicólogos, fonoaudiólogo) que abracem a causa e façam valer cada aspecto do desenvolvimento do aluno como um todo.

Na sala de aula, o conhecimento em forma de cooperação, criatividade e criticidade tende a estimular a liberdade e a coragem para poder transformar, fazendo com que o sujeito passe a ser o ator principal da sua própria aprendizagem. O professor exerce, assim a sua habilidade mediando as construções de aprendizagem e de sociabilidade.

 

“[...] a possibilidade de analisar este processo do ponto de vista do sujeito que aprende e da instituição que ensina”. A psicopedagogia é uma área de estudo diretamente relacionada à da aprendizagem escolar, tanto no que tange a seu decurso normal quanto às dificuldades que possa apresentar. É preciso que todos os envolvidos com o processo de aprendizagem analisem a situação, e não somente o aluno, que é uma das parcelas de um todo do conhecimento em construção uma vez que às vezes poder ser apresentar mais fácil ou mais difícil para quem ensina ou aprende (SISTO, 1996, p. 9).

 

Nos dias de hoje, as escolas enfrentam o desafio de lidar com as dificuldades de aprendizagem juntamente com a proposta de intervenção que vem contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem dos alunos. Assim, é importante saber do Psicopedagogo Institucional, como um profissional qualificado, como ele se baseia diante da observação e da análise profunda de uma situação concreta, para que este possa identificar possíveis contratempos no processo de aprendizagem, e ao mesmo tempo promover orientações que deem ênfase à uma didática-metodológica dentro do espaço escolar conforme as características que os indivíduos apresentam.

 

Ao entrarmos em contato com a Psicopedagogia, percebemos, a partir das leituras e estudos, principalmente dos escritos de Alícia Fernández, que: “ser ensinante significa abrir um espaço para aprender. Espaço objetivo e subjetivo em que se realizam dois trabalhos simultâneos: a construção de conhecimentos e a construção de si mesmo, como sujeito criativo e pensante”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.30).

 

No campo da psicopedagogia é possível considerar que as intervenções realizadas dentro da escola se tornam essenciais para orientar o trabalho do professor na sala, que necessita muitas vezes de apoio pedagógico para direcionar e qualificar seus conhecimentos, para posteriormente aplicá-los no dia a dia.

No contexto escolar, a atuação do psicopedagogo exige a adaptação dos conhecimentos e da postura clínica às particularidades do ambiente educacional. Segundo Fernández (2001), embora a experiência adquirida no consultório seja importante, o profissional que atua na escola precisa assumir uma posição diferenciada, estabelecendo uma relação próxima com professores, estudantes e demais integrantes da comunidade escolar. Sua atuação deve favorecer a criação de espaços que estimulem a autonomia, a reflexão e a autoria do pensamento.

Nessa perspectiva, o psicopedagogo desempenha um papel de mediador do processo de aprendizagem, incentivando os sujeitos a refletirem sobre suas próprias práticas e a reconhecerem suas potencialidades e capacidades de criação. Seu trabalho busca contribuir para que professores e alunos percebam que possuem conhecimentos, ideias e possibilidades que, muitas vezes, permanecem ocultos ou pouco explorados. Assim, a intervenção psicopedagógica não se limita à identificação ou ao tratamento das dificuldades de aprendizagem, mas também procura fortalecer a autoestima, a autonomia e o prazer de aprender.

Dentro da escola, essa atuação pode favorecer uma compreensão mais ampla da aprendizagem, ultrapassando a perspectiva centrada exclusivamente no cumprimento de conteúdos curriculares e na obtenção de notas. Ao estimular professores e estudantes a resgatarem experiências, curiosidades e sentimentos relacionados ao ato de aprender, o psicopedagogo contribui para a construção de um ambiente em que a aprendizagem possa ser vivenciada de forma mais significativa, prazerosa e humanizada.

O psicopedagogo deve trabalhar todas as questões que contribuem como obstáculo para o ensino e o aprender, interagindo, vinculando, articulando e cuidando para que os alunos sejam realmente os maiores beneficiados.

 

 

CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO

 

Nas Instituições a Psicopedagogia vem atuando com muito sucesso, onde a aprendizagem passou ater um olhar diferenciado no que diz respeito aos indivíduos ou grupos humanos que a compõem, onde se faz presente uma gama de informações assim como o desenvolvimento de experiências, que tendem a promover modificações na personalidade e na atuação em grupo, que podem ser revertidas na prática, ou seja, considerando a realidade.

 

A psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, que adveio de uma demanda - o problema de aprendizagem, colocado em um território pouco explorado, situado além dos limites da psicologia e da própria pedagogia – e evoluiu devido a existência de recursos, ainda que embrionários, para atender a essa demanda, constituindo- se assim, em uma prática. Como se preocupa com o problema de aprendizagem, deve ocupar-se inicialmente do processo de aprendizagem. Portanto, vemos que a psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como se aprender, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e a preveni-las. (BOSSA, 2007, p. 24) 

 

A intervenção deve ser vista como forma de mediação entre um profissional e outro, onde estes têm como foco o processo de desenvolvimento e aprendizagem do sujeito, que pode estar apresentando dificuldade de aprendizagem ou de comportamento. Assim, durante a intervenção é o psicopedagogo que poderá avaliar qual será o procedimento adotado para poder compreender, investigar e corrigir, para obter o resultado desejado

Bossa (2000, p.13) enfatiza que:

 

O objeto de estudo da Psicopedagogia deve ser entendido a partir de dois enfoques: preventivo e terapêutico. O enfoque preventivo considera o objeto de estudo da Psicopedagogia o ser humano em desenvolvimento, enquanto educável.  Seu objeto de estudo é a pessoa a ser educada, seus processos de desenvolvimento e as alterações de tais processos.  Focaliza as possibilidades do aprender, num sentido amplo.  Não deve se restringir a uma só agência como a escola, mas ir também a família e à comunidade.  Poderá esclarecer, de forma mais ou menos sistemática, a professora, pais e administradores sobre as características das diferentes etapas do desenvolvimento, sobre o progresso nos processos de aprendizagem, sobre as condições psicodinâmicas da aprendizagem, sobre as condições determinantes de dificuldades de aprendizagem.  O enfoque terapêutico considera o objeto de estudo da psicopedagogia a identificação, análise, elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem.

 

A partir do momento que o processo de aprendizagem ocorre juntamente com outros conceitos importantes para o desenvolvimento do aluno, esta passa a adquirir os seus conhecimentos com segurança, e constrói a própria dinâmica para aprender, favorecendo sua autoestima e apresentando rendimento acima da média e de qualidade em todas as disciplinas.

 

O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo em um processo de interação com o meio físico e social. Nesse processo interfere o seu equipamento biológico, as suas condições afetivas - emocionais e as suas condições intelectuais. A psicopedagogia entende ainda que essas condições afetivo-emocionais e intelectuais são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. Nesse sentido, o psicopedagogo lança seu olhar numa perspectiva multidimensional do sujeito aprendente constituído de natureza biológica e social, determinado pelas dimensões sócio-históricas em que vive. Nessa perspectiva faz-se necessário o psicopedagogo se debruçar sobre os aspectos constituintes do aprendiz, levando em conta a instituição onde o aluno constrói o conhecimento, o conceito social onde está inserido e os fatores orgânicos que podem estar ocasionando o não aprender (BOSSA, 2007, p. 74).

 

É importante destacar que o psicopedagogo é um colaborador para o aprendizado do aluno ocorrer da melhor maneira possível, sem deixar de lado as reais situações pelas quais este aluno perpassa todos os dias, e que podem vir a ser fatores que contribuam para as suas dificuldades ou comportamentos fora do padrão para a aprendizagem.

Também neste aspecto é importante ressaltar que o psicopedagogo diante da dificuldade do professor com os alunos, se torna um mediador, onde os estímulos propostos por ele, sirvam de base para o trabalho desenvolvido em sala de aula, no sentido de resgatar os valores perdidos.

A atuação psicopedagógica não deve ser compreendida apenas como uma prática de caráter reeducativo, mas como uma intervenção de natureza terapêutica voltada ao processo de aprendizagem. Nesse sentido, seu campo de atuação não se restringe a um grupo específico, uma vez que a aprendizagem acompanha o ser humano ao longo de toda a sua existência. Crianças, jovens, adultos e idosos estão constantemente envolvidos em processos de aprender e ensinar, construindo conhecimentos, desenvolvendo experiências e contribuindo, de diferentes maneiras, para a transformação da sociedade.

A Psicopedagogia, portanto, apresenta uma perspectiva ampla sobre a aprendizagem, considerando as particularidades e potencialidades de cada sujeito. Essa concepção também evidencia a relevância da atuação psicopedagógica diante dos desafios contemporâneos da educação, especialmente no que se refere à inclusão escolar. Nesse contexto, o psicopedagogo pode contribuir para a inserção, a permanência e a participação efetiva dos estudantes com necessidades educacionais específicas no ensino regular, colaborando para a construção de práticas pedagógicas que respeitem as diferenças, valorizem as potencialidades individuais e favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagem de todos.

 

“Há diferentes níveis de atuação. Primeiro, o psicopedagogo atua nos processos educativos com o objetivo de diminuir a frequência dos problemas de aprendizagem. Seu trabalho incide nas questões didático-metodológicas, bem como a formação e orientação dos professores, além de fazer aconselhamento aos pais. Na segunda atuação, o objetivo é diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já instalados. Para tanto, cria-se um plano diagnóstico, a partir do qual procura-se avaliar os currículos com os professores, para que não se repitam transtorno, estamos prevenindo o aparecimento de outros” (BOSSA,1994, p.102).

 

As instituições escolares convivem com o desafio constante de compreender e enfrentar as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos estudantes. Diante dessa realidade, torna-se necessário desenvolver estratégias de intervenção que contribuam efetivamente para a superação dos obstáculos encontrados no processo de aprendizagem. Nesse contexto, destaca-se a importância do psicopedagogo institucional, profissional capacitado para investigar as diferentes situações que interferem na aprendizagem por meio da observação, da análise e da compreensão das particularidades dos sujeitos e dos grupos. Sua atuação não se limita à identificação de possíveis dificuldades, mas envolve também a proposição de orientações didático-metodológicas que possam ser incorporadas ao cotidiano escolar, considerando as necessidades e características dos estudantes.

De acordo com Groppa (1997), a intervenção psicopedagógica deve contemplar os diferentes elementos envolvidos na aprendizagem, buscando favorecer a construção de vínculos positivos entre os sujeitos e o conhecimento. A relação estabelecida entre o estudante e o objeto de aprendizagem precisa ser estimulada de maneira significativa, de modo que o processo de ensino e aprendizagem possa ocorrer de forma saudável e prazerosa. Para isso, o desenvolvimento de atividades diversificadas, incluindo jogos e recursos tecnológicos, pode contribuir para ampliar as possibilidades de aprendizagem e despertar o interesse dos estudantes. Essas estratégias favorecem a articulação entre conhecimentos, informações, raciocínio e interesses, permitindo que o aluno participe de maneira mais ativa do processo educativo nos diferentes níveis de escolarização.

Nessa perspectiva, a educação deve ser entendida como um processo contínuo de construção do conhecimento, no qual professor e aluno assumem papéis complementares. O conhecimento não é simplesmente transmitido pelo professor ao estudante, mas construído a partir da interação entre ambos e da articulação com os conhecimentos e experiências previamente adquiridos pelo aluno. Assim, a prática educativa precisa considerar o estudante como sujeito ativo e participante de sua própria aprendizagem.

A atuação do psicopedagogo também pode envolver a aproximação com a família dos estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem. Por meio de instrumentos como entrevistas e anamnese, é possível obter informações relevantes sobre diferentes aspectos da vida da criança ou do adolescente, incluindo dimensões orgânicas, cognitivas, emocionais e sociais. Esses dados contribuem para uma compreensão mais ampla do sujeito e permitem analisar a dificuldade de aprendizagem considerando o conjunto de fatores que podem estar relacionados ao seu desenvolvimento.

Desse modo, o psicopedagogo não deve ser compreendido como um profissional responsável simplesmente por solucionar problemas pontuais. Sua função consiste, dentro dos limites de sua formação e área de atuação, em colaborar com a escola na identificação e na superação de barreiras que dificultam a relação dos estudantes com o conhecimento. Sua intervenção pode contribuir para a construção de práticas educativas mais inclusivas e significativas, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, da capacidade de reflexão e do pensamento crítico dos estudantes e, consequentemente, contribuindo para uma educação voltada à formação integral e à humanização dos sujeitos.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O psicopedagogo deve ser atuante na escola, sendo que ele precisa realizar um trabalho juntamente com os profissionais que também compõem a instituição, visando o desenvolvimento das capacidades da criança, e também contribuições para que ela seja capaz de analisar o mundo de outra maneira, interpretando e interferindo no nível de aprendizagem de cada um.

Em geral, o papel do psicopedagogo se mostra importante porque ele age no sentido de achar soluções para os problemas de conduta ou de aprendizagens, diante de técnicas especializadas, onde ele passa a orientar professores, pais e envolvidos com o aluno, a fim de informar sobre como devem proceder em cada momento, para fazer com que o tratamento se torne eficaz.

Neste sentido, a Psicopedagogia, na instituição escolar, tem sua função considerada complexa, pois possui algumas distorções sobre os conceitos da práxis, no que diz respeito às atividades desenvolvidas. E, numa ação interdisciplinar ela passa a se dedicar às áreas relacionadas ao planejamento educacional e assessoramento pedagógico, onde colabora com planos educacionais e lúdicos dentro das organizações, com atuação segundo uma modalidade de caráter institucional, ou seja, loca onde se realiza o diagnóstico e se planeja propostas operacionais pertinentes à aprendizagem.

A atuação psicopedagógica no ambiente escolar pressupõe uma postura pautada na escuta, no diálogo e na capacidade de propor estratégias de intervenção. Para desenvolver um trabalho significativo, o psicopedagogo precisa mobilizar seus conhecimentos, sua criatividade e sua capacidade de análise, adaptando as ações às necessidades, às características e às possibilidades presentes no contexto educacional em que está inserido. Dessa maneira, sua prática deve ser flexível e construída de acordo com a realidade de cada instituição e dos sujeitos que dela fazem parte.

A atuação do psicopedagogo possui, entre suas importantes dimensões, um caráter preventivo, buscando identificar possíveis dificuldades de aprendizagem antes que elas se intensifiquem ou comprometam de maneira significativa o desenvolvimento escolar do estudante. Quando essas dificuldades já estão presentes, sua atuação pode envolver o processo de investigação e diagnóstico, bem como a articulação com a família e com os demais profissionais envolvidos na educação do aluno. Entretanto, compreender a aprendizagem exige considerar o estudante em sua totalidade, levando em conta aspectos emocionais, sociais, cognitivos e relacionais, uma vez que o processo de aprender está diretamente relacionado às experiências e aos vínculos estabelecidos ao longo de sua trajetória.

Nesse sentido, algumas concepções e práticas presentes no ambiente escolar precisam ser constantemente analisadas e ressignificadas. A escola deve buscar construir uma política baseada na igualdade de oportunidades, garantindo condições para que todos os estudantes tenham acesso à aprendizagem e ao desenvolvimento. Também é necessário valorizar uma ética da identidade, que possibilite ao indivíduo reconhecer sua singularidade e, simultaneamente, respeitar as diferenças e particularidades dos outros. Da mesma forma, a estética da sensibilidade pode contribuir para a criação de espaços educativos fundamentados na interação, na valorização das relações humanas e na convivência com a diversidade.

É nesse cenário que o psicopedagogo assume uma função de articulador e agente de transformação no espaço escolar. Por meio do diálogo com estudantes, professores, famílias e demais profissionais, pode promover ações que contribuam para mudanças nas práticas educativas e nas relações estabelecidas com a aprendizagem. Mesmo que algumas transformações ocorram de maneira gradual, sua atuação pode colaborar significativamente para a prevenção e a redução das dificuldades de aprendizagem, favorecendo a construção de um ambiente escolar mais acolhedor, inclusivo e comprometido com o desenvolvimento integral dos estudantes.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas; 1994.

 

______, N. A. A Psicopedagogia no Brasil. Contribuições a partir da prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

 

______, N. A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Nádia A. Bossa – 3, ed – Porto Alegre: Artmed, 2007.

 

BRASIL, Lei n°. 9394 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Congresso Nacional, 1996. Acesso em: 28 de Junho de 2016.

 

FERNÁNDEZ, A. O saber em jogo: a Psicopedagogia propiciando autorias de pensamento. Trad. Neusa Kern Hickel. Porto Alegre: Artmed, 2001.

 

AQUINO, Júlio Groppa Aquino (Org.) Erro e Fracasso na escola. Editora Summus, Brasil, 1997, 4ª edição.

 

SCOZ, J. L. (Orgs.) Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

 

SISTO, F. F. Contribuições do construtivismo à psicopedagogia. In: SISTO, F. F. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. Petrópolis: Vozes, 1996.

 

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