A contação de histórias na creche como prática pedagógica para a aprendizagem, a linguagem e a construção de valores
Sâmela Siqueira Oliveira
Letícia Carvalho Silva Marques
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar a importância da contação de histórias na creche como prática pedagógica capaz de favorecer o desenvolvimento da aprendizagem, da linguagem, da imaginação, da socialização e da construção de valores na infância. Trata-se de um estudo bibliográfico, de abordagem qualitativa, fundamentado em três produções acadêmicas que discutem a contação de histórias na Educação Infantil, especialmente no contexto da creche. A análise evidencia que contar histórias vai além de uma atividade recreativa, pois constitui uma ação intencional que envolve planejamento, mediação docente, escolha adequada das narrativas, uso de recursos lúdicos e valorização das experiências das crianças. Os estudos analisados apontam que a contação contribui para o desenvolvimento cognitivo, social, cultural, afetivo e corporal, além de estimular o gosto pela leitura desde os primeiros anos de vida. Também se observa que as histórias infantis favorecem a construção de valores essenciais para a convivência, como respeito, solidariedade, cuidado, escuta e empatia. Conclui-se que a contação de histórias, quando planejada e mediada de forma sensível pelo professor, torna-se uma potente estratégia pedagógica na creche, pois articula cuidar, educar, brincar, imaginar, expressar e conviver.
Palavras-chave: Contação de histórias. Creche. Educação Infantil. Aprendizagem. Valores.
ABSTRACT
This article aims to analyze the importance of storytelling in daycare centers as a pedagogical practice capable of promoting learning, language development, imagination, socialization, and the construction of values in childhood. This is a bibliographic study with a qualitative approach, based on three academic works that discuss storytelling in Early Childhood Education, especially in daycare contexts. The analysis shows that storytelling goes beyond a recreational activity, as it is an intentional action that involves planning, teacher mediation, appropriate selection of narratives, use of playful resources, and appreciation of children’s experiences. The studies analyzed indicate that storytelling contributes to cognitive, social, cultural, affective, and bodily development, besides stimulating children’s interest in reading from an early age. It is also observed that children’s stories favor the construction of essential values for coexistence, such as respect, solidarity, care, listening, and empathy. It is concluded that storytelling, when planned and sensitively mediated by the teacher, becomes a powerful pedagogical strategy in daycare centers, as it articulates care, education, play, imagination, expression, and social interaction.
Keywords: Storytelling. Daycare. Early Childhood Education. Learning. Values.
1 INTRODUÇÃO
A creche ocupa um lugar fundamental na formação das crianças pequenas, pois é nesse espaço que elas ampliam suas relações sociais, constroem vínculos afetivos, desenvolvem a linguagem, exploram o corpo, experimentam diferentes formas de expressão e começam a compreender o mundo que as cerca. Nesse contexto, as práticas pedagógicas precisam respeitar as especificidades da infância, reconhecendo que a criança aprende por meio das interações, das brincadeiras, da escuta, da observação, da imaginação e da participação ativa nas experiências cotidianas.
Entre as práticas mais significativas na Educação Infantil, destaca-se a contação de histórias. Contar histórias é uma ação antiga, presente em diferentes culturas, por meio da qual conhecimentos, memórias, valores e modos de vida são transmitidos de geração em geração. Na creche, essa prática assume uma dimensão pedagógica especial, pois aproxima a criança do universo da linguagem oral, da literatura, da fantasia, das emoções e das relações sociais.
A contação de histórias não deve ser compreendida apenas como um momento de entretenimento ou distração. Quando planejada com intencionalidade, ela contribui para o desenvolvimento integral da criança, envolvendo aspectos cognitivos, afetivos, sociais, culturais, motores e linguísticos. Ao ouvir uma história, a criança imagina cenários, reconhece personagens, antecipa acontecimentos, expressa sentimentos, amplia o vocabulário, desenvolve a escuta e participa de situações de diálogo com colegas e professores.
Silva e Sousa (2024) destacam que a contação de histórias na Educação Infantil é uma ferramenta importante para o desenvolvimento cognitivo, social e cultural das crianças, além de favorecer o gosto pela leitura. Nascimento, Carvalho e Santos (2020), ao relatarem uma experiência com oficinas de literatura, evidenciam que as histórias infantis podem estimular a linguagem, a expressão corporal e as habilidades cognitivas e sociais. Já Costa et al. (2019) ressaltam que a contação de histórias na creche também pode contribuir para a construção de valores essenciais à convivência consigo mesmo, com o outro e com a natureza.
Diante disso, este artigo parte da seguinte questão norteadora: de que maneira a contação de histórias pode contribuir para a aprendizagem, a linguagem e a construção de valores na creche? O objetivo geral é analisar a contação de histórias como prática pedagógica relevante para o desenvolvimento integral das crianças pequenas. Como objetivos específicos, busca-se compreender a importância da mediação docente nesse processo, refletir sobre o papel dos recursos lúdicos na narrativa e discutir a relação entre histórias infantis e educação em valores.
2 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, organizada a partir da análise de três produções acadêmicas que abordam a contação de histórias na Educação Infantil e na creche. A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador aproximar-se de conhecimentos já produzidos sobre determinado tema, favorecendo a compreensão, a análise e a sistematização de ideias relevantes para o campo educacional.
As três fontes selecionadas discutem a contação de histórias a partir de diferentes enfoques. O estudo de Silva e Sousa (2024) apresenta experiências desenvolvidas na Creche Gente Inocente, evidenciando os benefícios da contação de histórias no desenvolvimento infantil e na formação do gosto pela leitura. O trabalho de Nascimento, Carvalho e Santos (2020) descreve oficinas de literatura realizadas com crianças da Educação Infantil, destacando a importância das histórias para o desenvolvimento da linguagem, da expressão corporal e da aprendizagem cultural e social. Já o estudo de Costa et al. (2019) analisa a contação de histórias na creche como caminho para a construção de uma educação em valores.
A análise foi realizada de forma interpretativa, buscando identificar aproximações entre os textos, especialmente no que se refere à contação de histórias como prática pedagógica planejada, ao papel do professor como mediador, ao uso de recursos lúdicos, à participação das crianças e às contribuições dessa prática para a aprendizagem e a convivência. Por se tratar de um estudo bibliográfico, não houve pesquisa de campo própria, mas sim uma reflexão teórica construída com base nas contribuições dos estudos analisados.
3 A CRECHE COMO ESPAÇO DE CUIDADO, EDUCAÇÃO E EXPERIÊNCIAS
A creche é um espaço educativo que articula cuidado e aprendizagem. Nela, a criança pequena não apenas recebe atenção em suas necessidades básicas, mas também participa de experiências que favorecem seu desenvolvimento integral. As interações com professores, colegas, objetos, histórias, músicas, imagens e brincadeiras constituem situações importantes para que a criança descubra a si mesma, reconheça o outro e amplie sua compreensão sobre o ambiente.
Nesse sentido, a creche precisa ser compreendida como um lugar de vivências significativas. As práticas pedagógicas devem considerar a criança como sujeito ativo, capaz de participar, sentir, expressar, imaginar, perguntar, experimentar e construir sentidos. A contação de histórias se insere nesse contexto como uma possibilidade rica de aprendizagem, pois envolve linguagem, afetividade, ludicidade e interação.
Silva e Sousa (2024) evidenciam que a contação de histórias pode favorecer o desenvolvimento físico, intelectual, social e emocional das crianças, especialmente quando realizada de forma lúdica e dinâmica. Isso significa que a história contada na creche não se limita ao texto narrado; ela envolve a voz do professor, os gestos, as expressões faciais, os recursos utilizados, o ambiente preparado e a participação das crianças.
Na creche, a criança ainda está em intenso processo de construção da linguagem oral, da autonomia, da identidade e da convivência. Por isso, as histórias podem auxiliar na nomeação de sentimentos, na compreensão de situações do cotidiano e na elaboração de experiências vividas. Uma narrativa sobre separação da família, medo, amizade, cuidado com a natureza ou respeito às diferenças pode ajudar a criança a reconhecer emoções e a construir formas mais sensíveis de se relacionar com os outros.
4 CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, LINGUAGEM E IMAGINAÇÃO
A linguagem é uma das dimensões mais favorecidas pela contação de histórias. Ao ouvir narrativas, a criança entra em contato com novas palavras, diferentes formas de organização do pensamento, expressões, diálogos e sequências temporais. Esse contato amplia o vocabulário, estimula a escuta atenta e contribui para que a criança desenvolva formas cada vez mais elaboradas de comunicação.
Nascimento, Carvalho e Santos (2020) ressaltam que o primeiro contato com o mundo da leitura pode ocorrer ainda na infância, por meio do manuseio dos livros, da observação das ilustrações e da escuta de histórias. Na creche, mesmo antes de ler convencionalmente, a criança já pode se aproximar da cultura escrita ao folhear livros, observar imagens, reconhecer personagens, repetir frases, cantar músicas e recontar partes da história com suas próprias palavras.
A imaginação também ocupa lugar central nesse processo. Ao ouvir uma história, a criança cria imagens mentais, atribui sentidos aos personagens, antecipa acontecimentos e vivencia simbolicamente situações que nem sempre fazem parte de sua realidade imediata. Essa experiência amplia seu repertório cultural e favorece o desenvolvimento do pensamento criativo. Silva e Sousa (2024) destacam que a contação de histórias permite às crianças transitarem entre o mundo real e o mundo da fantasia, favorecendo a imaginação e a compreensão de diferentes formas de ser, agir e viver. Desse modo, a história possibilita que a criança conheça outros lugares, outras pessoas, outras culturas e outras formas de resolver conflitos.
É importante destacar que, na creche, a contação de histórias deve considerar a faixa etária das crianças. Histórias muito longas, com linguagem distante ou sem recursos visuais podem dificultar a participação. Por outro lado, narrativas curtas, repetitivas, com personagens próximos do universo infantil, imagens expressivas, sons, músicas e objetos concretos tendem a despertar maior interesse e envolvimento.
5 O PAPEL DO PROFESSOR COMO MEDIADOR DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
A qualidade da contação de histórias depende, em grande parte, da mediação docente. O professor não é apenas alguém que lê ou narra um texto; ele é o mediador que prepara o ambiente, escolhe a história, organiza os recursos, observa as reações das crianças, cria pausas, faz perguntas, acolhe comentários e transforma a narrativa em experiência coletiva. Costa et al. (2019) chamam atenção para o fato de que a contação de histórias, muitas vezes, ocorre de forma improvisada, sem considerar a faixa etária das crianças, a escolha da narrativa, a forma de contar e os objetivos pedagógicos. Essa observação é importante porque reforça a necessidade de planejamento. Contar histórias na creche exige intencionalidade, sensibilidade e conhecimento sobre o desenvolvimento infantil.
O planejamento começa pela escolha da história. É necessário observar se a narrativa dialoga com a idade das crianças, com seus interesses, com o projeto pedagógico da turma e com os objetivos que o professor deseja alcançar. A história pode ser escolhida para estimular a linguagem, trabalhar emoções, introduzir um tema, fortalecer vínculos, ampliar repertórios culturais ou promover valores de convivência.
Além da escolha da narrativa, o professor precisa pensar na forma de apresentação. Silva e Sousa (2024) destacam a importância do uso da voz, das expressões faciais e corporais e dos recursos didáticos, como fantoches, livros, imagens e outros materiais. Esses elementos ajudam a criança a compreender melhor a história, manter a atenção e participar de maneira mais ativa. Nascimento, Carvalho e Santos (2020) também evidenciam a relevância dos recursos lúdicos. No relato de experiência analisado, as oficinas de contação utilizaram elementos como pelúcia, papel, boneca de pano, fantoches, músicas e materiais confeccionados pelas participantes. Tais recursos tornaram a narrativa mais concreta e acessível às crianças, além de favorecerem a interação, o movimento e a expressão corporal.
Assim, a contação de histórias na creche deve ser viva, participativa e acolhedora. O professor pode mudar a entonação da voz, representar personagens, convidar as crianças a repetirem palavras, cantar trechos, imitar sons, fazer gestos e comentar as imagens. Essas estratégias aproximam a criança da narrativa e tornam o momento mais significativo.
6 LUDICIDADE, CORPO E PARTICIPAÇÃO INFANTIL
A criança pequena aprende com o corpo inteiro. Ela escuta, observa, toca, imita, movimenta-se, canta, aponta, sorri, pergunta e interage. Por isso, a contação de histórias na creche não deve ser pensada apenas como uma atividade em que as crianças permanecem sentadas e silenciosas. Ao contrário, ela pode envolver movimento, música, dramatização, gestos e brincadeiras.
A ludicidade é um aspecto essencial da prática pedagógica na Educação Infantil. Quando a história é contada de maneira lúdica, a criança se sente convidada a participar. O uso de fantoches, dedoches, caixas-surpresa, imagens, tecidos, objetos sonoros e personagens confeccionados amplia as possibilidades de interação e torna a narrativa mais próxima da linguagem infantil. Nascimento, Carvalho e Santos (2020) demonstram que a contação de histórias pode ser articulada à expressão corporal, por meio de músicas, gestos e movimentos. Essa articulação é especialmente importante na creche, pois as crianças pequenas ainda se comunicam intensamente pelo corpo. Muitas vezes, antes mesmo de verbalizar suas impressões, elas expressam compreensão por meio do olhar, da imitação, dos gestos e das reações corporais.
A participação infantil também deve ser valorizada. Durante a história, o professor pode permitir que as crianças façam comentários, formulem hipóteses, completem frases repetitivas, escolham personagens, recontem partes da narrativa ou relacionem a história com situações do cotidiano. Essas intervenções favorecem a construção de sentidos e mostram que a criança não é apenas ouvinte passiva, mas sujeito participante da experiência.
7 CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS E EDUCAÇÃO EM VALORES
Além de contribuir para a linguagem e a imaginação, a contação de histórias também favorece a construção de valores. Desde muito pequenas, as crianças vivem situações de convivência que envolvem partilha, cuidado, conflito, espera, frustração, amizade, respeito e cooperação. As histórias infantis podem ajudar a criança a compreender essas situações de maneira simbólica e afetiva. Costa et al. (2019) analisam a contação de histórias como caminho para uma educação em valores na creche. Para as autoras, as histórias possuem conteúdos ricos que podem contribuir para a formação pessoal e social da criança, ajudando-a a construir modos de convivência consigo mesma, com o outro e com a natureza. Essa perspectiva amplia o papel da contação, mostrando que ela não serve apenas para desenvolver habilidades cognitivas, mas também para formar atitudes e sensibilidades.
Ao ouvir uma história sobre amizade, por exemplo, a criança pode refletir sobre o cuidado com o colega. Ao ouvir uma narrativa sobre diferenças, pode começar a compreender a importância do respeito. Ao escutar histórias sobre animais, plantas e natureza, pode desenvolver atitudes de cuidado com o meio ambiente. Ao acompanhar personagens que enfrentam medos ou desafios, pode elaborar suas próprias emoções.
No entanto, trabalhar valores por meio das histórias não significa transformar toda narrativa em lição moral direta ou em sermão. Na Educação Infantil, a formação de valores acontece principalmente pela experiência, pelo diálogo, pela convivência e pelo exemplo. O professor pode mediar conversas simples após a história, perguntando como os personagens se sentiram, o que aconteceu, como poderiam resolver determinada situação ou se as crianças já viveram algo parecido. Desse modo, a contação de histórias pode favorecer a escuta, a empatia e a reflexão. A criança aprende, aos poucos, a considerar o ponto de vista do outro, reconhecer sentimentos e participar de relações mais respeitosas. Na creche, esse processo é construído diariamente, em pequenos gestos, nas rodas de conversa, nas brincadeiras, nos momentos de cuidado e nas experiências coletivas.
8 DISCUSSÃO: A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COMO PRÁTICA INTEGRADORA NA CRECHE
A análise das três fontes permite compreender que a contação de histórias é uma prática integradora, pois articula diferentes dimensões do desenvolvimento infantil. Ela envolve linguagem oral, imaginação, movimento, afetividade, socialização, cultura, valores e aproximação com a leitura. Por isso, deve ocupar um lugar planejado e permanente na rotina da creche. Silva e Sousa (2024) enfatizam que a contação de histórias contribui para o desenvolvimento cognitivo, social e cultural das crianças. Nascimento, Carvalho e Santos (2020) destacam seu potencial para estimular linguagem, expressão corporal e habilidades sociais. Costa et al. (2019), por sua vez, evidenciam sua importância na formação de valores e na construção de relações mais humanas no espaço da creche.
Essas contribuições se complementam e indicam que contar histórias é uma ação pedagógica ampla. Ela não está restrita ao campo da linguagem, embora este seja muito importante. Também não se limita ao entretenimento, embora o prazer e a ludicidade sejam essenciais. A contação de histórias é, sobretudo, uma experiência educativa que pode fortalecer vínculos, ampliar repertórios e criar oportunidades de participação infantil.
Outro ponto comum entre os estudos é a importância do planejamento. Para que a contação alcance seus objetivos, o professor precisa selecionar boas histórias, considerar a faixa etária, preparar recursos, organizar o espaço e criar estratégias de interação. A improvisação pode acontecer em alguns momentos, pois a prática docente também exige criatividade, mas ela não deve substituir a intencionalidade pedagógica.
Também se destaca o papel do ambiente. Uma roda organizada, um cantinho de leitura, almofadas, livros acessíveis, imagens, fantoches e objetos relacionados à história podem tornar a experiência mais acolhedora. Na creche, o espaço comunica e ensina. Quando a criança encontra livros ao seu alcance e participa de momentos prazerosos de leitura e narrativa, ela começa a construir uma relação afetiva com a literatura.
Por fim, é importante considerar que a contação de histórias pode envolver a família. As crianças chegam à creche com repertórios familiares, histórias ouvidas em casa, músicas, expressões e experiências próprias. Valorizar esses saberes fortalece a relação entre creche e família e amplia o sentido cultural da narrativa. A escola pode incentivar que os pais contem histórias, enviem relatos, participem de projetos literários ou compartilhem memórias de infância.
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A contação de histórias na creche constitui uma prática pedagógica de grande relevância para o desenvolvimento integral das crianças pequenas. Ao longo deste artigo, foi possível compreender que contar histórias favorece a linguagem, a imaginação, a escuta, a participação, a expressão corporal, a socialização e a construção de valores.
Com base nas três fontes analisadas, observa-se que a contação de histórias deve ser compreendida como uma ação intencional e planejada. Quando o professor escolhe a narrativa de acordo com a faixa etária, prepara recursos, utiliza voz e corpo de forma expressiva e acolhe a participação das crianças, a história se transforma em uma experiência rica de aprendizagem.
Também se conclui que as histórias infantis contribuem para a formação humana na infância. Elas permitem que a criança conheça diferentes formas de viver, pensar, sentir e agir. Por meio dos personagens e dos acontecimentos narrados, as crianças podem elaborar emoções, compreender conflitos, desenvolver empatia e construir valores importantes para a convivência.
Dessa forma, a contação de histórias deve fazer parte da rotina da creche não como atividade isolada, mas como prática permanente, articulada aos projetos pedagógicos, às rodas de conversa, às brincadeiras, à música, ao movimento e às experiências culturais. Mais do que formar futuros leitores, contar histórias na creche é contribuir para a formação de crianças sensíveis, criativas, participativas e capazes de conviver de maneira mais respeitosa com o outro e com o mundo.
REFERÊNCIAS
COSTA, Efigênia Maria Dias et al. Contação de histórias na creche: um caminho para construção de uma educação em valores. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, VI, 2019. Anais [...]. Campina Grande: CONEDU, 2019.
NASCIMENTO, Marilene Batista da Cruz; CARVALHO, Emilly Jesus de; SANTOS, Samara Oliveira. Contação de histórias como estratégia de aprendizagem: uma experiência na Educação Infantil. In: REUNIÃO CIENTÍFICA REGIONAL NORDESTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO, XXV, 2020. Anais [...]. ANPEd/EPEN, 2020.
SILVA, Luzinete Vieira da; SOUSA, Luciana Pereira de. Contação de história na Educação Infantil: experiências da Creche Gente Inocente. RELPE – Revista Leituras em Pedagogia e Educação, Arraias, v. 8, n. 1, 2024.

