Avaliação da aprendizagem da prática docente sobre meio ambiente
Susana de Oliveira Silva
RESUMO
Este artigo relata uma experiência pedagógica desenvolvida com a turma Creche 4 A da educação infantil, tendo como tema central o cuidado com o meio ambiente. O objetivo foi promover a conscientização ambiental de forma prática, lúdica e sensorial, utilizando estímulos como texturas, cheiros e cores. A metodologia baseou-se em interações orientadas, exibição de vídeos, brincadeiras e atividades sobre reciclagem e uso consciente da água. Os resultados indicaram que as crianças demonstram interesse e compreensão inicial dos conceitos, embora o principal desafio tenha sido manter a atenção do grupo. Conclui-se que a abordagem lúdico-sensorial é eficaz na educação infantil, sendo fundamental o professor como mediador afetivo e criativo.
Palavras-chave: Educação ambiental. Educação infantil. Ludicidade. Conscientização. Práticas pedagógicas.
1 INTRODUÇÃO
A educação ambiental é um dos pilares para a formação de cidadãos conscientes e responsáveis quanto ao uso dos recursos naturais. Quando iniciada na primeira infância, especialmente na creche, potencializa a internalização de valores como respeito, cuidado e sustentabilidade (BRASIL, 2017). O ambiente escolar configura-se como espaço privilegiado para essas vivências, pois possibilita a articulação entre conhecimento científico e práticas cotidianas.
Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo descrever e analisar uma aula prática sobre meio ambiente aplicada à turma Creche 4 A da educação infantil, destacando a importância de metodologias lúdicas, sensoriais e interativas. A pergunta que norteia esta reflexão é: como ensinar crianças pequenas a cuidar do meio ambiente de forma significativa e adequada ao seu desenvolvimento?
2 DESENVOLVIMENTO
A aula foi planejada para crianças de aproximadamente 4 anos de idade, priorizando a aprendizagem por meio da experiência concreta. Utilizaram-se brincadeiras, estímulos táteis, olfativos e visuais, como diferentes texturas de resíduos recicláveis (papel, plástico, vidro simulado), cheiros naturais (terra, flores) e cores das lixeiras de coleta seletiva.
Inicialmente, exibiu-se um curto vídeo animado sobre reciclagem e desperdício de água. Em seguida, promoveu-se uma roda de conversa na qual as crianças foram incentivadas a nomear o que viram. Foram propostas atividades práticas: separar resíduos em lixeiras coloridas, identificar situações de desperdício de água (torneira aberta, banho demorado) e explorar o jardim da escola, observando plantas e flores.
Observou-se que o uso de vídeos facilitou a compreensão inicial, despertando o interesse e o olhar positivo das crianças para o cuidado com a natureza. A interação com o jardim da escola e o contato com texturas e cheiros favoreceram a atenção e a afetividade. Segundo Piaget (1996), nessa faixa etária, o conhecimento é construído por meio da ação direta sobre o ambiente, o que confirma a adequação da abordagem prática.
As crianças demonstraram capacidade de identificar as cores das lixeiras e relacioná-las a diferentes tipos de resíduos, além de citar exemplos de cuidados com a água. A afetividade e o envolvimento motor mostraram-se aliados importantes no processo de aprendizagem.
O principal desafio foi manter o foco das crianças diante da curiosidade natural da idade. Muitas falavam ao mesmo tempo, dispersando a atenção coletiva. Estratégias como combinados prévios, rodízio de fala e mediação constante foram necessárias para contornar a situação. Além disso, foi preciso repetir orientações sobre o uso consciente da água, especialmente em relação ao bebedouro e à escovação dos dentes.
Outro ponto crítico foi a limitação de materiais para simular todas as lixeiras de reciclagem com fidelidade, o que exigiu criatividade por parte do professor.
Atuar na educação básica revelou-se um exercício constante de construção de afetividades. A experiência proporcionou uma compreensão mais realista do papel do docente, que vai além da transmissão de conteúdos, abrangendo o manejo de emoções, a escuta atenta e a adaptação constante do planejamento. O sentimento de gratificação ao perceber a participação e o pequeno avanço das crianças reafirmou a importância da escolha profissional.
Para futuras aplicações, sugerem-se as seguintes melhorias:
Uso de data show para exibição de vídeos em tela maior, potencializando o engajamento visual.
Apresentação de maior variedade de materiais recicláveis, com destaque correto para cada lixeira.
Realização de atividades ao ar livre, como construção de brinquedos com resíduos recicláveis (peteca de jornal, tambor de lata), tornando a aprendizagem mais significativa.
Inclusão de músicas temáticas e histórias infantis sobre o meio ambiente para diversificar os estímulos.
3 CONCLUSÃO
A experiência relatada evidencia que a educação ambiental na creche é viável, necessária e produtiva quando ancorada em práticas lúdicas, sensoriais e afetivas. As crianças mostraram-se capazes de compreender conceitos simples de reciclagem e economia de água, desde que mediadas por atividades que respeitem seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Os desafios de atenção são superáveis com planejamento flexível e uso adequado de recursos audiovisuais e sensoriais. Conclui-se que o professor da educação básica exerce papel central na formação de atitudes sustentáveis, sendo essencial investir em formações continuadas e em infraestrutura que favoreça práticas ambientais significativas.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.
TRISTÃO, Martha. A educação ambiental na infância: contribuições para o desenvolvimento de valores éticos. São Paulo: Annablume, 2008.
SORRENTINO, Marcos; NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Educação ambiental e sustentabilidade: políticas, interfaces e práticas. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2010.

