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Formação de Docentes em Séries Iniciais

Noraneuza Rodrigues Lima [1]

Mara Helena Martins [2]

Tânia Prestes Dias Alberici [3]

                                                             

Resumo

A complexa realidade do mundo atual tem exigido do cidadão maior contato com fenômenos relacionados à educação. Assim, as decisões tomadas pelos indivíduos, no cotidiano, dependem cada vez mais de informações disponíveis na sociedade, as quais requerem uma constante atualização de conhecimentos. Entretanto, ainda que uma grande parcela esteja sendo educada, os objetivos de qualidade e de democratização do saber nessa área estão muito longe de serem atingidos. Naturalmente, o papel do sistema escolar nessa crise do ensino é fundamental e, dentro desse sistema, a questão da prática docente assume um relevo especial. O objetivo do referido trabalho é fazer uma reflexão sobre a questão, reconceitualizar o que é formação de professores e, até mesmo, o que é ser professor. É importante ressaltar que os profissionais já têm a responsabilidade social definida por sua profissão que é ensinar, todavia, é de suma importância que estes tenham respaldo e a garantia de formação permanente prevista pela LDB.

Palavras–chave: formação de professores, ensino básico.

 

Abstract

The complex reality of the world today has required of ordinary people more in touch with education-related phenomena. Thus, the decisions made by individuals in everyday life increasingly depend on information available in society, which require a constant update of knowledge. However, even if a large portion is being educated, the quality objectives and the democratization of knowledge in this area are far from being achieved. Of course, the role of the school system in this crisis in education is fundamental and, within that system, the issue of teaching practice takes on a special importance. The goal of that work is to reflect on the question, reconceptualize what is teacher training and even what being a teacher. Note that professionals already have a social responsibility defined by his profession that is teaching, however, it is of paramount importance that they have support and continuing education guarantee provided by the LDB.

Keywords: teacher education, basic education.

 

Introdução

 

Este artigo tem a finalidade de propor uma reflexão acerca dos aspectos de formação dos professores das séries iniciais, no que lhe compete o fazer didático–pedagógico que preside a atuação docente. Mais do que palavras, são necessárias ações significativas no que diz respeito ao processo da sua formação. Assim, esta proposta busca levantar questionamentos e discussões referentes a essa formação e a fatores a ela intrinsecamente ligados.

Nos últimos anos, a educação brasileira passou por grandes transformações. Sabe – se, no entanto, que ocorreu um desmonte da base do sistema escolar de qualidade, dependente de professores com boa formação. Ante aos anseios que circulam nessa temática, foi escolhido o tema para o Projeto de Pesquisa: a Formação dos Professores nas séries iniciais.

Em 1971,pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, a escola Normal passou a se chamar Magistério e os profissionais por ela formados tinham o direito de lecionar de 1ª a 4ª série. Em 1986, o Conselho Federal de educação cria uma resolução que permite aos cursos de pedagogia formar técnicos em Educação e ofertarem habilitação para que o profissional pudesse lecionar de 1ª a 4ª série. Nesse momento, abre-se a nova porta para a formação inicial do professor das séries iniciais, que sai apenas das 459 responsabilidades do Ensino do 2º grau (nomenclatura utilizada a partir da lei nº 5692/71) para ser também responsabilidade do Ensino Superior.

Passaram – se dez anos, até que, em 1996, a nova LDBEN institui a obrigatoriedade do professor de educação básica ter nível superior. Estabelece, assim, no Art. 62: a formação de docentes para atuar na educação básica far–se-á em nível superior, em curso de licenciatura, e graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal (BRASIL, 1996).

A preocupação com a formação continuada dos profissionais da educação não é nova. Ela tem estado presente em todos os esforços de renovação pedagógica promovidos pelos sistemas de ensino ao longo dos tempos e adquire, no momento atual, especial relevância. A busca da construção da qualidade de ensino e de uma escola comprometida com a formação para a cidadania exige necessariamente repensar a formação dos professores.

Nesse contexto, a formação de professores passou a ser considerada uma questão de fundo nas reformas educacionais implementadas, ou seja, é tida como elemento fundamental para atender a essa demanda de qualidade da educação básica, num momento em que a promoção do desenvolvimento econômico está fortemente atrelada à formação de recursos humanos qualificados e onde a educação passa a estar em conexão com o novo paradigma produtivo (Aguiar, 2000; Torres, 2000). Associado a essas questões foi reintroduzida nos círculos acadêmicos a questão da necessidade de formação em nível superior dos professores das séries iniciais.

No entanto, para a implantação de qualquer proposta que se queira uma renovação das escolas e das praticas pedagógicas, a formação continuada dos professores passa a ser um aspecto especialmente critico e importante. Qualquer possibilidade de êxito do processo que se pretenda mobilizar tem no professor em exercício seu principal agente. Nesse sentido, a formação de professores constitui sem dúvida um tema de particular atualidade, de natureza complexa e que pode ser abordado e analisado a partir de diferentes enfoques e dimensões.

 

1.            Formação continuada

 

A formação continuada, segundo estudiosos da área, como Nóvoa (1991) e Freire (1991), é a saída possível para a melhoria da qualidade de ensino, dentro do contexto educacional contemporâneo. Nova o bastante, por não dispor ainda de mais teorias nutrientes, provavelmente, ainda em gestação, é uma tentativa de resgatar a figura do mestre, tão carente de respeito devido a sua profissão, tão desgastada em nossos dias. Freire afirma que “ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador à medida que a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática”. (FREIRE,1991, p.58).

A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. Quem não se atualiza, fica pra trás. A parceria, a globalização, a informática, toda tecnologia moderna é um desafio a quem se formou há vinte ou trinta anos. A concepção moderna de educação exige uma sólida formação científica, técnica e política, viabilizadora de uma pratica pedagógica crítica e consciente da necessidade de mudança na sociedade brasileira.

Desse modo, percebemos que a tarefa do professor das séries iniciais da Educação Básica vem se complexificando. Se a escola não começar a melhorar hoje, amanhã ela continuara a ser o que é. O hoje significa o ensino fundamental. Se nossas crianças não forem alfabetizadas adequadamente, não aprenderem a ler o livro e o mundo, a questionar, criar, participar, exigir; se os métodos não se tornarem ativos, se o conteúdo não se tornar significativo, de nada não adianta falar em reforma ou melhoria de ensino em outros níveis. A base é que está viciada e precária. Estamos alfabetizando como há cinquenta anos: repetindo lições, copiando a cartilha, falando uma linguagem incompreensível.

 

1.1 Formador para a modernidade

 

Como formar o formador para a modernidade? Através de uma formação continuada, que, além de reforçar ou proporcionar os fundamentos e conhecimentos de sua disciplina, o mantenha constantemente a par dos processos, inovações e exigências dos tempos modernos.

Almeja–se que a formação seja um instrumento de valorização da categoria profissional dos professores e que tenha a intencionalidade clara de superar problemas didáticos identificados como imprescindíveis para a melhoria da aprendizagem das crianças. Além disso, que os professores se profissionalizem para que, exercendo uma educação de qualidade, possam reivindicar direitos e melhores condições de trabalho. Então, acredita–se que a formação de professores nas séries iniciais tem papel fundamental para o sucesso da sua profissão além de ajudar a redefinir a função docente.

Mesmo entendendo que as exigências de formação colocadas para as propostas de cursos de formação de professores são as mesmas dos cursos presenciais, não podemos desconsiderar as especificidades que envolvem a educação à distância e, consequentemente, a formação realizada por meio dessa modalidade. O fenômeno da formação de professores à distância no interior das universidades é algo relativamente recente no cenário educacional brasileiro demandando, portanto, análises que busquem investigá-lo.

A complexa realidade do mundo atual tem exigido do cidadão comum um maior contato com fenômenos relacionados à educação. Assim, as decisões tomadas pelos indivíduos, no cotidiano, dependem cada vez mais de informações disponíveis na sociedade, as quais requerem uma constante atualização de conhecimentos. Entretanto, ainda que uma grande parcela esteja sendo educada, os objetivos de qualidade e de democratização do saber nessa área estão muito longe de serem atingidos. Naturalmente, o papel do sistema escolar nessa crise do ensino é fundamental e, dentro desse sistema, a questão da prática docente assume um relevo especial.

Surge a deficiência da formação do professor, expressa tanto pela ausência de domínio sobre os conteúdos científicos, causada, em grande parte pelas limitações das universidades e das faculdades de formação de professores, como também, pela acentuada dicotomia entre formação científica e a formação pedagógica. Finalmente, a formação regular do professor ressente–se de uma falta de reflexão sobre os problemas da prática profissional, deixando ao docente a tarefa de resolver sozinhos esses problemas, sem apoio de um referencial teórico.

Ainda que a formação regular do professor do ensino básico não apresentasse os problemas esboçados acima, seria imprescindível que esses profissionais tivessem oportunidade de continuar sua formação, após concluir o curso superior, em face da evolução rápida dos conhecimentos em todos os campos, bem como das mudanças por que vem passando o próprio sistema educacional, atualmente às voltas com reformas curriculares que implicam a adoção de novos padrões.

 

Considerações finais

 

Os investimentos em programas de formação continuada tem – se acentuado na última década como forma de capacitar os professores para o exercício das atividades docentes visando à melhoria da qualidade de ensino. Várias são as propostas de formação às quais os professores vêm sendo submetidos, tendo em vista a melhoria de ação pedagógica por meio da aquisição de conteúdos e técnicas mais eficientes do ponto de vista do ensinar e do aprender. Mas saber onde investimentos tem se adequado às reais expectativas e necessidades docentes e se os objetivos dos programas tem se concretizado em um ensinar e um aprender mais eficazes, mais condizentes com a realidade educacional brasileira, são as questões ainda pouco exploradas.

As dificuldades da prática docente nas escolas do ensino básico estão associadas a diversos problemas, de natureza epistemológica, científica e pedagógica. Em primeiro lugar, os professores foram formados, em sua grande maioria, numa visão em que se estimula uma atitude passiva de aceitação, sem questionamento das teorias científicas, consideradas como verdadeiras, enfatizando sua memorização, para evitar possíveis deturpações causadas pelas interpretações.

Procuramos com a nossa pesquisa e com as primeiras reflexões apresentadas nesse texto, lançar um olhar crítico e mais atento para o contexto em que se inserem as propostas de cursos de formação de professores à distância, a fim de fugir de posicionamentos ingênuos e apontar modelos que pareçam dar à educação à distância um status legitimado e de qualidade.

Desvaloriza–se a aplicação de idéia científica em situações reais, de acordo com a visão de que a teoria é superior à prática, estando o poder nas mãos de quem domina a teoria. Dessa forma, não há preocupação de desenvolver as competências do aluno para participar desse processo continuo de construção/reconstrução do conhecimento. Assim, fica extremamente difícil para quem possui essa visão, conseguir atender as solicitações dos PCNs.

A educação inicial é a mais importante. O professor inicial é o mais estratégico. Se algum professor devesse ganhar mais, seria este. Se algum professor devesse deter formação mais primorosa, seria esse. Na sociedade intensiva de conhecimento, ele comparece como referência central. Toda população que sabe pensar tem por trás de si professores que sabem pensar. Neste sentido, perfazem um dos indicadores mais visíveis da dignidade social histórica: a sociedade que maltrata seus professores básicos ainda vive da ignorância popular. Com efeito, o sistema não teme um pobre com fome. Teme um pobre que sabe pensar.

 

REFERÊNCIAS

 

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[1] Graduada em Pedagogia pela Faculdade Educacional da Lapa – Curitiba – PR. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

[2] Graduada em Pedagogia. Especialista em Alfabetização.

[3] Graduada em Pedagogia pela Universidade Noroeste do Paraná - UNOPAR. Pós-graduada em Alfabetização pela Universidade Cidade de São Paulo - UNICID. 

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