O desenvolvimento da educação socioemocional das crianças com TDAH na Educação Infantil: uma revisão da literatura

Ana Bete Martins da Silva[1]

Sandra Karina Mendes do Vale[2]

 

DOI: 10.5281/zenodo.19615152

 

 

RESUMO

Este estudo sobre o desenvolvimento da educação socioemocional das crianças com TDAH na Educação Infantil é uma revisão de literatura, cujo objetivo é pesquisar em artigos científicos, o que os pesquisadores falam sobre o tema em questão, considerando a contribuição para o acervo acadêmico e respondendo a questões como a importância desse tipo de educação para crianças com TDAH, entre outros. Dessa forma buscou-se desenvolver um trabalho que pudesse definir a educação socioemocional, suas competências e habilidades, capazes de contribuir na formação de estudantes com diversas especialidades, por meio do autoconhecimento, autorregulação, relacionamento pessoal / habilidades de relacionamentos, consciência social e tomadas de decisões responsáveis. Os resultados encontrados demonstram que a educação socioemocional pode proporcionar uma vida mais saudável para as crianças com TDAH, que aprendem a expressar e controlar suas emoções e comportamentos.

 

Palavras-chave: Educação. Socioemocional. Crianças. TDAH. Habilidades. Competências.

 

 

ABSTRACT

This study on the development of the socio-emotional education of children with ADHD in Early Childhood Education is a literature review, whose objective is to research in scientific articles, what researchers say about the topic in question, considering the contribution to the academic collection and answering questions such as the importance of this type of education for children with ADHD, among others. In this way, it was sought to develop a work that could define socio-emotional education, its competencies and skills, capable of contributing to the formation of students with various specialties, through self-knowledge, self-regulation, personal relationship / relationship skills, social awareness and responsible decision-making. The results found demonstrate that social-emotional education can provide a healthier life for children with ADHD, who learn to express and control their emotions and behaviors.

 

WORD-KEYS: Education. Socio-emotional. Children. ADHD. Skills. Skills.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O desenvolvimento da educação socioemocional de crianças com TDAH na Educação Infantil, faz parte da preocupação, em razão do entendimento de que a educação deve fazer parte da vida da pessoa, de forma integral, a fim de que possa se desenvolver como um ser social e emocional, diante de uma sociedade cada vez mais exclusivista. Isto porque, “a primeira infância é marcada pelo desenvolvimento de habilidades importantes, que acompanharão a criança e servirão de base para o seu crescimento saudável” (Roberto et al, 2023, p.3). E, embora os aspectos cognitivos e motores serem de suma importância, os aspectos socioemocionais têm suas relevâncias na formação da criança.

Segundo a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, o desenvolvimento da educação socioemocional deve aprender as seguintes habilidades: “Autoconhecimento; Gestão dos pensamentos e emoções; Consciência social; habilidades de relacionamento; tomada de decisão responsável” (Roberto et al, 2023, p.4). Dessa forma, para a BNCC as escolas devem desenvolver a educação socioemocional, além do processo de ensino e aprendizagem dos alunos, a fim de que as crianças aprendam a lidar com suas próprias emoções.

“As habilidades socioemocionais aplicadas no ambiente escolar são fortes aliadas na prevenção dos transtornos de saúde mental em crianças e adolescentes” (Roberto et al, 2023, p.4). No caso, as pessoas com TDAH têm como sintomas “a tríade que o fundamenta, já seria por si só um fator de dificuldade para que se cumpram as expectativas de desenvolvimento da criança na Educação Infantil (Lima e Coelho, 2018, p.3). Ou seja, uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Imperatividade (TDAH) não consegue ter atenção, é imperativos e impulsivo.

Dessa forma, este estudo busca, por meio de uma revisão da literatura, desenvolver uma análise de dez artigos sobre o tema em questão, a fim de deixar o contributo para o acervo acadêmico, além de servir como base informativa aos professores e família, sobre a necessidade do desenvolvimento da educação socioemocional na escola, para crianças da Educação Infantil, tendo como foco as crianças com TDAH.

Os objetivos desta pesquisa é desenvolver uma revisão da literatura do tema em questão, com a finalidade de contribuir no acervo bibliográfico científico, para ampliação do estudo envolvendo a educação socioemocional com crianças cm TDAH, na educação infantil. Especificamente, analisar a importância da educação socioemocional para crianças com TDAH; investigar as metodologias para atendimento às crianças com TDAH na educação infantil; observar como docentes atuam diante do trabalho pedagógico com esses alunos; descrever quais estratégias são utilizadas para desenvolver a educação socioemocional das crianças, para que possam aprender, reconhecer, entender, se expressar, regular suas emoções e interagir com os outros.

 

 

O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO SOCIOEMOCIONAL DE CRIANÇAS COM TDAH NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Para a composição deste item buscou-se pesquisar alguns artigos na internet, em plataformas e revistas científicas, entre 2017 e 2024, dos quais, em pesquisas de campo, bibliográficas, revisão de literatura, dissertação de mestrado, que desenvolvem o tema em questão. Sendo que, dois desses estudos ocorreram na Região Nordeste do país, um em Portugal, um da Região Sul e os demais na Região Sudeste. Foram separados em itens de acordo com cada assunto abordados por eles, em que 04 (quatro) deles foram designados para o item 1 e 6 (seis) para o item 2 deste artigo.

Sendo assim, Colagrossil; Vassimon (2017), em seus estudos bibliográficos realizados em 2017, mais precisamente em São Paulo, mostram que cerca de 14 milhões de crianças entre 4 e 6 anos viviam em situação de vulnerabilidade no país. Fato esse que colocaria um índice muito alta de problemas emocionais e intelectuais, em relação ao acesso à educação e outros direitos básicos. Para essas autoras, isso leva a uma violência sem precedentes, desde a falta de compreensão até bullying.

“Esta realidade tem um impacto enorme na formação das crianças” (Colagrossil; Vassimon, 2017, p.18). Dessa forma, é necessário que se possibilite uma forma de fazer com que essas crianças possam ser atendidas com muita responsabilidade, desde o pré-natal de suas mães, potencializando que possa haver uma vida mais saudável em todos os sentidos. Por esta razão, cabe mencionar que “nos primeiros anos de vida, o cérebro se desenvolve em uma velocidade muito rápida e as primeiras experiências vividas serão a base para a construção do conhecimento e da emoção” (Idem, p.18).

A busca pelo atendimento socioemocional das crianças desde cedo, pode ser importante para que elas possam ter uma vida adulta mais saudável do ponto de vista integral, diminuindo os perigos, de comportamentos errôneos, como, “os índices de criminalidade e de evasão escolar, a taxa de gravidez na adolescência” (Colagrossil; Vassimon, 2017, p.19). Sendo importante para a aquisição de habilidades e competências socioemocionais, que vão ajudar no desenvolvimento da pessoa.

As habilidades e competências socioemocionais são retratados no gráfico abaixo desenvolvido citado por Colagrossil, Vassimon (2017, p.19):

 


Ou seja, nesse gráfico se encontram as principais habilidades da educação socioemocional, que são: autoconhecimento, autorregulação, relacionamento pessoal / habilidades de relacionamentos, consciência social e tomadas de decisões responsáveis. Essas habilidades que devem ser encontradas não só na escola, dentro da sala de aula, mas na família e comunidade onde a criança se insere. Fazem parte da aprendizagem socioemocional, a necessidade de que o currículo, a prática escolar, as políticas educacionais, sejam parte integrante de uma só realidade, incluindo a família e a comunidade, como parceiras para o bem-estar do aluno.

Quanto as competências sociais Colagrossil, Vassimon (2017, p.20), descrevem através de um gráfico o seguinte:

 

 

São as seguintes: cognitivo, social e emocional. Todos pendendo para as relações executivas e autorreguladoras. Fica subentendido que os fatores socioambientais, interligados aos biológicos e de relação, em ambientes nada sadios, podem gerar problemas ao desenvolvimento socioemocional das crianças, por este motivo que a importância do “desenvolvimento das competências socioemocionais das crianças é fundamental para o seu sucesso dentro e fora da escola” (Colagrossil, Vassimon, 2017, p.21), que vão contribuir no entendimento infantil de suas próprias atitudes, nas atenções e relacionamentos interpessoais.

Tal qual as autoras acima, Motta; Romani (2019, p.50), ao mencionar o assunto desenvolvimento da educação socioemocional asseveram a importância desse tipo de educação, com vista a aquisição de habilidades para “reconhecer e gerenciar emoções, desenvolver cuidado e preocupação com outros, estabelecer relações positivas, tomar decisões responsáveis e manejar situações desafiadoras de forma eficaz”. Isto é, tudo isso visando “autoconsciência; autocontrole; consciência social; habilidades sociais e tomada de decisão responsável” (Idem, p.50). Isso tudo, tendo como objetivo melhorar o desempenho acadêmico da criança com problemas socioemocionais.

Para Pinheiro (2022, p.2), “a aprendizagem socioemocional tem um papel fulcral na educação e no desenvolvimento humano”. Trata-se, pois de opiniões iguais sobre o assunto, em que as crianças e adultos podem fazer uso desse conhecimento como forma de “desenvolver identidades saudáveis, gerir emoções, atingir objetivos, sentir e mostrar empatia pelos outros, estabelecer e manter relações saudáveis e tomar decisões responsáveis e cuidadosas” (Idem, p.2).

Segundo Pinheiro (2022, p.4), na Educação Infantil a “compreensão das emoções [...] facilita as relações entre pares, criando empatia pelo outro”. Portanto, se os alunos pequenos conseguirem compreender as emoções que emanam de si e dos outros, poderão ter melhores comportamentos. Pois, ao saberem entender suas emoções, as crianças podem iniciar uma espécie de regulação do estado emocional, como raiva, por exemplo, assumindo grande relevância na interação social, dentro e fora da escola.

Dessa forma, para Pinheiro (2022, p.5), é preciso que as crianças aprendam expressões relacionadas as emoções, para poder compreendê-las e executá-las, e nada melhor do que na Educação Infantil, onde “as crianças já conhecem os rótulos das emoções e, assim, também é neste período que aprofundam o seu conhecimento relativamente às mesmas”. Logo, cabe mencionar que, “a linguagem emocional é um recurso essencial para a compreensão das emoções por parte das crianças” (Idem, p.5), isso, porque, a linguagem apreendida na família e na escola, fazem com que se criem oportunidades de assimilação de conhecimentos.

A expressão emocional de uma criança ocorre também durante as interações sociais, então, as crianças devem expressar suas emoções de maneira clara, para que as pessoas saibam o que está sentido. “A expressividade emocional de cada criança está, então, relacionada com a frequência, a intensidade e a duração das emoções” (Pinheiro, 2022, p.7). Isso leva a uma constatação, segundo a autora, que as crianças que expressam mais alegrias do que raivas são consideradas mais amáveis. Dessa maneira, é preciso, pois, conhecer as emoções das crianças, para melhor interagir com elas, por isso a educação socioemocional, para poder melhorar esses pequenos problemas emocionais do dia a dia escolar.

Conforme Brilhante et al (2024, p.11), “a educação socioemocional traz uma ampla gama de benefícios para os alunos, que vão além do contexto escolar e se refletem em suas vidas pessoais e profissionais”. Para esses autores, os alunos que recebem educação socioemocional vão ser aqueles que vão mais se desenvolver diante dos desafios de uma sociedade exclusivista, já que vão saber como autorregular suas emoções e se adaptar em ambientes e situações que lhes causam estresses.

Isso permite que uma maior probabilidade de redução dos riscos de uma cidade urbana, como, uso de drogas, violências entre outros, melhorando sobremaneira os relacionamentos interpessoais, seja na família ou na escola. “Alunos que são capazes de entender e expressar suas próprias emoções tendem a estabelecer vínculos mais saudáveis com colegas e professores, criando um ambiente escolar mais acolhedor e colaborativo” (Brilhante et al, 2024, p.11). Tendo ainda como impacto positivo a performance acadêmica, que é de suma importância para sua formação futura.

Dessa forma, contrapondo a uma educação tradicionalista, a educação socioemocional pode promover habilidades como: “empatia, colaboração, comunicação eficaz e resolução de problemas” (Brilhante et al, 2024, p.12). Pode-se dizer que a educação socioemocional pode transformar uma criança ou um adulto mais responsável, consciente e pronto para ajudar na construção de uma sociedade justa, contra a desigualdade social.

A construção de uma educação socioemocional perpassa pela necessidade de que se inclua ações voltadas para educação, dentre “círculos de diálogo, meditação, práticas de atenção e debates sobre temas relacionados à saúde emocional e ao bem-estar, outra estratégia importante é integrar a educação socioemocional ao currículo escolar de forma transversal” (Brilhante et al, 2024, p.13). É preciso, pois, que várias disciplinas sejam incluídas, com atividades escolares, projetos, que envolvam não só a escola, mas a família também. Pois, “ao criar uma cultura escolar que valorize e promova o desenvolvimento integral dos alunos, a educação socioemocional pode se tornar uma parte essencial do projeto educativo de qualquer escola” (Idem, p.13).

Cabe ressaltar que, para o desenvolvimento de uma educação socioemocional, mesmo demonstrando tantos benefícios, sua implementação deve envolver vários desafios, como as resistências de alguns educadores, que por terem formação tradicional, deve considerar esse tipo de educação, como sendo uma distração para o repasse dos conteúdos obrigatórios. É preciso, pois, defender a necessidade desse tipo de educação, uma vez que, é preciso “que o professor conheça o contexto em que a criança se insere, pois, assim, terá mais compreensão e saberá inter-relacionar o desenvolvimento do saber gerir o afetivo, cognitivo e o motor mutuamente” (Brilhante et al, 2024, p.14), para assim, poder realmente estimular seu aluno a aprender.

 

 

COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS DE CRIANÇAS COM TDAH NAS EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Para o estudo das competências socioemocionais das crianças com TDAH na educação infantil buscou-se mais 06 (seis) artigos, com datas entre 2017 a 2023, tendo sido 03 (dois) na Região Nordeste, 02 (dois) no Sudeste e 01 (um) no Sul do país. Porém, todos eles visam somente um foco de pesquisa, as competências socioemocionais de crianças com TDAH e outros distúrbios cognitivos.

Segundo Marin et al (2017, p.93), que desenvolveram uma revisão literária, para que se compreenda “o conceito de competência socioemocional, é imprescindível entender o construto inteligência emocional”. Mesmo que a ideia de inteligência tenha sido iniciada com a avalição do quociente intelectual (QI), a emoção passou a ser fundamental “para a construção dos processos cognitivos” (Idem, p.93), dos seres humanos, pois com a teoria de inteligências múltiplas houve a compreensão de que o conhecimento humano seria composto por diversas facetas.

Alguns estudiosos “defenderam que a inteligência está vinculada a capacidade de resolução de problemas, uma vez que o indivíduo pode receber e modificar a informação a partir do nível de compreensão de si e dos outros” (Marin et al, 2017, p.93). A partir daí iniciou-se o reconhecimento e valorização das emoções, como parte importante das tomadas de decisões e comportamentos humanos, associada a habilidades sociais, como parte de conjuntos de comportamentos que irão ajudar no desempenho socioemocional do sujeito social.

Cabe mencionar que, “o uso do termo socioemocional associado às habilidades se refere àquelas que se formam através do desenvolvimento das relações interpessoais e afetivas” (Marin et al, 2017, p.94). No entanto, essas habilidades de relações sociais são modificadas de acordo com o meio ambiente social dos sujeitos que se relacionam, por isso a necessidade de haver uma espécie de intervenção específica, de acordo com cada caso, com a finalidade de melhorar essa relação, assim como as habilidades socioemocionais, para que haja um bom desempenho entre as pessoas.

Silva (2019, p.13), em sua dissertação de mestrado, onde desenvolveu uma pesquisa de campo, explica que “o desenvolvimento socioemocional infantil pode ser entendido como um processo de interdependência entre as competências sociais e competências emocionais”. Quanto se trata do emocional é necessário haver uma autorregulação, para que ocorra uma transformação na conduta da criança, conforme a necessidade inerente ao meio ambiente onde ela vive. Isso, porque, “a autorregulação emocional envolve a capacidade de reconhecer e regular com sucesso as próprias emoções, pensamentos e valores e como eles influenciam o comportamento” (Idem, p.13). O que pode influenciar positivamente no comportamento das crianças com determinadas síndromes.

Cabe ressaltar que “o desenvolvimento socioemocional infantil depende das experiências do ambiente externo (Silva, 2019, p.20). Nesse interim, surge o papel da família, como primeira fase de socialização, por esta razão, a criança deve estar num ambiente que possa propiciar e incentivar as habilidades de influenciar e ser influenciada, especialmente no que se refere as suas emoções. Por isso a importância de uma criança conviver num ambiente propício, onde a habilidades da família possa influenciar positivamente os comportamentos dos filhos.

Canettieri, Paranahyba; Santos (2021), por meio de uma pesquisa documental, ressaltam os resultados da pesquisa, que mesmo tendo sido realizada com alunos do Ensino Médio, podem demonstrar os reflexos da necessidade da educação socioemocional, que vige alguns anos na base da legislação educacional, tendo suas raízes na Constituição Federal de 1988, por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), define o termo competência como sendo a concentração dos “conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” Idem, p.11), então, as autoras explicam que as habilidades socioemocionais se inserem nessas competências.

De acordo com os resultados encontrados na pesquisa, as autoras citadas afirmam que “não há no documento uma definição ou referência teórica de emoção, habilidades sociais e suas características, mas há, como descrito acima, o momento em que se espera desenvolvê-las ou que elas compareçam no educando (Canettieri, Paranahyba; Santos, 2021, p.13). Portanto, trabalhar com o desenvolvimento socioemocional dos alunos, ainda não sendo desenvolvida para atender aos cotidianos problemas que se encontram no dia a dia da escola, pois na BNCC, não consta nada sobre nortear currículo para isso, nem tampouco, como proceder numa situação com alunos, com TDAH, por exemplo. Então, as equipes educativas devem elaborar seus próprios programas para trabalhar com a educação socioemocional.

Os estudos de Abrahão; Elias (2021, p.681) foram realizados por meio de uma revisão de literatura, em que trabalham as habilidades socioemocionais de alunos com TDAH, mais nomeadamente, que se trata de um Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, cujas características são especificamente “as dificuldades com atenção, controle de impulsividade, e comportamento hiperativo em relação à maioria dos indivíduos da mesma idade e sexo”. As estimativas das autoras é que esse transtorno “esteja presente em 6 a 9 % da população, sendo que em 40-80% das crianças, a desordem permanece na adolescência” (Idem, p.681).

“O TDAH na infância tem sido associado com mecanismos anormais na área cerebral parassimpática, envolvidos na regulação emocional” (Abrahão; Elias, 2021, p.681). Contudo, os sintomas desse transtorno em algumas crianças não se manifestam do mesmo jeito, pois existem três tipos específicos, como: tipo predominantemente desatento, tipo predominantemente hiperativo/impulsivo ou tipo combinado (Idem, p.681), por esta razão, diagnóstico do TDAH é necessário uma equipe multidisciplinar.

As crianças com TDAH, conforme apontam as autoras, quando entram em contato com outras crianças, em geral são rejeitadas, em razão de seus comportamentos socioemocional, tendo os estudos revelado que existe determinado estigma, que eleva o grau de exclusão dessas crianças, em relação as suas habilidades sociais, em função de problemas de externalização e internalização e autocontrole (Abrahão; Elias, 2021, p.682). Logo, as crianças com TDAH, “costumam apresentar déficits nas funções executivas, prejuízos na regulação emocional e nas HS, requerendo assim intervenções que visem sistematicamente a manutenção adequada desses fatores”.

Lopes et al, (2022, p.27), desenvolveram um estudo de observação sistematizada de comportamentos, para definir que “as competências socioemocionais são características individuais que se traduzem na forma como as pessoas se comportam, pensam e sentem, ou seja, são formas próprias e muito singulares de compreender e agir sobre o mundo”. Esses são comportamentos oriundos de aspectos biológicos e ambientais, podendo ser adquirido nas socializações formais e informais. Isto é na escola, na família e na comunidade onde vivem.

Para esses mesmos autores, “existem diversas formas de organizar e classificar as competências socioemocionais em taxonomias ou modelos” (Lopes et al, 2022, p.27). Assim sendo, as competências socioemocionais são expressas de maneiras individuais, em razão dosa aspectos biológicos e histórias de vidas, por isso são especiais.

Pode-se dizer que não existem pessoas com problemas socioemocionais que sejam iguais, pois alguns são extrovertidos, outros mais curiosos, dentre outros comportamentos, que levam a uma forma peculiar de se relacionar com os outros ou com o mundo. diferentes formas. “O desenvolvimento socioemocional, por sua vez, auxilia a construção de novos repertórios, que podem ser mobilizados diante de diferentes situações e desafios, dentro ou fora da escola” (Lopes et al, 2022, p.29).

É por esta razão que as capacidades “socioemocionais podem ser compreendidas como uma caixa de ferramentas, em que se empregarão diferentes competências e de diferentes formas conforme elas sejam úteis e necessárias para cada contexto” (Lopes et al, 2022, p.29-30), consequentemente para cada pessoa. Como exemplo tem-se um aluno introvertido, mas que não se abala quando necessita interagir com as pessoas, isso será possível se ele uma educação socioemocional, para que possa desenvolver competências que vão contribuir para seu comportamento individual.

Sendo, portanto, conveniente ressaltar que, “as competências desenvolvidas atuam como ferramentas que instrumentalizam o estudante, de acordo com o que fizer sentido para si” (Lopes et al, 2022, p.30). Por isso, a resolução dos problemas do dia a dia, dependem da quantidade dos instrumentos utilizados para isso, sendo que, o aluno não necessita fazer uso dessas “ferramentas o tempo todo, mas, ao desenvolver competências socioemocionais, adiciona novas ferramentas à sua caixa, e poderá utilizá-las estrategicamente” (Idem, p.30).

De acordo com Lopes et al (2022, p.31), “o desenvolvimento socioemocional deve considerar a criança em sua individualidade enquanto busca desenvolver novas habilidades que estejam conectadas às suas necessidades”; contudo, esse desenvolvimento se altera de acordo com a fase e o contexto em que a criança está inserida. Por esta razão, é necessário que se conheça “os aspectos teóricos do desenvolvimento socioemocional” (Idem, p.31), isso posto, para que se promova uma aprendizagem com significados reais, por meio de competências e habilidades específicas, que estejam em sintonia com destaques científicos potencializadores das ações e transformações, não só no contexto educacional, da sala de aula, mas, que possa ir além do currículo escolar.

Assim sendo, cabe mencionar que segundo os citados autores “desenvolver competências socioemocionais é essencial para a vida e para transpor os desafios do século XXI” (Lopes et al, 2022, p.31). São vários os estudos que demonstram ser o desenvolvimento propositado das competências socioemocionais, importantes para a obtenção de benefícios, oriundos de resultados positivos de vida, dentro e fora da escola, em vários os aspectos acadêmicos das crianças, como frequência, saúde mental, aprendizado, entre outros.

Importante mencionar, que “as competências socioemocionais continuam se desenvolvendo ao longo de toda a vida e auxiliam as pessoas a lidarem de forma bem-sucedida com seus desafios e experiências” (Lopes et al, 2022, p.33), como status profissional e renda na vida adulta. Contudo, se faz necessários acompanhar o desenvolvimento do ser humano, em cada etapa, em razão das diferentes fases que acompanham as capacidades cognitivas e necessidades das crianças, especialmente as com TDAH.

O estudo de Guimarães e Silva (2023) é um estudo de caso, de um menino com TDAH e TOD[3], que foi escolhido durante sua consulta no CAPS[4] no município, pertencente a Bahia. Nessa pesquisa os autores tinham como objetivo compreender as múltiplas versões da criança com comportamentos externalizantes no dia a dia de sua comunidade. Cabe explicar que “os chamados comportamentos externalizantes ganham destaque em estudos contemporâneos sobre saúde mental na infância e adolescência devido à sua elevada relação com a produção de queixas” (Guimarães e Silva, 2023, p. 2), queixas essas, advindas do ambiente escolar da criança.

Os autores ressaltam que o presente “termo comportamentos externalizantes surgiu na década de 1960 nos EUA com estudos multidisciplinares coordenados pelo psiquiatra Thomas Achenbach” (Guimarães e Silva, 2023, p.2). Os estudos apontam ainda que, “reações impulsivas e que propiciam conflitos com o ambiente, como inquietude, desobediência, desatenção, agressividade, contestação, provocação, ruptura de regras etc., ficam classificadas como comportamentos externalizantes” (idem, p.2).

O aluno foi avaliado a partir de técnicas que observação comportamentos repetitivos e persistentes, como base para o TDAH, que aliado ao TOD foram considerados comportamentos externalizantes. Todavia, “a produção sócio-histórica da categoria conceitual comportamentos externalizantes como problema de saúde mental se dá de forma bastante imbricada com a categoria infância, também constituída em processos sócio-históricos” (Guimarães e Silva, 2023, p.2).

Para os mesmos autores, o silêncio que muitas crianças desenvolvem, em função de seus comportamentos externalizantes, como TDAH e TOD, por exemplo, vem crescendo de forma vertiginosa na sociedade, fazendo com que elas rompam com as relações sociais, sendo, por isso, consideradas de comportamentos conflituantes. Isso continua sendo um transtorno para as crianças que sofrem caladas, “as crianças têm suas queixas sobre os comportamentos dos adultos muitas vezes silenciadas” (Guimarães e Silva, 2023, p.13); enquanto isso, os adultos buscam legitimar os comportamentos infantis em instituições especializadas, para saúde mental.

Diante disso, os pais e responsáveis vendo suas crianças com determinados comportamentos, não buscam compreender que não se trata de problemas voltados a rebeldia, mas de sintomas de alguns transtornos que levam elas a se comportarem diferente do padrão social. Entra nessa questão a importância do desenvolvimento da educação socioemocional, como base para que as crianças possam se desenvolver sem os problemas cotidianos de comportamentos externalizantes, porque vai receber apoio emocional, tanto dos educadores, quanto dos colegas, assim como da própria família.

 

 

DISCUSSÕES SOBRE OS RESULTADOS

 

Os resultados deste estudo apontaram que as crianças da Educação Infantil com TDAH necessitam do desenvolvimento da educação socioemocional, como parte do processo de ensino e aprendizagem, pois são pessoas que apresentam alguns transtornos de comportamentos, oriundos tanto de aspectos biológicos, quanto do meio ambiente onde vivem.

Esses transtornos não devem ser considerados como um problema de comportamento, mas como um fato a ser observado com muita atenção e carinho, tendo em vista que, o desenvolvimento socioemocional infantil, pode ser observado a partir da união entre as competências sociais e emocionais, por isso a necessidade da autorregularão.

A educação socioemocional, portanto, termina sendo essencial para o desenvolvimento integral infantil, com a finalidade da aquisição de determinadas habilidades e competências, para o bem-estar emocional dessas crianças, sobretudo no início da Educação Básica, que vai ser o caminho inicial e uma formação adulta. E, isso, não só para esse benefício, mas como forma de melhoramento das relações interpessoais, dentro e fora da escola.

Ou seja, ao construir uma educação socioemocional, sobretudo na Educação Infantil, constroem-se também as competências socioemocionais que podem ajudar a criança com comportamentos distintos dos demais, no desenvolvimento do ajustamento social e emocional, que vai ser importante para a aquisição de competências socioemocionais, para uma vida saudável e interrelacional com os demais colegas e familiares.

De modo geral é preciso pois, que se perceba e entenda a emoção da criança, pois, ao reconhecer essa emoção, haverá a oportunidade de familiaridade ou aprendizado com ela, com isso, haverá também uma comunicação da experiência do adulto. É preciso, pois, ouvir com empatia, corroborando com os sentimentos dessa pessoa, a fim de contribuir para encontrar as palavras certas, e assim, poder identificar a emoção que ela está sentindo naquele momento, todavia, se faz necessário impor alguns limites e do mesmo modo, ajudar a criança a resolver suas dificuldades.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Este estudo buscou desenvolver a educação emocional para crianças com TDAH na Educação Infantil, tendo como intuito que a pessoa possa compreender suas próprias emoções, fazendo uso delas com responsabilidade. Por esta razão, se faz necessário que a educação possa contribuir para que o aluno se sinta incluído e possa verbalizar de forma adequada os seus sentimentos, ao invés de demonstrá-lo por meio de comportamentos adversos.

A educação socioemocional também pode contribuir em situações fora da escola, na comunidade e na família, porque a criança passa a aprender a se relacionar com as pessoas e ser compreendido em suas dificuldades. É necessário, portanto, que dentro do ambiente escolar se um lugar de apoio e acolhimento, para que a criança se sinta abraçada.

Tanto a escola, quanto a família deve ser um lugar de escuta, proximidade, com a finalidade de trabalhar as emoções das crianças, o que vai favorecer um ambiente onde se possa trabalhar as emoções e aquisição de habilidades, que vão diretamente a aprendizagem de competências capazes de permitir a identificação das emoções presentes, para em seguida haver a prática do autocuidado de si e do outro, ou seja do controle das emoções.

 

 

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[1] Mestranda do Curso de Ciências em Educação, da Faculdad de Ciencias Sociales Interamericana/Fisc, 2025. Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

[2] Orientadora do Curso de Mestrado em Ciências da Educação, pela Faculdad de Cienciais Sociales Interamericana/Fisc, 2025.

[3] Transtorno Opositivo Desafiador.

[4] Centro de Atenção Psicossocial.

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