OS DESAFIOS DA ESCRITA E DA LEITURA NA ALFABETIZAÇÃO
Ângela Vera Moreira da Silva
Diana Parizotto
Suely Ribeiro
INTRODUÇÃO
O presente estudo vem mostrar que a alfabetização pode acontecer através de vários processos, em todas as classes sociais, independentemente da origem, de cor ou religião.
Como se sabe, muito antes da criança vir para a escola, ela opera com a linguagem: fala e usa a linguagem oral com desembaraço para interagir nas diversas situações da vida. Essa criança começou a falar e entender o que os demais falam, passando por um processo de aquisição da linguagem gradativo e progressivo sem que houvesse necessidade de sistematização de qualquer conteúdo de língua. Mas enquanto esse processo não traz preocupações, o processo de aquisição da linguagem escrita tem sido objeto de atenção dos envolvidos com a educação, alfabetizar tem sido um desafio, muito mais que um simples processo mecânico como era visto tradicionalmente.
Atualmente não se concebe mais que uma criança alfabetizada seja aquela que apenas reconhece letras e copia. O conceito de alfabetização passa a partir de estudos realizados por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, a ser mais amplo, considerando a linguagem em toda sua dimensão significativa, ou seja, a escrita da transcrição da fala. Dessa forma esse trabalho se propõe a uma reflexão e um diagnostico no processo de alfabetização levando em conta a diversidade cultural dos educandos, refletindo também sobre as dificuldades que o aluno passa quando começa a ler contato com a língua escrita como também as dificuldades que o professor encontra no momento da alfabetização.
No cotidiano da sala de aula, educadores buscam formas de tornar o ensino mais eficaz e mais estimulante, assim, no caso deste estudo, veremos que é importante falar e escutar além de ler e escrever, como se dá a linguagem escrita e a linguagem oral, o trabalho com a leitura e o erro do aluno pode ser visto como ponto de partida para o avanço da aprendizagem. Nesse sentido, a noção de práticas de letramento como usos sociais da leitura e da escrita é o pano de fundo para qualquer ação pedagógica no campo da linguagem.
Constatamos atualmente que as salas de alfabetização são heterogêneas e dispõem de alunos vindos de regiões diferentes, assim, há que ter um olhar diferenciado para a diversidade cultural desses alunos. Portanto, esse trabalho nos mostra que a variedade linguística faz parte do processo de alfabetização, portanto, será realizada uma entrevista com alunos de uma turma de alfabetização, sendo que, cada um dos entrevistados tem sua origem de regiões diferentes no país. Também aplicamos questionários para professores alfabetizadores, investigando suas concepções sobre a alfabetização e como tratam à diversidade cultural na prática docente. Pois, a responsabilidade do professor alfabetizador é de suma importância para o bom andamento do processo de alfabetização dos seus alunos.
Sabemos que para compreender a língua escrita, a criança raciocina inteligentemente, elabora hipóteses a respeito do sistema de escrita, coloca a prova sua antecipação, supera conflitos principalmente os alunos advindos de regiões onde o seu vocabulário é diferente ou a forma de se expressar diferenciam-se dos demais, e assim vai buscando regularidades e atribuindo significados de acordo com as informações que o meio lhe oferece.
Mesmo considerando-se que na organização social contemporânea, a escrita faz parte do ambiente humano e das relações sociais, é importante assimilar que, o aluno possa fazer certas descobertas sobre a língua escrita, não basta que ela esteja exposta a um contexto cultural permeado pela escrita, no processo de construção da escrita, o papel da interação da criança com pessoas alfabetizadas é de importância fundamental, assim no contexto da sala de aula, o papel do professor como mediador da relação do aluno com a escrita sejam significativas para a criança.
DESENVOLVIMENTO
1- OS DESAFIOS DA ESCRITA E DA LEITURA NA ALFABETIZAÇÃO
O presente estudo mostra que a alfabetização pode acontecer através de vários processos, em todas as classes sociais, independentemente de cor, religião ou região em que reside. Porém a metodologia usada faz diferença quanto às ideias presentes nos textos dos educadores, que estão sempre a mercê das vontades de seus educadores no que diz respeito aos direcionamentos do processo de alfabetização.
Como se sabe, muito antes de a criança vir para a escola, ela opera com a linguagem: fala e usa a linguagem oral com desembaraço para interagir nas diversas situações e já faz leitura de mundo.
Assim, para SCICCHITANO (1992; p. 22):
A psicogênese da língua escrita, que Ferreiro e Teberosky (1986) descreveram, pressupõe a criança como um sujeito que constrói seu conhecimento sobre a língua escrita, que é concebida como um sistema de representação da linguagem.
De acordo com SCICCHITANO, a criança vai construindo o seu conhecimento aprende por meio da interação sociocultural e na escola vai interagir com os outros alunos e também com o professor e consequentemente vai avançando no seu processo de alfabetização.
As pesquisas realizadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky mostraram que a aquisição da leitura e da escrita não pode ser concebida como conquista de uma habilidade ou como acumulo de processo cognitivo, que resulta na conquista de um conhecimento e o aluno nesse processo passa por avanços que chamamos de níveis de conhecimento e cabe ao professor saber identificar esses níveis para assim contribuir na evolução dos mesmos, até que todos estejam alfabetizados.
Aceitar que o aluno pode ler ou escrever de diferentes formas, sem ter de passar obrigatoriamente pelo domínio do código, significa reconhecer que ele pode gerar conhecimentos próprios e complexos sobre a escrita, não se limitando ao conhecimento da letra, uma vez que já traz um repertório ao ingressar na escola.
Segundo MATENCIO (1994 p. 20):
A escola passa a ser vista, então, como um espaço institucional em que convivam indivíduos provenientes de diferentes comunidades, e por isso, detentoras de práticas discursivas e sociais diversificadas, que não são unicamente aquelas das classes dominantes.
Neste sentido, o trabalho do professor alfabetizador deve estar voltado para atender alunos com culturas diferentes, salas heterogêneas, e em muitos casos o trabalho individual com o aluno é que terá bons resultados. Portanto, a mistura de alunos provenientes de regiões diferentes enriquecerá muito o trabalho no sentido que o professor poderá valorizar e até trabalhar com a cultura das regiões, o dialeto, a música, enfim, enfatizar as práticas discursivas de leitura e de escrita com fenômenos sociais que ultrapassam os limites da escola.
Quando o aluno chega à escola, já dispõe de competência linguística e discursiva para comunicar-se em interações que envolvam seu dia a dia. A atividade da fala ocorre socialmente e sem traumas num contexto familiar e afetivo, pois sabemos que a escrita é uma necessidade de todos aqueles que vivem em sociedade, sendo, portanto, um direito social. Aprender a ler e a escrever é um processo cognitivo que exige não somente a motivação e a mobilização do alfabetizando como também sua participação ativa. Esse processo tem um sentido por vezes inesperado, pois sabemos que a criança possui ritmos pessoais distintos, entretanto, independentemente disso, é fundamental encararmos que todas elas merecem ser observadas sob uma nova ótica em relação ao processo de alfabetização.
Segundo VIGOTSKY (1984, p. 48),
“Todas as funções psicológicas especificamente humanas se originam nas relações entre os indivíduos”.
Assim, o papel do professor alfabetizador vai muito além de apenas ensinar o alfabeto ou ainda juntar letras para decodificá-las, ao professor os estímulos para alfabetizar, o professor deve estar atento para que seus alunos tenham uma atitude participativa na ação geradora da aprendizagem.
Para FERREIRO (1990 p.):
Escrever não é transformar o que se ouve em formas gráficas, assim como ler não equivale a reproduzir com a boca o que o olho reconhece visualmente. A tão famosa correspondência fonema-grafema deixa de ser simples quando se passa a analisar a complexidade do sistema alfabético.
Dessa forma, sabemos que a responsabilidade do educador é de garantir aos alunos o domínio da linguagem oral e escrita, pois, assim, terão acesso a uma vida social plena, com esse domínio os alunos ampliam as suas possibilidades de partilharem informações e conhecimentos. Nessas condições, o professor precisa investigar o conhecimento que os alunos já têm antes de ir para a escola como ponto de partida para o planejamento, também tem de intervir para criar um conflito cognitivo em relação ao que o aluno já aprendeu e o que ainda vai aprender, chamamos de frase de transição, onde acontecem os avanços nos níveis de escritas dos alunos.
Para Emilia Ferreiro, o importante é o professor compreender o desenvolvimento das ideias da criança sobre a escrita como um processo evolutivo. O papel do professor alfabetizador no processo de construção do conhecimento consiste em facilitar o intercambio entre as crianças, responder as perguntas, propor situações concretas de escrita e leitura, para tanto, faz-se necessário que o professor tenha convicção que os alunos podem e sabem ler e escrever, promover e facilitar as produções sem interferir nas correções ou opiniões a respeito dos possíveis “erros” infantis, ressaltar as opções das crianças enfim, planejar e direcionar as atividades realizando um processo de avaliação continua, diagnostica e formativa tornando o aluno agente do processo ensino-aprendizagem. Portanto, praticar uma avaliação formativa significa não utilizar apenas as provas escritas, mas assumindo uma atitude que leve o professor a perceber as dividas e dificuldades de compreensão. Esse processo passa pela observação e necessariamente pelo dialogo, é preciso que envolva a autoavaliação onde o aluno e professor procedam a uma analise critica e instrumentada de uma prática de identificação e de resolução de problemas.
Na alfabetização também se utiliza o erro como instrumento para os avanços dos alunos, ou seja, na visão sócia - construtivistas, o professor aproveita o erro do aluno para fazer as intervenções e fazer com que o aluno entenda o processo de construção da escrita, isso significa que de acordo com que o aluno escreve é um nível de conhecimento que este se encontra. Para Emília Ferreiro, a aprendizagem da língua escrita é a construção de um sistema de representação, um grande passo de cada sujeito leitor e escritor no processo de apropriação do código escrito da língua materna dá-se quando surge a necessidade de diferenciar a escrita à de desenhos e do próprio objeto, o que ocorre no nível silábico e exige muito esforço do aluno, muito pensar, relacionar e recriar. Nesse momento, o aluno passa por etapas importantes consideradas muitas vezes “erradas” do ponto de vista convencional, mas “certas” para elas, porque são lógicas e, sobretudo necessárias.
Em relação à linguagem, a criança torna-se falante de sua língua materna, porque observa, atentamente, o que se fala a sua volta e, nesta observação, estabelece relações, busca regularidades, faz generalizações e recria sua linguagem.
De acordo com VYGOSTSK (1987, p. 50).
O desenvolvimento dos processos, que finalmente resultam na formação de conceitos, começa na fase mais precoce que, numa combinação especifica formada base psicológica do processo de formação de conceitos amadurece, e se desenvolve somente na puberdade.
Portanto o professor deve levar em conta que em uma sala de aula cada aluno vem com uma linguagem oral própria do meio em que já convivia antes de frequentar a escola, ou seja, a família, de modo que as variantes da língua e as varias formas de se expressar vão estar presente em um só ambiente e o trabalho do professor deve ser o de valorizar a cultura do aluno e se aproprie da linguagem formal, sendo um trabalho lento e que deve ser cercado de cuidados para que este aluno não se sinta incapaz ou até mesmo humilhado, pois, se isso ocorrer, consequentemente o aluno se reprimira e assim, ficara ainda mais difícil fazê-lo entender que existe uma linguagem diferente da usada por ele e que ele precisa estar atento com essa linguagem formal ou culta, pois a escrita vai exigir isso dele.
A leitura vem auxiliar o professor nessa tarefa, pois, é através da leitura que o aluno consegue perceber a diferença de como ele fala que seria a linguagem popular, para a linguagem formal que é usada para escrever convencionalmente os textos, pois, na concepção sociointeracionista de linguagem, a leitura é entendida como um processo de sentido que se da a partir de interações sociais ou relações dialógicas que acontece entre dois sujeitos, o autor do texto e o leitor. Dada à necessidade de se trabalhar qualitativamente e de forma permanente com a leitura, o professor, no trabalho com a alfabetização precisa fazer da sala de aula uma sala de leitura, com diferentes suportes e tipos de textos, a ser utilizada pelos alunos tanto em momentos formais de leitura, quanto toda a turma lê, quanto em quanto em momentos informais, em que o aluno que já terminou sua atividade escolhe um texto para ler enquanto aguarda nova atividade.
O papel do professor é de extrema responsabilidade, pois ele devera criar situações que permitam ao aluno vivenciar os usos sociais que se faz da escrita, e as características dos diferentes gêneros textuais, a linguagem adequada a diferentes contextos comunicativos, sem se esquecer do sistema pelo qual a língua é grafada, o alfabético. Também, deve-se levar em conta que o aluno que chega à escola pela primeira vez já estabeleceu relações muito significativas com o mundo por intermédio de suas relações familiares, do radio, da televisão, do seu grupo social, pois a mente social do sujeito, suas crenças, valores e atitudes, forma-se pelas relações interpessoais estabelecidas nos grupos sociais. O aluno já possui, portanto, informações importantes sobre o mundo. Da escrita e da leitura, já é capaz de se expressar oralmente em diversas situações da vida.
De acordo com BAKHTIN, 1992a, 1992b.
Textos significativos para crianças, produzidos nas mais variadas situações de uso da linguagem oral e escrita, em que elas participem como locutores e como ouvintes.
Um dos maiores desafios da escola é ensinar os alunos a ler e compreender o que lêem, ou seja, formar leitores suficientes competentes. Para vencer esse desafio, o professor precisa valer-se de práticas pedagógicas eficazes. Segundo os PCN: LP (SEF, 1997a, p. 54)
1- OS DESAFIOS DA ESCRITA E DA LEITURA NA ALFABETIZAÇÃO
O presente estudo mostra que a alfabetização pode acontecer através de vários processos, em todas as classes sociais, independentemente de cor, religião ou região em que reside. Porém a metodologia usada faz diferença quanto às ideias presentes nos textos dos educadores, que estão sempre a mercê das vontades de seus educadores no que diz respeito aos direcionamentos do processo de alfabetização.
Como se sabe, muito antes de a criança vir para a escola, ela opera com a linguagem: fala e usa a linguagem oral com desembaraço para interagir nas diversas situações e já faz leitura de mundo.
Assim, para SCICCHITANO (1992; p. 22):
A psicogênese da língua escrita, que Ferreiro e Teberosky (1986) descreveram, pressupõe a criança como um sujeito que constrói seu conhecimento sobre a língua escrita, que é concebida como um sistema de representação da linguagem.
De acordo com SCICCHITANO, a criança vai construindo o seu conhecimento aprende por meio da interação sociocultural e na escola vai interagir com os outros alunos e também com o professor e consequentemente vai avançando no seu processo de alfabetização.
As pesquisas realizadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky mostraram que a aquisição da leitura e da escrita não pode ser concebida como conquista de uma habilidade ou como acumulo de processo cognitivo, que resulta na conquista de um conhecimento e o aluno nesse processo passa por avanços que chamamos de níveis de conhecimento e cabe ao professor saber identificar esses níveis para assim contribuir na evolução dos mesmos, até que todos estejam alfabetizados.
Aceitar que o aluno pode ler ou escrever de diferentes formas, sem ter de passar obrigatoriamente pelo domínio do código, significa reconhecer que ele pode gerar conhecimentos próprios e complexos sobre a escrita, não se limitando ao conhecimento da letra, uma vez que já traz um repertório ao ingressar na escola.
Segundo MATENCIO (1994 p. 20):
A escola passa a ser vista, então, como um espaço institucional em que convivam indivíduos provenientes de diferentes comunidades, e por isso, detentoras de práticas discursivas e sociais diversificadas, que não são unicamente aquelas das classes dominantes.
Neste sentido, o trabalho do professor alfabetizador deve estar voltado para atender alunos com culturas diferentes, salas heterogêneas, e em muitos casos o trabalho individual com o aluno é que terá bons resultados. Portanto, a mistura de alunos provenientes de regiões diferentes enriquecerá muito o trabalho no sentido que o professor poderá valorizar e até trabalhar com a cultura das regiões, o dialeto, a música, enfim, enfatizar as práticas discursivas de leitura e de escrita com fenômenos sociais que ultrapassam os limites da escola.
Quando o aluno chega à escola, já dispõe de competência linguística e discursiva para comunicar-se em interações que envolvam seu dia a dia. A atividade da fala ocorre socialmente e sem traumas num contexto familiar e afetivo, pois sabemos que a escrita é uma necessidade de todos aqueles que vivem em sociedade, sendo, portanto, um direito social. Aprender a ler e a escrever é um processo cognitivo que exige não somente a motivação e a mobilização do alfabetizando como também sua participação ativa. Esse processo tem um sentido por vezes inesperado, pois sabemos que a criança possui ritmos pessoais distintos, entretanto, independentemente disso, é fundamental encararmos que todas elas merecem ser observadas sob uma nova ótica em relação ao processo de alfabetização.
Segundo VIGOTSKY (1984, p. 48), “todas as funções psicológicas especificamente humanas se originam nas relações entre os indivíduos”.
Assim, o papel do professor alfabetizador vai muito além de apenas ensinar o alfabeto ou ainda juntar letras para decodificá-las, ao professor os estímulos para alfabetizar, o professor deve estar atento para que seus alunos tenham uma atitude participativa na ação geradora da aprendizagem.
Para FERREIRO (1990 p.):
Escrever não é transformar o que se ouve em formas gráficas, assim como ler não equivale a reproduzir com a boca o que o olho reconhece visualmente. A tão famosa correspondência fonema-grafema deixa de ser simples quando se passa a analisar a complexidade do sistema alfabético.
Dessa forma, sabemos que a responsabilidade do educador é de garantir aos alunos o domínio da linguagem oral e escrita, pois, assim, terão acesso a uma vida social plena, com esse domínio os alunos ampliam as suas possibilidades de partilharem informações e conhecimentos. Nessas condições, o professor precisa investigar o conhecimento que os alunos já têm antes de ir para a escola como ponto de partida para o planejamento, também tem de intervir para criar um conflito cognitivo em relação ao que o aluno já aprendeu e o que ainda vai aprender, chamamos de frase de transição, onde acontecem os avanços nos níveis de escritas dos alunos.
Para Emilia Ferreiro, o importante é o professor compreender o desenvolvimento das ideias da criança sobre a escrita como um processo evolutivo. O papel do professor alfabetizador no processo de construção do conhecimento consiste em facilitar o intercambio entre as crianças, responder as perguntas, propor situações concretas de escrita e leitura, para tanto, faz-se necessário que o professor tenha convicção que os alunos podem e sabem ler e escrever, promover e facilitar as produções sem interferir nas correções ou opiniões a respeito dos possíveis “erros” infantis, ressaltar as opções das crianças enfim, planejar e direcionar as atividades realizando um processo de avaliação continua, diagnostica e formativa tornando o aluno agente do processo ensino-aprendizagem. Portanto, praticar uma avaliação formativa significa não utilizar apenas as provas escritas, mas assumindo uma atitude que leve o professor a perceber as dividas e dificuldades de compreensão. Esse processo passa pela observação e necessariamente pelo dialogo, é preciso que envolva a autoavaliação onde o aluno e professor procedam a uma analise critica e instrumentada de uma prática de identificação e de resolução de problemas.
Na alfabetização também se utiliza o erro como instrumento para os avanços dos alunos, ou seja, na visão sócia - construtivistas, o professor aproveita o erro do aluno para fazer as intervenções e fazer com que o aluno entenda o processo de construção da escrita, isso significa que de acordo com que o aluno escreve é um nível de conhecimento que este se encontra. Para Emília Ferreiro, a aprendizagem da língua escrita é a construção de um sistema de representação, um grande passo de cada sujeito leitor e escritor no processo de apropriação do código escrito da língua materna dá-se quando surge a necessidade de diferenciar a escrita à de desenhos e do próprio objeto, o que ocorre no nível silábico e exige muito esforço do aluno, muito pensar, relacionar e recriar. Nesse momento, o aluno passa por etapas importantes consideradas muitas vezes “erradas” do ponto de vista convencional, mas “certas” para elas, porque são lógicas e, sobretudo necessárias.
Em relação à linguagem, a criança torna-se falante de sua língua materna, porque observa, atentamente, o que se fala a sua volta e, nesta observação, estabelece relações, busca regularidades, faz generalizações e recria sua linguagem.
De acordo com VYGOSTSK (1987, p. 50).
O desenvolvimento dos processos, que finalmente resultam na formação de conceitos, começa na fase mais precoce que, numa combinação especifica formada base psicológica do processo de formação de conceitos amadurece, e se desenvolve somente na puberdade.
Portanto o professor deve levar em conta que em uma sala de aula cada aluno vem com uma linguagem oral própria do meio em que já convivia antes de frequentar a escola, ou seja, a família, de modo que as variantes da língua e as varias formas de se expressar vão estar presente em um só ambiente e o trabalho do professor deve ser o de valorizar a cultura do aluno e se aproprie da linguagem formal, sendo um trabalho lento e que deve ser cercado de cuidados para que este aluno não se sinta incapaz ou até mesmo humilhado, pois, se isso ocorrer, consequentemente o aluno se reprimira e assim, ficara ainda mais difícil fazê-lo entender que existe uma linguagem diferente da usada por ele e que ele precisa estar atento com essa linguagem formal ou culta, pois a escrita vai exigir isso dele.
A leitura vem auxiliar o professor nessa tarefa, pois, é através da leitura que o aluno consegue perceber a diferença de como ele fala que seria a linguagem popular, para a linguagem formal que é usada para escrever convencionalmente os textos, pois, na concepção sociointeracionista de linguagem, a leitura é entendida como um processo de sentido que se da a partir de interações sociais ou relações dialógicas que acontece entre dois sujeitos, o autor do texto e o leitor. Dada à necessidade de se trabalhar qualitativamente e de forma permanente com a leitura, o professor, no trabalho com a alfabetização precisa fazer da sala de aula uma sala de leitura, com diferentes suportes e tipos de textos, a ser utilizada pelos alunos tanto em momentos formais de leitura, quanto toda a turma lê, quanto em quanto em momentos informais, em que o aluno que já terminou sua atividade escolhe um texto para ler enquanto aguarda nova atividade.
O papel do professor é de extrema responsabilidade, pois ele devera criar situações que permitam ao aluno vivenciar os usos sociais que se faz da escrita, e as características dos diferentes gêneros textuais, a linguagem adequada a diferentes contextos comunicativos, sem se esquecer do sistema pelo qual a língua é grafada, o alfabético. Também, deve-se levar em conta que o aluno que chega à escola pela primeira vez já estabeleceu relações muito significativas com o mundo por intermédio de suas relações familiares, do radio, da televisão, do seu grupo social, pois a mente social do sujeito, suas crenças, valores e atitudes, forma-se pelas relações interpessoais estabelecidas nos grupos sociais. O aluno já possui, portanto, informações importantes sobre o mundo. Da escrita e da leitura, já é capaz de se expressar oralmente em diversas situações da vida.
2- METODOLOGIA
2.1 - SUJEITOS
Este trabalho de pesquisa tem como sujeito quatro professores que lecionam para a 1ª série do Ensino Fundamental.
2.2 - PROCEDIMENTOS PARA COLETA E ANÁLISE DE DADOS
Este estudo será realizado através de questionários previamente elaborados com questões dissertativas para os professores que atuam em salas de alfabetização e cujas salas são diversificadas e tem alunos com mais dificuldades e outros com facilidade no processo de alfabetização.
3- DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE DADOS
Na presente pesquisa sobre Os Desafios da Alfabetização na Leitura e na Escrita, foi possível perceber que em relação ao trabalho com crianças de regiões diferentes, a maioria dos professores que participaram como sujeitos defendem uma postura de valorização da cultura do aluno, deixando que este aluno se sinta respeitado e pronto para novas aprendizagens.
Em relação ao processo de alfabetização que este aluno passa a entender que os professores em maior número dizem que a aprendizagem acontece de acordo com o ritmo de cada um, porém todos os alunos têm as mesmas oportunidades enquanto estão em sala de aula, o que difere é o que o aluno vive fora da sala de aula”, no ambiente familiar algumas crianças entram em contato com a leitura e a escrita através de livros infantis ou joguinhos, enquanto outros não podem desfrutar destas mesmas condições “diz uma professora ao responder as questões”.
KATO (1988, p. 15), afirma que:
Ao aprender a escrever, a criança aprende formas e linguagem, processos de escrita e usos de linguagem. É de supor, portanto, que quanto maior a vivência com material escrito, tanto maior a facilidade em compreender os usos da linguagem escrita.
Diante dessa afirmação, percebemos que a prática pedagógica dos professores está em conformidade com a teoria. Outra questão investigada foi sobre como valorizar a leitura e fala do aluno, as variantes linguísticas, o seu jeito de falar e ainda assim, fazer com que este aluno se aproprie da linguagem formal. Em virtude desta questão, a maioria dos professores respondeu que é importante valorizar o aluno, respeitá-lo para que ele se sinta bem em estar na escola e naquele ambiente alfabetizador, porém, deve encontrar um meio que o aluno perceba as diferenças no seu modo de falar e na maneira como se escreve, assim, o próprio aluno se sentirá motivado a aprender cada vez mais e ir se apropriando da linguagem formal ou culta que ele encontra nos livros e em todos os materiais escritos.
No mesmo sentido, HOFFMAN (1995, p. 74) explica que:
“A ação mediadora do educador resulta, igualmente, num trabalho pedagógico que valoriza as experiências de vida de cada criança, suas vivencias culturais, raciais, religiosas, etc. como elementos constitucionais do espaço institucional, ao mesmo tempo em que percebe a criança sofrendo as influências desse meio e se constituído como sujeito a partir dessa interação”.
É dessa visão de postura do professor que essa análise deixa claro que a diversidade cultural em muitos casos só vem enriquecer o trabalho na alfabetização, e o resultado obtido com esta análise e que o aluno pode sim se apropriar da linguagem formal que ele terá acesso na instituição escolar mesmo que este aluno tenha consigo raízes culturais que influenciem no seu modo de falar, pois sabemos que o aluno ao escrever, geralmente utiliza a linguagem oral.
Ainda analisando o trabalho do professor em sala de aula com alunos em processo de alfabetização e enfatizando a diversidade cultural de alguns alunos, que os professores sujeitos desta pesquisa responderam sobre os tipos de material de leitura que utilizam para alfabetizar. Estes sujeitos em sua maioria responderam que utilizam os livros didáticos e alguns livros de literatura infantil, isso quer dizer que os professores utilizam poucas fontes de leitura com seus alunos, e assim, o ensino da leitura fica centrado na decodificação do código linguístico, formando leitores mecânicos que não compreendem o que lêem. Nesse caso, existe a necessidade de os professores promoverem o encontro do leitor com o texto e com o mundo, e isso se dará a partir do uso de uma diversidade textual e gêneros diferentes de texto, tornando o ato de ler significativo e prazeroso.
Como coloca KLEIMAN (1989, p. 13):
O leitor utiliza na leitura o que já sabe o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimentos, como conhecimento linguístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do texto.
Acreditamos que os dados analisados nos permitem manter a ideia que no processo de alfabetização a diversidade cultural dos alunos se faz presente pois trata-se do que o aluno viveu e aprendeu com sua família e com o meio em que está inserido, assim o papel do professor é de uma importância para que este aluno venha sentir-se bem na sala de aula, que ele possa além de aprender a linguagem formal também tenha a sua cultura regional valorizada.
CONCLUSÃO
Na alfabetização, o processo ensino-aprendizagem deve ser organizado de modo que a leitura e a escrita sejam desenvolvidas por intermédio de situações reais, naturais, significativas e vivenciadas pelas crianças. O aluno precisa sentir a necessidade da linguagem escrita no seu dia a dia., tanto no contexto familiar, como no contexto escolar. Neste estudo foi possível constatar que em uma sala de alfabetização encontramos alunos provindos de regiões diferentes e de famílias diferentes onde cada qual traz consigo seus costumes e hábitos familiares e também uma forma própria se expressar verbalmente de acordo com a região. Portanto, usar a escrita e a leitura de forma significativa e contextualizada é possibilitar a compreensão de seus usos e funções sociais, pois a aprendizagem da linguagem escrita é um processo ativo de construção do conhecimento, assim, o aluno raciocina, supera conflitos, formula hipóteses buscando regularidades e atribuindo significados relacionando as informações que o meio lhe oferece.
Fica esclarecido que a postura do professor alfabetização deve ser de acolher o aluno para a aprendizagem por meio de uma intervenção mediadora que ora desafia, ora oferece suporte para a criança avançar conceitualmente, proporcionando aos educadores uma variedade textual, estimulando o enfrentamento dos desafios cognitivos promovendo o encantamento do aluno para com o universo da escrita e da leitura. Ainda sobre a variedade textual, podemos afirmar que é de fundamental importância no ambiente alfabetizador, a seleção do material escrito, portanto, deve estar guiada pela necessidade de iniciar os alunos no contato com diversos textos e facilitar a observação de práticas sociais e de leitura e escrita as quais suas diferentes funções sejam consideradas.
A partir disso, fica claro que a escola deve ser vista como um espaço institucional em que convivem pessoas provenientes de diferentes comunidades, e por isso detentores de hábitos e costumes diversificados onde, cada região possui eventos de letramento distintos, porém, o fato de as culturas serem diferentes não implica que este ou aquele aluno não vai compreender e aprender a ler e a escrever de forma culta com as normas e os padrões preestabelecidos.
Dessa forma, percebemos que a alfabetização está diretamente ligada ao letramento, e ser letrado significa saber ouvir, falar ler e escrever para fazer uso em participações sociais. Nas sociedades letradas as crianças estão sempre em contato com a linguagem escrita diversificada no ambiente em que vivem. Assim ao chegarem à escola, estas crianças já tem definido a importância da escrita e da leitura, ainda que, muitas vezes estas mesmas crianças não tiveram acesso ao mundo letrado pelo fato de residirem em lugares desprovidos de material escrito, elas com certeza já tiveram algum tipo de contato com a leitura e a escrita, porém, precisam de um suporte maior no processo de alfabetização, como os materiais e até mesmo a dedicação da professora que vai assumir uma postura ativa e atuar todo momento seja na forma como encoraja cada um de seus alunos a se lançar na ousadia de aprender.
Portanto, a diversidade cultural dos alunos cumpre um papel importante no processo de alfabetização, ou seja, trás contribuições no sentido de mostrar que todas essas diferenças fazem parte do processo histórico e social do nosso país, confirmando a importância de valorizar o que o aluno já sabe, a forma como ele se expressa e a vivencia de mundo que ele tem que podem reverter em experiências valiosas para todo o grupo. Nesse sentido, ao acreditar no potencial de todas as crianças, quaisquer que sejam suas origens é também resgatar seus conhecimentos já adquiridos antes mesmo da vivencia escolar de modo que este aluno esteja incentivado a superar as dificuldades e aprender cada vez mais.
Enfim, frente à diversidade cultural constatamos que não basta somente uma mudança de atitude as rejeições, a escola precisa cuidar para que não se reproduza em seu espaço à discriminação linguísticas provenientes da diversidade cultural não pode ser tratado como distorções ou incorreções, o aluno precisa estar consciente que o seu modo de falar não é o pior ou o errado, apenas está mais próximo ou mais distante do padrão culto estabelecido.
REFERÊNCIAS
FERREIRO, Emília. Os Processos de leitura e escrita: nova perspectiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.
HOFFMAN, Jussara. Avaliação: mito e desafio: Uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: mediação, 1995.
KATO, Mary. No Mundo da Escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo: Ática, 1988.
KLEIMAN, Ângela. Texto e Leitor. Aspectos Cognitivos da Leitura. Campinas: Pontes, 1989.
MATENCIO, Maria de Lourdes Meirelles. Letramento e formação do professor: práticas discursivas. Campinas: Mercado de letras, 1994.
PIAGET, Jean. A Formação do símbolo na criança. São Paulo: Zahar, 1967.
SCICCHITANO, Rosa Maria. Alfabetização escolar e fracasso: uma perspectiva construtivista - interacionista. São Paulo: USP, Instituto de Psicologia, 1992. (Tese)
VIGOTSKY, L.S. Linguagem e pensamento. São Paulo: Martins Fontes, 1984.
VIGOTSKY, L. S. A Formação social da mente. São Paulo; Martins Fontes, 1987.

